APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O DIVINO E DEPRAVADO BURACO


O DIVINO E DEPRAVADO BURACO

Ha alguns anos o genial cartunista Millôr Fernandes escreveu e publicou uma crônica, não me lembro mais em que veículo, se no Globo ou Jornal do Brasil, a qual criou boa polêmica. Mas deixando de lado o detalhe de menor importância, só sei que a tal rendeu o que falar, tanto pelos moralistas de plantão, quanto pelos anarquistas caras de páu, que só querem ver o circo pegar fogo.

Eu, na qualidade, nem de moralista, nem de anarquista, confesso que gostei muito e até concordei com ele. Aquela crônica não era uma obra de valor literário, nem, muito menos, tratava de alguma novidade, mas guardava um humor sarcástico fatal.

Todavia, nessas alturas do campeonato o paciente leitor deve estar já se perguntando: Sarcasmo contra quem? No intuito de não abusar demais da paciência de ninguém vou logo dizendo que ele ironizava a vida e o título escolhido demonstrava bem isso: "O direito ao Fôda-se!" era o título. Estranho, mas profundo. Vamos aos fatos!

O autor já naqueles tempos, indignado com os desafios, aborrecimentos, perdas e decepções que a vida nacional nos impõe e vai minando o sistema nervoso ao ponto de provocar indesejáveis infartos e úlceras, considerava o "Fôda-se" um santo remédio para os nervos. Ficou desempregado? Fôda-se! Foi assaltado? Fôda-se! Foi multado sem culpa nenhuma? Fôda-se! Foi abandonado? Fôda-se! Tomou páu no fim do ano? Fôda-se! Um político cara de páu foi cassado? Fôda-se, bem feito! Votou no PT? Fôda-se! E logo vem aquele alivio! Aquela sensação de dever cumprido e até um certo prazer de poder desdenhar do azar.

Aposto que o amigo leitor concordou! Quantos "Fôda-se" um bom brasileiro fala por dia? Certo desocupado já calculou. No mínimo 150, sem contar os anuais. Quando o filho toma bomba ou quando vence o IPTU e o dinheiro está curto o "Fôda-se" logo vem curar tudo.

Seguindo os passos do Millôr achei que o momento é propício para tratarmos desse assunto da mais alta importancia: o "Buraco". O leitor já pensou quanta influência tem os buracos em sua vida? Tem buraco pra tudo. Buraco bom e buraco ruim. Mas que tem tem e ninguém é capaz de negar.

Tem buraco grande, pequeno, quente, úmido, escuro, fundo, raso, redondo, quadrado e sem fundo. Quem já  parou para contar quantos buracos tem seu corpo? Ja pensou o que seria se não fossem esses divinos buracos? Buraco é um negócio tão importante que se não fossem eles ninguém respirava, comia, cheirava, defecava, ouvia e nem mesmo nascia.

Buraco pode ter vários nomes. Aqueles que varam montanhas são túneis e aqueles que rasgam o subsolo, metrôs. Nomes chiques e difíceis, mas que é buraco é e o que seria do trânsito engarrafado se nao fossem eles?

Nessa pindaíba em que anda o Brasil a primeira coisa que lembramos de dizer é que estamos no buraco ou até que o Brasil já é um buraco. Já pensaram que até economia tem buraco? O PT recebeu autorização do Congresso Nacional para fechar as contas do ano de 2016 num buraco de 170 bilhoes. Quem fez essa arte ninguém até hoje ficou sabendo. O PT disse que não estava lá, pois eu ou o pacato leitor é que ao certo estávamos. E quem vai tampá-lo, mais cedo ou mais tarde, pode-se imaginar. Farão um buraco no nosso orcamento.

Buraco cabe tudo. Cabe país, Estado, Município, Cidade. O Rio de Janeiro esta num buraco tão grande que até poderia se chamar Rio do Buraco. E Minas dizem que já esta no buraco também e que há alguns politicos comunistas que andam de helicóptero capitalista e que também vão parar no mesmo buraco do Sergio Cabral.

Lugar perigoso é buraco de Tatu, porque cobra num pode ver buraco que logo quer entrar. Se um descuidado bota a mão no seu buraco, aliás no do Tatu, ai dizem que botou a mão na cumbuca, porque cascavel nao perdoa mão no buraco.

Tem mecânico que adora buraco e teve um que outro dia me disse que se não fossem os buracos desde Brasil esburacado sua oficina já tinha ido para o buraco há muito tempo.

Mas, se há gente que gosta muito de buraco é político. O nobre leitor já observou o quanto buracos são importantes na vida desses nossos heróis salvadores da Pátria? O que seria deles sem buracos? Quando em campanha prometem acabar com o buraco do adversário. E até xingam o buraco do coitado e depois que ganham nossos votos se justificam que não podem fazer nada, porque o orçamento esta no buraco deixado pelo outro. Contudo não conheço ao menos um que tenha acabado com buraco algum. Todos eles só sabem aumentar os buracos, na quantidade e na qualidade.

Outro dia um grande amigo  quebrou o carro num buracão. Quase morreu e matou toda a família. Revoltado reclamou com o cabo da Polícia de Trânsito que se soubesse que ia quebrar o carro não teria pago seu IPVA. Ai, o policial, mais do que depressa, respondeu que, se tivesse feito isso levaria seu carro quebrado para o Buraco do Governador lá onde fica o buraco do Detran.

O Buraco do Governador já teve rebelião, ja foi incendiado, explodido e até arrombado. E agora os presos querem outro buraco mais confortável com TV, frigobar, ducha, piscina aquecida, ar condicionado, geladeira frostfree e visita íntima 24 horas por dia com cervejinha gelada e tudo. Afinal de contas, no Buraco do Brasil, preso deve ser bem tratado e quem deve ficar no buraco bem fundo são as crianças no buraco da escola com professor no buraco da vida.

Mas, para terminar, não poderia deixar de contar uma última peripécia dos nossos buraqueiros. Semana passada numa estrada havia um batalhão de homens tampando buracos. Enquanto um trabalhava, outros olhavam! Mas observei que não tampavam todos e deixavam alguns. Então, curioso perguntei:
Porque os senhores não tampam todos?                                                                            
Porque, se tamparmos todos, ano que vem não haverá nada para tampar e nosso bolso que já é um buraco vazio como vai ficar?
Aí percebi que no país dos buracos o pior buraco é a cabeça vazia.
Millôr tinha ou não razão? Fôdam-se! Assim nossos nervos estão salvos.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM MICHEL TEMER


QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM MICHEL TEMER

Nos 127 anos de República, o Brasil teve trinta e sete presidentes. Desses, sete foram vices que assumiram a Presidência por impedimento do titular. Mas o caso mais emblemático é o caso de Michel Temer, o vice de Dilma Roussef. 
O vice-presidente tem poucos poderes e funções explícitas pela nossa Constituição. Sua função primária é suceder ao presidente caso ele morra, renuncie, ou seja, afastado judicialmente. 
Se aplicarmos aquela velha e simples continha de dividir, concluiremos que em 127 anos de Presidencialismo Republicano o Brasil teve um vice a cada dezoito anos. Os Estados Unidos, o maior e mais estável pais democrático do mundo e onde o presidencialismo viceja forte tem dados quase parecidos com os nossos. Já teve nove vices promovidos a presidente, apesar do presidencialismo por lá ter sido implantado um século antes; em abril de 1789. Um vice a cada vinte e cinco anos. 

Pelo mundo afora a história demonstra que os reveses do destino, vez por outra, acendem os vices ao posto máximo. Forte lembrete aos eleitores que o vice um dia poderá  valer mais do que pesa, portanto esteja de olho no seu histórico de vida.
E seria muito bom se também nossos queridos políticos e seus partidos também nunca se esquecessem disso e parassem de encaixar personagens rocambolescos só para colorir a chapa e passar ao eleitor impressões falsas de que o vice terá importância maior na administração do que a de ficar de boca fechada e, de preferência, longe do palácio.
Certa vez ouvi uma piada, na qual o contista zombeteava de Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique. E ele com aquela sua cara característica bem enquadrada pela câmera perguntava: - Para que serve o vice? Pergunta que ele mesmo respondia: - Para nada! 
Longe de mim querer ofender os vices, mas a verdade é que fomos orientados para enxergar nossos vices como bonecos sem expressão, sem atitude e utilidade nenhuma. Uma espécie daquele João Bobo cheio de ar, que fica ao lado da vitrine sorrindo e abanando os braços apenas para chamar atenção aos atrativos mais importantes. Os próprios mandatários, apesar de negarem, também pensam assim. 
Contudo, se vice é ou não um azarão é melhor tomar cuidado. Se você esta no poder deixe de fumar, de beber, coma só carne branca, durma cedo, ria muito, não esquente tanto sua cabeça com bobagens, não pratique esportes radicais, faça um check-up por semana, cumpra direito sua obrigação assumida com os eleitores, porque seu vice esta lá a postos esperando seu santo escorregão, a fim de tascar seu poder. 
Nunca se esqueça que a historia é tinhosa e gosta de dar lições nos incautos. Pena que nela prestamos pouca atenção. Lula, por exemplo, se esqueceu disso e ao apontar sua querida Dilma Roussef para o cargo máximo aceitou Michel Temer para compor a Super e invencível Chapa Petista. Afinal precisava de um Coxinha Mudo, para passar para os outros Coxinhas e também para a militância comunista a impressão de que teríamos um governo consensual colorido de verde, amarelo e vermelho. Entretanto, todos sabem que a verdade era outra bem diferente da que a história ensina. O que ele precisava sim era das benesses do grande aliado PMDB e assim o fez encaixando o nome do seu maior cacique. Não sabia que estava armando sua velha espingarda enferrujada para dar um tiro certeiro no próprio pé. 
Fora Temer uma ova! Temer tem que ficar até o final, pois ele é o osso duro de roer para quebrar os dentes do PT. Foi o que sobrou de útil da carnificina feita contra o Brasil e seus pobres eleitores pagadores de impostos. Ele é o efeito colateral da malandragem política que reina no Brasil ha séculos, para ensinar aos políticos safados que com coisa seria não se deve brincar. 
Temer agora é o “Coxinha dos Coxinhas”. Nosso osso duro mais saboroso! A tábua da beirada. O fio de salvação que Deus deu para nos salvar dos comunistas incompetentes e seu naufrágio fatal e total. 
Temer, o Mauricinho Bonitinho, nascido em berço de ouro, mudo da confiança de Lula e Dilma, formou-se na São Francisco, a escola da elite branca. Criminalista renomado, ex-promotor de justiça com aquela sua cara de plástico derretido enxerga longe. Aceitou ser Pau Mandado, quando era hora. Ficou de bico fechado, quando era hora. Falou, quando era hora e pulou fora do barco furado, quando era hora. E agora, pelo que parece, vem dando demonstração de estar disposto a colocar o Trem Bala Chita do Brasil de volta nos trilhos. 
Temer é o cara, certamente diria o Santo Capitalista Barak Obama! Se ele não disser, diremos nós coxinhas e até a turma da Bolsa Família, que teve 11% de aumento na hora da maior crise da nossa historia triste. Afinal acabou com milhares de falsos bolsistas bandidos fazendo sobrar dinheiro para quem realmente precisa. Sem esquecer, é claro, da ajudinha ao Funcionalismo Público Federal no dia da chegada do Papai Noel. Se o caro leitor não sabia, fique sabendo. Mandou molhar a mão da Turma Federal com um substancial aumento. Sem esquecer, claro, dos milicos que ficarão fora da Reforma da Previdência. Previdência de Milico nao quebra! Temer sabe o que faz. Calou a boca da moçada. O PT dançou o samba do Branco Doido mais uma vez, porque falar o contrário pode dar BO.
Ele é o melhor que temos no momento; não há outro para o seu lugar. Rezemos para que ele viva ate outubro de 2017, senão, do contrário, teremos que engolir o gordinho branquelo mais sexy do Congresso. 
Não esta aqui quem falou; você leitor calculista é quem esta pensando mal como sempre.
Por favor, destino!... Fica Temer, porque estamos quase gozando de tanto rir.

E a história até nos deu outro “Dia do Fico”! Danada essa tal de História!



ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

SENHORES NOVOS PREFEITOS E VEREADORES, SEJAM BEM VINDOS AO CAOS


  • SENHORES NOVOS PREFEITOS E VEREADORES, SEJAM BEM VINDOS AO CAOS.


Há coisas das quais tanto ouvimos falar que se tornam cansativas e concluímos que é melhor esquecê-las, pois segundo diz a velha sabedoria popular: "o que não tem remédio remediado está". Nosso precioso tempo merece ser revertido em atividades importantes, que podem render resultados práticos , ainda que seja pelo menos gastando-o nas rotinas da vida. Isto é o que tenho ouvido muitas pessoas dizerem desanimadas diante da desordem em que vivemos no Brasil. A desilusão é tanta que muitos nem votam mais, assim  renunciando ao direito de opinar.
Mas se esquecem que temos tres tempos ao nosso dispor. O presente instantâneo, o futuro imediato e o futuro longínquo. Por isso, quando nos dedicamos apenas às atividades rotineiras, estamos condenando nosso futuro longínquo ao desastre. Grandes obras de auto-ajuda ou até mesmo algumas religiões pregam que o passado e o futuro não nos competem. Apenas o presente deve merecer especial atenção, pois é dele e nele que vivemos.
Entretanto, nāo concordo com isso e penso que quando tratamos do fator tempo não cabe tamanha simplicidade. Primeiro, porque nada existe fora do tempo, nem o piscar de olhos ou a existência das estrelas que testemunharam o nascimento do nosso planeta. Tudo, um dia, vai ser passado e nada terá a mesma aparência do início, porque tudo se transforma, quase invariavelmente, para pior. Sabe-se que o universo é um laboratório mutante, porque esta em desgaste permanente e o desgaste é o resultado da açāo de fenômenos físicos, químicos e temporais. Daí a ciência ter tanta certeza de que um dia tudo terá fim, assim como esta certa de que - O Todo Universal - teve um início. Como tudo aconteceu?  Ainda procura-se a resposta.
Mas diante da grande interrogação que acabo de colocar na sua cabeça, caro leitor, posso com certeza afirmar que há algo imune ao desgaste do tempo. Ele é indestrutível e pode melhorar no decorrer dos séculos, porque nele não atuam, nem fenômenos físicos, nem químicos. Apenas o Conhecimento Humano pode melhorar com a ajuda do tempo, quando nele se investe bem. Daí a velha máxima: “Semeia bem no presente e colherás bem no futuro”. Se queremos ter um Futuro Glorioso e em paz é necessário que saibamos fazer do presente uma gloriosa história.
Diante de tal afirmação me atrevo, como conhecedor da história, a afirmar que o Presente Turbulento do Brasil é o resultado funesto do que semeou-se mal no passado. Temos uma História Porca, por isso vivemos um Presente Porco.
Mas o primeiro passo que precisamos dar para que não condenemos as crianças de hoje a um Futuro Porco é incluir nas nossas atividades diárias o costume de Conhecer e Aprender como funciona a Malandragem Política no Brasil e no mundo; desta maneira investindo no Conhecimento. Somente assim é possível estar a par das manobras dos políticos. Deixe de comer, deixe de beber, deixe de dormir, mas nunca feche os olhos ou se canse do que se passa a sua volta, porque os politicos canalhas vivem da sua distração e desconhecimento da verdade histórica. Deixe que o tempo melhore sua mentalidade política.
Lembre-se de que no primeiro dia do ano de 2017 estarão tomando posse os candidatos eleitos por você. O povo os elegeu para tomarem conta das nossas cidades. Não se esqueça que eles lutaram de unhas e dentes para carregar pesadas pedras. No entanto não conheço razão que leve alguém a querer fazer tamanho esforço em vāo. Entāo justificam: - "Quero ser útil ao meu povo. Preciso ajudar os pobres coitados"!
O Brasil esta quebrado, os Estados estão quebrados, os Municípios estão quebrados, a dívida nacional multiplica-se, milhares de empresas fecharam as portas nos últimos dois anos, há milhões de desempregados, a arrecadação de impostos caiu, descobrem-se a cada dia que a grande maioria dos nossos altos governantes são bandidos preocupados em se defender e sem tempo para trabalhar. A cultura libertina esta bem instalada na mentalidade popular, nada mais merece respeito e reverência, ninguém admiti deveres, apenas direitos. Breve bandidos estarāo correndo atras da polícia, o povo pagando para ver e muitos aplaudindo.Tudo no país funciona mal ou nāo funciona e há obstáculos instransponíveis por todo o caminho ao futuro.
Mas mesmo assim a luta foi dura para conquistar o dever de resolver tão grandes problemas. Brigaram, mataram, morreram, gastaram dinheiro, blefaram, mentiram, falaram verdades, riram e choraram. Qual verdadeira razão terá levado tantos a lutarem para carregar pedras? Serāo eles loucos ou super homens? Nem um, nem outro. A grande maioria deles sao picaretas com certeza e só querem se dar bem a nossa custa.
Eles sabem disso, mas jamais contarão para nós. A resposta estará nos jornais, na TV, nas Redes Sociais, repetindo-se todos os dias dos próximos quatro anos, construindo um futuro bom ou mau.
Esteja de olho! Pare, Olhe, Escute! Ajude a limpar a nossa História Porca. Não se esqueça que osmalandros vivem do seu desinteresse!

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO

domingo, 27 de novembro de 2016

LULA CONVERSANDO COM DEUS

LULA CONVERSANDO COM DEUS

Olá meu Querido, como vai você? Espero que no seu Céu as coisas estejam bem mais tranqüilas e que, se aí tiver algum demônio que atende pelo nome de Sérgio Moro, mande-o logo de volta para o inferno. Olha meu querido, você num pode ter idéia quanto problema esse cara tem criado aqui no meu céu! Imagine que o moleque resolveu me perseguir. Fica acreditando num bando de mentirosos do dedo duro e tá fazendo tudo pra me fazer ver o sol nascer quadrado. Tenho certeza que o “carinha” tá pensando um dia ser carcereiro.

Sabe, meu querido, ser Deus não é fácil; e eu que pensei que era bom demais! Ficar sentado num trono, mandando no mundo, só supervisionando o universo vendo um bando de traidores agirem nas sombras para nos trair. Mas eu já falei com todos eles: - Um dia voltarei, como você, nem que seja montado num jumento e farei um juízo final, ou melhor, inicial. Não serei mais tão bondoso quanto antes! Mandarei direto para o fundo do pré-sal com uma boa pedra amarrada no pescoço todo esse bando, inclusive aquela “diabrada” lá do Paraná, que fica querendo aparecer na televisão todo dia e inventando um monte de leis que eu nunca aprovei. Ah; já ia me esquecendo! O Aécio; vou mandar prá Havana a pé! Lá que é lugar de comunista! Meu amigo Raul vai fazer chá das cinco com ele.

Fico muito aperreado com essa situação! Como você, eu também vim ao mundo para salvar meu povo. Nasci muito pobrezinho, andei pelo meu Brasil num pau de arara, passei fome, frio e muita humilhação. Nunca tive um carro, nem casa, nem apartamento, nem sítio, nem celular, nem jatinho! Nada! Só não moro na Baixada Fluminense, porque o juro da Caixa tá muito alto e o meu salariozinho de ex-presidente num tá dando nem pra pitá um mata rato.

Preguei para os trabalhadores muita justiça social e ainda fundei um monte de Sindicatos e um Partido, todos grandes representantes do meu povo e contra esses ricos safados que só sabem explorar, roubar e mandar nos pobres como se fôssemos nós dois. Isso é uma grande audácia, porque só nós sabemos que Deus só pode haver dois: um no céu e outro nesse país.

Olha meu querido, às vezes fico pensando que fiz muito mais coisa aqui no meu céu do que você aí no seu. Criei o Fome Zero, o Bolsa Família, o Vale Gás, o Minha Casa Minha Vida, o Enem, o Proune, aumentei um monte de imposto, aumentei o salário mínimo e o máximo, mandei levar o Rio São Francisco “pru” nordeste, acabei com a inflação, com a pobreza, com a dívida interna e externa, fundei a Comissão da Verdade, o Escola com Partido Comunista, pus o FHC prá correr, emprestei grana prá todo mundo sem juro, sem lenço e sem documento; fiz uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, mandei construir uma Arena “pru” meu timão, fiz o Obama me chamar de “O cara” e ainda mandei eleger a Dilma. O Zé Dirceu tá preso, mas não é culpa minha. A culpa é dele mesmo. Quem mandou ele querer ser Deus como nós dois? Esse negócio de Mensalão, Petrolão, Triplex, Sitio, Ilha, Foro de São Paulo e Filho Rico é invenção da oposição, porque eu nunca ouvi falar nada sobre isso.

E você o que fez? Febre Xicungunia, Dengue, Zica Vírus, Enchente, Tornado, Seca no Nordeste, seca pra todo lado, mandou meu amigo Hugão da Venezuela dessa vida boa de comandante comunista pra pior e ainda por cima colocou o Joaquim Barbosa e o Eduardo Cunha no meu caminho. Nem sei pra que colocar no mundo tanto prego no sapato dos outros!

Dizem que você é todo poderoso! Sei lá, tenho minhas dúvidas! Imagine, meu querido, você sempre falou que vai voltar só no fim dos séculos. Prá que tanta demora? Aí no seu céu num tem eleição de quatro em quatro anos? Pois é, aqui no meu tem e eu já volto no fim de 2017 e vou mostrar pro Sérgio Moro que continuo sendo o cara. Ele vai virar lanterninha de cinema na segunda-feira, lá em Passo Fundo, para ninguém ver a cara dele. Meu primeiro decreto será transformar a Petrobras em Petrocéu e mandar o Pedro Parente prá Havana junto com o Aécio. Meu novo tesoureiro honesto será o Falcão e minha camarada Dilma voltará montada num cavalo alado, cheia de graça, para ser a nova presidenta presidente da Petrocéu.

Além disso, vou transferir a capital do Brasil prá Caetés e ficarei lado a lado na história com Juscelino. Já estou cansado de Brasília! Na minha Caetés não vai ter rico, só comunista pobre. Por isso quem vai andar de jatinho e comer caviar vai ser só eu. Esse conforto do capitalismo é coisa muito boa, mas não pode ser pra todo mundo, senão meu povão acostuma mal e não vota mais em mim. Negócio bom é comunismo “pru” povão e capitalismo pra nós.

A elite branca vive de chacota comigo e dizem que não estudei e nunca li um livro. Eles é que não sabem, que quando eu era pequeno lia Pato Donald, Zé Carioca e Tio Patinhas. Eu sempre gostei muito de vermelho, por isso sou comunista roxo. E hoje, sei tudo mesmo sem diploma. Quanto mais eu vivo mais sei que tudo sei.

Meu querido estudou onde? Leu qual livro? Já foi convidado para fazer alguma palestra aí por esse universo afora? Pois é, eu vivo fazendo um monte de palestras e ensinando todo mundo como administrar um céu. Outro dia meu amigo Obama até me convidou para ensinar o Raul administrar Cuba!

Olha meu querido; já falei demais e preciso ir cuidar da minha reeleição. Prometo mandar um convite especial pra minha posse, mas não pense que vai ficar no meu palanque junto comigo, porque aqui no meu céu quem manda é só eu. Você vai ter que se contentar com o primeiro andar e tomar guaraná, porque whisky é só pra cúpula.

Ave eu!

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

FORO DE SAO PAULO, O SONHO QUE ARRASOU O PT



Daqui há algumas décadas certamente a história não mais contará a versão  verdadeira dos acontecimentos que culminaram com o afastamento da presidente Dilma Roussef. Faço tal afirmação tomando como base a ação de centenas de historiadores que costumeiramente procuram maquiar a realidade histórica conforme convém às suas convicções ideológicas. Um crime contra a verdade abusando da arte de mudar a história a serviço de interesses políticos. 

Trata-se de uma ação mesquinha e maliciosa, pois suprime das futuras gerações o direito democrático de conhecer a realidade passada para projetar seu futuro livremente, assim as colocando sob domínio ideológico de grupos políticos muitas vezes intencionados na cosolidação de projetos de poder absoluto. Numa comparação superficial seria o mesmo que músicos contemporâneos adulterassem obras eruditas na intenção de enriquecer ilicitamente ou desmerecer a cultura de determinada nação transferindo seu mérito para outro falso compositor de nacionalidade diferente.

A verdadeira história do PT esta mais relacionada ao que sempre tentou-se esconder do que ao alardeado como sendo um partido democrata, cujos membros lutaram heroicamente para vencer as oligarquias e defender as classes menos favorecidas. Na verdade este nunca foi um club de heróis justiceiros dispostos a tudo,  ate fazer justiça com as próprias mãos. 

A histórica genuína registrou sim que o partido justiceiro acobertado pela bandeira da ética trazia em suas entranhas o vírus disseminado por Karl Marx, o pensador Hobin Hood que passou a vida a imaginar maneiras mágicas e utópicas de tirar dos ricos para dar aos pobres valendo-se de métodos autocráticos e violentos. Ademais, nunca foi segredo para ninguém que a nova Elite Marxista Comunista estava na verdade intencionada a viver montada no Estado, valendo-se do parasitismo contra ricos e pobres. Uma Política pioneira testada na Rússia nos idos de 1917, capitaneada por Lenin e seu grupo de comandantes sanguinários. Depuseram, pela violencia a centenária dinastia Czariana apoiados pelos trabalhadores do povo. Através da covardia, julgamentos sumários e mentiras diziam que precisavam cometer tantos crimes para aniquilar qualquer oposição e o risco do abortamento do projeto de domínio. Mas na verdade o objetivo era criar um Estado Igualitário e Paternalista, o qual daria ao povo o que deveria ser do povo; menos democracia. O projeto não deu certo e levou a União Soviética Comunista capitaneada pela Rússia ao colapso depois de 74 anos de repressāo, medo e arbítrio. Tamanho desastre teve várias causas, dentre elas tres mais importantes: Corrupção Generalizada, o Agravamento da Pobreza e o crime de suprimir do homem a Capacidade de Pensar. Homens que não pensam não produzem e o Estado Sovietico morreu de inanição. 

A União Soviética acabou, mas o projeto de parasitismo comunista alimentado pelo poder eterno nao. Continuou na China e em outros países menores, inclusive na Ilha de  Cuba presidida pelo ditador comunista Fidel Castro, há quase de 60 anos no poder. Mas Fidel, homem de larga inteligência e carisma ficou a ver navios. Sob embargo americano seu governo corria o risco de ir para o mesmo buraco onde caira a União Soviética. Cercado por todos os lados e não podendo mais contar com o apoio do Gigante Comunista ele precisava de um plano e o traçou. Elegeu um novo patrocinador e em 1990 enxergou em Lula aquele que reunia grande potencial político e cuja liderança começava a despontar depois da abertura política no Brasil no ano de 1985. O discurso que vendia Lula como o messias que vinha para moralizar o Brasil começava a colar.

Desenvolveu com Lula profunda amizade e o recebia como convidado de honra inúmeras vezes na ilha de sua propriedade e desfrute.  Deslumbrado o aventureiro se encantou com o poder e passou a sonhar com ele mais do que nunca. Fidel prometeu a Lula dar-lhe todo o poder do mundo comunista se pulasse em seus braços e Lula pulou. Porém o verdadeiro objetivo de Fidel era reconstruir o Império Soviético na América Latina, tendo Cuba como centro pensante e o Brasil como patrocinador do novo projeto megalomaníaco de poder. 

Para isso em 1990 Fidel e Lula criaram o Foro de São Paulo, nome inspirado no Estado que recebeu Lula, quando migrou para o sul do Brasil fugindo da pobreza no norte. O nome foi propositalmente pensado para massagear o ego de Lula. As idéias e estratégias eram gestadas em Havana e a mais importante delas, com o objetivo de operacionalizar o projeto, era cooptar outros governantes latinos. Nascia aí a Revolução Ideológica Neo-Comunista, que inundaria as cabeças pensantes da América Latina de ideais marxistas eternamente inviáveis tendo como inimigos naturais o Neoliberalismo e a Elite Branca, mesmo sabendo que dentre os brancos latinos há mais pobres que ricos. 

A primeira mosca a cair no mel foi Hugo Chavez. Um coronel do exército Venezuelano, que subira ao poder por meio de um golpe de estado em 1998. Chavez era ambicioso e temperamental o bastante para dar o passo inicial do poder absolutista, que deveria vigorar no continente. Hugo Chavez gostou da idéia de virar dono da Venezuela e aproveitou para dar nome ao projeto que acabara de aderir. Batizou-o de Bolivarianismo, que nada mais é do que o Neo-Comunismo engendrado por Castro. A Venezuela como grande reserva de petróleo passara a enviar fartos recursos para Havana resgatando aquele país da inércia econômica e política na qual se encontrava desde o colapso da União Soviética. O golpe genial de Castro tinha dado certo e o próximo patrocinador a entrar na roda seria o Brasil com a chegada de Lula ao poder quatro anos depois de Hugo Chavez.

Lula, depois de doze anos fazendo parte do Foro de São Paulo, recebendo aulas de revoluçāo ideológica e estratégia politico-assistencialista foi eleito triunfalmente em 2002, o primeiro presidente proletário da história do Brasil. Em seguida implantaria o maior populismo de que se tem notícia na história. Ele e Castro precisavam disto para mantê-lo no poder eternamente e assim chegarem aonde planejaram há mais de uma década. Estava assim dado o segundo passo certeiro, para a criação da nova União dos Estados Soviéticos da América Latina, tendo Lula como novo Lenin e Fidel Castro como seu tutor.

A receita do seu Assistencialismo dissimulado todos conhecemos muito bem. Afagar os pobres com penduricalhos de pouca sustentabilidade e convidar os muito ricos e aliados políticos a navegar em rios de dinheiro desviados dos impostos pagos pelos pobres que ele dizia querer salvar. Ou seja, dar com uma mão e tirar com a outra. Um golpe histórico que teria anos contados. Começou em 2003, com sua posse, culminou com a saída da presidente Dilma e a Banca Rota do Brasil calculada em mais de 200 bilhões de reais e uma dívida externa que cresceu assustadoramente. 

Lula alardeia que o seu Brasil possui, graças a ele, grande reserva cambial em dólares depositada em bancos americanos, os mesmo do velho inimigo. Sim é verdade, no entanto a posição do Brasil é comparada à de alguém que tem um tesouro enterrado e deve a todo mundo. Um ilustríssimo rico idiota que assiste a cada dia seus recursos, sua reputação e seu futuro boiarem rio abaixo.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

O COISOFILO



Não há no mundo país que tenha mais eleição do que o Brasil. A cada dois anos lá vamos nós às urnas meter o dedão no botão. Nao sei se é impressão só minha, mas o tempo tem passado tão depressa que ainda nem consegui esquecer a última vez que meti o dedão no botão e ouvi aquele gritinho característico. 

O Brasil é mesmo o país dos contrastes! Enquanto nada funciona direito e a bagunça tem se transformado no principal produto do nosso "Pilantronegócio", eleição é a única coisa que funciona direito. Tudo anda que nem relógio suíço! Tem dia e hora certa para começar e terminar. Tem tempo contado para cada candidato vender seu peixe. Tem hora marcada para a propaganda pública e eletrônica. Tem local adequado para fixar cartazes. Fazer boca de urna da cadeia, multa e pito do delegado. Carregar eleitor nem pensar. Não pode beber em público. Alto falante gritando depois das sete é condenado a perder a língua. Ninguém pode contratar, nem demitir. Liberação de verba, nem com cheque sem fundos. E aquele velho costume de subir na dureza do poste e sujar a cidade, acabou. E, por incrível que pareça, no país do protesto, ninguém protesta, nem o centrão, nem a direita canastrona, nem os doidos varridos da esquerda. 

Por que tanto perfeccionismo só em tempo de eleição? Eis a questão! E o pior é que dizem que cada eleição dessas custa ao povão eleitor muitas dezenas de milhões. Tanta grana que daria para construir um cadeião lá em Marte e mandar tudo que é vagabundo pra lá com passagem só de ida. Mas, como eleição é a mãe da democracia não há que medir preço para que continuemos com ela. 

Contudo, outra coisa que muita me intriga é que, enquanto falta grana pra tudo, prá eleição nunca faltou prá nada. Jamais ouvi alguem declarar que não vai ter eleição por falta de verba. Com dinheiro ou sem dinheiro, com bagunça e tudo, eleição é sempre uma perfeição. Eu até ultimamente tenho pensado que poderíamos trocar o nome do Brasil pra "Eleiçãosil". Talvez assim o dinheiro aparecesse, a safadeza fosse banida e a incompetência  desse lugar à eficiência!

Nesse ponto até preciso me justificar ao querido leitor que está longe de mim a intenção de criticar o valor de uma eleição. O que estamos aqui a questionar é o contraste entre a "Bagunça" e a "Perfeição". Se sabemos fazer eleição direito, porque não fazemos todo o resto direito? Os linguarudos dizem que há quem precise da bagunça, porque é boa para muita gente. Afinal, sem ela, o que seria da malandragem? O prezado eleitor dúvida disso? Acha que estou errado? Então pense naquele gritinho da urna quando apertamos seu botão. Pra que serve aquilo? Dizem que serve para o eleitor saber que o voto deu certo. Imagine um eleitor acostumado a tudo errado saber que seu voto deu certo. Isso é uma maravilha pra todo mundo. Eleitor feliz e candidato feliz! O que não se sabe direito é se aquelas pobres urnas, que levam dedada um dia inteiro, ficam assim tão felizes...

Por falar em "Dedada"; preciso agora, antes que acabe a folha, confessar triste notícia para meu paciente leitor eleitor. Tenho um velho amigo lá de São João del Rei, ao qual sempre envio as bobagens que escrevo antes de públicá-las neste jornal, a fim de que o digníssimo emita sua opinião, que me é muito importante pela sua grande experiência literária e filosófica. 
Então enviei a prévia desta. Passados alguns dias ele me telefonou e me acusou de "Coisófilo". Eu, surpreso, perguntei: - Que negócio é esse de "coisofilo? A resposta veio imediata e dura: 
- Coisofilo e o cara que sofre de "Coisofilia"; num pode ver nada que logo começa a pensar naquilo. Mês passado falou na "Tocha Nacional" e agora no "Dedão no Botão". Eu, então, logo me justifiquei:

Aí em São João del Rei, quando eu era pequeno, tinha o João do Pirulito e a Maria da Cobra. Os tais tinham  esses  nomes, porque o João vendia pirulito na frente da escola. E a Maria? Dizem que a tal tinha sua jararaca brava numa gaiola, porque só queria morder em todo mundo. O que eu podia pensar?
Então, aquilo me despertou essa tal "Coisofilia" para o resto da vida. 

Imagine o leitor eleitor, que outro dia fui ensinar um alguém a votar pela primeira vez e me lembrei que naquele tempo antigo era "Buraco da Urna", agora na modernidade virou "Botão da Urna":
O senhor leva o santinho com o número do candidato, digita o número e a cara dele aparece. Então "Aperta o Botão" para confirmar. O eleitor então me perguntou:
Aperta o botão de quem? Do candidato? Claro que não! Respondi. 
Aperta o "Botão da Urna" e ela da o gritinho: Bli, Bli, Bli, Bli!
Ai, para o mal dos meu muitos pecados, o cara me vira e diz:
 Seria então melhor que ela fizesse:
Aí, Ai, Ai, Ai!

 Numa situação dessas, o eleitor iria pensar em que?
O leitor eleitor também está sofrendo da tal "Coisofilia"? Pois é! 
E daqui a dois anos lá vamos nós de novo meter o dedão no botão. 


ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO


 











segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A TOCHA OLÍMPICA E A TOCHA NACIONAL



                                        A TOCHA OLÍMPICA E A TOCHA NACIONAL

A Tocha Olímpica atravessou oceanos e chegou ao Brasil vangloriante. Recepção no Aeroporto, discursos, música e foguetório, para receber o símbolo ardente da confraternização  e da necessidade de respeito e paz entre os humanos.
 
Como manda a programação, depois a Tocha viaja pelos rincões do país, a fim de cumprir mais um ritual simbolico e proporcionar ao cidadão comum a sensação de inclusão e participacão. Tudo como se fosse uma espécie de batismo com os ares da paz e da concordia. Ela não pode ser apagada depois de acesa e assim todo esforço deve ser feito no sentido de mantê-la ardente até o encerramento das competições.

Mas diante da tanta emoção e frenesi, algo me chamou atenção. A Tocha foi vaiada e até apagada em vários lugares por onde andou. O paciente leitor já teria pensado no por-quê de tamanho absurdo? Variar um negócio bonitinho e inofensivo daquele!

Pois é! Este é o resultado da penetraçao da outra Tocha, a Nacional. O cidadão está traumatizado! Não aguenta mais levar tanta tocha e ainda ver outra passando na TV, com um fogão na ponta na mão de um brutamontes. Por via das dúvidas, logo assenta no velho sofá de tantas más notícias, a fim de tentar proteger seu glorioso traseiro. Afinal de contas, onde vão enfiar aquilo; logo pensa e se assusta com as semelhanças. Ambas são grossas e compridas, uma anda na mão e correndo a outra, muitas vezes com a mão e parado.

Contudo, infelizmente escrevi isso para lembrar a todos os heróicos levadores de tocha desse país que de nada adianta assentar. A Tocha Nacional é muito mais forte e grossa do que a Olímpica. Entra por onde menos se espera. Pode ser pela boca, pelos ouvidos, pelos olhos, pelas mãos, pelo pensamento; assentado, de pé, dormindo ou acordado.

Se o cidadão vai a um hospital, leva tocha por todo lado. A um supermercado leva tocha no bolso. Se viaja, leva tocha no buraco da estrada e na oficina. Se anda com o farol apagado, leva tocha da Polícia que não sabe que as estradas têm mais buracos do que queijo suíço e mais mato que a Selva Amazônica. Se esta empregado, leva tocha quando perde o emprego. Se desempregado, leva tocha da mulher em casa. Se está em casa vendo TV, leva tocha pela tristeza ao saber de tanto absurdo. Ter consciência que se vive num país onde nada funciona sem botar a tocha em alguém é assustador. Os caras não pensam um minuto sequer que botar a tocha nos outros é crime de lesa-traseiro e que o traseiro do próximo não é o da Mãe Joana.

A Tocha Nacional anda tão na onda que outro dia pensei que os colocadores de tocha no nosso traseiro poderiam fazer alguma coisa mais útil que apenas ficar brigando uns com os outros o tempo todo, como se não tivessem mais nada no mundo pra fazer alem de pensar em colocar a tocha no dos outros.

Por exemplo, se eu fosse um colacador de tocha, mudaria o nome de alguns estados, afinal no país da tocha nada mais natural do que prestarmos homenagem à Tocha Nacional. Poderíamos ter as Tochas Grande do Sul e do Norte. A Tocha Grossa e a Tocha Grossa do Sul. O Rio Amazonas viraria Rio Amantochas Grandes. Rio de Já Levei a Tocha continuaria capital fluminense e Aracatocha do Sergipe. Ponta Grossa seria promovida a Tocha Grossa. Outro nome sugestivo seria Senta Clementina. A Petrotocha seria reinaugurada. Rio das Ostras ficaria bem como Rio das Outras Tochas. O Pão de Açúcar rebatizado de Morro da Tocha Doce e o Maracanã, maior Arena do Mundo, onde o Brasil levou tocha, passaria a se chamar: Maracantocha.

Muitos leitores mais conservadores, que não concordam comigo ou que pensam que ainda não levaram muita Tocha é porque ainda não pensaram no que vai acontecer depois que a Tocha Olímpica for embora. Com ela vão os gringos e seus dólares, vai a impressa internacional e toda a alegria. Aqui ficará tão somente a Tocha Nossa de Cada Dia. Será que a Seleção vai levar tocha ou vai por a tocha?

Outro dia acordei assustado por um pesadelo exatamente, porque sonhei com a grossura da tocha que vamos levar depois que tudo isso acabar. O que será feito daquilo tudo que foi construído? Será que os senhores colocadores de tocha já pensaram em como tomar conta daquilo tudo numa cidade pacífica como o Rio de Já Levei a Tocha, onde até tocha perdida tem?

Obviamente as respostas estão na ponta da língua: - "Esta é a herança que será   incorporada à vida da cidade". O leitor já pensou no que foi feito das heranças dos jogos Pan-Americanos e da Copa da Tocha?

Pois é, se não pensou vai levar a Tocha Nacional assim mesmo, porque ela penetra em quem pensa e em quem não pensa.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO.