APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará adiante foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles foi publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE, o semanário mais antigo de São João del-Rei, minha terra natal. Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas produções. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta desmotivado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance páginas adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias. Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que não tenha, a seu tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .
Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética imoral na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir. O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. Gritos sem ecos representam uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita-se.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

RESPOSTA A LEONARDO BOFF, O FALSO PROFETA


Leonardo Boff, desrespeitosamente critica a Igreja Católica e a compara a uma "Casta Meretriz", em vista do afastamento do Papa Bento XVI. Diante de tamanho desrespeito pergunto: o caro leitor já viu algum filho de puta desconsiderar sua mãe pela baixa condição social?  Diante da vossa indignação, que também faço minha, achei por bem respondê-lo através das reflexões abaixo. Afinal estamos numa democracia e o direito de resposta é legítimo!
 
                Atrás dessa barba e desse bigode há um teólogo comunista. O senhor critica as ditaduras da América do Sul, mas não toca na ditadura cubana, que sempre visita e nem nos massacres cometidos pelos sociais comunistas soviéticos que também tinham esse mesmo discurso de igualitarismo. Eles, pelo menos, eram menos falsos, pois não usavam o nome de Deus.
                A Igreja que o senhor critica e da qual fez parte desfrutou e desfruta é uma instituição humana, falha, assim como todos nós. Esta é apenas a parte física da legião de Cristo. Sua face mais importante é conduta ética, baseada no amor, na caridade e na inclusão espiritual e material. O senhor como filósofo sabe muito bem que o único caminho de inclusão é através da educação de qualidade capaz de equipar o homem de capacidade para pensar e escolher livremente seu destino existencial. Entretanto os teólogos da teologia da libertação fingem não saber disso e tomam o discurso de Cristo como meio de contestação e protesto ainda que pela violência, assim pervertendo a ordem clerical e atentando contra a paz social.
                Desde que o homem existe na face da terra há dominadores e dominados. Essa é uma característica animal. Somos predadores por natureza. O senhor como autoridade antropológica sabe que os dois únicos caminhos possíveis de aplacar essa índole perversa, mas natural, é o refreamento ético cristão e a democracia que possibilite meios legais de acusação e plena defesa. Qualquer fórmula estranha a isso não deu e não dará certo. A história tem provas documentais dessa verdade. Todos que escolheram o caminho da violência ditatorial, seja para o bem ou para o mal, caíram em desgraça. O império soviético depois de setenta anos de massacre em nome da igualdade caiu, os ditadores cubanos cairão porque Cuba esta se auto-destruindo em nome de uma falsa igualdade aonde mandam duas pessoas e onze milhões obedecem; os ditadores da América latina caíram um por um e hoje são execrados, apesar de comprovadamente nenhum deles ter acumulado fortunas. Isso se considerarmos apenas a história contemporânea.
                Caso as suas utopias um dia se concretizem e a Igreja Católica venha a ser comandada por um colegiado de homens e mulheres piedosos como o senhor gostaria, ainda assim haverá roubo, peculato, corrupção, extravio, nepotismo, empreguismo, denuncismo, paternidade indesejada, pedofilia e toda ordem de desvios comportamentais que acontecem em qualquer outro lugar habitado por seres humanos. Apenas a democracia armada dos holofotes da imprensa livre é capaz de frear ratos desvairados e famintos e mesmo assim ainda há necessidade de provas cabais. Os teólogos adeptos da Teologia da Libertação, que são contra o celibato, já imaginaram quantos filhos e filhas a Igreja terá que criar, alimentar e educar? Como ficará o direito sucessório nesses casos? Os senhores teólogos estariam dispostos a participar desse esforço financeiro hercúleo ou optariam por ocupar o lado dos agraciados? Já imaginaram um batalhão de filhos de padres e bispos acionando a Igreja e reivindicando um pedaço da Capela Cistina?!...
                O Senhor sempre sonhou em construir um mundo nivelado por baixo, onde todos sejam pobres ovelhas prontas para tosquia e para oferecer sua carne sem pensar nem protestar. Acima delas um pastor como Fidel Castro, fardado, cara feia, hermético, carismático, teatral, cercado de seguranças brutamontes, fazendo discursos moralistas de cinco horas, dando socos no ar. O senhor, claro, como teólogo e pensador comunista terá sempre seu trono, lugar de destaque, receberá afagos, não comerá a ração comum a todos. Estou apenas repetindo o que a história já registrou. Assim viviam os mandarins comunistas soviéticos e a famosa “Nomenklatura”, todos protegidos por sua polícia secreta, a temida e eficiente KGB; quem se rebelasse era dissidente e tinha lugar garantido nos Gulags Siberianos e nos campos de trabalhos forçados.
                Nunca vi nenhum teólogo seguidor da teologia da libertação abordar nem reconhecer essas verdades que caíram com o Muro de Berlim, o qual dividiu a Alemanha onde o senhor estudou e que o povo de Deus não pode nem sonhar em conhecer. Gostaria saber quem pagou seus estudos lá? Teria sido a Casta Meretriz? Que filho mal criado!
                Esqueça essa história de comunismo Leonardo Boff. Vá lá à Coréia ou ao Japão ver como se faz igualdade. Estados Unidos, nem falo porque os teólogos comunistas preferem o capeta aos americanos, mas aposto que estão equipados com iphone  ultimo modelo, ipad e toda a parafernália capitalista que todo o povo de Deus sonha em ter e que o senhor certamente já tem. Conselho: tente uma vaga no Ministério da Educação para por em prática as teorias de igualdade e construa um sistema educacional de base de alta qualidade para todos, que daqui a vinte anos estaremos quase em estado de igualdade como prega a Teologia da Libertação. Além disso, seja defensor de um sistema tributário e fiscal mais inteligente, justo e equânime, a fim de viabilizar maior crescimento da produtividade e, por conseguinte da competitividade do Brasil no certame mercadológico mundial. Um quadro positivo dessa natureza propiciará a criação de milhares de postos de trabalho. Não se esqueça que os pobres tão aclamados na Teologia de Libertação são espoliados pelo PT, que dá bolsas disso e daquilo, mas aplica impostos em cascata para todos sem medir conseqüências e ainda por cima oferece um dos piores serviços públicos do mundo.
                Caro Leonardo Boff, em sua teoria libertária observa-se inumeráveis citações bíblicas que sublinham a atuação e ação de Cristo como defensor dos mais fracos, no entanto há trechos que passam clara visão de um Cristo fascista, quando lembra que fracos unidos transformam-se em fortes. O senhor imagina que os fracos se uniriam contra os fortes desunidos? Será que fracos unidos conseguiriam ser ainda mais fortes que a união dos fortes? A indução de um embate entre os homens é o absurdo central da sua teoria utópica e contraditória! Cristo jamais pregou isso! A contradição habita todas as páginas dos seus mais de noventa livros, todos tratando do mesmo assunto com palavras diferentes e conclusões iguais. – Os ricos são os vilões da história da humanidade e o comunismo é a salvação, pois ele pode tirar dos ricos e dar aos pobres. O novo velho Robin Hood justiceiro! Isso é a maior mentira da história da humanidade! O que o comunismo consegue fazer é confiscar a riqueza dos ricos e disponibiliza-la para alguns privilegiados e a partir daí cria-se uma legião de pobres acomodados e revoltados, como aconteceu na União Soviética e no seu quintal; como também acontece em Cuba há cinquenta e quatro anos.
                A outra face da sua moeda também é pura contradição. A Teologia da Libertação é discriminatória e separa pobres merecedores da salvação e pobres condenados ao fogo do inferno comunista. Aqueles capazes de enxergar um palmo à frente do nariz devem ser perseguidos e silenciados. Onde estava o senhor e seus seguidores defensores da libertação, quando chegou ao Brasil a dissidente Yoani Sanches hasteando a bandeira da justiça e clamando por socorro? Não diga que estava lá no meio dos idiotas a serviço do Comunismo Cubano, gritando palavras de ordem a fim de dissimular as mentiras de Fidel e seu bando? Com certeza dirão os teólogos: “ela estava a serviço dos Yankees” Afinal todos na sua visão utópica são Yankees. A Igreja não presta; o sistema capitalista não presta; os ditadores da direita não prestam; os investidores não prestam; a imprensa não presta; quem não quer socialismo comunista não presta. Conclui-se que a salvação do mundo esta mesmo a cargo dos teólogos libertários, dos pobres unidos calados e do comunismo cubano. A Igreja Católica, a qual o senhor desrespeitosamente se refere como “Casta Meretriz” é certamente uma das únicas instituições do mundo que forma as legiões de padres, bispos e cardeais a custo zero. O senhor e seus colegas traidores por anos a fio se valeram da proteção e sustento das vigorosas tetas da Santa Madre Meretriz e só depois que já haviam se refastelado, lembraram-se de criticá-la! Algum dia pensaram de onde saíram os recursos para seu sustento e da sua alta formação humanística? Isso é sujar no prato que comeram e atende pelo nome de “traição”.
                A irradiação da Teologia da Libertação alcançou o aparelho central da Igreja Católica, o Vaticano. Influenciadas pelos setores mais conservadores da própria Igreja latina americana e das elites políticas conservadoras, as instâncias doutrinárias sob o então Cardeal Joseph Ratzinger reagiram, em 1984 e 1986, com críticas contra a Teologia da Libertação. Mas se bem repararmos, não se fazem condenações cerradas. Tais autoridades chamam a atenção para dois perigos que acossam este tipo de teologia: a redução da fé à política e o uso não-crítico de categorias marxistas.”
                O parágrafo acima, em negrito, é uma assertiva comprobatória retirada de uma das suas próprias conclusões onde o senhor claramente protesta contra a reação reprovatória do Papa Bento XVI e outras lideres católicos fieis à liderança papal. A teologia da libertação lunática de Leonardo Boff na visão do papa é um claro incentivo à prática retaliatória e torna-se contraditória e desrespeitosa ao usar da palavra e da figura de Cristo como incentivo à luta de classes. No segundo passo, diante da desordem instalada, impõe-se o comunismo ditatorial e assassino para salvar a pátria; premissa como essa jamais poderia e poderá obter apoio da Igreja de Cristo, cuja santíssima doutrina jamais pregou o choque armado, nem desarmado, nem a dominação entre os homens; pelo contrário, Cristo era um parlamentar por excelência e se impunha pela força da argumentação, da moral, do respeito à liberdade de expressão e de escolha e muito impressionava seus oponentes apenas pela doçura do olhar, pela humildade, pelo amor incomensurável e desinteressado. As escrituras sagradas são claras em afirmar que essa existência terrena e carnal é apenas uma passagem e aqueles que ferirem com ferro com ferro serão feridos num acerto final e etéreo, portanto entende-se que nessa dimensão os filhos de Deus são livres para escolher de que lado jogar. Deus não delegou autoridade a ninguém para castigar ou premiar quem quer que seja; os homens devem se dirigir pelos apelos da sua própria consciência com inspiração no Espírito Santo e apenas a Deus cabe a decisão final. Teólogos libertários fora!
                Constatei o quanto o senhor é pretensioso e vaidoso ao se comparar ao genial Galileu, como também vítima da inquisição e que a história lhe reservará futuramente especial registro ao lado dos gigantes da humanidade. Desculpe-me, mas o senhor esta mais para Bakunin. Concordo em gênero, número e grau com os Papas João Paulo II e Bento XVI, por não terem dado repercussão à Teoria da Libertação. O primeiro, um polonês que sofreu na carne a brutalidade dos sociais comunistas, com os quais seu pensamento se afina e o segundo, um germânico, claramente eleito com a finalidade de dar um tapa de luvas na Alemanha e no mundo e aplacar a imagem sombria herdada do fascismo seletivo. Por aí o senhor vê que a Igreja moderna vem tentando se remir dos seus pecados do passado a começar por silenciar os falastrões e satanases, que podem atentar contra a paz e a liberdade. A nova orientação da Igreja sintonizada com o mundo moderno deve entender que aqueles que plantam ódio pelo pensamento e pela palavra constituem perigo para a humanidade. Estamos torcendo para que o novo papa esteja bem sintonizado com esse necessário cuidado.
                Sabemos que a Igreja jamais se acabará como o senhor preconiza. Ela que começou no alto da Cruz, chegou à coroa da Roma que a perseguiu, foi usada como capa protetora pelos bandidos e gigolôs da humanidade cobertos da mesma batina que o senhor usou; agora apenas continua procurando seu lugar no coração dos homens de bem e no seguimento dos ensinamentos do Cristo pacificador. Assim será até o fim dos tempos, porque esta revestida do espírito de Deus invocado todos os dias pelo seu povo cheio de defeitos, mas de muito boa vontade.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SABER É PODER



          A beleza da língua portuguesa é explicitada a cada momento, mas infelizmente não temos o hábito de observar a riqueza embutida no sentido de cada palavra, ainda que se componha de sons, sílabas e letras iguais.  A palavra “Poder” é um rico exemplo e funciona como espécie de ferramenta de múltiplas utilidades, porque engloba duas vertentes que nos levam a caminhos diferentes no complexo esforço da comunicação humana.  Partindo dessa premissa observamos que é costume entendermos ‘poder’ como algo que não é para qualquer um. Assim funciona como um privilégio dos sortudos. Apenas reis, rainhas, governantes, políticos, líderes ou administradores têm ‘poder’ de decidir sobre os destinos dos outros. Se procurarmos um sentido gramatical nessa situação veremos que ‘poder’ aqui tem forma de substantivo abstrato. É algo que não se pode ver, nem tocar; mas existe, porque se pode sentir sua influência, que, por vezes, até dói.
            Em sua segunda vertente vemos que ‘poder’ incorpora também um sentido de ação. Partindo do principio básico de que a vida é um exercício dinâmico de fatos e ações interligadas, facilmente percebe-se que nesse caso seu sentido se amplia grandemente, deixando de ser apenas um privilégio dos sortudos, para ganhar outros campos mais amplos; englobando o poder de realizar coisas, construir, ajudar, amar, projetar, planejar, desenvolver ou simplesmente ‘poder pensar’ ou ‘poder para pensar’.
            ‘Poder para pensar’ é a ação mais importante do universo e nada num raio de bilhões de anos luz distante daqui, em todas as direções, tem essa capacidade.  Só o homem/mulher, esses seres insignificantes, que soltam gases, fazem coco, sentem frio, têm medo, precisam tomar água e encher a barriga de comida; têm essa capacidade. Portanto, o bom exercício desse ‘poder’ nos diferencia de tudo o mais e nos sobrepõe ao degrau mais alto da criação universal. Se por qualquer motivo nos for subtraído o ‘poder de pensar’, seremos tão inúteis quanto um grão de poeira. Entretanto a capacidade de pensar é apenas potencial e ganha maior ou menor amplitude de acordo com o meio em que nascemos, vivemos e desenvolvemos. A criança que goza de funções mentais normais, num meio atrasado, terá muito menos respostas favoráveis ao seu desenvolvimento do que aquela que cresce num ambiente altamente desenvolvido, ou melhor: os seres humanos pensam de acordo com o nível dos desafios que lhes são apresentados. 
            Daí conclui-se que o pensamento é semente que precisa ser plantada em terreno fértil. Para que a capacidade de pensar ganhe peso cada vez maior é preciso que o meio ambiente nos apresente fatos e desafios que nos induzam a questioná-los assim nascendo um tipo de pensamento ao qual poderíamos classificar como ‘raciocínio’. Esta é uma forma de pensar com lógica, que possibilite alguma conclusão útil. O ser humano capaz de enxergar o meio ambiente em que vive com olhar crítico pode tirar melhor proveito para aperfeiçoamento material ou espiritual, ganha ainda mais destaque no cenário universal e é pedra fundamental para a construção do desenvolvimento da sociedade da qual faz parte.
            Todavia o problema se complica à medida que falamos de sociedade. Viver em sociedade é ato e fato político. Portanto o cidadão pensante só atingirá sua plena capacidade analítica e conclusiva se tiver a sua disposição três importantes fatores, que associados se transformarão naquela árvore plantada em nossa bandeira, a qual chamamos de “Progresso”. São eles: liberdade, informação e educação.  Sem liberdade não há fluxo de informação e sem educação a capacidade de pensar e questionar não funciona, portanto o desenvolvimento social estará mortalmente comprometido e a nação ficará à deriva, ao sabor de toda sorte de ditadores, espertalhões e corruptos para dominá-la e satisfazer interesses particulares e corporativistas.
            As nações que compreenderam isso mais cedo, rapidamente desenvolveram sólidas democracias e criaram um sistema educacional eficiente. Hoje são desenvolvidas e ricas. Vê-se por aí que riqueza não é milagre nem bondade de governo nenhum, mas fruto de um processo onde se planta certo e se colhe bem. À medida que essas sociedades ricas foram se organizando, paulatinamente investiram em um ambiente propício à pesquisa científica, assim dando origem ao ‘poder de pensar cientificamente’. Só o pensamento científico leva ao aumento da produtividade com redução de custos e aumento de ganhos. Criou-se um círculo virtuoso de mais conhecimento, mais desenvolvimento e mais riqueza fluindo numa dinâmica de mercado.
            Enquanto isso aqui no Brasil, o país que se considera futurista e pleiteia respeito mundial, nossos governantes alardeiam o combate à pobreza com a criação de milhares de postos de trabalho através da introdução de programas de aceleração do desenvolvimento e implantação de um sistema de doação de recursos para os muito pobres, a fim de tirá-los da miséria absoluta.  Até aí tudo bem e não estamos aqui para dizer que não há mérito na ação. Mérito há e não se pode negar. Mais dinheiro nas mãos de mais pessoas possibilita maior consumo, maior circulação de bens, mais geração de empregos e acima de tudo mais dignidade. Entretanto, apenas acertam parcialmente o alvo, porque não estão igualmente investindo no ‘poder de pensar’. O bom fazendeiro também investe no bem estar do seu gado, com a introdução do manejo tecnologicamente avançado, entretanto não há no rebanho quem pense. Ele decide quem vai morrer quem vai viver quem vai procriar. O gado homem, por sua vez, pode estar de barriga cheia, mas se não tiver capacidade de questionar, será muito inferior ao pior indivíduo de um rebanho de corte. Além do que as demais infra-estruturas do país estão caindo aos pedaços.
            À medida que essa política se ampliar e mais pessoas forem recebendo esmolas oficiais, sem investimento maciço no ‘poder de pensar’ estará sendo criada uma legião de dependentes viciados em receber sem suar, encabrestados a um sistema central onde ninguém discute as ações governamentais, pois de um lado todos são pobres coitados e de outro todos são santos. No meio um mórbido sentimento de gratidão, conformidade, imobilidade e impotência por parte de uma sociedade atarantada e um academicismo falido que só tem como ultima alternativa de negociação a greve e o esmagamento de novos pensadores. Essa situação seria culpa também do imperialismo americano, que investe pesado em pesquisa e educação muitos milhares de vezes mais do que o Brasil e seus vizinhos investem em programas assistencialistas e populistas?
            Este, apesar de não parecer e dos nossos governantes estarem tirando grande proveito político, é o caminho para o enterro da democracia e fim de um legítimo sistema onde o ‘poder’ realmente emane “do povo, para o povo e pelo povo”. Considere-se ainda outros sérios agravantes: à medida que o governo da esmolas vem aumentando gradativamente os impostos e os pobres não compram mercadorias isentas de tributos, num claro exercício de dá e toma. Por outro lado, o mesmo governo bonzinho não cria um clima favorável ao investimento, onde não há incentivo à ampliação da produção para atendimento ao aumento da demanda, ou seja: mais pessoas com dinheiro, haverá mais consumo; não havendo satisfação ao aumento do consumo, haverá alta de preços e aumento da inflação que coroe o valor do auxílio recebido pelo pobre. Para combatê-la, uma das ferramentas mais lembradas é a redução de prazos e o aumento dos juros, o que dificulta ainda mais a vida de todos; salvem-se os bancos. O círculo virtuoso rapidamente se transforma em vicioso, mas, para nossos governantes não importa, porque os votos estão garantidos. 
            Como se ainda não bastasse, meu poder de pensar e concluir mostra nuvens ainda mais negras no horizonte democrático por conta da clara intenção de alinhamento político do Brasil com regimes sociais comunistas da América Latina. É inconcebível pessoas que sofreram na pele as dores da opressão ditatorial e chegaram a empunhar armas em defesa da liberdade, agora no poder, estarem flertando com políticas comunistas adotadas em Cuba, na Venezuela e na cortina de ferro Soviética. A história não existe para enfeitar bibliotecas e se perder na poeira do tempo, mas deve servir como aprendizado e alerta para o futuro. Equívocos cometidos mais de uma vez denotam burrice imperdoável! Está mais do que historicamente comprovado que os comunistas roubam do homem sua mais sublime dádiva que o diferencia de tudo no universo: seu poder de pensar e direito de ser livre através do conhecimento do que se passa a sua volta. E ainda embotam sua criatividade!...
            Esses dois países não podem servir de exemplo para o Brasil. Ambos são governados por ditadores e já tiveram tempo de sobra para provar que regimes totalitários onde um grupelho pensa por todos não funciona. Cuba não esta estagnada por culpa do embargo americano, mas pela burrice, cabeça dura e comodismo dos ditadores que lá se instalaram há 54 anos em nome da liberdade. A Venezuela, o paraíso dos segredos, fechou o ano de 2012 com uma das maiores inflações do planeta e pobreza generalizada sobre um lençol de petróleo que dá para abastecer o mundo sozinho por 50 anos.  O povo, que não tem informação, nem liberdade e por isso não pode julgar esta feliz com a esmolaria governamental. A Rússia transformou-se numa potência militar, porque precisava impor os ideais comunistas. Hoje é um grande paraíso dos corruptos, esta muito longe de ser um gigante econômico e todos os países do leste europeu onde reinou o seu comando comunista são mais atrasados em relação aos irmãos do ocidente.
            No entanto, o que mais incomoda o setor pensante no Brasil, são as trocas de amabilidades e freqüentes visitas a ditadores declarados e juramentados, enquanto internamente instala-se a “Comissão da Verdade” para apurar opressão semelhante à cometida pelos camaradas comunistas, que eles apertam as mãos e dão tapinhas nas costas. Meus pêsames a esses democratas meia pataca, que pegaram em armas em nome da liberdade e da democracia, mas foram incapazes de receber civilizadamente a inofensiva dissidente cubana Yoany Sanchéz, com toda a sua simplicidade, mal vestida segundo os padrões consumistas brasileiros, armada apenas com a serenidade dos argumentos verdadeiros e da convicção de que os genuínos paladinos da liberdade sempre triunfam. Assim como triunfou Cristo, que morreu crucificado, mas o cristianismo venceu. Tiradentes, o libertador, que morreu enforcado e teve seu corpo esquartejado, mas o Brasil se livrou da tirania de Portugal. Assim como a Resistência Francesa venceu o peso da Suástica Nazista sob o manto do silêncio e da solidariedade. Assim como venceram os limites do Muro de Berlim e a tirania soviético-comunista as nações nele circunscritas. Assim como venceram os abolicionistas os ferros da escravidão negra na América. Assim como venceu o ideal de Martin Luther King de ver um negro na presidência dos Estados Unidos, caminhando para ser um dos maiores nomes da história daquele país. Assim como estão vencendo as minorias sociais nos Estados Unidos pelo peso do voto democrático a esmagar o radicalismo do Tea Party Republicano.
            O Brasil e os brasileiros pensantes concordam com as palavras da dissidente cubana Yoany Sanchez, quando ela diz que “os governantes passam, mas as nações e ideais de liberdade ficam”, porque o homem nasceu e existe para ser livre na essência da palavra. O Brasil e os brasileiros concordam com seus governantes, quando eles se mobilizam para melhorar a situação dos pobres, mas não concordam de maneira nenhuma, quando sufocam as empresas nacionais com excessiva regulamentação e pesada tributação inviabilizando negócios e suprimindo empregos. Não concordam, quando se calam diante do arbítrio de ditadores de qualquer orientação político-filosófica. Não concordam veementemente, quando tentam encobrir erros de partidários em desafio direto a legítimas condenações colegiadas de última instância. Assustam-se e repudiam quaisquer tentativas de amordaçamento da atuação da imprensa no sentido de tentar conter o fluxo de informações e, por conseguinte os horizontes da plena democracia.  Se a imprensa transgredir os limites do respeito e da ética, o ambiente democrático é via de mão dupla e possibilita ação judicial reparatória. Portanto revogam-se atos contrários e ações sub-reptícias a fim de enganar inocentes e simplórios, para depois metê-los a ferros como costumam fazer os bons ditadores comunistas em seus paredões de fuzilamento e prisões secretas.



         

A HISTÓRIA SÓ ENSINA A QUEM QUER APRENDER

Não deixem de visitar o site de Yoany Sanchez (geração y), a dissidente cubana; cetamente uma das mais importantes personalidades da Ilha Comunista, pela sua coragem em denunciar os abusos do regime ditatorial dos Castro, há mais de cinquenta anos no poder. Leiam atentamente as histórias de opressão sofridas por ela e seu povo, mas ardilosamente dissimuladas pelos censores do sistema. De conhecimento dessas arbitrariedades nos vem a dúvida: O que nosso Lula vive fazendo em Cuba? Vejam ainda que Fidel Castro, antes de tomar a Ilha como sua propriedade, também manteve contatos secretos com agentes da SS Facista e emissários do remige comunista soviético, ambos protagonistas do holocausto contra os judeus e contra os povos dominados na Cortina de Ferro delineada e representada pelo lendário Muro de Berlim. Será que estarão querendo repetir na America Latina e no Brasil o que a história da humanidade repudia e classifica como crimes contra a Humanidade e a Democracia? Devemos ter cuidado com lobos vestidos de cordeiro, pois preparam a mordida diante da distração dos incautos. Aqui eles se dizem paladinos da liberdade e clamam por justiça contra os ditadores do regime militar, mas vivem lá em Cuba cheirando ditadores mais sanguinolentos que os nossos. Dúvidam? Então leiam "Arquipélago Gulag" do dissidente soviético Alexander Soljenítsin e verão com que tipo de gente os governantes da América Latina estão se alinhando sob a capa da bondade.

UMA MULHER EM BUSCA DE LIBERDADE

Hoje chegou ao Brasil a dissidente Cubana Yoani Sánchez, depois de muita luta e pressão internacional diante da ditadura comunista para que pudesse deixar seu país.
Ela trouxe em sua bagagem profundas feridas oriundas do sofrimento imposto por um regime ditatorial e sanguinário, que há 50 anos se apoderou do país e da alma do povo cubano. Controle imposto pelo medo da polícia política. O contrasenso é que os comunistas ignorantes do Brasil e da America Latina, protestam contra os generais ditadores que os prenderam e arrebentaram, mas defendem os comunas ditadores de Cuba. Numa tremenda falta de respeito não deixaram Yoani se pronunciar abafando sua palavra com gritos de fora, fora, fora. Por que não imigram prá Cuba? Lá é que ninguém pode falar, senão perde a lingua e a liberdade.
Quem não gosta de ditadura nem de direita, nem de esquerda e quiser apoiar a dissidente pode visitar seu blog (desdecuba.com/generaciony) ou ainda se comunicar com ela pelo endereço (yoani.sanchez@gmail.com). Vamos ajudá-la a pressionar aqueles velhos comandantes gagás a limparem o beco, porque o povo cubano precisa respirar ares de liberdade e viver por sua própria conta e livre iniciativa.









quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

MUDOS POR CONVENIÊNCIA

Todos estamos estranhando o silêncio dos comunas da América Latina em relação à renúncia do Papa Bento XVI. Será por que? Seria o papa daltônico e não possa exergar aquele vermelho horroroso da camisa que o Lulalá Fidel Castro visitou Chaves em Cuba comunista?
Ah, talvez seja porque ele não apoiou o aborto da Dilma, que era a favor e depois, num passe de mágica política, ficou contra. Ou então é porque não entende nada de português e não concordou com o gênero "presidenta" inventado pelo PT semi analfabeto. Ah, pode ser também porque o papa nunca apoiou os duendes das FARC, os faniquitos do Rafael Correia, nem tenha elogiado a nacionalização da Petrobrás pelo índio Touro Pata Leve.
Com certeza comunas nunca gostaram de igreja. Quem duvida é só dar uma idinha lá na Russia e perguntar o que foi feito com Ela na época do Império Soviético do bom camarada Lenin. Não pergunte porque, senão eles negam de pés juntos e mãos postas.
Ah, por ultimo me lembrei de mais um suposto motivo muito justo para o silêncio suspeito. Talvez um gato americano tenha comido a ligua deles ou estejam magoados com o papa por nunca ter dado ouvidos às bobagens preconizadas por Frei Beto e Leonardo Boff, os dois maiores padres escritores sobre comunas da América Latindo ao sul do Equador, por culpa de quem? Será que a culpa é dos americanos mesmo ou da burrice e desonestidade dos seus próprios governantes? Quem puder que responda. Mas não fale bobagem, pelo amor de Deus.

FINDO O CARNAVAL, INICIA-SE O TRABALHOVAL

Hoje é quarta feira de cinzas, menos “mé” e mais mais mais mais o que? Que cada um dê sua resposta. A minha esta na ponta da língua: mais compromisso com meu país, com meu trabalho, com a ética, com a verdade, com o menos jeitinho e o mais respeito à lei. Feliz ano novo de novo, porque agora começa o ano de verdade!
Ah, ia me esquecendo! Dia primeiro de junho voltarei a felicitar a terceira vez pelo novo ano novo no ano já velho. Findos cinco meses de trabalho, só dedicados ao pagamento de impostos; pois o ano novo para o bolso do felizardo povo brasileiro tem início só em primeiro de junho. Não esqueça que você paga quase metade de tudo que ganha em impostos, portanto, aí esta seu calvário e uma das razões da sua pobreza. Se não acredita, comunique-se com o guro Lula Lá Fidel Castro da Silva que ele, depois de dizer “eu não sabia de nada”, dará um jeitinho em tamanha injustiça e lhe providenciará uma bolsa com alça e tudo, mas nunca perdoará sua obrigação de pagar ao Estado para ele fazer quase nada por você.
Ah; por falar em Lula Lá Fidel Castro da Silva me lembrei do Papa Bento XVI e resolvi homenageá-lo com breve sentença: VAI-SE O FRÁGIL HOMEM, FICA O GIGANTE PARA A HISTÓRIA. Agigantou-se diante da expectativa da sua personalidade ariano-germânica. Teria ele adjetivos necessários a um pontífice? Entretanto provou que, no lugar de diretor da igreja do Cristo Redentor, portanto também redentora das relações humanas, havia na sua personalidade algo mais: a clara noção de que homens são finitos, mas as instituições e suas diretrizes sobrevivem das suas boas idéias, conduta sóbria e obras. Nisso ele primou-se! Além de ser considerado um dos maiores teólogos da atualidade, foi mestre em arrefecer ânimos na sua mais plena fervura. Assim como foi também exímio em não dar asas a cobras, ou seja: nunca deu tapinhas nas costas nem ouvidos para os comunas simpatizantes da fantasiosa “Teoria da Libertação” aquela inspirada em teorias comunistas que pregam falso igualitarismo, libertação para os ditadores e miséria para o povo a poder de nacionalização, estatização, amordaçamento da imprensa, chibata e medo do paredão. Como atesta a velha ranzinza, que não mente, a qual chamamos de História – “Libertação para eles e ferro no povão”.
Nós católicos do mundo inteiro torcemos para que tenha paz no seu merecido descanso e que Deus ainda o ilumine por mais muitos anos mantendo sua lucidez incólume à idade, a fim de que continue inspirando com idéias arrefecedoras o novo pontificado que breve iniciará.
Gostaríamos ainda aproveitar o ensejo para lembrar aos picaretas de plantão que não visitem o velho padre. Ele precisa de sossego na sua ermida, dispensa falsidade, não pretende, não precisa e não deve servir de luz para a ribalta de ninguém.



TRAGÉDIAS ANUNCIADAS

     O Brasil esta enlutado pela morte de tantos jovens presos e intoxicados num labirinto sem saída. Todos se perguntam inconformados de quem é a culpa. Dos jovens que só pesam em se divertir? Dos donos que só pensam em lucro? Da fiscalização, que não cumpre sua obrigação? Da banda que usou artefatos pirotécnicos proibidos? Do prefeito, do governador, da presidente? De Deus que não vela pelas suas criaturas?
      Claro que acidentes acontecem, entretanto é preciso alguma reflexão mais profunda antes de procurarem culpados depois que a casa já caiu. Nossa memória é fraca e rapidamente esquecemos que esses acidentes são muito mais freqüentes do que deveriam ser e que as potencialidades que podem causá-los continuam aí à frente dos nossos olhos e não vemos, porque não queremos, porque não temos consciência ou mesmo porque não interessa financeiramente.
      Há menos de um ano uma explosão causada por vazamento de gás destruiu um restaurante no Rio de Janeiro, localizado debaixo de um prédio residencial, numa região movimentada, aonde morreram várias pessoas. Na época a imprensa procedeu da mesma forma, os técnicos deram suas opiniões, os governantes se pronunciaram e hoje todos já se esqueceram. As perguntas que calam são: o episódio serviu para algum aprendizado? Foram tomadas providências em âmbito nacional para que mortes por esse tipo de incidente não voltem a acontecer?
      Na mesma cidade do Rio de Janeiro, há pouco tempo, três edifícios vieram abaixo por imprudência, imperícia e falta de fiscalização. Varias pessoas perderam a vida de forma trágica. Foram tomadas providências preventivas para que novas mortes e prejuízos futuros novamente não aconteçam?
      Existem milhares de restaurantes, padarias e congêneres dentro de galerias, shopping’s, hotéis; todos trabalhando com fogo e inflamáveis. Existem milhares de postos de gasolina manuseando milhões de litros de combustível nas esquinas mais movimentadas do Brasil, próximos a condomínios onde moram e transitam multidões por dia. Será que as leis estão sendo observadas pelos proprietários e cobradas pelos órgãos competentes? Não acredito.
      Há alguns anos um Boeing derrapou num aeroporto de São Paulo e algumas centenas morreram carbonizadas. Estudos comprovaram que houve imperícia, negligência, desídia, falhas técnicas de toda ordem. Entretanto o tempo novamente calou as autoridades e a imprensa. Será quais providências foram tomadas para subtrair as potencialidades desses sinistros aéreos, nesse país que até hoje não conseguiu fazer nada para equilibrar demanda e oferta no setor com espaços cada vez mais exíguos e pressão de fluxo cada vez maior?
      Milhares morrem a cada ano nas estradas mal conservadas, mal sinalizadas, debaixo de caminhões gigantes guiados por motoristas sonolentos ou em ônibus piratas, transportando pessoas inconseqüentes incapazes de avaliar o perigo que correm. Outros milhares morrem pelo alcoolismo ao volante e o que foi feito para proibir o comércio de bebidas alcoólicas às beiras de rodovias e avenidas movimentadas? Nada porque no Brasil a polêmica é a arma dos fora da lei. O interesse econômico dos bares sobrepujou a preocupação com a vida de inocentes.
      Infelizmente temos a fama de ser um povo criativo e bom no jeitinho. Enquanto continuarmos nessa, não adiantará chorar depois que a casa vier ao chão. Criatividade é um dom que funciona bem em prol do bem. Para o mal, basta fechar os olhos e depois chorar.

18 DE DEZEMBRO - DIA NACIONAL DO MAU EXEMPLO



O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT-RS) comentou com assessores próximos, que manterá sua decisão de não permitir que o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigue o Poder Legislativo a entregar os cargos dos parlamentares condenados à perda de mandato no julgamento da Ação Penal (AP) 470. O STF decidiu pela suspensão dos direitos políticos e, por consequência, pela perda imediata dos mandatos dos deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).
Certamente o ilustríssimo Presidente, requererá para atuar como mediador no caso do mensalão e seus anjos condenados um Tribunal Celeste composto de ministros Querubins e Serafins. Coitado, talvez também esteja ficando senil e tenha se esquecido que nos estados democráticos de direito, entre os quais o Brasil se inclui, a última palavra cabe à Corte Suprema.
Ainda é bom lembrá-lo que o povo, que não faz leis, mas elege os legisladores e paga seus salários, não quer ver esses anjos de chifre os representando e esta de saco cheio de ver tanta perda de tempo, enquanto há centenas de outras demandas engavetas esperando pela angelical atenção dos nobres parlamentares corporativistas do Brasil Varonil.
O povo apoia o Supremo Tribunal Federal e saberá em tempo fazer justiça nas urnas. 2014 esta próximo e o acerto de contas não tardará.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

CARTA ENDEREÇADA À AVAAS, UMA ONG INTERNACIONAL



Emiliano, bom dia!
            Estarei sempre disposto a colaborar com tudo no sentido de moralizar nosso pobre país, a fim de botar freio nas idiossincrasias travessas dos nossos governantes. Um país rico em potencialidades e pobre em homens sérios.

            Tenho andado muito preocupado com o rumo que o PT vem dando à política social no Brasil, claramente tendendo à socialização inspirada na filosofia Bolivariana do presidente venezuelano Hugo Chaves. Simon Bolívar esta sendo envolvido nisso de forma errada. Pegaram carona na luta dele pela libertação da Grã Colônia – grande região que envolvia Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru, e Venezuela – do julgo espanhol, que na época era outro assunto, e estão dando uma de salvadores da pátria, mas no fundo o negócio é mesmo o comunismo de Cuba, inspirado no ódio dos Leninistas Soviéticos. Ainda se aquilo tivesse dado resultados positivos! Enfim esses caras são comunas fanáticos, pois todos já sabemos que comunismo não deu e não dará certo em lugar nenhum.

            O PT copiou essa estratégia de ganhar a confiança do povão com assistencialismo e populismo assim como fez Lênin, para se livrar do julgo dos Czares e Castro, a fim de se livrar do julgo do ditador Fulgêncio Batista. Mas assim que ganharam o poder, instalaram a sua camarilha e mandaram quem achou ruim e não era da panelinha para o paredão. O resto você já sabe no que deu. Guerra, mais pobreza e mais sofrimento. Não adianta; a saída para no mundo moderno é educar o povo de baixo para cima! Essa história de ficar agradando todo mundo com doação, com bolsa e com quota disso e daquilo é paliativo temporário e não tem sustentabilidade política nem econômica. Por trás disso há a grande intenção de implantarem o comunismo, primeiramente manipulando a opinião pública com migalhas e histórias da carochinha, depois calando a imprensa e por fim fingindo que não vêem mercenários como o Sarney e o Calheiros tomando conta de tudo. O negócio é mantê-los distraídos e de barriga cheia, pois assim não incomodam. O dia que ganharem o poder, esses também irão para o paredão. Quanto ao povo, coitado, esse continuará de rédea curta e na pobreza de sempre. A história é prova indiscutível.

            Observe que eles invariavelmente se colocam como santos e salvadores da pátria, o povo como coitado incapaz e deve ser protegido de forma paternal. A classe que produz e a imprensa que denuncia falcatruas são sempre as vilãs da história. Aqui no Brasil recentemente instalaram Comissão da Verdade para apurar crimes dos militares que lutaram contra a tentativa de inserção comunista liderada por eles mesmos; entretanto os assassinatos, seqüestros, assaltos a bancos,  insegurança e desordem social que promoveram à mão também armada, segundo falsa versão foi para salvaguardar a liberdade usando dos mesmos métodos ditatoriais e das mesmas bandeiras dos ditadores soviéticos. Tiraram a foice e o martelo da estrela vermelha para despistar. São miméticos até a alma.

            Lula não sai lá de Cuba fazendo o que, num país onde não há a democracia nem a igualdade que ele prega? Se não gosta dos americanos, por que não vai para a Coréia do Sul, para o Japão, para a Austrália? Países que deram certo porque investiram em educação, democracia e combate à corrupção? Lá sim, haverá o que aprender e possa interessar ao povo brasileiro e a sua vocação democrática! A infalível sabedoria popular ensina que “ao conhecer seus amigos será possível conhece-lo também”. Baseado nisso, não é difícil imaginar a causa da simpatia dos camaradas do PT pelos ditadores cubanos, há mais de cinqüenta anos interferindo na vida privada do povo como se Deuses e donos da verdade fossem.
            Não sou pessoa que fala sem conhecimento de causa. Sou um estudioso de política, tenho idade suficiente para ter vivido os tempos da guerra fria e conheço o mundo quase inteiro, tanto o lado capitalista, quando o socialista comunista. Garanto que nada me impressionou positivamente onde imperou a cortina de ferro. Estive na Rússia em 2011. Lá quem continua mandando é um ditador, o establishment, a KGB e simpatizantes. Fui a Cuba em 1996 e só fiquei nos lugares permitidos aos turistas, sempre vigiado pelos gorilas do regime. Eles não deixam nem fotografar. Conheço muitos cubanos em Miami, suas histórias felizes em terras americanas e de horror, saudades, sofrimento, desilusão, ansiedade, medo pela perda compulsória da sua cidadania original. Todos os países do leste europeu, onde mandaram os ditadores soviéticos, a história é a mesma: corrupção, injustiças, fuzilamentos sumários, polícia secreta invadindo casas, atraso tecnológico. A China é redundância comentar!

            Aqui na América Latina não dá mais para continuar usando a desculpa da colonização mal feita. A culpa é mesmo dos políticos safados e eternamente mal intencionados. Estamos numa das regiões mais ricas do globo e, se houvesse seriedade e compromisso verdadeiro com a democracia e o povo, estaríamos muito melhor. Talvez, nem tanto quanto a Europa ou a América do Norte, mas, com certeza, muito melhores.

            Não há coerência nas ações do PT. Imagine você! Se teem tanta capacidade administrativa, ganharam a confiança do povo e se dizem em condições de melhorar ainda mais, por que sua fixação com a falha e ditatorial filosofia Bolivariana e Castrista? Que continuem trabalhando, aperfeiçoando cada vez mais o processo desenvolvimentista, combatendo a corrupção, aceitando democrática e civilizadamente o trabalho da imprensa como ícone maior das nações livres, investindo em educação básica, no melhoramento da infra-estrutura do país, numa reforma tributária e fiscal substanciosa, num racionamento de gastos. Assim acertariam em cheio e o Brasil tomaria seu rumo de progresso econômico, tecnológico e social com democracia, sem importar idéias alienígenas e falsas.

            Não sei qual seu posicionamento político, mas se acordar com minha opinião, gostaria sugerir lançassem um movimento tipo desses que circulam pela internet, esclarecendo ao povo brasileiro sobre os riscos que estamos correndo. Por exemplo: NÃO QUEREMOS SOCIALISMO BOLIVARIANO, NEM COMUNISMO CUBANO. - O POVO NÃO APOIA O RELACIONAMENTO DE SEUS REPRESENTANTES COM GOVERNOS ANTIDEMOCRÁTICOS COMO CUBA, IRÃ E OUTROS; QUE NÃO RESPEITAM DIREITOS HUMANOS!...

            Acho que está na hora da sociedade e sua intelectualidade começarem a reagir, pois se deixarmos esses caras soltos como estão, quando acordarmos será tarde demais. Não dará tempo de reagir. Hoje, por exemplo, o PT reina sozinho. Não há oposição com capacidade para enfrentá-lo. O PMDB é folha ao vento, o PSDB do Aécio, Fernando Henrique e Serra, não apita nada no seio da massa. A tal Marina vai ficar naquele blá blá blá dela, mas no fundo é uma petista disfarçada. Se for presidente vai tomar a mesma direção do PT e seu populismo desvairado e sem medidas. Então meu amigo, a vaca esta mesmo indo para o brejo.

            Se os militares tomarem a frente, a historia já demonstrou que não é boa coisa e há o perigo de que vaidades e retaliações floresçam dando início a uma nova fase negra.  Então a iniciativa tem mesmo que partir do ceio da sociedade, de homens como nós, preocupados com os destinos do Brasil livre de verdade. Liberto da pobreza, da corrupção e das ditaduras de esquerda, de direita ou de centro; pois na verdade nenhuma presta.
            No aguardo!
Antonio Kleber dos Santos Cecílio.


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MIRALDA MARIVALDA BRASIL FELICIDADE




                Era noite de verão! Chuva fina e abundante molhava os roçados e a esperança na vila perdida lá naqueles cafundós que mal se ouvia falar. Pequenas casas esparsas, uma aqui, outra ali, algumas acolá. Calçamento só se via em volta da praça principal, onde ficava a igreja, a casa paroquial, o cartório. O resto? Era barro puro... Luz? Graças ao intermédio do ranzinza e velho padre Tomé D’Além Castro, que se valendo da ajuda da sua antiga amizade com tal deputado Dr. Juvêncio Mala, conseguiu-se que chegasse; mas não era para todos, porque o antigo prefeito, larápio como ele só, havia desviado a verba da instalação. Os postes de cimento, prá mais de cem, há longos dois anos estavam lá no chão na entrada da cidade servindo de esconderijo prá toda sorte de bicharada. A fiação da rede era perda de tempo querer saber, porque de metro em metro também foi prá qui e prá li, de canto em canto, sendo surrupiada do depósito da Prefeitura, prá servir aos compadres dos compadres a título de empréstimo e devolução, que nunca mais aconteceu.
– “Aqui a luz parece que tem medo de raio, vento e trovão. Toda vez que vem pancada, ela treme, acende e apaga e depois se vai e só volta depois que o sol nasce. A conta; essa nunca deixa de chegar cobrando tudinho!” Assim dizem os moradores indignados.
                Certa vez, quando na inauguração da reforma da igreja e padre Tome, sua comitiva e o povão andavam todos engalanados e felizes no meio da procissão carregando o Santíssimo e rezando bem alto, tudo ficou escuro. O sacristão Celinho Marivaldo da Cruz, mais um monte de gente cansaram de ligar prá companhia e nada. Até parece que eles têm medo de escuro, porque toda vez que isso acontece, nunca aparecem.
                A Escola, nem conto! Chove mais dentro que fora e muita da criançada fica amontoada na metade das salas, pois a outra é trinca pra todo lado, cheiro de mofo, morcego voando até na luz do dia. A primeira série junto com a segunda, a terceira junto com a quarta; uma falação misturada nos ouvidos de todo mundo. As professoras: tia Tita e tia Dinda, se revezam na diretoria prá mais de trinta anos. As outras coitadas, além de ganharem uma miséria, ainda têm que agüentar aquela grande meninada vinda de todo lado, arteira como ela só. Merenda é sempre contada, pois nessas épocas de barreira, só no lombo de carroça e à distância de muitas horas de marcha. Assim a criançada tem que escolher entre comer ou ficar de ouvido no ronco da barriga. 
“Aqui nunca teve hospital, nem médico, nem dentista. Sempre na época da campanha eles prometem e prometem, mas nunca cumprem. Mas também qual doido vai querer vir morar aqui nessas distâncias sem fim, sem caminho, nem de ida, nem de volta?” Isso toda vida foi consenso geral.
                A prefeitura, na seca, manda buscar a comissão de saúde lá de Santo Antônio da Ajuda e sempre vem um prático bom na extração, uma enfermeira caladona e sem paciência com ninguém. Cara feia não existe maior do que a dela! E certo médico gordinho, baixotinho, de bigodinho; o tal doutor Mário Carrasco da Boa Morte, que não sabe mais nada que receitar “gardenal”, pra quem anda mal dos nervos; remédio tarja preta, pra quem ta com dívida pesada e não pode pagar, nem pegar no sono; e quando dá a hora de ir embora, a fila pode ser comprida, gente morrendo que ele não quer nem saber, vai saindo e resmungando prá todo lado. A única opção que sobra para o povo nessas horas é só mesmo rezar pra Deus dar uma boa hora de morte.
                Assim nessa cantilena desse lugar perdido, sem misericórdia de ninguém, há vinte e dois anos nasceu Miralda. Marivalda, foi herança da parteira. A danada nunca cobrou nada pelo serviço de ajudar botar a criançada no mundo; a única condição era que, se fosse mulher, o segundo nome tinha que ser Marivalda e, se fosse homem, tinha que ser Marivaldo. E é o que acontece até hoje. Brasil Felicidade foi idéia dum vereador malandro que a família sempre votou nele e que nunca cansou de prometer que um dia o povo daquele lugar seria muito feliz. O prefeito ladrão também tinha sido ele mesmo. Aliás, por falar nisso, já ia me esquecendo! No último censo, que é quando o governo manda aquela gente pra ficar perguntando um monte de coisa que não serve para nada, porque a vida ruim nunca melhora depois que eles vão embora; chegaram à conclusão que a cidade era campeã em Marivaldos e Marivaldas. Havia prá mais de mil. Hoje; já deve ter muito mais! Só sei que posso me lembrar de alguns: Tonho Marivaldo Mato Alto, Robertinho Marivaldo Pinto Manso, Juquinha Marivaldo do Tonho Marivaldo. E mulher também tem a Matilde Marivalda da Boa Morte. Essa, dizem que é prima de longe do médico Carrasco da Boa Morte. Ah! E também sua filha, a Justina Marivalda Florentina da Boa Morte e sua neta, a Tunica da Justina da Matilde. Não esquecendo que a menina Túnica também tinha como segundo nome, Marivalda! Para satisfazer a curiosidade dizem que a tal parteira já passou dos cem anos, mas na cara e no despiste aparenta não ter nem setenta. O segredo de tanta longevidade e boa aparência, contam que é uso de chá de mato picão escaldado em água de placenta todo dia antes de dormir. O povo prefere morrer cedo, a tomar uma ingrizia dessa. Dr. Carrasco já prometeu que um dia ainda vai tirar essa história a limpo. Quer saber se é caso da ciência ou se é coisa de feitiçaria.
                Miralda Marivalda Brasil Felicidade, era apenas mais uma dessas tantas Miraldas Marivaldas brasileiras felizes, que nunca havia estado num ginecologista, exibia um belo sorriso desdentado, pereba na cabeça, nunca tinha usado desodorante, mal sabia ler e escrever, nem nunca tinha visto uma certidão de nascimento. Identidade e Carteira Profissional pensava em tirar um dia, se sobrasse dinheiro da lavação da roupa que lavava no rio, porque na sua casa, água mal dava para banho e cozinha. Até hoje o esgoto na rua rola a céu aberto. Da sua casa não, lá tinha fossa, mas o vizinho já andava reclamando que a poluição podia prejudicar sua cisterna, que ficava logo abaixo.
                Cansada de sofrimento e tanta desilusão, Miralda Marivalda Brasil Felicidade, nada feliz, resolveu largar tudo e partir para nova vida na cidade grande. Diziam que lá tudo era melhor. Havia trabalho, bom salário, carteira assinada, férias, décimo terceiro, vale transporte, vale refeição, seguro desemprego e tudo mais. Um céu, uma beleza! Em pouco tempo poderia ajuntar bom dinheirinho para o futuro ou quem sabe, até se casar, com um bom moço que merecesse sua atenção. Chegou a São Paulo, num Domingo de Ramos, lembrando do padre Tomé e sua procissão. Chorou, mas não se abateu! Logo estava empregada na casa da secretária de médico dona Ana Catarina da Boa Sorte. Havia procurado por todo lado. Na indústria, restaurantes, supermercados, lavanderias e nada. Ninguém a queria. Uma analfabeta, desdentada, não podia servir para nada! Mas dona Ana Boa Sorte, resolveu contrata-la assim mesmo. Combinaram que o período era de experiência por noventa dias e se tudo desse certo, ou seja, se Miralda Marivalda fizesse bem seu trabalho, a contratação era garantida. Logo ganhou um quarto, com banheiro só pra ela e televisão daquelas fininhas na parede. Tinha até tv a cabo, coisa que nunca tinha ouvido nem falar. Dona Ana Boa Sorte, não era rica, nem pobre. Vivia duma pequena pensão deixada pelo seu falecido marido e ainda tinha que trabalhar para manter os estudos do seu único filho de criação, que adotaram depois de madurões.
                Miralda Marivalda, tinha boa vontade, mas era tudo muito difícil. Não podia anotar telefonemas, porque mal sabia escrever. Sua comida era trivial, afinal lá na Vila, de onde saiu, tudo era simples. Miralda Marivalda analfabeta, misturava os produtos de limpeza com os de cozinha, os de banheiro com os de lavanderia, tinha medo da máquina de lavar e não gostava de atender ao interfone. Sua vida era uma infelicidade total e ela já temia o desemprego, a volta ao fim do mundo, onde era seu lugar. Sem esquecer que já havia queimado as mãos e várias camisas boas do rapaz com aquele ferro de passar que mais parecia um dragão colorido soltando fogo pelas ventas.
                Não houve saída. Dona Ana Boa Sorte, tirou um mês de férias e não foi para lugar algum. Ficou em casa ensinando a Miralda Marivalda desempenhar bem suas funções, afinal parecia boa moça e merecia o esforço; certamente daria bom retorno. Um ano levou para que se transformasse numa exímia cuidadora da casa. Aprendeu como ninguém a cozinhar, lavar e passar e até uma vez por semana ia ao super mercado no carro da patroa, que naquela altura até carteira de motorista pagou pra ela tirar. Miralda Marivalda Brasil Felicidade agora já sabia até ler de verdade, era mesmo cidadã, com razão pra ser feliz no Brasil, como aquele vereador mentiroso tanto falou. Já tinha conhecido e comido maçã argentina, pêra, abacaxi, uva importada, queijo fino, azeitona, bacalhau, camarão, até aquele tal de caviar. Dona Ana Boa Sorte não fazia questão de nada! Tudo andava a sua vontade na casa.
                Miralda Marivalda arranjou namorado, resolveu se casar e com a bondosa ajuda de dona Boa Sorte, conseguiu comprar sua primeira casinha. Claro que a entrada, a boa patroa emprestou, para pagamento sem juros e sem tempo, porque banco do governo ou não, só é bom de propaganda; na verdade, não serve para nada.
                Mas o pior ainda estava por vir. Dona Boa Sorte não podia imaginar que Miralda Marivalda se enturmara com outras Miraldas do prédio, que logo começaram a encher sua cabeça com um monte de espertezas e besteiras. A boa patroa, apesar da bondade e pontualidade nos pagamentos, só assinara sua carteira um ano depois, quando já podia nela confiar.  Afinal, dona Boa Sorte acreditava no bom senso e na gratidão de Miralda Marivalda. Enganou-se, porque Miralda Marivalda agora, não só era feliz de verdade, mas também muito esperta e bem informada. Consideração e gratidão são coisas que ficaram lá no passado do cafundó. Arrumou um advogado e foi à Justiça do Trabalho, reivindicar seus direitos.
                A boa dona Ana Boa Sorte; boa, mas ingênua, foi condenada a pagar com juros e correção um ano de salário, mais horas extras, férias, décimo terceiro, multa, vale transporte de todos os anos, ainda que Miralda Marivalda só mudara para sua nova casinha houvesse pouco tempo. O advogado de defesa alegou que Miralda Marivalda só conheceu a felicidade depois da passagem da dona Boa Sorte pela sua vida. Porém, o juiz que é cego como a lei manda, porque ela também é cega, condenou Dona Ana Boa Sorte à má sorte de pagar tudo de novo.
                Dona Ana Boa Sorte, a duras penas, aprendeu a não mais ser tão bondosa e ingênua e não quer mais saber de empregar ninguém. Prefere se virar sozinha. Agora sabe que gente desdentada, analfabeta e infeliz é culpa do governo ladrão que não dá a Cezar o que é de Cezar, mas sabe e gosta de obrigar outros darem. Miralda Marivalda teve três filhos, desmanchou o casamento, recebe vale gás, bolsa família, pensão do marido, tem conta corrente, poupança, investe na bolsa, tem carro do ano e até pensa em se formar e abrir um negócio. Mas lembra que nunca vai fazer como a tonta da Dona Ana Boa Sorte fez com ela. Só vai empregar gente bonita, letrada, perfumada, com todos os dentes, carteira de motorista, identidade e tudo mais, porque esse negócio de dar a Cezar o que é de Cezar é coisa de governo, não é problema de patroa. Lá naquele cafundó nunca mais quis saber de voltar. AquiIo não era lugar prá gente esperta e bem sucedida como ela.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O BOM CAVALO DE ESTIMAÇÃO

     Lá na Roma antiga, por volta do ano 40 DC, Calígula o imperador demente, numa demonstração de poder e desprezo aos seus senadores, nomeou como senador imperial seu cavalo de estimação. Num impulso de louca inteligência, com este ato ele claramente pisou na soberba de todos, os comparando a um réles animal de tração e montaria.
     Seria essa a intenção do senador velho imperador ex-presidente da república José Sarney, aquele que depois de ter conseguido calar o jornal " O ESTADO DE SÃO PAULO" agora se empenhou de corpo e alma em apoio incondicional ao digníssimo sr. novo senador imperador Renan Calheiros? Em quem ele estará querendo pisar? No Judiciário que injustamente acusa de corrupto o nobre novo imperador? No povo idiota que vota, paga e não reclama? Na imprensa que eles querem calar? No Brasil, o eterno Gigante Adormecido? Ou estão apenas querendo um cavalo amestrado para servir às artimanhas do governo sem botar a boca no trombone?

COITADINHA DA PETROBRAS! BARATO COMPRAMOS.

      Esta aí a prova cabal de que governos não foram feitos para empresariar nada, porque não têm competência administrativa. Desde que JK propôs a industrialização do Brasil e para cá trouxe as primeiras montadoras de automóveis, que a indústria brasileira vive em crise. E mesmo assim a iniciativa privada, levando pancada por todos os lados, pagando a maior carga tributária do universo, enfrentando custos adicionais oriundos da péssima infra estrutura de transportes, da política de direitos trabalhistas excessivamente paternalista e da concorrência chinesa predatória; o setor privado ainda conseguiu colocar o Brasil no panteão das 10 nações mais ricas do mundo.
      Enquanto isso a Super Estatal Petrobras, anda cambaleando, porque o governo bonzinho do PT não a deixa viver em paz e reajustar seus produtos a la vontê. Será que a diretoria executiva daquela estatal não conhece economia de escala? Se visitassem qualquer média industria brasileira, que vive levando paulada por todo lado, aprenderiam que preço final começa lá do departamento comercial na hora da compra, passa pelo chão da fábrica, pela otimização dos processos, pela racionalização de gastos, para, no final, ter preço competitivo e não morrer na praia.
      A Petrobras perdeu 31 bilhões de dólares no ultimo ano alegando que foi culpa do cenário atual de desvalorização cambial, aumento internacional dos combustíveis importados, achatamento dos preços finais, etc; se esquecendo que muitas empresas vivem também no mesmo cenário de bagunça e incerteza mercadológica e ainda assim resultaram balanço positivo. Será por que? Por outro lado, sua concorrente colombiana, que não está noutro planeta, com metade da seu tamanho apresentou o dobro da sua lucratividade. Sera por que?
Estou desconfiado que existe mato nesse coelho e a estratégia é sensibilizar a opinião pública para depois implementar um bom reajuste de preços no futuro e ninguém reclamar ou, se reclamar, as desculpas já estarem na ponta da língua.
      Um bom remédio para essa sonolência acomodativa da Petrobras seria concorrência no lombo. Se o governo bonzinho abrisse o mercado em igualdade de condições, tenho certeza que em pouco tempo o mato largaria o coelho e a letargia seria sustituida por eficiência e produtividade, assim como funciona onde não há a confortável reserva de mercado. Em outras palavras o remédio para isso seria Shell, Esso, Texaco, Pamex... e fiscalização forte, leal e séria contra a cartelização.
AAAhhhhh!!!!! Falou em seriedade? Não é nossa praia! Melhor deixar como esta!