APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará adiante foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles foi publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE, o semanário mais antigo de São João del-Rei, minha terra natal. Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas produções. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta desmotivado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance páginas adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias. Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que não tenha, a seu tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .
Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética imoral na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir. O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. Gritos sem ecos representam uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita-se.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

E MARX NÃO TINHA RAZÃO...



            A origem do pensamento comunista remonta às últimas décadas do século XIX e se baseia no instinto rebelde e revolucionário dos dois maiores pensadores considerados pais do socialismo: Karl Marx e Friedrich Angels. Ambos trabalharam juntos na produção e publicação das duas obras consideradas bíblias do comunismo: “O Manifesto Comunista” e “O Capital”
            A história ainda registra a atuação de outros pensadores de grande importância no mundo comunista, não só pela contribuição teórica, como também pela participação ativa em funções de estado: Leon Trotsky, fundador do exército vermelho russo; Vladimir Lênin, importante articulador; foi o primeiro presidente comunista russo e Josef Stalin, o grande tirano, que comandou a Rússia com mão de ferro por trinta e um anos e é considerado “o expansionista” pela sua fixação em expandir as fronteiras do seu país aos limites do antigo império russo invadindo e massacrando inocentes. E décadas depois, outro emblemático revolucionário comunista, cuja missão era salvar o povo cubano das garras do imperialismo capitalista, surgiria na ilha caribenha e se alinharia aos soviéticos em busca de apoio político, tático e econômico. O típico revolucionário folclórico dado a discursos moralistas de longa metragem e à produção de frases de efeito e com coragem suficiente para dizer que Cristo foi quem praticou o primeiro ato comunista da história da humanidade, quando distribuiu peixes, pães e transformou a água em vinho”. Só não se lembrou de dizer qual era a marca da metralhadora de Cristo, quantos romanos Ele teria sangrado em seu paredão de fuzilamento e quantos milhões de Áureos  teriam sido surrupiados dos cofres públicos de Cezar, sob Seu comando.
            Marx, considerado pelo mundo acadêmico o maior filósofo de todos os tempos, sonhou com um sistema socialista, o qual não teria classes sociais, pois todos seriam iguais e comuns perante o Estado; o comunismo. Mas de cara cometeu grave engano, quando chamou sua criação de “ditadura do proletariado”, assim provando que sua idéia não continha nada de novo e angelical; muito pelo contrário, era o produto de um espírito doentio que pretendia combater com outra ditadura a ditadura capitalista que ele e seus seguidores sempre criticaram; nascia aí o embrião das ditaduras comunistas que reinariam e matariam milhões na União Soviética por setenta anos, lacraria os países do Leste Europeu sob a emblemática Cortina de Ferro por quarenta anos e ainda reina em Cuba há cinqüenta e cinco anos; fora sua sobrevivência nas cabeças doentias daqueles que ainda querem substituir democracias consolidadas por ditaduras do proletariado ignorante, dependente, pobre e improdutivo; cavalgando no embalo de discursos demagógicos, assistencialismo populista, sensacionalismo barato, conturbação social, enfraquecimento de instituições idôneas, objetivos impossíveis, compressão tributária e assalto aos cofres públicos.
            O comunismo (do latim communis = comum, universal) e sua idéia central de promover o estabelecimento de uma comunidade igualitária seria fantástico e a sociedade humana um paraíso, se seus idealizadores não tivessem se esquecido da estupidez do ser humano, invólucro imperfeito ao qual eles também fazem parte. Quando no poder, os seguidores do pensamento marxista jamais conseguiram ou conseguem colocar em prática um só parágrafo da retórica igualitarista.
            Bakunin, odiado anarquista, espécie de profeta maldito, porque foi capaz de prever o futuro negro do comunismo, disse: Com o comunismo chega-se ao mesmo resultado execrável de sempre: o governo da imensa maioria das massas populares funciona comandado por uma minoria privilegiada. Esta minoria compor-se-á de operários, com certeza, mas de ex-operários, que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, deixarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo em proveito próprio. Quem duvida disso não conhece a natureza humana”. 
            Diante do ideário marxista aloprado que prega a substituição de uma ditadura por outra e da crítica ácida e realista de Bakunin, não é difícil perceber quem tinha razão. Confesso que se Deus enviasse uma legião de anjos celestes, para fiscalizar os operários que se transformassem em governantes, a fim de impedir que o poder lhes subisse à cabeça e aos bolsos me transformaria hoje e agora num marxista convicto, porque a teoria marxista em sua essência é bela. Mas como isso não é possível, não há outro jeito; prefiro continuar acreditando num sistema cuja crueldade do capitalismo seja domada pela legalidade de um Estado Democrático, onde o poder emane do povo, para o povo e pelo povo e onde os governantes gerenciem preocupados com a produção e com o extermínio da ignorância, porque a primeira gera independência e riqueza e a segunda gera dependência e subserviência, grandes aliadas dos corruptos, ladrões de colarinho branco, sonâmbulos marxistas, ditadores vestidos de cordeiro e aventureiros bons de prosa.
            Penso que o melhor critério para o planejamento do futuro se sustenta em dois pilares fundamentais: História e Estatística. Se a humanidade, quando diante de difíceis dilemas primeiramente olhasse por essas duas lentes, certamente sua coleção de erros seria bem menor.  Afirmo isso, porque não é difícil verificar nos respectivos registros biográficos que esses pensadores, sem exceção foram homens tanto mais sonhadores que pragmáticos. Marx estava fora de si ao afirmar que: “as sociedades humanas progridem pela luta de classes através de um conflito entre a classe burguesa que controla a produção e um proletariado que fornece a mão de obra para a produção. Ora, conflito jamais leva a qualquer resultado positivo; pelo contrário, é fator de desconstrução. Então ele mais uma vez se contradiz, quando propõe uma ditadura do proletariado, desconhecendo que ditaduras são potentes geradoras de conflitos e que homens/mulheres, proletários ou burgueses, não suportam que lhes subtraiam a liberdade em todas as suas nuances, pois somente livres podem viver felizes e ser produtivos. Errou vexatoriamente, quando esqueceu que a educação é a única porta por onde todos precisam entrar, quando se almeja construir um mundo mais justo e igualitário e que ele próprio, se não tivesse tido a sua disposição as oportunidades educativas que desfrutou, jamais seria cabeça pensante, cujas idéias, apesar de absurdas, vêm atravessando décadas e povoando a cabeça de oportunistas de todas as nacionalidades.
            Mas o espírito doentio de Marx não parou por aí e continuou espargindo asneiras para serem contrariadas mais à frente por ele mesmo e pelos seus seguidores. A célebre frase: A religião é o soluço da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração; a ilusão de um mundo transcendente e justo serve para que as injustiças se perpetuem na sociedade humana”. Ao que ele mesmo sintetizou com a célebre: “A religião é o ópio do povo”. E então, diante dessas pérolas lançadas ao vento e em outras mentes tão doentias quanto a sua, ele propõe uma ditadura inversa física e mental como antídoto à cegueira popular; mais uma vez se esquecendo que a ignorância sim é o ópio do povo e os mercenários, que a alimentam pelo desprezo,  os sangue sugas das nações.
            E a estatística também registrou que cem por cento dos marxistas que se transformaram em governantes abiscoitaram o poder para si e seu grupo de amigos, transformando a “ditadura do proletariado” sonhada por Marx em ‘Ditadura dos ‘Cavalheiros Absolutos’, intolerante ao pluralismo político, à oposição, à criatividade, à alternância de poder, à imprensa, ao direito de se informar, ao empreendedorismo, à ética, à moral, à religião, ao direito de ir e vir, à propriedade individual, à manifestação artística e a tudo mais que lhe fuja do controle e coloque em risco o trono absolutista de uma minoria privilegiada. Diante disso somente Deus para nos guardar e proteger e a religião para acender a esperança e o respeito mútuo. Viva o ópio do povo, a educação e a democracia; se não fossem elas o mundo estaria vermelho demais!

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

CARTA AO JORNALISTA GUILHERME FIUZA



CARTA AO JORNALISTA DA REVISTA ÉPOCA GUILHERME FIUZA
(Revista Época é membro do Sistema Globo)
             
            Caro Guilherme, sou seu leitor há tempos. Logo que recebo as novas edições de Época, antes de tudo, vou  procurar a página que ostenta sua crítica, sempre afinada com a realidade presente e então, muito me delicio com a precisão das suas observações sempre temperadas com leve e sutil tom jocoso ao qual, como ninguém, sabe lançar mão, de modo que o desenvolvimento da idéia ganha gostosa consistência e sempre se afina magistralmente com a minha velha indignação diante dos despautérios nacionais. 
            Essa semana, ao ler o texto intitulado ATAQUE AO SÍRIO-LIBANÊS: A BURRICE NINJA me senti impelido a lhe enviar esse comentário, que mais que uma crítica, talvez seja um grito de desespero ou de socorro de alguém que não mais agüenta tanta bandalheira; diariamente em doses cavalares. Tenho a impressão que as pessoas e o Brasil enlouqueceram e tudo que sempre significou respeito, bom senso e ética, repentinamente foi esquecido e transformado num saco de maldades com a única valia de semear a cizânia e nos fazer de idiotas.
            Até que numa bela manhã, depois de uma noite bem dormida, liguei a televisão e alegremente vi que um bando de jovens estudantes resolveu soltar o grito de “Chega!” e foi para as ruas protestar, primeiramente contra os preços das passagens, e depois, quando ouviram críticas de que a pauta estava pobre se lembraram que qualidade de vida não é feita só de locomoção, mas de muito mais. Enquanto isso, os safados dos governantes correram para tapar o sol com a peneira e aquilo que poderia ganhar corpo com tamanho suficiente para colocar freio na picaretagem minguou e ficou reduzido a protestos de pequena monta em termos de Brasil, apenas localizados no Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto agora estão na mira dos furiosos apenas os governadores paulista e carioca, o PT inteligentemente ganha tempo e corre por fora tapando buracos com lama e muita demagogia capaz de fazer a popularidade da presidente voltar a ganhar pontos preciosos.
            No fundo da nossa esperança ficou apenas a expectativa do que ocorrerá no próximo dia sete de setembro: grande protesto nacional pacífico e pautado em reivindicações consistentes ou apenas bandeiraços, gritos e palavras de ordem, tudo somado a bandidos mascarados dispostos a incendiar a polícia e o mais que encontrarem pela frente!?... Podemos supor; nada mais! Se não fossem as redes sociais, certamente nem isso! Pelo bem ou pelo mal, ainda bem que temos esse canal, porque se dependesse da imprensa e do governo, que ainda continua deixando quase metade da população brasileira sem acesso à internet, estaríamos com cara de paisagem a ver navios em terra firme; felizes da vida.
            Diante dessa situação, você, equipado com todo o seu nível de informação, no referido texto, conclama os Ninjas a exigirem a CPI do Denit, o altar mor do bandido Cachoeira e seus cúmplices da DELTA, juntamente com membros dos partidos da base, ao em vem vez de atacarem o Hospital Sírio Libanês; orgulho da alta medicina e da desenvoltura no atendimento vip aos bacanas da sociedade; inclusive aos mãos leves chegados em afanar recursos públicos sem a menor dor de consciência. Aí cabe a pergunta chave desta carta: - Em quais jornais de grande circulação ou canais de tv aberta foram publicados comentários capazes de informar o cidadão comum, que não goza de poder aquisitivo para assinar Época, Veja, Estadão ou canais a cabo, detalhes sobre a verdadeira situação em que se encontra o Brasil, no momento, caminhando a passos largos rumo ao comunismo e ao fim do Estado de Direito e da democracia; inocentemente embarcado nas asas da política populista e das mentiras teatrais do senhor Lula e sua malta? Aliás, mesmo que o cidadão comum gozasse desse acesso, ele não estaria informado adequadamente, porque, como é do seu e do meu conhecimento, a imprensa brasileira já esta amordaçada, já perdeu a desenvoltura conferida pela democracia. Será por quê? Seria por medo, conveniência ou conivência?
            Meu caro Guilherme; de verborragia todos estamos cheios! O que o Brasil precisa mais do que nunca é de pragmatismo e vergonha na cara. Infelizmente disso esta se distanciando cada dia mais. Nosso país está açambarcado e dominado pelo petismo e seus inteligentes delinqüentes da esquerda radical. Onde estão os cidadãos de coragem e disposição para enfrentá-los? Por que a intelectualidade brasileira ainda não criou o “FORO DE SÃO JUDAS TADEU” o santo das causas perdidas? Onde esta a direita brasileira? Incrível como o multi-partidarismo nacional perdeu a simetria! Todos são da esquerda! O PT tentou e conseguiu criar um clima de aversão à direita. Ser de direita é vergonhoso e até arriscado. Ninguém mais abre o bico! Denunciam-se apenas o que faz eco com os interesses do governo. Outro dia ouvi o professor Olavo de Carvalho dizer que a direita brasileira é a “Direita da Esquerda”. Perigosa unanimidade!
            Por que a nossa “Direita da Esquerda” não vai à luta, não paga matérias nos jornais, não funda periódicos e revistas, não vai às igrejas e favelas, aos quartéis; não cria a “Comissão da Outra Verdade”, não promove palestras nos meios populares, não vai às redes sociais, não vai aos clubes de futebol; de modo a conscientizar o cidadão comum, o qual não tem acesso aos caros aparatos midiáticos, o informando que o estão lentamente colocando o laço no pescoço, para depois jogá-lo ainda mais profundamente no vale dos miseráveis comunistas? Enfim; por que não joga o mesmo jogo de faz de conta dos mensaleiros comunistas?
No seu caso em particular, não é difícil perceber que sua posição pende mais para o lado da “Direita da Esquerda”, entretanto infelizmente você não é um profissional do jornalismo independente; esta atrelado ao Sistema Globo, cuja posição, se não esta em cima do muro, esta no limbo político preferindo a segurança do silêncio. Outros jornalistas e acadêmicos de monta e respeitabilidade comprovada, estão por aí criticando, mas de maneira dispersa. Não há mobilização em torno de nada, nem de ninguém e muito menos apoio tácito de nenhum canal de alta penetração popular! Os Ninjas então continuarão mesmo atacando os ícones do imperialismo, pois, além da ânsia de expulsar o grito da revolta conservam na mente a falsa imagem criada pelo PT de que o culpado da sua miséria é a galinha dos ovos de ouro, a qual atende pelo nome de “Capitalismo”. Perdoarão o governo incompetente, que cobra a maior carga tributária do mundo e não devolve à sociedade os benefícios que espera. Bem feito para a “Direita da Esquerda” medrosa e leniente, que está correndo o risco de ficar apenas na retaguarda da história colhendo os ramos sem flores e espinhosos reservados aos que se acovardam.

p/ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO seu leitor e admirador.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PARÓDIA À AUTOFAGIA COMUNISTA LATINDO AMERICANA



PARÓDIA À AUTOFAGIA COMUNISTA LATINDO AMERICANA

Essa semana os brasileiros, sem entender nada, porque não era para entender mesmo, assistiram a uma aventura real, que serve para inspirar algum cineasta de segunda classe. Um senador boliviano foi transportado na calada da noite diplomática latino-americana desde a Embaixada do Brasil na Bolívia até a fronteira. Uma aventura de 1.600 km através do território boliviano, cujos protagonistas, além do senador, eram um diplomata que servia na Embaixada do Brasil e dois fuzileiros navais como guarda costas.

O pobre senador, que atende pelo nome de Roger Pinto Molina, estava asilado na Embaixada do Brasil por um ano e meio, sem julgamento, sem condenação, sem tomar banho de sol, sem botar nem o calcanhar na rua; dizem que até sem botar aquilo naquilo, em estado lamentável de saúde física e mental. É acusado de cometer o crime hediondo de fazer oposição ao Sr. Presidente ditador comunista Evo Morales, tetra neto do ex-ditador Touro Sentado, aquele que sentava em cima de toda lança que encontrava pela frente. Touro Sentado ensinou para seu precioso neto boliviano que comunista que se presa não aceita oposição nem da própria imagem no espelho d´agua.

Por isso Touro Sentado Neto, ficou uma arara vermelha de tão nervosa, porque tinha certeza absoluta que torturando Roger Molina em banho-maria, como se cozinhava ovos no DOI CODI, ia pegá-lo para quebrar seus ovos. Mas, quando ele acordou, o senador sabonete já havia escorregado para o Brasil, estava debaixo da calça da Dilma Presidenta – calça porque ninguém nunca a viu de saia. Então a única ação que lhe restava foi mandar seu valente embaixador contar um monte de marra a ponto de quase estourar uma guerra diplomática nuclear entre as duas potências latindo.

Chegando a Brasília todos queriam falar com o fugitivo sabonete, mas ele não conseguia falar nada, porque seu advogado, por precaução e medo de irritar a Presidenta Macha de tanta raiva, que podia mandá-lo de volta para a tortura de Touro Sentado Neto, costurou sua boca para que nem miasse. Como se não bastassem os tantos problemas na cabeça, desde os malvados médicos brasileiros que não querem trabalhar nos hospitais caindo aos pedaços, passando pela inflação que tem soltado muitos gases fétidos no Planalto, até a rejeição aos médicos cubanos formados na Ilha da Fantasia Cubana, mais comunista, democrática e desenvolvida do mundo; Dilma agora ainda tem essa bomba de ter que fingir que é democrática aceitando um sabonete debaixo da sua calça ou então dar uma de comunista do papo vermelho e mandá-lo de volta às garras de Touro Sentado Neto. Se fizer isso, vai pegar mal perante o eleitorado de burros brasileiros, se não fizer, da mesma forma, Touro Sentado pode cortar relações anti-diplomáticas com o Brasil e até o Gão Mestre Fidel Castro Che Sem Vara poderá mandar buscar seus médicos de volta.

Lula, aquele que sofre amnésia e cegueira crônicas, com certeza ainda não soube de nada. Quando souber, se souber; vai mandar aumentar o salário do ministro Anti -Patriota lá nas Nações Unidas o compensando por também ter declarado não saber de nada. Em seguida ordenará que Dilma abra as pernas para o sabonete cair e ficar lá por Brasília mesmo ganhando salário de senador brasileiro, depois irá lá à Bolívia acalmar Touro Sentado Neto com um empréstimo daqueles para perdoar em vinte anos. Por último vai chamar o Ministro da Defesa Contra Ninguém e também aconselhá-lo a fazer como ele e o Anti-Patriota: nunca ver nem ouvir nada. Lula é um ás na política! Por isso o presidente americano Barack Ibama o chamou de “O Cara” de pau.

Depois “O Cara” de páu certamente irá a Havana se encontrar com Fidel Che Sem Vara para lhe pedir desculpas pelas trapalhadas das duas potências nucleares da America Latindo e prometer que nunca mais isso acontecerá de novo. O assunto será pauta para discussões acaloradas no próximo “Foro de São Paulo”, que ninguém sabe por que o nomearam com o nome do bravo santo, enquanto poderiam tê-lo batizado de FORO DE SÃO FIDEL CASTRO CHE SEM VARA”. Dizem que escolheram o nome do outro santo para os eleitores petistas e anti petistas não desconfiarem.

Enquanto isso tudo acontecia a imprensa brasileira, que foi mordida pela mosca do sono, acordou, fez algumas entrevistas sem graça e conteúdo, deixou o povão sabendo menos que sabia antes, agradou o Planalto que não gosta de imprensa fofoqueira e depois voltou a dormir de novo até que o comunismo cubano se instale por completo na América Latindo.

Enfim, estou ansioso para ver o que acontecerá. Quando o caso foi com o bandido italiano terrorista de esquerda Cesare Battisti, Lula “O Cara” de pau concedeu asilo, carteira de identidade e título de eleitor do PT. Certamente ele se candidatará a deputado petista no Brasil. Vamos ver o que acontecerá com o pobre senador da direita democrática boliviana em oposição ao comunista Touro Sentado Neto. Será que Lula “O Cara” de pau mandará Dilma Presidenta ter a mesma compaixão? Não percam os próximos capítulos da novela comunista latindo americana!

P/ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

MAROLINHA QUE ESTA VIRANDO TSUNAMI

                                               MAROLINHA QUE ESTA VIRANDO TSUNAMI

Em 2008, no início da crise de liquidez que se instalou no mundo, o então presidente Lula se referiu ao risco do Brasil ser contaminado de forma pejorativa e declarou que seus reflexos chegariam aqui como uma "marolinha", pois nossa economia estava uma rocha de tão forte; graças ao seu governo.

No entanto, hoje, quando a economia mundial vai lentamente entrando no eixo, o que se vê aqui no Brasil é a aproximação de um tsunami com potencial para engolir salários, empregos, empresas, reservas cambiais e ânimo para investir; sem falar na volta da inflação para temperar o veneno.

Enquanto isso os demagogos petistas continuam politizando a administração do país como sempre de costas para a realidade preocupante. Segundo eles tudo vai bem e a marolinha vai passar assim como passa uma gripe.

Essa é uma estratégia comunista a qual denomino "a virtude do caos"; ou seja: quanto pior melhor para a introdução da facada de misericórdia na democracia.

A história demonstra que isso já aconteceu outras vezes na União Soviética, em Cuba, na Alemanha Nazista e nos países da Cortina de Ferro.

Se você duvida, estude para se informar e não votar nos mensaleiros amigos de Lula e Dilma ou então vote neles e depois aguente as consequências que certamente virão.
p/ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO
 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MEU ADORÁVEL ESPIÃO




MEU ADORÁVEL ESPIÃO!

            O mundo ficou estarrecido diante da deduragem do traidor americano dando conta de que os Estados Unidos vivem de olho na botica dos outros. Segundo o denunciante, o Brasil esta na linha de frente das vítimas da bisbilhotagem. Há suspeitas de que até a prosa de comadres e namorados ao telefone possam estar sendo rastreadas e isso, além de ser uma tremenda falta de ética, ainda coloca em risco a privacidade alheia. O governo disse que vai investigar as concessionárias de telecomunicações que operam no Brasil e se ficar comprovada cumplicidade, poderão sofrer sérias sanções e até perderem a concessão.
            Mas a indignação do governo brasileiro vai muito além da salvaguarda da privacidade civil e se aprofunda quando o assunto envolve estratégia. O Brasil é um grande jogador mundial nas áreas agrícola, de aviação, alimentícia e combustíveis; por isso importantes segredos podem estar sendo divididos com um potencial concorrente como os Estados Unidos, um país mais rico, altamente industrializado, matriz de grandes empresas cibernéticas e dono do meio circulante mais importante do mundo capitalista; o dólar.
            Segundo acanhadas explicações do governo americano, o objetivo da curiosidade sobre a vida dos outros é simples previdência em brecar com antecedência fortuitos projetos de ataques terroristas aos Estados Unidos e ao resto do mundo, entendendo-se como mundo o séquito de nações aliadas.
            Mas a grande questão e base da indignação é: - quem delegou aos Estados Unidos o direito de polícia sobre os demais?
            Nós, cidadãos comuns, geralmente ocupados com afazeres do cotidiano, muitas vezes desiludidos com o rumo da política, estamos mal informados, porque só nos interessamos por algum assunto, quando jornais sensacionalistas denunciam ou anunciam. Passado o calor do momento, esquecemos de tudo tão logo a imprensa encontre outro mote mais quente. Então ficamos à mercê do sensacionalismo geralmente interessado em vender meias verdades ou até mentiras com ares de verdades.
            Não estamos aqui, em hipótese alguma, defendendo ingerência de uma nação sobre a vida das demais; entretanto o exercício de pensar e concluir é natural do ser humano e à medida que este esteja mais bem informado, poderá tirar conclusões independentes da grande mídia, geralmente manipulada por interesses comerciais ou políticos; entendendo-se o exercício de concluir e dividir informações como um ato só possível no meio democrático existente no Estado de Direito. Num Estado Ditatorial a prática não seria possível, porque se configuraria um desrespeito ao sistema e ao ditador de plantão, passível de punição até com pena de morte. Portanto é isso que estamos fazendo aqui agora: pensando, analisando, concluindo, conscientizando e dividindo impressões.
            Há algumas semanas publicamos nessa mesma coluna o texto cujo título é: SABER É PODER. Hoje, na égide da globalização, do conhecimento e no passo da arapongagem americana ampliaremos o sentido: QUEM SABE MAIS CONTROLA MAIS E MANDA MAIS! E não adianta discordar, porque diante da verdade não há argumentos. Desde que o homem se entende como ser inteligente e sociável essa é a regra. Apenas com o surgimento da idéia de democracia, na esteira da evolução filosófica, os mais fracos passaram a ter direitos pétreos salvaguardados por força de lei e justiça. Contudo, entre nações, isso nem sempre funciona dentro dessa mesma lógica e a influência do peso científico, econômico e bélico ainda fala alto. Muito alto!
            A atividade de espionar é tão antiga quanto a civilização e é oriunda da curiosidade natural do homem. À medida que as sociedades se expandiram diante de recursos naturais escassos, a bisbilhotagem também aumentou e se aperfeiçoou no lençol das conquistas tecnológicas. Saber como e onde o outro esconde seus ovos é fundamental no exercício da sobrevivência e até da superação.
            Na época da guerra fria, o ato de espionar foi uma das atividades mais rentáveis, úteis e admiradas e seu glamour inspirou diversos importantes escritores e produtores, cujas obras enriqueceram por demais a literatura mundial; dentre elas, a mais célebre e conhecida são as aventuras do agente secreto 007. Considere-se ainda o advento da segunda grande guerra, quando o mundo se engalfinhou na mais sangrenta disputa contra a máquina assassina, quase insuperável do fascismo alemão, cuja vitória só aconteceu graças à ação britânico-americana apoiada pela invenção de engenhocas como o radar e um computador primário capaz de desvendar mensagens criptografadas enviadas ao front pelos comandos de Hitler. Vê-se, portanto, que os dois campos fundamentais de onde germinariam a Web e as Telecomunicações Avançadas tiveram origem na atividade da guerra contra a tirania e nada mais foram que ferramentas usadas no exercício de defesa e contra ataque; campos em que a espionagem sempre funcionou como protagonista principal.
            Obviamente que os Estados Unidos sejam mestres na arte da bisbilhotagem –  graças a Deus – e isso não é segredo para ninguém. Ainda mais agora, quando o mundo globalizado depositou involuntariamente nas mãos dos gigantes cibernéticos de bandeira americana toda a sua vida privada. Lembrando que o super-avanço americano nas áreas da alta tecnologia de comunicações é resultado de pesados investimentos em educação e capacitação de pessoas; prática pouco usada aqui no Brasil e em grande parte do mundo. Contudo é inaceitável que uma nação democrática e civilizada se sinta no direito de especular ao bel prazer e interesse, entretanto é também necessário que reconheçamos haver forças ocultas muito mais perigosas que os brothers americanos e seus olhos compridos e talvez elas mereçam atenção especial de quem entenda do assunto. Exemplo mais em voga de forças invisíveis, mas em plena atividade é o perigoso alinhamento dos nossos governantes com os ventos comunistas que sopram da ilha de Fidel Castro e do vetusto bolivarinismo venezuelano. De mais a mais, o melhor remédio para olhos compridos é janela fechada, sendo que a responsabilidade pelo seu fechamento sempre cabe ao dono da casa. Portanto, é nesta fonte de desídia e incompetência que brota a nossa culpa, representada pela irresponsabilidade dos nossos governantes, os quais nunca trabalham duro em defesa dos grandes interesses do Brasil. Foi necessário um idiota traidor se pronunciar vendendo sua pátria e uma falsa imagem de santo, para que nossos governantes ineptos e burros se lembrassem que a chave do galinheiro não deve dormir na gaveta da raposa.
            Se o médico louco Simão Bacamarte, personagem surreal da obra “O Alienista”, que Machado de Assis arrancou do fundo da sua genial imaginação, estivesse por aqui certamente diria que a sociedade humana é dividida em dois  grupos: loucos bons e maus. Portanto, do alto da minha vivência, juízo e conhecimento histórico, escolho o lado dos bons; pelo menos os exemplos de nacionalismo, democracia e respeito à pátria vindos de lá são bem mais digeríveis que as vendetas e escândalos traiçoeiros, a que assistimos, dia após dia, contra essa pobre pátria a que denominaram Brasil em alusão à destruição daquele reconhecido como um dos mais nobres espécimes do ecossistema brasileiro; o pau vermelho que tingia as vestes da nobreza europeia.
            Parabéns aos americanos pelo seu trabalho incansável em prol da defesa da sua pátria e da salvaguarda do mundo contra os loucos maus e uma vaia monumental aos nossos administradores públicos ligados apenas na política comuno-populista de vitrine e nos interesses da sua gang.

 p/ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

HOJE ACORDEI COM SAUDADES DELE



HOJE ACORDEI COM SAUDADES DELE
           
            Hoje acordei em baixo astral! Olhei para o relógio como sempre, mas nada do ânimo costumeiro. Virei para o lado e tentei dormir pouco mais. Mas o pensamento e as responsabilidades atiraram cobranças e tive que pular da cama. Algo estava errado comigo! Tentei entender o que se passava. Em vão!  Começou o dia, os afazeres e aquele sentimento cabisbaixo continuava. Era impossível entender!
            Enfim, depois de muita análise, num átimo de inspiração conclui que aquele era um sentimento ao qual se podia classificar como espécie de preguiça cívica. Isso mesmo: preguiça cívica pura e verdadeira por ter que voltar à vida normal. Assentar de novo diante de todos os canais, bons, ruins e medianos, denunciando os despautérios da cachorrada nacional. Aliás, cachorros são animais distintos e amigos fieis. Talvez abutres ou, melhor ainda, vermes nacionais. Voltar à rotina é duro demais! Antes da novela é show de roubalheira e golpismo; durante: traição e assassinato; depois: rede de intrigas partidárias, cura gay, aumento de impostos, inflação, corrupção, nepotismo, tráfico de influencia e seu congênere das drogas, cracolândia, crise internacional, crise nacional, corrupção policial, judiciário inoperante, desperdício, ineficiência, desvio, extravio, alta tributária, tragédias naturais, engarrafamento, prevaricação, escolas ineficientes, acidentes monumentais, mortes, invasões, arrastões...
            Meu Deus! Tanta confusão num só lugar não é possível! Certamente isso é injustiça! Poderíamos tentar exportar alguma coisa de ruim lá prá fora. Talvez a troca de tsunamis japoneses ou dos furacões americanos pela nossa malta de bandidos de gravata e até uma quebra sem gravata mesmo fosse vantajosa.
            Certo pensador, quando incitado a fazer uma avaliação do ser humano disse: “Os homens/mulheres são animais tão vis, tão vis que deles não se aproveita, nem a urina, nem as fezes, nem a palavra. Diante de um boi ou de um cão, são como o grão de areia e o diamante. Quando salva-se alguma coisa do que pensam e falam é preciso ainda muita cautela antes de descobrir a qual demônio possivelmente estejam associados”.
            Mas deixando de lado as vaticinações pessimistas e voltando ao centro do relato, depois de longo pensar, concluí que meu malfadado desânimo matinal teve origem no empanturramento de prazer e agora de saudade do Papa Francisco, o anjo da luz, aquele que veio em nome da paz e do Cristo Imortal a todos surpreender. De repente tudo virou festa! Beijos, abraços, confraternização geral, música, teatro, apresentações. Não houve frio ou chuva que arrefecesse o ânimo geral! Saíram de cena os vermes imundos e sua fome de carne podre, para dar lugar ao singular sorriso largo, inabalável ânimo, fala mansa e pausada, achegado à aproximação com os mais fracos, simples e indefesos. Alguém que veio falar o que há muito se precisava ouvir em notas afinadas entre lógica, ética, respeito e equilíbrio.
            Ouvidos e coração, antes como latrinas, agora gozavam do novo odor, dourado som da boa nova, da esperança e satisfação de descobrir que o mundo ainda não se perdeu e que os mesmo jovens manifestantes desafiadores dos vermes dissimulados, insistentes e mortais; que sofrem com o desemprego e misérias várias em todo o mundo também acreditam e planejam uma sociedade melhor e mais justa sob a sombra do grande espírito de Deus. Todos os presságios negativos com potencial para turvar o brilho da festa numa cidade violenta, gigantesca, com problemas estruturais insolúveis caíram por terra. Vimos uma afinada orquestra de suspiros em olhos fixos e apreensivos respirarem aliviados ao perceber que tudo ia bem e nada caminhou brasileiramente para o caos. Importante era interagir com a paz reinante e até as velhas carrancas pachorrentas dos bispos sorriram de olhos marejados, espantadas diante da sinceridade e da receptividade. Doravante terão que rever conceitos; o santo padre quer a substituição da ambição pela doação e da soberba pela simplicidade.
            Felizmente, agora, depois da ressaca cívica, sinto um conforto especial. Doce esperança de que vermes continuem sendo apenas vermes, apenas ocupem seu reles lugar e nunca suplantem homens/mulheres vivenciados e imbuídos pela corrente positiva do é dando que se recebe inspirados num Cristo que ainda vive e cuja semente de salvação provou-se; esta latente e forte no seio da humanidade. Faço ainda votos que a suavidade da visita papal gere mais um fruto nas mentes dos dirigentes da Igreja Católica, a fim de que parem de confundi-la com um manto cobertor de falcatruas e improbidades capazes de turvar o belo e incansável trabalho de tantos milhares, que assim como Francisco Bergoglio, trabalham em nome da verdade e da paz.    

p/ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.

sábado, 13 de julho de 2013

JANELAS INDISCRETAS



JANELAS INDISCRETAS

            A cidade era o Rio de Janeiro dos anos setenta. Há quase quarenta anos o Rio já caminhava para o caos, mas nada que se comparasse aos gigantescos problemas sociais e estruturais de hoje. Com certo cuidado e alguma sorte ainda dava para se aventurar pelas madrugadas sem o risco de ser assaltado, assassinado, estuprado, trucidado ou seqüestrado. O Rio ainda era lindo de verdade!
            Numa daquelas noites de alto verão, quando o termômetro batia lá pelos trinta e oito graus e não havia cansaço capaz de arrefecer o desconforto e fazer meu amigo Zé Airton pegar no sono, um impulso arrebatador o fez se levantar e ir buscar um pouco de ar fresco no janelão virado para a Rua Voluntários da Pátria. Muitas janelas ainda abertas, certamente pelo mesmo motivo que atormentava meu amigo, ainda estavam de luz acesa, de modo que os prédios defronte enfeitados com tantos quadrados e retângulos brilhantes davam à paisagem certo ar festivo, além do tom solitário e morno.
            De repente, lá pelas tantas, quando o torpor da madrugada suada e quente já quase desmontava o sofredor e o sono se tornava maior que o calor, algo chama sua atenção de maneira arrebatadora. Num daqueles quadriláteros iluminados aparece a figura de uma mulher seminua, despreocupadamente se admirando no espelho de uma penteadeira que deliciosamente ficava exatamente à frente da sua janela de luz apagada.
Zé Airton não acreditou no que via. Esfregou os olhos uma, duas, três vezes; mirou novamente para se certificar de que não estava sonhando, beliscou-se algumas vezes e não teve dúvidas: era verdade! Aquilo só podia ser um presente do deus da madrugada. O sono se dissipou, o cansaço virou ânimo, o calor ficou mais fresco que a brisa das ilhas gregas e ele, como bom amigo que era, não podia deixar de dividir com os colegas aquela graça, aquele show televisivo da janela da vizinha exibida acesa na madrugada.
            Saiu correndo, torcendo para que a bela da janela demorasse no seu ritual de cuidados e poses femininas na frente do espelho e da janela e foi bater à porta do apartamento ao lado, onde moravam os amigos do peito, que àquela hora sonhavam, mas com outros anjos menos sublimes que aquele da visão arrebatadora. Passados poucos segundos lá estava uma turma de mais de vinte olhos compridos; considerando-se que dentre os dez não havia nenhum caolho, a bisbilhotar a janela, a vida e a mulher alheias. Naquela noite inesquecível, ninguém mais dormiu e o show que, assim como por encanto começou também acabou, quando a estrela do filme da janela apagou a luz e foi dormir.
            O frenesi foi total e geral. Ninguém falava noutra coisa por dias, até que Pedro Olívio teve uma brilhante idéia: comprar um binóculo de alta potência, que pudesse aproximar o anjo para alguns metros de distância. Uma vaquinha foi convocada e até os centavos da coca, do cinema, do ônibus, da cerveja; de tudo, foram desvirtuados para a aquisição da ferramenta bisbilhoteira. Várias noites passaram em claro e o retângulo antes mágico, agora maldito, da janela iluminada não mais acendeu. Será o que estaria acontecendo? Teria a bela da janela desconfiado de alguma coisa, viajado ou se mudado para outra janela iluminada? Se esse infortúnio aconteceu, quem seriam os novos felizardos das janelas opostas? Pelo menos descobriram que a tal inveja, esse sentimento vil, pode existir até na imaginação e de alguém que nem mesmo se conhece.
            Não havia mais sossego e para certeza de que não perderiam nenhum fortuito lance, dali por diante, montaram uma vigília noturna cumprida à risca numa disciplina militar. Um rodízio foi montado composto por ciclos de tempo que incluíam madrugadas e horas; de maneira que todos se revezassem sem prejuízo para alguém. Até que um dia, lá estava a visão inebriante enrolada na toalha exibindo-se e insinuando-se. A correria foi tamanha que quase deixaram cair o binóculo. Mas felizmente foi só um susto e a imagem ficou tão nítida que seriam até capazes de conhecer a garota na rua, se a avistassem. Foi possível perceber que ela portava uma pinta negra e grande do lado esquerdo da boca e também tiveram a certeza de que a exibição era proposital. Impossível tamanho despropósito; claro que ela sabia que havia uma turma de rapazes sedentos do outro lado da rua a poucas dezenas de metros de distância e de altura a observá-la.
            O show continuava! Vez por outra a janela se acendia e lá estava ela, de toalha branca, vermelha, azul e, para alegria geral, quando o calor era demais, nem toalha. A notícia correu a rua, o bairro, a cidade, o mundo inteiro! A turma se esqueceu do velho e sábio ditado: “o segredo é a alma do negócio” e um belo dia, quando todos nem sonhavam com vulcões e tempestades, uma hecatombe aconteceu. O interfone tocou; era o porteiro convocando Zé Airton à recepção. Um senhor, que se identificou apenas como Marcão, gostaria de ter com ele um colóquio de super-homem para homem. Zé Airton, na sua habitual malemolência calorífica e inocência de quem nada deve, chegou à portaria e se deparou com o maior mamute que já havia encontrado em sua vida. O cara, sem tirar nem por, era o próprio King Kong. Dois metros de largura era pouco. De altura, nem se fala! Ao se deparar com tamanho gigante, nosso Zé Airton quis retroceder, mas era tarde. O bruta monte já o havia agarrado pelo pescoço e o acendido até a altura descomunal dos seus olhos. Assim, cara a cara, Marcão com seu vozeirão de trovão decretou: - Se eu souber que continuam olhando minha mulher pela janela ou em qualquer lugar, vou esmagar todo mundo! Sacudiu o pobre nas alturas descomunais do seu corpanzil e o soltou de encontro ao chão sem dó nem arrependimento.
            Zé Airton, branco que nem filhote de camundongo, cheio de vergonha e dores, subiu correndo, a fim de dar a notícia para o resto da turma, que logo quis partir para uma revanche. O cara era muito forte, mas a turma era grande! Em vão! Mais tarde, ficaram sabendo que Marcão, além de grande e forte, era campeão de Boxe da liga dos pesos pesados. Não havia chance e o jeito foi esquecer o anjo da janela acesa no calor da madrugada carioca.
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Diante da estória acima cabe a pergunta:
Quem estava com a razão: Marcão, o King Kong ou a turma do Zé Airton e seu binóculo bisbilhoteiro?

            Enquanto a discussão se avoluma, usarei a mesma estória, a fim de construir um paralelo com a espionagem dos americanos sobre o nosso quintal. Todos estão cansados de saber que a gema das informações importantes são segredos estratégicos, dentre eles militares, comerciais, científicos e tecnológicos. Onde estavam os nossos Marcões e Zés Airtons governamentais, que de maneira leniente nunca pensaram que a chave do galinheiro não deve ficar sob a guarda da raposa? Agora, que a casa caiu, vão tomar providências cabíveis? O Brasil é assim, desde a nossa colonização sofremos essas ingerências e não aprendemos a nos posicionar fortemente.

            Enquanto isso não acontece e continuamos dormindo eternamente no berço esplêndido, envio meus parabéns para os americanos, que trabalham em defesa dos seus interesses e uma sonora vaia para os traidores que recebem nosso voto e gozam da nossa cara, enquanto apenas fingem que trabalham três dias por semana em interesses pessoais e deixam o Brasil enfraquecido e à deriva no oceano de incertezas futuras.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.