APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará adiante foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles foi publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE, o semanário mais antigo de São João del-Rei, minha terra natal. Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas produções. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta desmotivado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance páginas adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias. Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que não tenha, a seu tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .
Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética imoral na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir. O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. Gritos sem ecos representam uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita-se.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



domingo, 10 de abril de 2011

FOREM OU TENHAM SIDO – LINHA TÊNUE ENTRE A ÉTICA E A PICARETAGEM –


            Esse nosso idioma pátrio é mesmo tão rico e muitos desses nossos políticos são mesmo tão safados que nessa linha direta de proporcionalidade sempre é possível saber onde se encontra o ponto de interseção entre picaretagem e riqueza vernacular.  Pensando bem, desde que o Brasil é Brasil e desde que me entendo por gente essas linhas têm formado interseção na vida e no bolso do cidadão, corporificadas em roubalheira, que gera miséria, violência social e pior; envergonha o brasileiro que fica obrigado a ver seu país na cabeceira do ranking dos mais corruptos do mundo. Mas na onda da histórica beleza lingüística e políticos caras de pau ainda há uma outra questão a se refletir: o Brasil, país pobre ou pobre país? Eis a questão! Pobre, porque antes de tudo é um pobre país. Desde o descobrimento vem sendo espoliado noite e dia e a escola portuguesa foi tão eficiente que a moda pegou e há mais de quinhentos anos não sai do prêt à porter. O caso é tão sério e a ladroagem tão acentuada, que há até classificação prá ladrão. Na desastrosa hierarquia há desde pés de chinelo afanadores de calcinha no varal, que vão para a cadeia, até os famosos colarinhos brancos surrupiadores de informações privilegiadas com potencial para render bilhões de dólares, que vão para a Suíça. Quem duvida que pergunte a um famoso presidente estadista de estado capenga vendilhão.
            E o palhaço cidadão? Esse coitado; apenas vota democraticamente e paga impostos ditatorialmente.
            Assim foi até que o mundo deu tantas voltas e, quando finalmente, tentaram furtar o saco do povo e não conseguiram, porque esta bem dependurado na conscientização que vem sendo construída a duras penas pela imprensa quase livre brasileira; um desses palhaços cidadãos teve a brilhante idéia de conclamar seus pares a assinarem um “manifesto mãos limpas” contra “os fichas sujas”. Mais de um milhão e seiscentas mil assinaturas prá lavar a sujeira da política brasileira e mesmo assim as consciências inconscientes do parlamento brasileiro ainda tentaram jogar o bólido quente na mão da justiça, que saindo da sua dinâmica inércia, devolveu o mesmo e nem desembrulhou, pois o cheiro estava por demais desagradável.  A partir daí os parlamentares, se vendo em apuros no iminente risco de tirar o pão de cada dia da bocarra dos pobrezinhos maganões, entraram em pânico e então deu-se início à terrível luta entre a sucuri e o boi. Um puxa dum lado, outro doutro; finca pé de cá, enrola rabo de lá, bufa, estica, encolhe, grunhi; até que caiu do céu um apaziguador de altíssima consciência social e reconhecidos serviços prestados aos palhaços cidadãos brasileiros, que redigindo um texto histórico pensou que conseguiria dar fim ao inédito embate.  Doce ilusão, pois o prestimoso redator não é bom em português, com certeza diplomou-se numa dessas “escolas para todos” no sistema de “promoção progressiva” do Ministério da Educação; aquele que sempre faz estatística prá cego inglês ver; e, sem querer, trocou “tenham sido” por “forem”.
            As más línguas dizem que foi proposital:
ele queria deixar uma sutil brecha na lei, a fim de salvar os mequetrefes do passado impedindo que novos venham chafurdar no bolo do futuro. Eu particularmente não acredito na sua perspicaz má fé. Pode ser que o sistema operacional do seu computador esteja senil e seu velho editor de texto o tenha traído, trocando as formas verbais na hora errada. E você pacato cidadão, o que acha? Concorda comigo ou com as más línguas?
            Bom; independentemente da nossa opinião, a verdade é que graças a Deus e à conscientização cidadã a lei “ficha limpa” esta aprovada e fazemos votos que não siga o funesto destino daquelas outras que só existem para ninguém fazer cumprir. Lentamente a luta popular vai surtindo seus frutos e juntamente com a lei da “probidade administrativa” constituirão ferramenta capaz de frear a sanha dos salteadores dos cofres públicos, da nossa dignidade e paciência. Outubro esta batendo às portas e em breve estarão tomando posse alguns milhares de novos administradores com a incumbência que se dispuseram a cumprir por livre espontânea vontade. Fazemos votos que o novo aparato de leis, o aparelho fiscalizador e a imprensa continuem ativos no sentido, não só de melhorar a imagem do Brasil, como também a qualidade da nossa vida de pacatos palhaços pagadores de impostos.

BONS ANTECEDENTES NA DITADURA DEMOCRÁTICA DO BRASIL



             Pode-se afirmar com certeza que o maior sonho de qualquer cidadão brasileiro é se livrar do banditismo na administração pública, porque a população sabe, tão bem quanto os estudiosos, que a produtividade do país, no seu aspecto geral, poderia no mínimo dobrar, caso os mecanismos legais de combate ao saque fossem mais leais à sociedade e menos mancomunados com o crime e lobistas quadrilheiros, apenas interessados em defender os interesses das minorias às quais representam. O cidadão brasileiro, desde a infância conhece, lá na sua terra natal, os prefeitos larápios que reformavam suas residências se valendo da mão de obra e da frota chapa branca ou do vereador que levava a namorada ao hotel das estrelas na viatura oficial. Estes ilícitos são tão comuns que o folclore popular os elegeu como índice classificatório do bom e do mau ladrão; estabelecendo aí claramente a linha divisória entre os virtuosos como bons que roubam, mas fazem; e os maus como larápios, que nada fazem. Note-se que em ambas as situações o ato de surripiar é fato comum. Aliás, é bom ressaltar que subtrair o alheio na sociedade brasileira é tão comum e aceitável que podíamos reivindicar como mérito nacional a invenção do ‘roubômetro’; notável aparelho classificador do nível de dolo de certa mão leve como falta grave ou nem tanto, tudo, claro, dependendo da cara e do status do sujeito: roubo de galinha é crime doloso inafiançável que merece cadeia sem remissão além de autuação pelo Ibama; furtar calcinha no varal é crime culposo, pois o gatuno tarado foi vitimado pelo abominável fetiche sexual; crescer o olho esfomeado numa penca de bananas na feira pode valer boa surra no pau de arara dum cárcere fedorento e ficha suja transitada em julgado pelo resto da vida. Nesse mundo dos comuns as coisas são mesmo difíceis e se um dia o ex-ladrão de bananas, já saciado e arrependido, se candidatar a um cargo público lhe será exigido “atestado de bons antecedentes”, uma instituição injusta, pois lhe sujaram a ficha sem direito democrático à defesa e ninguém jamais parou para julgá-lo e pesar que a fome costuma ser mais negra que a tara pela calcinha da monumental mulher do próximo.
            Enquanto isso, na alta estratosfera social aonde somente transita anjos engravatados de colarinhos nem sempre tão brancos, nada dessas coisas acontecem, uma vez que nos free shops, nem se vendem bananas e calcinhas de marca são pagas no cartão de crédito corporativo. Empregar parentes é um direito angélico inalienável, pois no Brasil miserável aonde eternamente há demanda maior que oferta de postos de trabalho e nunca se ganha o que merece um aristocrata é justo que o empreguismo secreto seja institucionalizado para parentes e até namorados; claro. Afinal de contas bancos e empresas estatais foram arrematados pelas mãos da iniciativa privada, que os vem fazendo dar lucros nunca dantes registrados; felizmente, não mais para os legionários alados de estrela na testa. Mordomos, segurança em propriedades e em missões de interesse particular, bolsas de estudos no estrangeiro, viagens excursionais com familiares, apartamentos de graça para quem mora em mansões cinematográficas e ganha salários impensáveis para contribuinte qualquer, investimentos de empresas públicas em empresas e fundações de fachada a serviço de egos imperialistas, reformas excêntricas caras e dispensáveis; tudo pago com verba pública, são direitos reais dos nobres reis e príncipes da Imperial República Democrática Federativa do Brasil; tudo dentro da legalidade ilegal dos atos secretos, que não interessam a nenhum “Estadão” mexeriqueiro, nem aos habitantes da democracia de caudilhos e bananas. Há ainda a legião dos mascarados; estes muito mais fluídicos, pois só agem na calada da sala trancada aonde não penetra nem a luz da lei ilegal dos atos secretos, uma vez que se associam ao tráfico de qualquer coisa que dê lucro ou propicie lavagem de dinheiro sujo.
            Enquanto isso a sociedade indignada se mobiliza na razoável tentativa de inocular com um abaixo-assinado de mais de um milhão e meio de assinaturas a sonífera “presunção da inocência” daqueles que ainda não foram julgados e condenados pela prática desses crimes translúcidos que todos sabem acontecer, pois a imprensa divulga diariamente e seus resultados maléficos estão aí prejudicando toda a nacionalidade, mas que diante do seu abstratismo e da dissimulação e projeção dos acusados tornam-se de difícil comprovação.  Contudo, cura existe e é possível, mas esbarra na malevolência da “presunção da cumplicidade” dos seus pares previdentemente interessados em perder a grande oportunidade duma boa faxina na política séptica brasileira. Bobagem! Bastava que os Tribunais Regionais Eleitorais se lembrassem que constitucionalmente todos são iguais perante a lei e invocassem o antidemocrático instrumento denominado “atestado de bons antecedentes” exigido dos contribuintes e concursandos plebeus pelo Brasil afora. Aí até os ladrões de banana subnutridos seriam justiçados e perdoados por lógica e equilibrada jurisprudência.


AMAZÔNIA AZUL E AS FORÇAS DESARMADAS DO BRASIL


            A TV Globo, num dos seus programas humorísticos apresentado há muitos anos: o “Balança mas não cai” criou uma personagem interessante para parodiar o coronelismo nordestino e ao mesmo tempo zombar dos militares que governavam o Brasil. Tratava-se do desastrado e pândego coronel das forças desarmadas do Brasil. O tal militar trajava terno branco, ostentava um chapelão de abas largas, botinas pretas, esporas e o indefectível óculos ray ban. De vez em quando, ao se aborrecer, sacava do revolver enferrujado e descarregado.  Diante do vexame da falha do tiro ele o arremessava no oponente e ameaçava aos berros: - “da próxima vez eu te pego!”.
             Depois de tantos anos a imagem do velho coronel retorna oportunamente à lembrança diante do também velho, porém negligenciado, desafio do Brasil salvaguardar suas gigantescas riquezas naturais e, por que não dizer, sua soberania. Logo depois da abertura política e da posse do presidente Sarney, quando os retornados do exílio, dentre eles os entreguistas neoliberais, começaram a crescer no cenário político nacional, deu-se início à discussão sobre o real papel das forças armadas brasileiras, cuja imagem enxovalhada, trazida dos tempos da ditadura, era fantasmagórica demais para os defensores dessa democracia carnavalesca que sonhavam instalar no país.  Obviamente temiam que os militares não pudessem se conter ao seu papel precípuo nas artes da guerra e foram contra sua revitalização tecnológica interpondo o argumento de que o Brasil era um país de tradição pacífica circunscrito entre vizinhos amigos e que, em caso de ameaças mais sérias, os Estados Unidos se incumbiriam da nossa defesa. Além do mais, havia centenas de prioridades no âmbito social – as quais não cumpriram nem dez por cento – que deveriam merecer atenção maior que a simples perda de tempo e dinheiro investido em algo de menor importância, que o país podia e devia prescindir.
            Daquela época em diante, nossas forças armadas impuseram-se um silêncio sepulcral e restringiram-se aos muros dos quartéis, sem verba nem para gasolina e manutenção adequada da frota. Os salários do pessoal foram minguando a ponto de um oficial general ganhar menos que muitos coronéis de polícia pelo país afora. O contingente foi reduzido e a semana de trabalho não incluía mais, nem as tardes de quarta, nem muitas sextas feiras. Enquanto isso a farra com os recursos públicos se multiplicava irracionalmente em todas as esferas do poder público, desde a prefeitura mais simples, até os mais altos escalões governamentais. Na outra ponta da linha trataram de azeitar os motores da engrenagem tributária a ponto de estrangular o contribuinte com uma das maiores cargas tributárias da galáxia e de consolo uma oferta de serviços em pé de igualdade com alguns países africanos. Em seguida quebraram todos os bancos estatais e depois os venderam juntamente com outras grandes empresas públicas insolventes pela roubalheira, sempre escudados na desculpa esfarrapada de que mais valiam por qualquer dinheiro em mãos alheias que nas mãos deles próprios. De quebra roubaram do Brasil sua condição de grande exportador de armas de guerra e de navios, talvez por não acharem conveniente um país habitado por um povo altamente civilizado e pacífico tratar dessas coisas brutas capazes de machucar interesses estrangeiros. Fernando Henrique diante da imponência arcaica do porta-aviões Minas Gerais, foi à França adquirir outro com honrosos serviços prestados à marinha daquele país na segunda grande guerra, pelo qual pagamos a irrisória importância de vinte e quatro milhões de dólares.
            Nesse ínterim alguns governantes de países reconhecidamente expansionistas já declararam claramente, inclusive o russo Michail Gorbatchov, que a biodiversidade amazônica deveria ser considerada de interesse internacional. Alguns anos mais tarde, o mundo passou a discutir a eminente escassez de água doce em alusões diretas aos imensos recursos hídricos amazônicos e brasileiros. E mais recentemente o venezuelano visionário e temperamental, Chaves; vem trabalhando para transformar seu país numa ilha fortificada inundada de armamentos russos. Até quando a pródigiosa inteligência brasileira continuará torporizada pela crença de que não necessitamos de grandes defesas, ninguém pode prever. Contudo, a crença de que Deus é brasileiro parece às vezes ter mesmo fundamento, pelo menos no combate ao estrabismo estratégico da nossa inteligência burra. Depois que a Petrobrás anunciou ao mundo a gigantesca descoberta de petróleo na camada do pré-sal e a quarta frota americana foi avistada rondando nossas fronteiras marítimas o presidente Lula correu a telefonar para Jorge Bush, a fim de lembrá-lo da velha amizade que norteia as relações americano-brasileiras. E graças ao bom Deus brasileiro também se lembrou de investir na força marítima até incrementando a construção de submarinos a propulsão nuclear com tecnologia nacional. Pena que o projeto – se esse não for mais um devaneio governamental – somente deverá virar realidade daqui a, pelo menos, dez anos. Até lá, se os americanos ou outros quaisquer crescerem os olhos nos nossos ovos, talvez nos sobre a opção de agir como aquele coronel grotesco e atiremos nossas cangalhas flutuantes ou voadoras contra as fortalezas atômicas dos amigos; obviamente sem nos esquecermos do grito de guerra: “DA PRÓXIMA VEZ EU TE PEGO!”.

A OUTRA FACE DA MOEDA.


             Tenho idade suficiente para ter testemunhado ao vivo a história acontecer. Naquela época (década de 60-70-80), tempos da guerra fria, o regime expansionista soviético rondava a América Latina e o Brasil principalmente, pelas suas riquezas naturais e posição estratégica relativa aos EUA.
            A inteligência soviética e a contra-inteligência americana foram os atores principais naquele teatro. Quem fez a revolução de sessenta e quatro foram os americanos, graças a Deus, porque senão estaríamos hoje sob o domínio de um governo comunista e não aqui colocando nossas opiniões livremente. A Dilma Roussef certamente teria ido para o paredão de fuzilamento assim como aconteceu com os camaradas de Fidel Castro. Eles costumavam eliminar todas as cabeças pensantes contra ou a favor depois que conseguiam acender ao poder. A ditadura, portanto, não caiu do céu como castigo divino; ela foi a nossa tábua da beirada enviada por Deus em atendimento às orações de quem tinha amor à liberdade. Antes da ditadura havia democracia e os radicais de esquerda não souberam lutar usando o diálogo; queriam tomar o poder pela força em nome de uma filosofia antidemocrática e de uma nação assassina como foi a União Soviética. As forças armadas brasileiras estavam minadas pelos radicais, que tentaram quebrar a hierarquia numa situação em que cabos, sargentos e tenentes pegaram em armas contra seus superiores. Tudo para desestruturar a única força capaz de conter a dominação comunista iminente. Os radicais de esquerda não agiam por iniciativa própria, eram dirigidos por comandos alienígenas soviéticos infiltrados no país: na igreja, nas academias, nos clubes, por todo lado onde houvesse povo e principalmente jovens.
            As Forças Armadas Brasileiras, infelizmente sempre despreparadas, se não fizessem o que fizeram apoiadas e impelidas pelos estrategistas americanos, fariam os yanques (soldados americanos) que desembarcariam aqui como fizeram em muitos outros lugares, em tantas outras situações e por muito menos.  Aí confesso sem medo de errar: - minha preferência pelos yanques é bem maior do que pelos ursos soviéticos. Pelo menos nunca vi falar que lá houvesse pelotão de fuzilamento ou que algum dia proibiram a livre expressão, o livre direito de ir e vir ou o direito ao voto em eleições democráticas.
             Você que é jovem e logicamente não vivenciou essa situação e não se inteirou, porque não há quase nada disponível nem interesse das autoridades em relatar o aspecto verdadeiro dessa face da história; pesquise lá na wikipédia quem foram Carlos Lacerda, Carlos Lamarca, Maringhella, Leonel Brizola, João Goulart (Jango), Jânio Quadros e outros protagonistas de menor importância, mas que defenderam com igual ou maior fanatismo o ideário comunista soviético herdado de Luiz Carlos Prestes, o cavaleiro da salvação nacional especialmente preparado na União Soviética para ser o primeiro comandante a moda Fidel Castro e Chaves. Recomendo ainda a leitura do espetacular romance intitulado “Olga” relatando a história da vida de Olga, a espiã comunista enviada ao Brasil na década de trinta e mulher de Luiz Carlos Prestes.
            Foi naquela época cor de rosa, segundo os românticos radicais do PT, que a jovem patricinha Dilma Roussef, então com seus dezoito anos, empunhou sua metralhadora em defesa da bandeira vermelha ornada com a foice e o martelo, uma obra prima de Lênin, o salvador democrático dos trabalhadores soviéticos. (vide historia do proletariado soviético entre 1910 e 1980) – Leia também Arquipélago Gulag do dissidente soviético Alexander Soljenitsin e verá comprovado quanto romantismo havia nas masmorras comunistas da Sibéria, especialmente construídas para os que desafiassem o regime que se instalou em nome da libertação do pobre proletariado.
            O regime comunista na União Soviética foi extinto na década de oitenta, após 70 anos, pelo presidente Mikhail Gorbatchev, depois de ter eliminado milhões de pessoas valendo-se de torturas físicas e psíquicas, fuzilamento, trabalhos forçados e prisão perpétua e ocupado e dominado dezenas de paises por invasão armada.
            O problema que está preocupando as cabeças pensantes nessas eleições não é especificamente a questão do aborto, que para muitos é uma questão de foro intimo; será amplamente discutida pela sociedade e pelo congresso e que foi colocada como pretexto, mas a questão da mentira e da dissimulação de uma pessoa que tem um passado não recomendável de intolerância. Imagine essa pessoa com o poder de um presidente da república nas mãos! Lula que sempre foi fluídico como hidrogênio gasoso soube se equilibrar no poder e ela, com sua personalidade autoritária radical, saberá?

A OPORTUNIDADE FAZ O PEDÓFILO.



            Outro dia fui convidado a assistir palestra cujo tema central era: “Família, núcleo base do povo de Deus”. Assunto polêmico e quase sempre enfadonho para uma sexta feira, mas por impossibilidade de dizer não a certas pessoas, principalmente quando se trata do pároco da pequena cidade onde vivo; compareci. Convite provindo do padre, porque se comemorava a semana da família; atividade proposta pela Campanha da Fraternidade.            Sala cheia, a maioria mulheres, talvez porque na sociedade machista essas coisas pertinentes à educação de filhos caibam mais a elas ou porque homens, nas sextas feiras, tenham outros afazeres pelos bares da vida; o fato é que o palestrante percebendo a ausência masculina comentou jocosamente: - “depois eles reclamam que a justiça é tendenciosa”.
            Enfim a discussão limitou-se à pergunta: Por que você quis ter filhos? Respostas acanhadas dissimuladas em sorrisos de soslaio, entremeadas ao burburinho que repentinamente inundou o recinto e uma ou outra se justificou com aqueles antigos clichês: - porque são o fruto do casamento; porque Deus quis; porque são um presente de Deus; porque tinha medo do meu casamento cair no marasmo; meu marido não queria, mas forcei a barra e ele teve que aceitar... Restabelecido o silêncio e diante do sorriso amarelo do palestrante novas risadas e olhares de curiosidade. Por que ele nos olha desta maneira? Muitas se perguntavam...
Certamente indignou-se pelos tantos motivos banais e convicções inconsistentes. Ora; em face da suma importância da paternidade não cabem veleidades e impulsos de caráter individualista com o único intuito de manipular ou satisfazer desejos pessoais fúteis e efêmeros. Filhos não são investimentos materiais como aquisição do automóvel, a construção da casa própria ou a realização do sonho de conhecer Disney World; que podem ser negociados, reformados, substituídos, adiados, vendidos ou até mesmo esquecidos e abandonados, caso não agradem pelos defeitos e fraquezas que por desventura possam apresentar. Não é possível lhes substituir a cor dos olhos, nem o caráter, nem incapacidades corporais, mentais e cognitivas. A única moeda circulante na empreitada de criá-los e prepará-los para a vida é o amor personificado em dedicação perene, aceitação incondicional, conduta exemplar, estabelecimento de limites, convivência em família cujas relações sejam constantes, equilibradas, pacíficas e respeitosas. Essa receita de amor é a argamassa da formação humanística necessária à concepção de cidadãos capacitados para legar ao mundo novas gerações aptas ao sucesso do homem (mulher) como obra superior e fazer jus a sua suprema condição na divina construção universal.
            Diante dessas reflexões, a platéia fez sua mea culpa, pois a maioria havia se esquecido que assim como a ferrugem e o caruncho atacam bens materiais, também os oportunistas investem contra filhos legados ao descaso de pais despreparados para criar em estado de amor por estarem eternamente assoberbados de afazeres cotidianos ou prazeres efêmeros. Pais que, diante dos desvarios de filhos perdidos, camuflam-se por detrás da indefectível questão: - “onde foi que errei?” e se esquecem que certamente erraram pela ausência, pelo desamor, pela impaciência, pela ignorância, pela leniência, pela supervalorização do “eu individualista” em detrimento do “nós em família”.
            Hoje, quando vemos crescer os índices de desrespeito aos impúberes na esteira do assédio do tráfico, das cantadas dos pedófilos cibernéticos ou das seduções baratas dos aliciadores de esquina, nosso primeiro impulso é ligar para o disk denúncia de plantão, para a polícia ou para quem quer que seja. Obviamente as ações criminosas devem ser coibidas e os malfeitores subtraídos do convívio social, entretanto não nos é permitido esquecer que tais criminosos um dia foram crianças, em sua grande maioria, filhos de pais ausentes, que nunca mediram o tamanho da responsabilidade que assumiram no dia que resolveram conceber. De nada adianta encarcerar alguns criminosos por dia, se continuarmos a criar condições para fabricá-los em série no seio de nossas próprias famílias. Com certeza o disk denúncia e a polícia estão desempenhando parcialmente seu trabalho, pois deveriam, ao trancafiar o denunciado, querer saber do procedimento dos pais no dia a dia familiar e por onde andavam, enquanto seus filhos indefesos eram molestados...
Algumas mães presentes interpuseram suas últimas questões na tentativa, talvez, de se justificarem diante da própria consciência: - se não tenho tempo, pois preciso estar fora o dia todo, a fim de ajudar meu marido nos inúmeros compromissos mensais, como devo fazer?
Ainda há muito que fazer. Desdobre-se, seja ainda mais paciente e carinhosa, ame mais, dê mais apoio, mantenha-se presente mesmo ausente, fiscalize, queira saber tudo nos mínimos detalhes, não descanse nunca e se isto for mesmo impossível, não tenha filhos, viva somente para você e verá que daqui a alguns anos as prisões estarão mais vazias.

A CIGARRA PICARETA E AS FORMIGAS


 
                Quem um dia foi criança se lembra daquela história do entrevero entre a cigarra e a formiga. Enquanto uma trabalhava a outra cantava. Um dia, ao início do inverno, a cantora foi bater à porta do formigueiro para pedir alimento e abrigo. Aí recebeu com escarninho a negativa das indignadas formigas.
- Se cantou, agora dance!
E a cigarra insistente continuou sua tentativa de convencimento.
- Como não trabalhei se com meu cantar alegrei vossos dias de trabalho?!
A afirmativa da cigarra demonstra certeza absoluta da utilidade do seu ócio. E talvez até tivesse razão, se agora não dependesse da compaixão daquela que provisionou. Entretanto a preguiçosa pelo menos demonstra algum respeito, quando implora a sensibilidade da trabalhadora; diferentemente dos políticos caras de pau, que, inapetentes ao trabalho, batem nossas carteiras sem piedade. Melhor exemplo é que mais uma vez assistimos à nova onda de altas salariais açambarcando os vários níveis governamentais. O senador Cristóvão Buarque, uma das poucas vozes contra, argumentou que a hora é de se preocupar com o “piso” e não com o “teto” salarial. Tarde demais; a avalanche já está deflagrada e ninguém é capaz de contê-la. Nada os comove, nenhuma desordem social ou calamidade pode demovê-los da ânsia feroz de levar vantagem, de sobressair-se coloridamente no mar cinza onde vegeta o povo anestesiado pela ignorância crônica, pela pobreza cruel, pelo mau cheiro das vielas. Até quando um assalariado pelo mínimo terá que trabalhar quatro anos e meio para ganhar um único salário teto? Até quando um aposentado estará condenado ao degredo econômico e social? Até quando teremos que assistir a tantos velhos malandros viverem nababesca e ociosamente à custa de um erário que nunca pode investir mais do que parcos por cento em estruturas que garantam dignidade e realização para todos?
                Certa vez concentrados no que chamávamos de ginásio, à hora do lanche, um saudoso professor de filosofia e religião nos aconselhou que na hora da oração pedíssemos perdão a Deus pelo tanto que comíamos num país onde a maioria tinha fome. Comprova-se aí claramente a profunda consciência social de um homem, que tinha como principal responsabilidade educar novas gerações lhes desenvolvendo plena consciência de que apenas com respeito e solidariedade pode-se criar um clima de cooperativismo aonde as pessoas facilmente possam compreender que ocupar menos espaço pode ser útil para que outros também consigam a realização de sonhos inerentes a todo ser humano e que, quando isso não acontece a sociedade se transforma num pandemônio aonde reina a violência sem limites. A convivência social para ser harmônica deve compreender divisão eqüitativa de deveres e direitos e isso significa que quando se ceifa um campo pobre todos devem ser pobres. Enquanto a maioria trabalhar duro na ceifa de parcas colheitas para alguns viverem cantando, continuaremos assistindo a inocentes morrerem impiedosamente pelas balas de delinqüentes que um dia foram crianças sem comida, sem teto, sem escola e sem sonhos; filhos e netos de pais e avós que nunca sonharam; sempre despertos pela desesperança de viver num país cruel e sem respeito.
                Platão do alto da sua sabedoria preconizou: “se um homem quiser mover o mundo tem que começar por mover a si mesmo”. Dentro desse contexto, como poderá o Brasil atingir a plenitude democrática e maturidade nacional com a qualidade dos homens que o dirigem? Pobres de espírito e civismo, mentirosos, teatrais, desumanos; incapazes de mover-se na direção de qualquer interesse a não ser os próprios; que impiedosamente se locupletam da miséria brasileira e se consideram remidos para criar leis e julgar outros bandidos de arma em punho, estes também tão vítimas quanto tantos inocentes que tombam anonimamente no cotidiano sanguinário.