APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ATE QUE ENFIM O CONGRESSO BRASILEIRO ACORDOU

     Depois do incêndio que matou mais de duas centenas de jovens e mandou algumas dezenas para o hospital, alguns parlamentares declararam disposição em criar um código de conduta contra incêndios e transforma-lo em lei federal. Para um parlamento que não trabalha mais do que 3 dias por semana, mantém mais de 3000 leis engavetadas pedindo socorro, goza recesso várias vezes por ano e custa milhões para os cofres públicos, até que foi uma boa idéia.
      Só esqueceram que quantidade de leis não significa que haverá maior obediência e eficiência. Que já existem vários códigos de conduta contra incêndio vigentes no país em âmbitos estadual e municipal. Que está mais do que claro que naquele caso, e em outros que o país já esqueceu, o que houve não foi falta de leis, mas desrespeito a sua observação e cumprimento por parte de alguém ou todos os envolvidos na salvaguarda do bem estar social.
      Esqueceram ainda que uma nação não se constrói com leis, mas com homens dignos e sensíveis às responsabilidades da cidadania e com a imagem da sociedade à qual representam.
      Ações teatrais depois que o circo já pegou fogo não aplacam o sofrimento de ninguém, não paga as vidas que se perderam e muito menos lava a imagem rota dos órgãos públicos brasileiros, bem afamados na ineficiência, na grosseria e falta de profissionalismo dos funcionários, na má vontade crônica em atender bem o público, no desrespeito à profissão à qual abraçaram e da qual vivem com direitos e ganhos bem acima da média nacional.
      Triste ser filho de uma pátria que não honra seus filhos e não cumpre seu papel de mãe gentil apregoado no seu indômito hino nacional.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

NÃO FAÇA DO SEU CARGO UMA ARMA; A VITIMA PODE SER VOCÊ!




            Depois da disputa renhida os candidatos eleitos prefeitos e vereadores, acabam de tomar posse dos mandatos que lhes confere autoridade para dirigir o destino dos municípios por quatro anos. Muita felicidade, largos sorrisos, tapinhas nas costas, beijos, abraços, saraivada de aplausos, foguetório, arrepios de emoção, discursos emocionados por vezes  tempestuosos, orgulho indescritível por merecer o apoio do eleitor amigo que não faltou com a promessa e não decepcionou com o precioso voto. Comum ouvir o célebre desabafo: “Eu sabia que meu povo querido não falharia comigo!“.
             Felizes e prósperos próximos quatro anos é tudo que o povo deseja aos seus novos ilustres representantes e desde já pede a Deus que lhes dê juízo e boa consciência para entenderem que felicidade em política deve ser via de mão dupla; que quem trafega na outra mão é o eleitor patrão, que também quer e merece ser feliz por uma questão apenas de lógica e ética. Que nesses quatro anos não se lembrem apenas dos seus direitos, mordomias e salários acima da média, mas também do eleitor amigo e querido pai/mãe de família com filhos para criar e contas para pagar. Que não se esqueçam que crianças não são cães necessitados apenas de comida, mas também de educação de qualidade para ter oportunidade. Que idosos não são trastes que devem ser esquecidos, mas pessoas humanas que já deram tudo de si e que agora merecem respeito, devoção, carinho e gratidão. Que professores não são extraterrestres capazes de viver de brisa e conversa fiada, mas que, como responsáveis pela formação da consciência nacional futura, precisam de ambiente salutar, apoio técnico e salários equiparados com os dos doutores do físico. Que não esqueçam jamais dos negros, que não são para serem lembrados apenas no “Dia nacional da consciência negra”, mas no todo do tempo dos anos, desde a mais tenra idade, para que se transformem em cidadãos tão capazes como qualquer outro e não precisem viver de quotas e esmolas de governantes corruptos e governos populistas com olhos dirigidos apenas aos votos da próxima campanha eleitoral. Que não se esqueçam que o povo está farto da mais alta carga tributária do mundo associada à qualidade de vida miserável que lhes oferece hospitais semelhantes a matadouros; estradas que mais parecem caminhos; transportes públicos obsoletos, sujos, lentos e caros; escolas perdidas no abandono; aposentados em idade avançada com proventos achatados, porque a Previdência Social falida só pode contar com a Providência Divina para cortar as mãos de tantos gatunos irresponsáveis eleitos a cada quatro anos nos embalos de mentiras bem pregadas. Que o eleitor não quer os recursos da merenda escolar trocados por festas, gasolina e bebidas importadas...
            Os administradores públicos costumam dizer que estão revestidos do “direito constitucional” do exercício da administração pública. Entretanto lembro aos digníssimos eleitos que temos aí subtendida a palavra “dever”. O dever de exercer o direito que lhe foi conferido democraticamente pelo eleitor. Em suma o administrador público não tem direito, mas dever. Primeiro porque “direito” se conquista por aquisição ou por mérito. Segundo, porque quem recebe pagamento pecuniário tem o dever de cumprir o que se contratou. Em terceira instância ainda cabe lembra-los que ninguém os obrigou a assumir tais responsabilidades e, pelo que se sabem, todos lutaram de livre e espontânea vontade pelo dever de servir à sociedade dentro da legalidade e sem delongas. Lembramos ainda aos, porventura, descontentes que se aceitam, de bom grado, renúncias.  O povo promete que jamais perderá noite de sono por isso, uma vez que ninguém seja insubstituível em qualquer circunstância.
            Há aproximadamente trinta anos apresentou-se na televisão brasileira a lendária novela “O bem amado”. Uma sátira da situação política daquela época a qual continha a personagem caricata do Capitão Zeca Diabo. A tal personagem representada pelo ator Lima Duarte era um irreverente por natureza e em certo capítulo, quando inquirido por uma pretendente apaixonada que desse sua opinião  sobre o casamento; ele alegou que gostaria de se casar para fazer bobagem. Casar-se para fazer bobagem certamente seria muito simples se todos não soubéssemos que no casamento faz-se de tudo, inclusive bobagem. Esta entra no contexto, nada mais, como um coadjuvante. Por isso não existem casamentos que se sustentem apenas sobre as delícias da bobagem. Em outras palavras poderíamos afirmar que nem só de bobagem sustentam-se os casamentos, mas, e muitos mais, de responsabilidade.
            Até Hitler, o líder alemão teria declarado, no embalo das suas loucuras, que não podia se casar porque já estava casado com a Alemanha. Casou-se e fez tanta bobagem que deixou um rastro para a história da humanidade de cinqüenta milhões de mortos e bilhões em prejuízo material.
            Vê-se, então, que em qualquer circunstância da vida cabe responsabilidade e equilíbrio. Que a aventura de se casar com a política com o único intuito de fazer bobagem é uma arma perigosa. O povo esta alerta e munido de duas leis úteis e severas; sejam elas: a da “probidade administrativa” e a da “ficha limpa”. Além do mais, tribunais mais atuantes e juizes na mira da nossa imprensa livre, alerta e competente. Não subestimem as redes sociais! Espaço para picaretas fazerem bobagem esta cada vez mais estreito. Cuidem-se os aventureiros recém casados que o povo esta alerta! Viva a democracia! Abaixo a mão leve, o olho comprido e a bobagem na política! No casamento com responsabilidade é permitido. Quem gosta? Quem não gosta? Disk bobagem no casamento. Não precisa se identificar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIA NACIONAL DA EDUCAÇÃO ANTIRACISTA


            Vimos há alguns dias as comemorações do “dia nacional da consciência negra”. Vinte de novembro; data mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o treze de maio, pois naquele dia comemora-se o aniversário da morte de Zumbi. "Treze de maio, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definiu o poeta gaúcho Oliveira Silveira o dia da Abolição da Escravatura em um de seus poemas, referindo-se à lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver com dignidade.
            No idioma africano falado pelos ancestrais do herói escravo; Zumbi significa “Senhor da Guerra”. Portanto nada mais adequado associar seu nome ao combate ao racismo e à desigualdade histórica sofrida pelas populações negras, cultura que sobreviveu mesmo depois do fim oficial da escravidão no Brasil, em treze de maio de 1888, através da Lei Áurea, promulgada pela Princesa Isabel.
            Até aqui tudo bem, no entanto é preciso que façamos algumas considerações afinadas ao que o ex-presidente Jânio Quadros gostava de classificar como “forças ocultas”. Quais seriam as forças ocultas perigosas que poderiam influenciar negativamente as legítimas tentativas de conscientizar a cultura brasileira para respeitar e reconhecer a população negra definitivamente como um legítimo elemento da nossa etnia?
            Respondendo a essa questão tão delicada me valerei do elementar exemplo da massa do bolo que não admite erro na receita; qualquer alteração na combinação dos elementos fatalmente trará prejuízo ao sabor e à textura final. Assim também funciona a política. Muitas das vezes direcionam-se esforços num sentido imaginando-se determinados resultados positivos sem jamais se calcular que efeitos colaterais poderão advir. Digo isso porque tenho observado certa paixão emocional das lideranças negras no trato da questão e por outro lado um sutil distanciamento do resto das forças políticas. Vêem-se cantores negros, políticos negros, jogadores negros, poetas negros, padres negros; mas pouquíssimos pares brancos engajados num esforço concentrado da sociedade brasileira como um todo. Certo que leis estão sendo promulgadas nesse sentido e até severas punições aplicadas aos contraventores, mas certo também é que não são bastantes leis e opressão, se não houver por parte de toda a sociedade uma espécie de incorporação cultural da idéia de igualdade entre as raças. As lideranças brancas se comportam de maneira leniente e fria diante da questão, ou seja: o problema é deles e eles que se virem. Prova disso é que se observam pouquíssimos brancos presentes em qualquer manifesto popular dirigido à conscientização de igualdade. O tema tornou-se politicamente correto não admitindo-se altercações contrárias a qualquer mínimo detalhe. Como exemplo, temos as cotas universitárias para negros. Seria essa uma forma justa de inserção social, considerando-se a realidade de tantos brancos pobres que não podem gozar do mesmo direito? Não estariam plantando autoritariamente novo tipo de tensão perniciosa entre indivíduos e segmentos sociais? Não seria esse um paliativo com resultados duvidosos, considerando-se que os alunos selecionados por quotas não trazem boa base do ensino primário e secundário e mais tarde seriam excluídos pelo mercado onde não há tolerância com profissionais mal preparados?
            Os governantes sabem que sim e muitos educadores também. Entretanto mais cômodo e menos arriscado é lavar as mãos e deixar como esta para ver como é que fica. Defender o resgate de segmentos negros à custa de qualquer via tornou-se politicamente correto e rende voto. Numa análise livre de hipocrisia todos sabem que racismo é contra a pobreza e a ignorância, apesar dos esforços para exterminá-las serem sempre muito pequenos. Ninguém discrimina negros ricos e bem sucedidos, pelo contrário, muitos exemplares deles estão aí bem inseridos nas altas rodas da sociedade brasileira e mundial.
            Estranhamente os governantes não se importam com o direito das populações pobres, negras ou brancas, a um ensino básico de alta qualidade. Ao contrário, o que se vê é o sucateamento das escolas primárias, o aviltamento da função do educador com salários baixos e políticas opressivas com cargas horárias excessivas e falta de recursos humanos e materiais de toda ordem. Situação essa largamente discutida e justo quando se sabe que o sucesso das potências industriais é baseado em educação de alta qualidade para todos desde os primeiros anos escolares. Não há outro caminho e outra saída, entretanto aqui no Brasil, e na América Latina como um todo, o populismo tornou-se cabo eleitoral e faz parte de um projeto neo-marxista em que morder e soprar é regra do jogo e parte do discurso, enquanto a ação depende de fatores premeditadamente inalcançáveis. Mordem, quando cobram uma das maiores cargas tributárias do mundo, inclusive dos pobres negros e brancos; expõem o setor industrial à concorrência internacional sem nenhum tipo de compensação fiscal ou tributária, assim reduzindo postos de trabalho dentro do Brasil e os criando lá fora; abandonam a infra-estrutura social e viária ou tentam amordaçar a imprensa. Sopram, quando desperdiçam recursos preciosos com políticas demagógicas em forma de bolsas e quotas disso e daquilo; mentem para a nação com desculpas esfarrapadas e índices de desenvolvimento manipulados; investem em propagandas sensacionalistas e enganosas; reforçam o descaso com a educação básica para todos; criam privilégios através de super-salários e super-direitos para alguns apadrinhados; fazem vistas grossas ao nepotismo nas altas esferas da administração pública.
             O rapper MV Bill, foi um dos primeiros a intitular a campanha de igualdade racial no Brasil como “Consciência Negra”. Obviamente, porque a idéia se constitui no tema central do seu trabalho e o termo um bom acessório para facilitar a compreensão da sua tese. No entanto acho perigosa a sensação de unilateralidade que encerra. Prefiro acreditar que o cantor, na melhor das intenções, não pretendeu dar conotação unilateral à obra, todavia seria mais adequado intitulá-la como ‘educação antiracista’ ou talvez ‘conscientização racial’ soasse mais brandamente pelo seu sentido de totalidade. “Consciência Negra” simplesmente remete a certa parcialidade ou, talvez, a um ímpeto velado de conscientizar para ir à forra; o que não implica transformação ou transição para o bem. Este é o ponto negativo da política implantada, por embutir perigosamente um viés de retaliação racista ao contrário ou com mão dupla, uma vez que milhões de brancos também são pobres e não desfrutam de privilégios e nem todos os brancos ricos são racistas. Além do mais não é justo penalizar jovens brancos pobres pela má sorte dos negros escravizados e transferidos pra cá sob ferros pelos nossos queridos colonizadores e sua cultura da ganância exploratória e esperteza compensatória. É utópico e constitui-se uma irresponsabilidade combater a discriminação ao negro com a introdução da discriminação ao branco. O ato de discriminar partindo do elemento branco ou do negro, ainda que este tenha sido humilhado há séculos, é um ato vil. È preciso muito cuidado no trato dessa temática, pois há o risco de estarmos reforçando ainda mais a linha divisória entre as raças e se criando o racismo retaliatório, ou seja: aprofundando e oficializando a intolerância entre as raças, assim como aconteceu em outros países da América.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

AVENIDA BRASIL



            Na edição passada desta coluna*, cujo título é: cada povo tem a mídia que merece, refletimos sobre a missão da imprensa brasileira como guardiã das bases democráticas e sua responsabilidade no aprimoramento da cidadania através de programas e campanhas que incutam valores nobres na mentalidade popular.
            Na intenção de dar seqüência ao tema, tornei-me um noveleiro de carteirinha e diariamente às vinte e uma horas em ponto estava plantado na frente da televisão para assistir a mais uma das hipnóticas aventuras da famigerada Carminha e sua sede de levar vantagem a qualquer custo. Capítulo a capítulo, a megera golpista conquistou em massa os telespectadores a ponto das pesquisas apontarem quase cem por cento de audiência fiel ao canal global naquele horário.
           A memória do telespectador é volúvel e a maioria de nós já se esqueceu que o fenômeno se repete a cada novela em que vilões estão sempre a dar asas a seus egos doentios implacavelmente massacrando pessoas inocentes, indefesas e bem intencionadas. A fórmula para cativar a audiência nunca muda. A cada nova temporada alternam-se autores, elencos, equipes e cenários, mas o tema central é sempre o mesmo. Qual o motivo da fixação dos autores e produtores em massacrar o telespectador com histórias de miséria humana nada recomendáveis à saúde mental de alguém, muito menos de crianças e adolescentes em fase de formação? Estariam eles tentando reforçar uma espécie de cultura nacional por entenderem que nossa sociedade já esta doente e que em cada esquina existe um maluco querendo destruir alguém ou seriamos nós, os telespectadores brasileiros, donos do maior mau gosto do mundo, contaminados por uma espécie de desequilíbrio sádico? Em outra hipótese o sadismo ou qualquer outra má intenção poderá estar morando na cabeça deles, incapazes de enxergar na sociedade brasileira quaisquer qualidades que mereçam retratação positiva.
            É sabido e notório que sangue e dor sempre tiveram grande poder de encantamento, desde que seja nas entranhas dos outros, pois ninguém é louco o bastante para se comprazer com o próprio desalento. Seria essa a causa central que canaliza a atenção dos produtores dessas lamentáveis tragédias? Pode ser que sim, pois é muito mais fácil reforçar uma tendência natural do que preparar terreno para semeaduras mais nobres. Obviamente é do conhecimento de todo mundo que produzir chanchadas custa muito mais barato que obras primas, porque a chanchada é como um barco sem motor lançado na correnteza. Demanda menor esforço e mais cedo ou mais tarde, com certeza, atingirá a mansidão do lago dos milhões na conta bancária. Ademais, a preocupação de qualquer investidor é ver seu investimento retornar bem rápido, com o menor risco possível, de preferência acrescido de um polpudo lucro. É exatamente isso que acontece, quando divulgam essas produções repetitivas, que não primam pela criatividade, nem pelo respeito à saúde dos nervos do telespectador.  
             A justificativa corrente é a que estão mostrando o que o povo quer ver.
Em outras palavras: se o povo vive tragicamente sofrendo pela falta de ética, pela descompostura, mergulhado no desrespeito, humilhado na desigualdade social, escravizado pela tirania de governantes corruptos, injustiçado na inoperância das instituições públicas; não é problema de quem trabalha na mídia ou com a mídia; cabe ao governo a missão de resgatar o telespectador da profunda ignorância, porque educar é apenas tarefa do Estado. Esta é uma grande e criminosa mentira partindo do princípio de que o principal valor intangível atribuído a qualquer pessoa, física ou jurídica, é primar pela conduta sóbria e ética, compromissada primeiramente com o bem estar social, com a construção do futuro auspicioso das gerações futuras e isso passa pelo resgate das gerações presentes. Quando passa-se todo o tempo a vangloriar vilões, suas transgressões podem ser entendidas como valores verdadeiros e virarem moda. Esse é o grande perigo ao qual a mídia brasileira, principalmente a televisiva, vem expondo a sociedade, em grande parte composta por indivíduos despreparados para saber separar o joio do trigo.
         Uma dolorosa dúvida assanha minha curiosidade! Dos milhões de telespectadores, dentre eles menores em fase impúbere, quantos entenderam corretamente a verdadeira intenção da crítica abordada em Avenida Brasil? A Rede Globo, muito bem soube e sabe trabalhar seus lançamentos em grande estilo, merecidamente jogando confetes e abrindo o tapete vermelho para seus talentosos atores. Ao longo do desenrolar das histórias trágicas e baratas se preocupa e se ocupa em criar suspense, a fim de manter em alta a audiência, como também em alta o custo dos anúncios no disputado horário nobre. E finalmente se delicia com o sucesso a ponto de dedicar um programa importante como o Globo Repórter, com o fim de louvar o brilhante trabalho da equipe que bravamente desempenhou diuturnamente o árduo trabalho de dar vida às personagens com a maior realidade possível.  Muito bom e louvável com apenas uma grave falha: sempre se esquece de acrescentar no processo um bloco dedicado ao esclarecimento do que está implícito na crítica para que o desavisado telespectador não confunda alhos com bugalhos ou heróis e cabras.
            Deviam ter reforçado que Carminha e Max na vida real são vítimas, personagens do dia a dia na miséria material e espiritual, habitantes desse país desgovernado por homens, na sua maioria, irresponsáveis, desonestos, descompromissados com a verdade, com á ética, com qualquer coisa que não seja seus próprios botões. Uma sociedade que tolera e aceita seres humanos vivendo em lixões, convivendo com porcos e bandos de urubus famintos, à margem de tudo, sem família, nome, identidade, direção, educação, dignidade. Sem futuro à altura de uma nação que se auto-intitula país do futuro, celeiro do mundo e outras bobagens condizentes com a pobreza de espírito e falta de competência desses intrépidos idiotas que elegemos para nos governar a cada quatro anos. Não estamos aqui a criticar o Brasil e suas potencialidades, defeitos ou qualidades, mas a eficácia dos nossos nobres predadores, que nos cobram a maior carga tributária do mundo e nos devolvem monstros humanos como os retratados pelo autor em Avenida Brasil.
            É fato que a indústria telecinematográfica brasileira já mostrou competência técnica para ascensão internacional, assim como nosso elenco de atores, atrizes e demais; nada ficando a dever aos americanos de Hollywood, os melhores do mundo na arte da teledramaturgia. Entretanto, há uma fundamental diferença entre as produções americanas e as brasileiras. Aquelas sempre funcionaram como importante veículo de promoção da imagem dos Estados Unidos como líder mundial e bom lugar para se viver. Nunca se cansaram de criar heróis, ainda que estes não fossem tão politicamente corretos. Do velho justiceiro John Wayne, combativo cowboy do far west, incansável defensor da lei e dos mais fracos, ao herói Rambo, um veterano do Vietnã e ex-Boina Verde, sempre demonstraram cuidado especial em não dar brilho a vilões contrários à estratégia de enlevar o orgulhoso nacionalismo do povo americano e a se firmarem como líderes mundiais. A isto chamamos educação moral e cívica trabalhada de forma sutil, mas claramente útil e objetiva. Não estamos aqui a discutir o mérito da questão, mas o fim ao qual se aplica. Intrigantemente, não é difícil perceber que, ao contrário, nossas produções tendem com muita freqüência a retratar defeitos vergonhosos que denigrem a imagem do país e em nada colaboram no incentivo ao culto do honra de ser cidadão do Brasil.
             Se um dos nossos maiores gostos é imitar os gringos americanos em tudo que não presta, o que nos impede de imitá-los também no que presta? Basta maior interesse da mídia em difundir valores éticos de personagens mentalmente saudáveis, mais habilidade na escolha de temas, maior criatividade nas abordagens, mais comprometimento com o orgulho de ser brasileiro e com a imagem do Brasil que desejamos para nós e para nossos descendentes, pois jamais seremos grandes sem um povo altivo, consciente do que seja o exercício da cidadania plena e da responsabilidade de ter nascido no “Brasil; pátria amada mãe gentil” para alguns, porque ainda há outros milhões de Carminhas e Maxueis  vivendo no lixão, passando fome e humilhações, se preparando para as próximas novelas da vida.

*edição do mês de outubro do Jornal Nova Mídia de Barbacena onde foi publicada a reflexão "CADA POVO TEM A MÍDIA QUE MERECE", publicado também neste blog no espaço anterior a este - role a barra e cofira -


domingo, 30 de setembro de 2012

CADA PAÍS TEM A MIDIA QUE MERECE



         Em tempos de caça às bruxas, enquanto a maioria dos administradores públicos brasileiros esta mergulhada na ladroeira e assombrosos escândalos fustigam nossa alma e nosso bolso, ruboriza de vergonha homens de bem e suja as páginas da história nacional é bom e oportuno lembrarmos que faltam poucos dias para as eleições. Aí vem a grande e única oportunidade de mudança no rumo suicida que o Brasil esta nas mãos de tantos canalhas ávidos por depenar o patrimônio público. Por todas as cidades que se passa vêem-se e ouvem-se bandeiradas e sons estridentes anunciando a boa intenção dos novos e também dos velhos políticos à espreita de algum voto a mais que venha lhes conferir o direito, ou melhor: ‘o dever de cumprir o que prometem’.
            Receita velha, eleitor curtido na lama da bagunça nacional e ainda assim continuamos a acreditar nas mentiras deslavadas que nos pregam toda vez que nos obrigam a ir às urnas para exercer o ‘direito obrigatório’ de votar. Seria melhor se pudéssemos ficar em casa dormindo e os ladrões dos nossos impostos continuassem os mesmos; pelo menos teríamos a esperança de que um dia enchessem os bolsos e se fartassem; ao passo que, substituída a quadrilha, outros bolsos vazios virão e aí o círculo vicioso continuará. O sentimento nacional é o mesmo em todos os quadrantes da nação: De que adianta votar, se nada vai mudar? As atividades eleitorais no Brasil são uma espécie de ‘jogo de faz de conta’ em que o político finge ser um sujeito bem intencionado e o eleitor finge que acredita. Nessa triste situação quem deve mudar; político ou eleitor? A falsidade é do instinto do político e modificá-lo seria como tentar modificar a raposa, para que ela não comesse ovos. Portanto, se o político é incorrigível, que mudem o eleitor.
            No Brasil de democracia imatura e educação capenga, o voto ainda é definido pelo poder econômico e promessas bajuladoras, totalmente impossíveis, feitas por candidatos visivelmente desinformados nas questões econômicas e sociais, claramente interessados em ascensão pessoal. Por aqui se define intenção de voto pela simpatia, crença no empreguismo, encantamento pela boa oratória e esperança no assistencialismo do governo. Raros os que votam pela análise do passado, das relações interpessoais e do plano de governo fundamentado em conhecimento técnico e condições compatíveis com sólidos recursos financeiros. Mas como mudar o eleitor mergulhado num oceano de faltas? Falta-lhe de tudo: casa, salário, cultura, transporte, profissão, saúde, segurança, esperança, informação, escola de qualidade para os filhos... O homem/mulher nessas condições não esta preocupado em votar certo, mas muito mais propenso a lutar pela sobrevivência pessoal e da sua família. Esse eleitor enfraquecido pelas dificuldades da vida e amedrontado pelo desconhecimento da realidade que o acerca é vítima predileta dos picaretas e suas falsas promessas. Será tão vítima quanto um cão faminto que comerá carne envenenada, enquanto que o bem alimentado a refugará pelo pressentimento do perigo.
            Para que a democracia seja bem sucedida os cidadãos têm que estar atentos e serem participativos, porque devem saber que o sucesso ou o fracasso do governo é responsabilidade sua e de mais ninguém. Entretanto o que esperar da grande maioria dos nossos cidadãos eleitores se eles estão doentes, contaminados pelo vírus do medo e da falta de tudo? Aprimorar esse eleitor através do ensino escolar padrão, além de depender da difícil vontade política, ainda levará muito tempo e o Brasil não pode mais esperar. Mais atraso no preparo intelectual da grande massa popular contribuirá para continuar mantendo o Brasil nas mãos dos picaretas como grande berço internacional da corrupção; quem perderá serão as gerações futuras que continuarão herdando miséria, ignorância, escravidão e violência social, permanecendo à mercê de uma fraca democracia, sempre a serviço dos aproveitadores sem escrúpulos.
             Na minha modesta opinião, mudar os políticos é impossível e preparar melhor a massa popular demoraria por demais; assim nos sobra uma única saída: a atuação mais responsável do chamado quarto poder; A MÍDIA. Penso que passou o tempo da submissão contida a laço e é chegada a hora da imprensa com seu dinheiro e sua capacidade de formar opinião abandonar o desinteresse e adotar a parceria na educação, paralelamente ao comprometimento com a ética, com o civismo, com a conscientização do cidadão eleitor a fim de que compreenda melhor seus direitos, deveres, responsabilidades e o espaço que deve ocupar na sociedade da qual faz parte.
            É preciso criar projetos de programação com potencial para plantar na cabeça do cidadão eleitor as vantagens da honestidade, da cultura, da importância da família e da pátria como bens maiores, que devem ser preservados, respeitados, compreendidos e amados. Ensinar-lhes o respeito às instituições, à ética, à moral, aos outros povos, culturas, crenças religiosas e outras nações, encarando o pluralismo sem reações ufanistas, fascistas ou estéreis; induzindo-os a entender que o racismo e a discriminação cegam a visão incapacitando o homem para admirar a natural diversidade de tonalidades que compõem o mosaico humano.
            Se é possível ganhar muito dinheiro criminosamente empobrecendo a espiritualidade e a inteligência humana e desse modo perpetuar a mediocridade, por que não fazê-lo induzindo o homem ao progresso de si mesmo, ganhando também muito dinheiro? Curiosamente há uma clara tendência dos profissionais do marketing, certamente induzidos pelos capitalistas da comunicação, a dar ênfase ao politicamente incorreto, ao prejudicial no aprimoramento do cidadão eleitor. Exemplos existem aos montes. Por que o "bad boy no lugar do nice boy"? Por que a maliciosa dança da garrafa na terra do samba canção? Por que a indução maciça à prática irresponsável do sexo, principalmente entre menores? Para que ressaltar a violência nos meios de comunicação contida em filmes estrangeiros que nada têm a ver com nossa cultura e com nossos ideais de nação? Por que banalizar a mulher e o corpo feminino vendendo imagens de nudez nas esquinas como se mulheres fossem bananas e sexo brinquedo para parceiros na pré-maturidade? Para tantas dúvidas, há apenas uma resposta: a realização de lucro fácil; um objetivo sutil, implícito e criminoso. Observa-se aí uma poderosa política capitalista de controle de massas tecnicamente correta, porém antiética, pois visa apenas o crescimento do capital e o afinamento com o poder central e seus lobistas. Ao mesmo tempo é duplamente injusta, por se afastar da sua função principal que é promover a conscientização através da informação livre, não tendenciosa, baseada em princípios éticos e morais. Não estamos nos referindo à ética como qualquer tipo de censura ou imposição autoritária. Pelo contrário, a consideramos como a única forma democrática e legítima de preparar cidadãos para dirigir-se pelo seu juízo próprio, livres de falsos paradigmas, dentro dos preceitos de justiça e de cidadania.
            A lavagem cerebral negativa, mesmo dirigida ao lazer, é altamente antidemocrática, principalmente quando invade o lar e a alma do cidadão eleitor sem nada de positivo a acrescentar. É preciso que os intelectuais da mídia compreendam que a responsabilidade de educar não e só da família e do governo, mas de todos e, muito maior, daqueles que formam opinião e sedimentam costumes e cultura. O processo educativo constitui-se em apresentar soluções corretas, mostrar suas vantagens, dar bons exemplos e rechaçar o incorreto. O cidadão eleitor do povo não se encontra em condições de entender a crítica pura sem discussão de méritos.  A simples crítica diante de mentes despreparadas certamente reforçará o erro, pois não há conhecimento de outros parâmetros para comparação e este modelo embota o aprendizado, prejudica o discernimento, promove a subserviência, lança modismos em atendimento a interesses econômicos paralelos, incentiva o assistencialismo populista de governantes demagogos e, apesar de ser uma forma de dominação pacífica e indolor, subtrai do homem a capacidade de escolha entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim, pelo simples condicionamento. Isto é a própria animalização de seres humanos.
            Há um conhecido ditado nas sociedades livres: “Cada povo tem o governo que merece”. Particularmente não concordo com a afirmativa, pois acredito que a mesma carregue cunho discriminatório e por isso não se afina bem com o ideal de sociedade democrática que tanto sonhamos. Há pouco mais de cento e vinte e quatro anos éramos um império primitivo, atrasado e escravagista e depois da Lei Áurea pouco ou nada se fez para diminuir ou acabar com o abismo social e cultural que secularmente divide a sociedade brasileira. Aboliram a escravidão institucional, mas mantiveram a funcional. Urge então que os cidadãos conscientes dessa nação exijam da sua imprensa livre, que tanto se gaba do seu potencial, maior empenho e responsabilidade na preparação e no aprimoramento da educação e da consciência do cidadão eleitor em todos os cantos do Brasil.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

POBREZA; UM PATRIMONIO NACIONAL!


    

            O que estamos acostumados a considerar como riqueza? Grande patrimônio? Reserva em dinheiro? Jóias raras? Pedras preciosas? Conhecimento? Não!!! Riqueza, em seu significado prático, é a fartura do que é útil e necessário. Por exemplo: ser rico num deserto não é andar com quilos de ouro ou dólares na mala, mas ter à disposição muita água e alimentos. Tornar uma terra produtiva não é enterrar em seu seio grande tesouro, mas enriquecê-la de fertilizantes e outros dejetos orgânicos. Ou seja, algo sem valor  numa função apropriada pode tornar-se grande riqueza. Assim também a pobreza nacional, nas mãos de quem sabe usa-la, torna-se tesouro valioso.

            A pobreza no Brasil foi até agora cultivada, alimentada e perpetuada, porque desde que o populismo aqui se instalou passou a ser o elemento essencial para a conquista e a manutenção do poder.
            Pobreza é coisa necessária para os políticos combaterem e que não pode acabar, a fim de que haja sempre pobres para o político defender. O que seria dos partidos políticos sem a pobreza? O que seria do político “rouba, mas faz” sem a pobreza material e cultural? Essa é a riqueza que alimenta os demagogos e hipócritas.
            Por isso, nobres políticos, façam todas as reformas que quiserem, mas preservem nosso grande patrimônio! A pobreza é nossa e não pode ser erradicada. Os modos para protegê-la e mantê-la são muitos:
            Em primeiro lugar todas as leis devem ser criadas para afugentar os investidores, mas os políticos devem declarar o contrário, dando sempre ao trabalhador a impressão de estar sendo protegido.
            Em segundo lugar deve-se manter e sempre prestigiar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), para que o trabalhador encontre cada vez menos trabalho e por menor salário e mesmo assim sinta-se protegido pela lei.
            Em terceiro lugar, as esmolas das bolsas governamentais devem continuar sendo oferecidas aos necessitados, pois estes, além de fieis eleitores, não vão se preocupar com o futuro, não precisarão plantar nem poupar, pois enfim o governo os socorrerá. E, se alguém se queixar, deve-se sempre lembra-lo que num país americano chamado Haiti, vive-se pior.            
                Em quarto lugar é preciso dar terra ao MST e casa aos sem teto, para que possam vendê-la e mais tarde retornar aos movimentos sem terra e sem casa, mas com um governo sempre pronto a socorrê-los. Afinal, eles já descobriram que com gritaria e invasões tudo se consegue.
            Em quinto lugar não deixar de financiar os sindicatos, que também sabem fazer barulho, para que sirvam de trampolim para alguns companheiros, os quais, protegendo os esperançosos, conseguem, mais tarde, se elegerem deputados inúteis ganhando milhões para continuar defendo os mais pobres.
            Em sexto lugar promover o enfraquecimento de empresas geradoras de empregos através de sentenças paternalistas e injustas, para o trabalhador ficar com menos trabalho, mas, mesmo assim, sentir-se protegido pela lei.
            Em sétimo lugar massacrar com muitos impostos e tributos as empresas, para que fiquem impedidas de pagar bem os seus funcionários ou fechem as portas o mais rápido possível. Isso porque emprego e empregador não tem importância nenhuma e põem em risco a estratégica pobreza. Importante é o empregado sentir-se protegido e votar em seus protetores.
            Em oitavo lugar é necessário manter o direito de voto dos analfabetos e semi-analfabetos, pois eles representam o maior patrimônio eleitoral fácil de ser convencido e sensível aos discursos demagógicos. Também o único que chega àquela velha conclusão: “ele rouba, mas faz”.
            Em nono lugar defender o gigantismo do Ministério do Trabalho, inclusive fortalecendo ainda mais a Justiça do Trabalho, pois não custam nada ao país, e sem eles o Brasil correria o risco de se tornar um país exemplar como o Japão, por exemplo.
            Em décimo lugar vamos trocar “meia dúzia” por seis, mas não um simples seis. Um seis mais burocrático: um, dois, três, quatro, cinco, seis, para complicar um pouco. Enfim, vamos fingir querer fazer todas as reformas que o momento exige sem reformar nada, porque, se essa moda de reforma pega, um dia vão querer reformar os poderes e também as pessoas que os integram. E aí como é que vão ficar a gasolina da Mercedes e as mordomias de direito?





           

OS CHACAIS ESTÃO DE RABO ENTRE AS PERNAS


                 Desde meados do século XV, quando os europeus lançaram-se ao mar em busca de riquezas, a fim de regar suas combalidas economias destruídas pela gastança desmedida da nobreza preguiçosa, irresponsável e inútil e que as primeiras caravelas alcançaram as costas ricas das Américas dando início ao maior holocausto humano, físico, cultural e econômico registrado pela história nos últimos seis séculos; a Europa se transformou no maior centro atrator e consumidor de recursos produzidos exclusivamente baseados na escravidão e no extrativismo predatório. Da África transferiram sob ferros mão de obra e na América impuseram-se pela força das armas, da mentira e do machado. Finda a escravidão legal no século XIX, iniciou-se outra: a cultural e industrial com a Grã Bretanha no comando e mais tarde os Estados Unidos.
                 Desde então, esse funesto ambiente foi responsável pela implantação e perpetuação da miséria crônica e de tantos outros efeitos colaterais, tais como: dívidas externas impagáveis, ignorância, populismo, ineficiência estatal, obsoletismo tecnológico, desemprego, violência social e mais todo o rosário de misérias humanas que condenam a mais rica região do globo a oferecer péssima qualidade de vida aos seus cidadãos. Seis séculos de assalto às riquezas naturais estratégicas, massacre cultural e exploração intensiva através de monoculturas como a da cana de açúcar, propiciaram à Europa e seus afilhados conforto e consumismo acima dos limites éticos e morais. Enquanto a minoria abastada, habitante desses países, consome 90% de tudo que é produzido no planeta deixando um rastro de impactos ambientais irreversíveis, 80% da humanidade localizada na América Latina, África e outras regiões pobres, sobrevive precariamente com as sobras e com as dores e efeitos colaterais da miséria, tais como epidemias, fome, avitaminoses e baixas perspectivas existenciais.  
                Seis séculos de vistas grossas, mesmo após ter início a iluminada era moderna, quando se passou a reconhecer direitos inalienáveis do ser humano que prevêem liberdade e dignidade a todos os homens e mulheres independemente da cor da pele e da cultura, o planeta continua servindo e abastecendo apenas à pequena parte habituada a se auto considerar dona de tudo. Não há como fugir disso, pois todos os interesses políticos e econômicos convergem para o seleto grupo que jamais abre mão de privilégios, mesmo que fúteis. Em nome do bem estar e da salvação da grande parcela de degredados pela falta de sorte de ter nascido no lugar errado ninguém mexe uma palha sequer e o abismo entre países pobres e ricos agiganta-se progressivamente. Há teorias absurdas que chegam a considerar a África em processo acelerado de extinção por inanição e desordem irreversíveis. Uma vergonha para a humanidade, mas ninguém se importa, pois que lucro daria perder tempo naquele quintal? Bom seria se pudessem atirar aquela parte do planeta aos monstros galácticos para que fizessem dela bom proveito e a defecassem noutra freguesia! Afinal, nem mais mãos escravas podem fornecer e para pasto universal ainda teem a pobre rica América Latina, carregada de água doce, reservas minerais estratégicas, muito petróleo e um povo pacífico quanto a sombra de um ébrio!
                O que eles próprios não podiam imaginar é que chacais também podem morrer de congestão. Exploraram tanto, empanturraram-se em demasia e agora estão correndo o risco de implodir, vítimas do próprio veneno: ‘ambição e egoísmo’. A Europa passa pela maior crise da sua história, nem mesmo comparada às conturbações causadas por nenhuma das duas grandes guerras mundiais, agravada ainda pela falta de perspectivas de melhora e pelo iminente risco de cooptar o resto do mundo para o fosso dos pobres falidos desesperados. Quase metade da sua juventude esta desempregada, situação similar a que viveu a América Latina na década dos noventa e que eles souberam muito bem aproveitar para ganhar muito dinheiro jogando lenha na fogueira com seus subsídios e dumpings.
                 A única e fundamental diferença é que o sofrimento dói muito mais em quem esta acostumado na abastança. Grande parcela dos latinos e africanos esta habituada a viver com fome consumindo menos de mil calorias por dia, alimentando-se de esmolas e superlotando favelas. Outra parcela ajustou-se como pode no subemprego diante das intempéries da globalização e da frieza dos investidores internacionais com seus capitais sem bandeira e compromisso. E outra parcela, menos conformada, ingressou-se no mundo do crime, para fazer explodir os índices de violência social abarrotando presídios mais caros que escolas.
                Estamos torcendo para o barco não afundar, mesmo porque afundaríamos juntos, mas seria muito bom, se, pelo menos, a iminência do sofrimento fosse útil para acordar aqueles que há seiscentos anos deleitam-se confortavelmente sobre os despojos dos pobres e fracos do mundo, tornando-os menos surdos e mais solidários.
           É bom que se esclareça que não estamos aqui a defender nenhuma teoria marxista, uma vez que seus bandoleiros também promoveram holocaustos e sempre se banquetearam de carniça. Ideal seria que os poderosos do mundo entendessem, de uma vez por todas, que a única via possível para o progresso sustentável e com igualitarismo é o respeito mútuo há muito ensinado pelo homem mais famoso da história: Jesus Cristo.