APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MIRALDA MARIVALDA BRASIL FELICIDADE




                Era noite de verão! Chuva fina e abundante molhava os roçados e a esperança na vila perdida lá naqueles cafundós que mal se ouvia falar. Pequenas casas esparsas, uma aqui, outra ali, algumas acolá. Calçamento só se via em volta da praça principal, onde ficava a igreja, a casa paroquial, o cartório. O resto? Era barro puro... Luz? Graças ao intermédio do ranzinza e velho padre Tomé D’Além Castro, que se valendo da ajuda da sua antiga amizade com tal deputado Dr. Juvêncio Mala, conseguiu-se que chegasse; mas não era para todos, porque o antigo prefeito, larápio como ele só, havia desviado a verba da instalação. Os postes de cimento, prá mais de cem, há longos dois anos estavam lá no chão na entrada da cidade servindo de esconderijo prá toda sorte de bicharada. A fiação da rede era perda de tempo querer saber, porque de metro em metro também foi prá qui e prá li, de canto em canto, sendo surrupiada do depósito da Prefeitura, prá servir aos compadres dos compadres a título de empréstimo e devolução, que nunca mais aconteceu.
– “Aqui a luz parece que tem medo de raio, vento e trovão. Toda vez que vem pancada, ela treme, acende e apaga e depois se vai e só volta depois que o sol nasce. A conta; essa nunca deixa de chegar cobrando tudinho!” Assim dizem os moradores indignados.
                Certa vez, quando na inauguração da reforma da igreja e padre Tome, sua comitiva e o povão andavam todos engalanados e felizes no meio da procissão carregando o Santíssimo e rezando bem alto, tudo ficou escuro. O sacristão Celinho Marivaldo da Cruz, mais um monte de gente cansaram de ligar prá companhia e nada. Até parece que eles têm medo de escuro, porque toda vez que isso acontece, nunca aparecem.
                A Escola, nem conto! Chove mais dentro que fora e muita da criançada fica amontoada na metade das salas, pois a outra é trinca pra todo lado, cheiro de mofo, morcego voando até na luz do dia. A primeira série junto com a segunda, a terceira junto com a quarta; uma falação misturada nos ouvidos de todo mundo. As professoras: tia Tita e tia Dinda, se revezam na diretoria prá mais de trinta anos. As outras coitadas, além de ganharem uma miséria, ainda têm que agüentar aquela grande meninada vinda de todo lado, arteira como ela só. Merenda é sempre contada, pois nessas épocas de barreira, só no lombo de carroça e à distância de muitas horas de marcha. Assim a criançada tem que escolher entre comer ou ficar de ouvido no ronco da barriga. 
“Aqui nunca teve hospital, nem médico, nem dentista. Sempre na época da campanha eles prometem e prometem, mas nunca cumprem. Mas também qual doido vai querer vir morar aqui nessas distâncias sem fim, sem caminho, nem de ida, nem de volta?” Isso toda vida foi consenso geral.
                A prefeitura, na seca, manda buscar a comissão de saúde lá de Santo Antônio da Ajuda e sempre vem um prático bom na extração, uma enfermeira caladona e sem paciência com ninguém. Cara feia não existe maior do que a dela! E certo médico gordinho, baixotinho, de bigodinho; o tal doutor Mário Carrasco da Boa Morte, que não sabe mais nada que receitar “gardenal”, pra quem anda mal dos nervos; remédio tarja preta, pra quem ta com dívida pesada e não pode pagar, nem pegar no sono; e quando dá a hora de ir embora, a fila pode ser comprida, gente morrendo que ele não quer nem saber, vai saindo e resmungando prá todo lado. A única opção que sobra para o povo nessas horas é só mesmo rezar pra Deus dar uma boa hora de morte.
                Assim nessa cantilena desse lugar perdido, sem misericórdia de ninguém, há vinte e dois anos nasceu Miralda. Marivalda, foi herança da parteira. A danada nunca cobrou nada pelo serviço de ajudar botar a criançada no mundo; a única condição era que, se fosse mulher, o segundo nome tinha que ser Marivalda e, se fosse homem, tinha que ser Marivaldo. E é o que acontece até hoje. Brasil Felicidade foi idéia dum vereador malandro que a família sempre votou nele e que nunca cansou de prometer que um dia o povo daquele lugar seria muito feliz. O prefeito ladrão também tinha sido ele mesmo. Aliás, por falar nisso, já ia me esquecendo! No último censo, que é quando o governo manda aquela gente pra ficar perguntando um monte de coisa que não serve para nada, porque a vida ruim nunca melhora depois que eles vão embora; chegaram à conclusão que a cidade era campeã em Marivaldos e Marivaldas. Havia prá mais de mil. Hoje; já deve ter muito mais! Só sei que posso me lembrar de alguns: Tonho Marivaldo Mato Alto, Robertinho Marivaldo Pinto Manso, Juquinha Marivaldo do Tonho Marivaldo. E mulher também tem a Matilde Marivalda da Boa Morte. Essa, dizem que é prima de longe do médico Carrasco da Boa Morte. Ah! E também sua filha, a Justina Marivalda Florentina da Boa Morte e sua neta, a Tunica da Justina da Matilde. Não esquecendo que a menina Túnica também tinha como segundo nome, Marivalda! Para satisfazer a curiosidade dizem que a tal parteira já passou dos cem anos, mas na cara e no despiste aparenta não ter nem setenta. O segredo de tanta longevidade e boa aparência, contam que é uso de chá de mato picão escaldado em água de placenta todo dia antes de dormir. O povo prefere morrer cedo, a tomar uma ingrizia dessa. Dr. Carrasco já prometeu que um dia ainda vai tirar essa história a limpo. Quer saber se é caso da ciência ou se é coisa de feitiçaria.
                Miralda Marivalda Brasil Felicidade, era apenas mais uma dessas tantas Miraldas Marivaldas brasileiras felizes, que nunca havia estado num ginecologista, exibia um belo sorriso desdentado, pereba na cabeça, nunca tinha usado desodorante, mal sabia ler e escrever, nem nunca tinha visto uma certidão de nascimento. Identidade e Carteira Profissional pensava em tirar um dia, se sobrasse dinheiro da lavação da roupa que lavava no rio, porque na sua casa, água mal dava para banho e cozinha. Até hoje o esgoto na rua rola a céu aberto. Da sua casa não, lá tinha fossa, mas o vizinho já andava reclamando que a poluição podia prejudicar sua cisterna, que ficava logo abaixo.
                Cansada de sofrimento e tanta desilusão, Miralda Marivalda Brasil Felicidade, nada feliz, resolveu largar tudo e partir para nova vida na cidade grande. Diziam que lá tudo era melhor. Havia trabalho, bom salário, carteira assinada, férias, décimo terceiro, vale transporte, vale refeição, seguro desemprego e tudo mais. Um céu, uma beleza! Em pouco tempo poderia ajuntar bom dinheirinho para o futuro ou quem sabe, até se casar, com um bom moço que merecesse sua atenção. Chegou a São Paulo, num Domingo de Ramos, lembrando do padre Tomé e sua procissão. Chorou, mas não se abateu! Logo estava empregada na casa da secretária de médico dona Ana Catarina da Boa Sorte. Havia procurado por todo lado. Na indústria, restaurantes, supermercados, lavanderias e nada. Ninguém a queria. Uma analfabeta, desdentada, não podia servir para nada! Mas dona Ana Boa Sorte, resolveu contrata-la assim mesmo. Combinaram que o período era de experiência por noventa dias e se tudo desse certo, ou seja, se Miralda Marivalda fizesse bem seu trabalho, a contratação era garantida. Logo ganhou um quarto, com banheiro só pra ela e televisão daquelas fininhas na parede. Tinha até tv a cabo, coisa que nunca tinha ouvido nem falar. Dona Ana Boa Sorte, não era rica, nem pobre. Vivia duma pequena pensão deixada pelo seu falecido marido e ainda tinha que trabalhar para manter os estudos do seu único filho de criação, que adotaram depois de madurões.
                Miralda Marivalda, tinha boa vontade, mas era tudo muito difícil. Não podia anotar telefonemas, porque mal sabia escrever. Sua comida era trivial, afinal lá na Vila, de onde saiu, tudo era simples. Miralda Marivalda analfabeta, misturava os produtos de limpeza com os de cozinha, os de banheiro com os de lavanderia, tinha medo da máquina de lavar e não gostava de atender ao interfone. Sua vida era uma infelicidade total e ela já temia o desemprego, a volta ao fim do mundo, onde era seu lugar. Sem esquecer que já havia queimado as mãos e várias camisas boas do rapaz com aquele ferro de passar que mais parecia um dragão colorido soltando fogo pelas ventas.
                Não houve saída. Dona Ana Boa Sorte, tirou um mês de férias e não foi para lugar algum. Ficou em casa ensinando a Miralda Marivalda desempenhar bem suas funções, afinal parecia boa moça e merecia o esforço; certamente daria bom retorno. Um ano levou para que se transformasse numa exímia cuidadora da casa. Aprendeu como ninguém a cozinhar, lavar e passar e até uma vez por semana ia ao super mercado no carro da patroa, que naquela altura até carteira de motorista pagou pra ela tirar. Miralda Marivalda Brasil Felicidade agora já sabia até ler de verdade, era mesmo cidadã, com razão pra ser feliz no Brasil, como aquele vereador mentiroso tanto falou. Já tinha conhecido e comido maçã argentina, pêra, abacaxi, uva importada, queijo fino, azeitona, bacalhau, camarão, até aquele tal de caviar. Dona Ana Boa Sorte não fazia questão de nada! Tudo andava a sua vontade na casa.
                Miralda Marivalda arranjou namorado, resolveu se casar e com a bondosa ajuda de dona Boa Sorte, conseguiu comprar sua primeira casinha. Claro que a entrada, a boa patroa emprestou, para pagamento sem juros e sem tempo, porque banco do governo ou não, só é bom de propaganda; na verdade, não serve para nada.
                Mas o pior ainda estava por vir. Dona Boa Sorte não podia imaginar que Miralda Marivalda se enturmara com outras Miraldas do prédio, que logo começaram a encher sua cabeça com um monte de espertezas e besteiras. A boa patroa, apesar da bondade e pontualidade nos pagamentos, só assinara sua carteira um ano depois, quando já podia nela confiar.  Afinal, dona Boa Sorte acreditava no bom senso e na gratidão de Miralda Marivalda. Enganou-se, porque Miralda Marivalda agora, não só era feliz de verdade, mas também muito esperta e bem informada. Consideração e gratidão são coisas que ficaram lá no passado do cafundó. Arrumou um advogado e foi à Justiça do Trabalho, reivindicar seus direitos.
                A boa dona Ana Boa Sorte; boa, mas ingênua, foi condenada a pagar com juros e correção um ano de salário, mais horas extras, férias, décimo terceiro, multa, vale transporte de todos os anos, ainda que Miralda Marivalda só mudara para sua nova casinha houvesse pouco tempo. O advogado de defesa alegou que Miralda Marivalda só conheceu a felicidade depois da passagem da dona Boa Sorte pela sua vida. Porém, o juiz que é cego como a lei manda, porque ela também é cega, condenou Dona Ana Boa Sorte à má sorte de pagar tudo de novo.
                Dona Ana Boa Sorte, a duras penas, aprendeu a não mais ser tão bondosa e ingênua e não quer mais saber de empregar ninguém. Prefere se virar sozinha. Agora sabe que gente desdentada, analfabeta e infeliz é culpa do governo ladrão que não dá a Cezar o que é de Cezar, mas sabe e gosta de obrigar outros darem. Miralda Marivalda teve três filhos, desmanchou o casamento, recebe vale gás, bolsa família, pensão do marido, tem conta corrente, poupança, investe na bolsa, tem carro do ano e até pensa em se formar e abrir um negócio. Mas lembra que nunca vai fazer como a tonta da Dona Ana Boa Sorte fez com ela. Só vai empregar gente bonita, letrada, perfumada, com todos os dentes, carteira de motorista, identidade e tudo mais, porque esse negócio de dar a Cezar o que é de Cezar é coisa de governo, não é problema de patroa. Lá naquele cafundó nunca mais quis saber de voltar. AquiIo não era lugar prá gente esperta e bem sucedida como ela.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O BOM CAVALO DE ESTIMAÇÃO

     Lá na Roma antiga, por volta do ano 40 DC, Calígula o imperador demente, numa demonstração de poder e desprezo aos seus senadores, nomeou como senador imperial seu cavalo de estimação. Num impulso de louca inteligência, com este ato ele claramente pisou na soberba de todos, os comparando a um réles animal de tração e montaria.
     Seria essa a intenção do senador velho imperador ex-presidente da república José Sarney, aquele que depois de ter conseguido calar o jornal " O ESTADO DE SÃO PAULO" agora se empenhou de corpo e alma em apoio incondicional ao digníssimo sr. novo senador imperador Renan Calheiros? Em quem ele estará querendo pisar? No Judiciário que injustamente acusa de corrupto o nobre novo imperador? No povo idiota que vota, paga e não reclama? Na imprensa que eles querem calar? No Brasil, o eterno Gigante Adormecido? Ou estão apenas querendo um cavalo amestrado para servir às artimanhas do governo sem botar a boca no trombone?

COITADINHA DA PETROBRAS! BARATO COMPRAMOS.

      Esta aí a prova cabal de que governos não foram feitos para empresariar nada, porque não têm competência administrativa. Desde que JK propôs a industrialização do Brasil e para cá trouxe as primeiras montadoras de automóveis, que a indústria brasileira vive em crise. E mesmo assim a iniciativa privada, levando pancada por todos os lados, pagando a maior carga tributária do universo, enfrentando custos adicionais oriundos da péssima infra estrutura de transportes, da política de direitos trabalhistas excessivamente paternalista e da concorrência chinesa predatória; o setor privado ainda conseguiu colocar o Brasil no panteão das 10 nações mais ricas do mundo.
      Enquanto isso a Super Estatal Petrobras, anda cambaleando, porque o governo bonzinho do PT não a deixa viver em paz e reajustar seus produtos a la vontê. Será que a diretoria executiva daquela estatal não conhece economia de escala? Se visitassem qualquer média industria brasileira, que vive levando paulada por todo lado, aprenderiam que preço final começa lá do departamento comercial na hora da compra, passa pelo chão da fábrica, pela otimização dos processos, pela racionalização de gastos, para, no final, ter preço competitivo e não morrer na praia.
      A Petrobras perdeu 31 bilhões de dólares no ultimo ano alegando que foi culpa do cenário atual de desvalorização cambial, aumento internacional dos combustíveis importados, achatamento dos preços finais, etc; se esquecendo que muitas empresas vivem também no mesmo cenário de bagunça e incerteza mercadológica e ainda assim resultaram balanço positivo. Será por que? Por outro lado, sua concorrente colombiana, que não está noutro planeta, com metade da seu tamanho apresentou o dobro da sua lucratividade. Sera por que?
Estou desconfiado que existe mato nesse coelho e a estratégia é sensibilizar a opinião pública para depois implementar um bom reajuste de preços no futuro e ninguém reclamar ou, se reclamar, as desculpas já estarem na ponta da língua.
      Um bom remédio para essa sonolência acomodativa da Petrobras seria concorrência no lombo. Se o governo bonzinho abrisse o mercado em igualdade de condições, tenho certeza que em pouco tempo o mato largaria o coelho e a letargia seria sustituida por eficiência e produtividade, assim como funciona onde não há a confortável reserva de mercado. Em outras palavras o remédio para isso seria Shell, Esso, Texaco, Pamex... e fiscalização forte, leal e séria contra a cartelização.
AAAhhhhh!!!!! Falou em seriedade? Não é nossa praia! Melhor deixar como esta!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ATE QUE ENFIM O CONGRESSO BRASILEIRO ACORDOU

     Depois do incêndio que matou mais de duas centenas de jovens e mandou algumas dezenas para o hospital, alguns parlamentares declararam disposição em criar um código de conduta contra incêndios e transforma-lo em lei federal. Para um parlamento que não trabalha mais do que 3 dias por semana, mantém mais de 3000 leis engavetadas pedindo socorro, goza recesso várias vezes por ano e custa milhões para os cofres públicos, até que foi uma boa idéia.
      Só esqueceram que quantidade de leis não significa que haverá maior obediência e eficiência. Que já existem vários códigos de conduta contra incêndio vigentes no país em âmbitos estadual e municipal. Que está mais do que claro que naquele caso, e em outros que o país já esqueceu, o que houve não foi falta de leis, mas desrespeito a sua observação e cumprimento por parte de alguém ou todos os envolvidos na salvaguarda do bem estar social.
      Esqueceram ainda que uma nação não se constrói com leis, mas com homens dignos e sensíveis às responsabilidades da cidadania e com a imagem da sociedade à qual representam.
      Ações teatrais depois que o circo já pegou fogo não aplacam o sofrimento de ninguém, não paga as vidas que se perderam e muito menos lava a imagem rota dos órgãos públicos brasileiros, bem afamados na ineficiência, na grosseria e falta de profissionalismo dos funcionários, na má vontade crônica em atender bem o público, no desrespeito à profissão à qual abraçaram e da qual vivem com direitos e ganhos bem acima da média nacional.
      Triste ser filho de uma pátria que não honra seus filhos e não cumpre seu papel de mãe gentil apregoado no seu indômito hino nacional.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

NÃO FAÇA DO SEU CARGO UMA ARMA; A VITIMA PODE SER VOCÊ!




            Depois da disputa renhida os candidatos eleitos prefeitos e vereadores, acabam de tomar posse dos mandatos que lhes confere autoridade para dirigir o destino dos municípios por quatro anos. Muita felicidade, largos sorrisos, tapinhas nas costas, beijos, abraços, saraivada de aplausos, foguetório, arrepios de emoção, discursos emocionados por vezes  tempestuosos, orgulho indescritível por merecer o apoio do eleitor amigo que não faltou com a promessa e não decepcionou com o precioso voto. Comum ouvir o célebre desabafo: “Eu sabia que meu povo querido não falharia comigo!“.
             Felizes e prósperos próximos quatro anos é tudo que o povo deseja aos seus novos ilustres representantes e desde já pede a Deus que lhes dê juízo e boa consciência para entenderem que felicidade em política deve ser via de mão dupla; que quem trafega na outra mão é o eleitor patrão, que também quer e merece ser feliz por uma questão apenas de lógica e ética. Que nesses quatro anos não se lembrem apenas dos seus direitos, mordomias e salários acima da média, mas também do eleitor amigo e querido pai/mãe de família com filhos para criar e contas para pagar. Que não se esqueçam que crianças não são cães necessitados apenas de comida, mas também de educação de qualidade para ter oportunidade. Que idosos não são trastes que devem ser esquecidos, mas pessoas humanas que já deram tudo de si e que agora merecem respeito, devoção, carinho e gratidão. Que professores não são extraterrestres capazes de viver de brisa e conversa fiada, mas que, como responsáveis pela formação da consciência nacional futura, precisam de ambiente salutar, apoio técnico e salários equiparados com os dos doutores do físico. Que não esqueçam jamais dos negros, que não são para serem lembrados apenas no “Dia nacional da consciência negra”, mas no todo do tempo dos anos, desde a mais tenra idade, para que se transformem em cidadãos tão capazes como qualquer outro e não precisem viver de quotas e esmolas de governantes corruptos e governos populistas com olhos dirigidos apenas aos votos da próxima campanha eleitoral. Que não se esqueçam que o povo está farto da mais alta carga tributária do mundo associada à qualidade de vida miserável que lhes oferece hospitais semelhantes a matadouros; estradas que mais parecem caminhos; transportes públicos obsoletos, sujos, lentos e caros; escolas perdidas no abandono; aposentados em idade avançada com proventos achatados, porque a Previdência Social falida só pode contar com a Providência Divina para cortar as mãos de tantos gatunos irresponsáveis eleitos a cada quatro anos nos embalos de mentiras bem pregadas. Que o eleitor não quer os recursos da merenda escolar trocados por festas, gasolina e bebidas importadas...
            Os administradores públicos costumam dizer que estão revestidos do “direito constitucional” do exercício da administração pública. Entretanto lembro aos digníssimos eleitos que temos aí subtendida a palavra “dever”. O dever de exercer o direito que lhe foi conferido democraticamente pelo eleitor. Em suma o administrador público não tem direito, mas dever. Primeiro porque “direito” se conquista por aquisição ou por mérito. Segundo, porque quem recebe pagamento pecuniário tem o dever de cumprir o que se contratou. Em terceira instância ainda cabe lembra-los que ninguém os obrigou a assumir tais responsabilidades e, pelo que se sabem, todos lutaram de livre e espontânea vontade pelo dever de servir à sociedade dentro da legalidade e sem delongas. Lembramos ainda aos, porventura, descontentes que se aceitam, de bom grado, renúncias.  O povo promete que jamais perderá noite de sono por isso, uma vez que ninguém seja insubstituível em qualquer circunstância.
            Há aproximadamente trinta anos apresentou-se na televisão brasileira a lendária novela “O bem amado”. Uma sátira da situação política daquela época a qual continha a personagem caricata do Capitão Zeca Diabo. A tal personagem representada pelo ator Lima Duarte era um irreverente por natureza e em certo capítulo, quando inquirido por uma pretendente apaixonada que desse sua opinião  sobre o casamento; ele alegou que gostaria de se casar para fazer bobagem. Casar-se para fazer bobagem certamente seria muito simples se todos não soubéssemos que no casamento faz-se de tudo, inclusive bobagem. Esta entra no contexto, nada mais, como um coadjuvante. Por isso não existem casamentos que se sustentem apenas sobre as delícias da bobagem. Em outras palavras poderíamos afirmar que nem só de bobagem sustentam-se os casamentos, mas, e muitos mais, de responsabilidade.
            Até Hitler, o líder alemão teria declarado, no embalo das suas loucuras, que não podia se casar porque já estava casado com a Alemanha. Casou-se e fez tanta bobagem que deixou um rastro para a história da humanidade de cinqüenta milhões de mortos e bilhões em prejuízo material.
            Vê-se, então, que em qualquer circunstância da vida cabe responsabilidade e equilíbrio. Que a aventura de se casar com a política com o único intuito de fazer bobagem é uma arma perigosa. O povo esta alerta e munido de duas leis úteis e severas; sejam elas: a da “probidade administrativa” e a da “ficha limpa”. Além do mais, tribunais mais atuantes e juizes na mira da nossa imprensa livre, alerta e competente. Não subestimem as redes sociais! Espaço para picaretas fazerem bobagem esta cada vez mais estreito. Cuidem-se os aventureiros recém casados que o povo esta alerta! Viva a democracia! Abaixo a mão leve, o olho comprido e a bobagem na política! No casamento com responsabilidade é permitido. Quem gosta? Quem não gosta? Disk bobagem no casamento. Não precisa se identificar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIA NACIONAL DA EDUCAÇÃO ANTIRACISTA


            Vimos há alguns dias as comemorações do “dia nacional da consciência negra”. Vinte de novembro; data mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o treze de maio, pois naquele dia comemora-se o aniversário da morte de Zumbi. "Treze de maio, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definiu o poeta gaúcho Oliveira Silveira o dia da Abolição da Escravatura em um de seus poemas, referindo-se à lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver com dignidade.
            No idioma africano falado pelos ancestrais do herói escravo; Zumbi significa “Senhor da Guerra”. Portanto nada mais adequado associar seu nome ao combate ao racismo e à desigualdade histórica sofrida pelas populações negras, cultura que sobreviveu mesmo depois do fim oficial da escravidão no Brasil, em treze de maio de 1888, através da Lei Áurea, promulgada pela Princesa Isabel.
            Até aqui tudo bem, no entanto é preciso que façamos algumas considerações afinadas ao que o ex-presidente Jânio Quadros gostava de classificar como “forças ocultas”. Quais seriam as forças ocultas perigosas que poderiam influenciar negativamente as legítimas tentativas de conscientizar a cultura brasileira para respeitar e reconhecer a população negra definitivamente como um legítimo elemento da nossa etnia?
            Respondendo a essa questão tão delicada me valerei do elementar exemplo da massa do bolo que não admite erro na receita; qualquer alteração na combinação dos elementos fatalmente trará prejuízo ao sabor e à textura final. Assim também funciona a política. Muitas das vezes direcionam-se esforços num sentido imaginando-se determinados resultados positivos sem jamais se calcular que efeitos colaterais poderão advir. Digo isso porque tenho observado certa paixão emocional das lideranças negras no trato da questão e por outro lado um sutil distanciamento do resto das forças políticas. Vêem-se cantores negros, políticos negros, jogadores negros, poetas negros, padres negros; mas pouquíssimos pares brancos engajados num esforço concentrado da sociedade brasileira como um todo. Certo que leis estão sendo promulgadas nesse sentido e até severas punições aplicadas aos contraventores, mas certo também é que não são bastantes leis e opressão, se não houver por parte de toda a sociedade uma espécie de incorporação cultural da idéia de igualdade entre as raças. As lideranças brancas se comportam de maneira leniente e fria diante da questão, ou seja: o problema é deles e eles que se virem. Prova disso é que se observam pouquíssimos brancos presentes em qualquer manifesto popular dirigido à conscientização de igualdade. O tema tornou-se politicamente correto não admitindo-se altercações contrárias a qualquer mínimo detalhe. Como exemplo, temos as cotas universitárias para negros. Seria essa uma forma justa de inserção social, considerando-se a realidade de tantos brancos pobres que não podem gozar do mesmo direito? Não estariam plantando autoritariamente novo tipo de tensão perniciosa entre indivíduos e segmentos sociais? Não seria esse um paliativo com resultados duvidosos, considerando-se que os alunos selecionados por quotas não trazem boa base do ensino primário e secundário e mais tarde seriam excluídos pelo mercado onde não há tolerância com profissionais mal preparados?
            Os governantes sabem que sim e muitos educadores também. Entretanto mais cômodo e menos arriscado é lavar as mãos e deixar como esta para ver como é que fica. Defender o resgate de segmentos negros à custa de qualquer via tornou-se politicamente correto e rende voto. Numa análise livre de hipocrisia todos sabem que racismo é contra a pobreza e a ignorância, apesar dos esforços para exterminá-las serem sempre muito pequenos. Ninguém discrimina negros ricos e bem sucedidos, pelo contrário, muitos exemplares deles estão aí bem inseridos nas altas rodas da sociedade brasileira e mundial.
            Estranhamente os governantes não se importam com o direito das populações pobres, negras ou brancas, a um ensino básico de alta qualidade. Ao contrário, o que se vê é o sucateamento das escolas primárias, o aviltamento da função do educador com salários baixos e políticas opressivas com cargas horárias excessivas e falta de recursos humanos e materiais de toda ordem. Situação essa largamente discutida e justo quando se sabe que o sucesso das potências industriais é baseado em educação de alta qualidade para todos desde os primeiros anos escolares. Não há outro caminho e outra saída, entretanto aqui no Brasil, e na América Latina como um todo, o populismo tornou-se cabo eleitoral e faz parte de um projeto neo-marxista em que morder e soprar é regra do jogo e parte do discurso, enquanto a ação depende de fatores premeditadamente inalcançáveis. Mordem, quando cobram uma das maiores cargas tributárias do mundo, inclusive dos pobres negros e brancos; expõem o setor industrial à concorrência internacional sem nenhum tipo de compensação fiscal ou tributária, assim reduzindo postos de trabalho dentro do Brasil e os criando lá fora; abandonam a infra-estrutura social e viária ou tentam amordaçar a imprensa. Sopram, quando desperdiçam recursos preciosos com políticas demagógicas em forma de bolsas e quotas disso e daquilo; mentem para a nação com desculpas esfarrapadas e índices de desenvolvimento manipulados; investem em propagandas sensacionalistas e enganosas; reforçam o descaso com a educação básica para todos; criam privilégios através de super-salários e super-direitos para alguns apadrinhados; fazem vistas grossas ao nepotismo nas altas esferas da administração pública.
             O rapper MV Bill, foi um dos primeiros a intitular a campanha de igualdade racial no Brasil como “Consciência Negra”. Obviamente, porque a idéia se constitui no tema central do seu trabalho e o termo um bom acessório para facilitar a compreensão da sua tese. No entanto acho perigosa a sensação de unilateralidade que encerra. Prefiro acreditar que o cantor, na melhor das intenções, não pretendeu dar conotação unilateral à obra, todavia seria mais adequado intitulá-la como ‘educação antiracista’ ou talvez ‘conscientização racial’ soasse mais brandamente pelo seu sentido de totalidade. “Consciência Negra” simplesmente remete a certa parcialidade ou, talvez, a um ímpeto velado de conscientizar para ir à forra; o que não implica transformação ou transição para o bem. Este é o ponto negativo da política implantada, por embutir perigosamente um viés de retaliação racista ao contrário ou com mão dupla, uma vez que milhões de brancos também são pobres e não desfrutam de privilégios e nem todos os brancos ricos são racistas. Além do mais não é justo penalizar jovens brancos pobres pela má sorte dos negros escravizados e transferidos pra cá sob ferros pelos nossos queridos colonizadores e sua cultura da ganância exploratória e esperteza compensatória. É utópico e constitui-se uma irresponsabilidade combater a discriminação ao negro com a introdução da discriminação ao branco. O ato de discriminar partindo do elemento branco ou do negro, ainda que este tenha sido humilhado há séculos, é um ato vil. È preciso muito cuidado no trato dessa temática, pois há o risco de estarmos reforçando ainda mais a linha divisória entre as raças e se criando o racismo retaliatório, ou seja: aprofundando e oficializando a intolerância entre as raças, assim como aconteceu em outros países da América.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

AVENIDA BRASIL



            Na edição passada desta coluna*, cujo título é: cada povo tem a mídia que merece, refletimos sobre a missão da imprensa brasileira como guardiã das bases democráticas e sua responsabilidade no aprimoramento da cidadania através de programas e campanhas que incutam valores nobres na mentalidade popular.
            Na intenção de dar seqüência ao tema, tornei-me um noveleiro de carteirinha e diariamente às vinte e uma horas em ponto estava plantado na frente da televisão para assistir a mais uma das hipnóticas aventuras da famigerada Carminha e sua sede de levar vantagem a qualquer custo. Capítulo a capítulo, a megera golpista conquistou em massa os telespectadores a ponto das pesquisas apontarem quase cem por cento de audiência fiel ao canal global naquele horário.
           A memória do telespectador é volúvel e a maioria de nós já se esqueceu que o fenômeno se repete a cada novela em que vilões estão sempre a dar asas a seus egos doentios implacavelmente massacrando pessoas inocentes, indefesas e bem intencionadas. A fórmula para cativar a audiência nunca muda. A cada nova temporada alternam-se autores, elencos, equipes e cenários, mas o tema central é sempre o mesmo. Qual o motivo da fixação dos autores e produtores em massacrar o telespectador com histórias de miséria humana nada recomendáveis à saúde mental de alguém, muito menos de crianças e adolescentes em fase de formação? Estariam eles tentando reforçar uma espécie de cultura nacional por entenderem que nossa sociedade já esta doente e que em cada esquina existe um maluco querendo destruir alguém ou seriamos nós, os telespectadores brasileiros, donos do maior mau gosto do mundo, contaminados por uma espécie de desequilíbrio sádico? Em outra hipótese o sadismo ou qualquer outra má intenção poderá estar morando na cabeça deles, incapazes de enxergar na sociedade brasileira quaisquer qualidades que mereçam retratação positiva.
            É sabido e notório que sangue e dor sempre tiveram grande poder de encantamento, desde que seja nas entranhas dos outros, pois ninguém é louco o bastante para se comprazer com o próprio desalento. Seria essa a causa central que canaliza a atenção dos produtores dessas lamentáveis tragédias? Pode ser que sim, pois é muito mais fácil reforçar uma tendência natural do que preparar terreno para semeaduras mais nobres. Obviamente é do conhecimento de todo mundo que produzir chanchadas custa muito mais barato que obras primas, porque a chanchada é como um barco sem motor lançado na correnteza. Demanda menor esforço e mais cedo ou mais tarde, com certeza, atingirá a mansidão do lago dos milhões na conta bancária. Ademais, a preocupação de qualquer investidor é ver seu investimento retornar bem rápido, com o menor risco possível, de preferência acrescido de um polpudo lucro. É exatamente isso que acontece, quando divulgam essas produções repetitivas, que não primam pela criatividade, nem pelo respeito à saúde dos nervos do telespectador.  
             A justificativa corrente é a que estão mostrando o que o povo quer ver.
Em outras palavras: se o povo vive tragicamente sofrendo pela falta de ética, pela descompostura, mergulhado no desrespeito, humilhado na desigualdade social, escravizado pela tirania de governantes corruptos, injustiçado na inoperância das instituições públicas; não é problema de quem trabalha na mídia ou com a mídia; cabe ao governo a missão de resgatar o telespectador da profunda ignorância, porque educar é apenas tarefa do Estado. Esta é uma grande e criminosa mentira partindo do princípio de que o principal valor intangível atribuído a qualquer pessoa, física ou jurídica, é primar pela conduta sóbria e ética, compromissada primeiramente com o bem estar social, com a construção do futuro auspicioso das gerações futuras e isso passa pelo resgate das gerações presentes. Quando passa-se todo o tempo a vangloriar vilões, suas transgressões podem ser entendidas como valores verdadeiros e virarem moda. Esse é o grande perigo ao qual a mídia brasileira, principalmente a televisiva, vem expondo a sociedade, em grande parte composta por indivíduos despreparados para saber separar o joio do trigo.
         Uma dolorosa dúvida assanha minha curiosidade! Dos milhões de telespectadores, dentre eles menores em fase impúbere, quantos entenderam corretamente a verdadeira intenção da crítica abordada em Avenida Brasil? A Rede Globo, muito bem soube e sabe trabalhar seus lançamentos em grande estilo, merecidamente jogando confetes e abrindo o tapete vermelho para seus talentosos atores. Ao longo do desenrolar das histórias trágicas e baratas se preocupa e se ocupa em criar suspense, a fim de manter em alta a audiência, como também em alta o custo dos anúncios no disputado horário nobre. E finalmente se delicia com o sucesso a ponto de dedicar um programa importante como o Globo Repórter, com o fim de louvar o brilhante trabalho da equipe que bravamente desempenhou diuturnamente o árduo trabalho de dar vida às personagens com a maior realidade possível.  Muito bom e louvável com apenas uma grave falha: sempre se esquece de acrescentar no processo um bloco dedicado ao esclarecimento do que está implícito na crítica para que o desavisado telespectador não confunda alhos com bugalhos ou heróis e cabras.
            Deviam ter reforçado que Carminha e Max na vida real são vítimas, personagens do dia a dia na miséria material e espiritual, habitantes desse país desgovernado por homens, na sua maioria, irresponsáveis, desonestos, descompromissados com a verdade, com á ética, com qualquer coisa que não seja seus próprios botões. Uma sociedade que tolera e aceita seres humanos vivendo em lixões, convivendo com porcos e bandos de urubus famintos, à margem de tudo, sem família, nome, identidade, direção, educação, dignidade. Sem futuro à altura de uma nação que se auto-intitula país do futuro, celeiro do mundo e outras bobagens condizentes com a pobreza de espírito e falta de competência desses intrépidos idiotas que elegemos para nos governar a cada quatro anos. Não estamos aqui a criticar o Brasil e suas potencialidades, defeitos ou qualidades, mas a eficácia dos nossos nobres predadores, que nos cobram a maior carga tributária do mundo e nos devolvem monstros humanos como os retratados pelo autor em Avenida Brasil.
            É fato que a indústria telecinematográfica brasileira já mostrou competência técnica para ascensão internacional, assim como nosso elenco de atores, atrizes e demais; nada ficando a dever aos americanos de Hollywood, os melhores do mundo na arte da teledramaturgia. Entretanto, há uma fundamental diferença entre as produções americanas e as brasileiras. Aquelas sempre funcionaram como importante veículo de promoção da imagem dos Estados Unidos como líder mundial e bom lugar para se viver. Nunca se cansaram de criar heróis, ainda que estes não fossem tão politicamente corretos. Do velho justiceiro John Wayne, combativo cowboy do far west, incansável defensor da lei e dos mais fracos, ao herói Rambo, um veterano do Vietnã e ex-Boina Verde, sempre demonstraram cuidado especial em não dar brilho a vilões contrários à estratégia de enlevar o orgulhoso nacionalismo do povo americano e a se firmarem como líderes mundiais. A isto chamamos educação moral e cívica trabalhada de forma sutil, mas claramente útil e objetiva. Não estamos aqui a discutir o mérito da questão, mas o fim ao qual se aplica. Intrigantemente, não é difícil perceber que, ao contrário, nossas produções tendem com muita freqüência a retratar defeitos vergonhosos que denigrem a imagem do país e em nada colaboram no incentivo ao culto do honra de ser cidadão do Brasil.
             Se um dos nossos maiores gostos é imitar os gringos americanos em tudo que não presta, o que nos impede de imitá-los também no que presta? Basta maior interesse da mídia em difundir valores éticos de personagens mentalmente saudáveis, mais habilidade na escolha de temas, maior criatividade nas abordagens, mais comprometimento com o orgulho de ser brasileiro e com a imagem do Brasil que desejamos para nós e para nossos descendentes, pois jamais seremos grandes sem um povo altivo, consciente do que seja o exercício da cidadania plena e da responsabilidade de ter nascido no “Brasil; pátria amada mãe gentil” para alguns, porque ainda há outros milhões de Carminhas e Maxueis  vivendo no lixão, passando fome e humilhações, se preparando para as próximas novelas da vida.

*edição do mês de outubro do Jornal Nova Mídia de Barbacena onde foi publicada a reflexão "CADA POVO TEM A MÍDIA QUE MERECE", publicado também neste blog no espaço anterior a este - role a barra e cofira -