APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



terça-feira, 11 de novembro de 2014

AOS QUE ACREDITAM OU NÃO EM DEUS

RESPOSTA A UM AMIGO DO FACEBOOK QUE CRITICOU UM BISPO CATÓLICO POR EXORTAR OS FIEIS A REZAR PARA CHOVER.

Uma vez vivendo num pais democrático supõe-se que as pessoas devam gozar de direitos tais como: ser negro, ser gay, ser deficiente físico, ser pobre mas respeitado pelo estado que recolhe altos impostos da sociedade, ser índio, ser estrangeiro vivendo na legalidade, ter ou não religião, acreditar ou não em Deus.
Numa democracia o ato de criticar é sempre bem vindo desde que com respeito e a fim de construir e aperfeiçoar; nunca destruir. É bom portanto, que aqueles que apreciem viver numa democracia e gostem de gozar da liberdade se lembrem que a liberdade dos outros começa onde termina a sua. Isso é norma de civilidade também.
Se as pessoas rezam para chover e nada mais fazem, reflita sobre sua conduta: você não reza, critica e também não faz nada. Por outro lado, se não reza, porque não acredita em Deus, mas não sabe nada sobre Ele, nunca o viu, não acredita no seu poder e na sua força deve pensar que poderá estar cometendo a mesma burrice do idiota que toma veneno, porque não acredita na sua letalidade. Se não acredita ótimo, mas não o experimente, pois esta correndo o risco de não ter tempo nem chance de acreditar.
Com o nome de Deus não se brinca! Se não tem nada para fazer, vá dormir, estudar, trabalhar ou simplesmente contemple a grande beleza universal da qual você talvez não mereça fazer parte e pense: será quem construiu isso tudo, pra que, por que? Se acreditar que foi uma bactéria que veio do espaço ou uma molécula que se transformou nisso tudo continue questionando: como, por que, pra que? Assim, certamente, terá mais e mais dúvidas.
Os grandes pensadores e sábios da humanidade, quanto mais sabem, descobrem que nada sabem. Isso foi reconhecido por um deles, um burro que atendia pelo nome de SÓCRATES. E você, grande sábio, tire nossa dúvida, que também era a de Sócrates.
Deus existe? Se não sabe, reze para que Ele faça chover.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

SECA DA BOA LIÇÃO

                 A região sudeste e algumas adjacências esta vivendo o mais longo período sem chuvas da história climática do Brasil e pelo cúmulo do azar a região é responsável por grande parte do potencial hidro-energítico do país; situação que se agrava ainda mais na esteira do somatório de problemas causados pela falta d’água, associados a um eminente colapso econômico-industrial de âmbito nacional e conseqüências imprevisíveis.
                Diante da tamanha gravidade as populações de dezenas de cidades estão sendo forçadas ao exercício da racionalização e da solidariedade, algo inédito numa sociedade  desorganizada, discriminatória e divisionária; secularmente acostumada a viver observando confortavelmente, do outro lado do abismo social, pessoas agonizando com problemas estruturais há muito solucionados em países  civilizados.
                Exemplo latente é a situação do nordeste brasileiro, região que há mais de trezentos anos tem a seca como protagonista principal das desventuras humanas que assola aquele povo irmão, sem que ninguém jamais tome providência alguma. E pior, gangues de nordestinos privilegiados, porque tiveram a ventura de nascer em berço de ouro, fazem do sofrimento seu principal cabo eleitoral, numa tragédia anunciada anual só comparável à fome de certos animais canibais que se servem dos mais fracos para se locupletar de carne fresca.
                Seca, pobreza e ignorância; tripé maldito, que trás felicidade para uns e lágrimas para outros tempera a salada de promessas vãs que iludem o povo mal informado e o faz comer na mão como coelho amestrado, fiel e manso.  A receita é tão eficiente que vimos nos últimos debates dos nossos candidatos à presidência da república o assunto entrar em pauta com o mesmo cinismo e demagogia dos velhos bravateiros nordestinos na certeza de que a cachoeira de votos viria como chuva bendita na horta dos novos coronéis do Brasil.
                Ninguém em sã consciência pode afirmar que o governo paulista não agiu de maneira eficiente e rápida no sentido de amenizar as conseqüências de um fenômeno jamais previsto por nenhum instituto de pesquisas espaciais ou qualquer outro especializado em ciências meteorológicas. Problemas aconteceram, porém pontuais e ainda não houve dia em que a grande metrópole parou colapsada pela falda do precioso líquido. Confesso que nunca acreditei nas afirmativas daquele governo, que sempre garantiu que o estoque do conjunto de represas daria para alcançar o novo período de águas só previsível para outubro. Vendo que agora a previsão quase impossível se realiza, seria louvável que todos reconhecessem a competência com que foi atendida a grande demanda metropolitana. Quando, ao contrário, o que se viu foi um discurso pobre e inócuo, carregado de polêmica, mentiras e desrespeito, a fim de desmerecer o bom trabalho e confundir a opinião pública em vésperas de eleição.
                Assunto de extrema gravidade, que se fosse num país sério, demandaria união, planejamento, esforço concentrado de todos os partidos e seguimentos sociais, uma vez que esta em jogo o futuro, a segurança energética, alimentar, política e econômica da sociedade sendo tratado com escárnio e zombaria na certeza de que a inocência do povo nordestino banha também a mentalidade do resto da nação brasileira considerada culta e sintonizada com a modernidade.
                Estamos no décimo mês de seca; degrau em que grande número das mais importantes cidades brasileiras, inclusive a maior delas motor do Brasil encontra-se na eminência de um colapso sem precedentes na história da humanidade; e políticos irresponsáveis brincam como se estivessem diante de um tabuleiro de marionetes. Pior! Conseguem iludir os corações mais valentes que andam brigando por aí como idiotas úteis em defesa de algo que mal conhecem apenas guiados pelos gritos de guerra dos boiadeiros de gravata vermelha, sedentos para arrancar a pérola democracia do pedestal e no seu lugar fixar a foice e o martelo, símbolo intrépido das ditaduras mais duras que a história registrou.
                Portanto, queridos irmãos brasileiros, chamo vossa atenção para estarmos atentos,  vacinados e unidos contra aventureiros, malabaristas e mágicos encantadores, que nunca se cansam de tentar aplicar golpes coloridos mesmo diante de uma bomba prestes a explodir, na esperança de se perpetuarem no poder e realizar sem incômodos velhos sonhos de domínio à custa da distração e da inocência populares.


ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

VIVA A DEMOCRACIA!

                                                                  VIVA A DEMOCRACIA!

Cabe a um crítico reconhecer, antes da vitória do PT, a vitória da democracia. Esta que é o primor da essência humana, pois propicia aos homens/mulheres viverem em liberdade e não ter o Estado como patrono, mas como protetor e servidor.
Todos os brasileiros devem reconhecer a vitória do PT democrática, pacífica e civilizadamente, pois essa foi a vontade da maioria e pelas regras do jogo democrático assim devem funcionar as relações políticas regidas pelas Constituição Federal do Brasil.
Desejamos boa sorte à presidente Dilma e ao seu staff na condução do próximo período governamental e a lembramos que 48% do povo brasileiro, não aprovou seu primeiro governo pelos motivos aqui exaustivamente expostos e torcemos para que Deus a inspire no sentido de que consiga com sabedoria sanar todos os problemas que ora afligem a sociedade brasileira.
A lembramos ainda e ao PT, que o jogo democrático é uma via de mão dupla onde deve trafegar, sem impedimentos e pressões políticas de qualquer natureza, opiniões diversas, a fim de que desse amalgama surjam verdadeiras e mais criativas soluções para o bem comum.
Ademais, garantimos que continuaremos atentos, exercendo oposição com ética, apontando erros, mas também elogiando acertos. Que nunca renunciaremos ao nosso direito legítimo e democrático de discordar, uma vez que esse é o direito do cidadão livre e a liberdade deve ser o objetivo primaz de todo governante justo. Educar e preparar cidadãos para serem críticos e escolher seu próprio destino, sem cabrestos e amarras de qualquer natureza é o caminho mais curto para o alcance do progresso; do contrário, jamais teremos um povo culto e soberano e o Brasil permanecerá no fosso dos países que menos investem em educação e mais exploram a inocência daqueles que dependem da ajuda estatal para sobreviver.
Que Deus nos abençoe, guie e inspire!

domingo, 26 de outubro de 2014

HOJE O REI SOU EU



Hoje o Brasil parou para ouvir minha opinião!

Por isso sou feliz; porque vivo num pais democrático, que me dá oportunidade de opinar. 

Onde há ditadura a única opinião que interessa é a do ditador. O cidadão/cidadã não passa de simples escravos, eternamente pobres, mal informados e infelizes.

Se vai adiantar votar? 

Acho que sim, desde que a partir de amanha me coloque na oposição para fiscalizar 24 horas por dia aquele em quem confiei meu voto, minha vida, meu futuro, o futuro dos meus filhos, o futuro da minha Pátria.

Por isso, exerça hoje seu direito de ser rei. 

Vá e vote consciente! Mas cuide, porque se compraram seu voto ou vota por interesse um dia haverá cobrança, porque não há favores sem preço como não ha fonte que não seque.

em 26/10/14 eleições presidenciais

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

DIVINA DEMOCRACIA

                                                 DIVINA DEMOCRACIA

  Há alguns dias fomos às urnas escolher nossos novos representantes. Dia de eleição é festa! Casamento, São João, São Pedro ou formatura perdem de longe para a procissão de gente colorida que vem de toda banda. Bem cedo a cidade já se movimenta no prá lá e prá cá; cada um procurando sua seção eleitoral. É aqui, é ali e a penca de gente se enfileira muito antes do horário, uns calados, muitos ressabiados, alguns falantes, outros cansados e ainda mais outros raivosos; todo mundo olhando para o relógio ansiosamente na esperança de que tudo logo se acabe, porque o domingo passa rápido e o descanso esta a espera.                                                                                        Cumprida a obrigação, é hora de voltar pra casa, guardar o título na sua toca escura, que pode ser o bolso de um velho paletó, um cofre camuflado ou aquela gaveta atulhada de bugigangas comum em toda casa que se preze. Ao importante documento falta apenas uma lápide com a inscrição: - Aqui jaz um título de eleitor empoeirado - que a cada dois anos ressuscita da sua tumba para mais um passeio no domingo alegre da eleição.
Mas outro dia, numa daquelas situações em que a conversa não é da nossa conta e que os ouvidos nos obrigam a ouvir, porque afinal os danados não têm tampa, testemunhei certo sujeito tecendo rápida crítica interessante; até com cara de piada. Dizia ele que essa história de "santinho" é um negócio estranho! Seria melhor  “capetinha”! Dei uma risada de fora pra dentro sem mostrar os dentes, mas aquele pensamento não me largou e continua agarrado na consciência até hoje. Por isso, com esse incômodo pesando, resolvi trocar idéia com o leitor.
Certamente essa é opinião corrente em vista da alta desilusão que todos demonstram, ao se tratar de política. E afora isso, ainda muitas vezes ouvimos outros afirmarem que anularam o voto ou votaram em branco. Outra multidão afirma que não vota há muito tempo; fora os inconformados com a obrigatoriedade do voto. Lê-se a toda hora nas redes sociais que nas verdadeiras democracias ninguém vota obrigado! Afirmativa que da corpo a uma contradição, quando se afirma que o voto é um direito. Se fosse direito, não seria obrigatório e, em assim sendo, ganha condição de dever. Então; afinal, o voto é um direito ou um dever?
A resposta é simples e categórica. O voto é um direito! Se for direito, por que o povo é obrigado a comparecer? Porque grande parte do eleitorado brasileiro não tem consciência da importância do voto e não sabe que é a alma da democracia. Numa simples comparação pode-se afirmar que o cidadão mal informado, inconsciente da importância da sua participação, pode ser comparado à criança que não iria à escola, se o direito de ser educado não fosse obrigatório.
Nas sociedades maduras e desenvolvidas, aonde o processo educacional é eficiente, os cidadãos comparecem por livre vontade, porque reconhecem a importância de participar. Sabem que a Cidade, o Estado e o País não funcionam sem políticos bons ou ate maus. Sabem que quanto menos eleitores comparecerem, melhor para os políticos, que precisarão de menos votos; o que tornará seu objetivo muito mais fácil. E sabem ainda que o voto é importante, mas apenas um capítulo do processo democrático. A parte principal é a fiscalização, que impede o administrador público de se sentir livre para agir nas sombras. No entanto muitos dirão que fiscalizar é impossível. O que um cidadão comum poderá fazer contra um homem poderoso? Um não pode fazer muito, mas muitos poderão até derrubá-lo. Para isso é necessário que os eleitores mantenham-se interessados, bem informados e todo o tempo mobilizados, não se esquecendo que a imprensa são seus olhos e ouvidos. Já houve quem dissesse que o voto é alma da democracia, assim como a imprensa seu coração. Essas palavras nos dão a clara certeza de que a democracia é um ser vivo e pulsante, que precisa participação e somente será justa, quando todos forem realmente iguais perante a lei, cumprindo todos os deveres e gozando de todos os direitos constitucionais.
Democracia significa liberdade e a conscientização de que os homens devem viver livres nasceu há pouco mais de um século, enquanto a sociedade humana existe há alguns milhões de anos. Durante todo esse tempo os homens nunca foram livres, porque sempre estiveram sob o domínio de um Estado Totalitário ou de um ditador sanguinário ou mesmo de um invasor intruso, apenas interessados em escravizar para explorar. A condição de Estado Totalitário existe quando tudo pertence a ele e a ele deve servir, não havendo direito de defesa, nem eleição, nem alternância de poder, nem propriedade privada.
Contudo não há como esquecer que os humanos são seres sociais, que liberdade também significa ser respeitado e quando o respeito nas relações sociais falta, o Estado Democrático deve entrar para repor a ordem e fazer justiça.
Muitos criticam a democracia brasileira baseados na justificativa de que nem todos são iguais perante a lei. Há aqueles que podem mais em detrimento dos mais fracos. Há muitos pobres num país rico! Devemos, entretanto, não esquecer que a perfeição é um sonho, mas que existem sonhos possíveis. Toda as conquistas humanas positivas nasceram de sonhos transformados em realidades por alguém que estava seguro e motivado para fazer acontecer; e só em liberdade plena isso é possível.
Li em algum lugar há muitos anos que as mais belas flores vicejam no esterco. Obviamente isso não quer dizer que somos obrigados a ter pobres no Brasil. Claro que não! Há muitos pobres aonde não se investe suficientemente em educação em todos os níveis, porque ela é combustível do desenvolvimento e somente ele é caminho certo em busca da extinção da pobreza.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

QUARTO E QUINTO PODERES

                                               - QUARTO E QUINTO PODERES -

             Os humanos na sua condição de animais sociais desde tempos remotos vivem em bandos, a fim de se reproduzir, se proteger e até pela necessidade básica de afastar a solidão. A humanidade jamais teria atravessado milênios e se espalhado pelos quadrantes do planeta, se não fosse essa característica. Os indivíduos procuravam a proteção do grupo e em troca tinham a obrigação de servi-lo como parte de um esforço de defesa. Assim surgiu o primeiro esboço de obrigação cívica dos indivíduos para com o grupo como do grupo para com o indivíduo.
À medida que aumentaram os conglomerados humanos, também aumentou a diversidade física, cultural e econômica sempre de acordo com as características do meio ambiente e com a disponibilidade de riquezas naturais. Como a natureza nem sempre disponibiliza recursos suficientes, logo surgiram as trocas e quando isso não era possível, partia-se para a guerra, cujos vencedores ficavam livres para se apoderar dos recursos alheios, inclusive do espaço e da liberdade dos perdedores. Mão de obra fácil e de graça transformou-se num dos principais atrativos para a prática da guerra e da escravidão num mundo em que o corpo humano era a única máquina de transformação disponível.
Mas o processo de crescimento dos grupos humanos e da expansão das suas populações exigiu maior organização e assim surgiu a idéia de Estado. Este novo ser era a representação real do grupo, com fronteiras estabelecidas, interesses únicos, burocracia, administradores, moeda, governantes e demais características que lhe davam um status muito maior e mais sofisticado que o de um simples grupo. Governado por um líder, passou a ser a estrutura social representativa do indivíduo; era sua própria imagem multiplicada pela união com os demais, todos com objetivos semelhantes tais como servir com seu trabalho e seu tributo e ser servido com segurança, garantia de liberdade e esperança de presente e futuro em paz.
Lamentavelmente, logo viriam as distorções e o Estado, por sua vez, se transformaria num gigante indomável. Os governantes passariam a usá-lo como ferramenta para escravizar. Antes a escravidão poderia vir de fora, agora vinha também de dentro. O indivíduo, cada vez mais explorado, perdeu importância e o Estado que surgiu para protegê-lo agora funcionava como seu senhor. Um grupo de poderosos falsamente agia como representante do povo; organizou-se em parlamentos, que na realidade representavam seus próprios interesses e garantia de apoio ao ditador máximo. Favores era moeda de troca que a cúpula do comando usava para manter o grupo inferior sob controle.
Um dia alguém sentiu que a melhor maneira de fortalecer o povo era através da criação de um sistema de informação capaz de chamar a atenção dos cidadãos para os acontecimentos e os unisse em torno de idéias reacionárias, inflamasse sentimentos e assim, unidos, pudessem recuperar a voz e a capacidade de enfrentar o sistema de poder. Estava então lançada a inusitada idéia da imprensa; naturalmente aclamada como olhos e ouvidos populares ou também considerada em países democráticos como “o quarto poder” atuando ao lado do executivo, do legislativo e do judiciário.
Porém, logo cedo, teve inicio a perseguição, muitos órgãos informativos eram fechados, seus trabalhadores condenados e o tráfego de informações sistematicamente interrompido, porque o sistema de poder sabia que quanto mais informado o povo estivesse, mais risco correria de se enfraquecer. Sem liberdade não há imprensa eficiente e os donos do poder sempre souberam disso muito bem.
Ao longo dos séculos o processo gráfico, antes manual, evoluiu pela engenhosidade de Johannes Gutenberg, que, por volta do século quinze, passou a utilizar tipos de metal embebidos em tinta e prensados contra papel ou tecido, a fim de reproduzir textos, mas somente no século dezoito foram usados para imprimir em larga escala jornais em papel. E só no século vinte, com a evolução das telecomunicações, surgiram os radiojornais e telejornais. No entanto, quanto mais evoluída a imprensa mais sua sombra fantasmagórica agia sobre governantes mal intencionados ou simplesmente incompetentes e corruptos.
Mas, o grande salto para a liberdade informativa só aconteceria na última década do século vinte, com a criação da Web (internet) e a possibilidade da globalização de idéias, que nada mais é que a transformação do grande espaço planetário, habitado por bilhões de indivíduos diferentes e desconhecidos, em uma aldeia global a colocando ao alcance das mãos e da cabeça de todos, sem distinção de raça, nem cultura, nem classe social; reduzindo o campo gigantesco ao âmbito do velho estágio grupal, aonde um conhecia todos e era capaz de enxergar os limites da sua comunidade.
A esta incrível ferramenta de integração humana gosto de classificar como “quinto poder”, certamente tão ou mais importante que os outros por ser capaz, não só de informar e educar sem controles políticos, como também de funcionar como canal de divulgação de opiniões individuais equipando o cidadão de uma capacidade que jamais teve. Assim suplantou a imprensa em importância e eficiência, porque a imprensa nunca deixou de ser uma via de mão única fora do controle do leitor aonde as informações vêm de cima podendo ser facilmente controladas; diferente da Web, que possibilitou interatividade do indivíduo com o meio global.
Nas ondas da imprensa o indivíduo é como esponja, absorve informações, constrói sua cultura e opiniões pessoais, mas tem pouco espaço para refleti-las. Por sua vez, a Web possibilita ao internauta o status de espelho receptor e emissor de idéias e opiniões tirando-o do desconhecimento para alçá-lo à condição de co-autor da história e importante ator no teatro democrático. Esse, o grande passo rumo à construção da cidadania plena e consciente dos seus direitos e deveres.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO.

sábado, 16 de agosto de 2014

A MORTE DE EDUARDO DA LIÇÃO PARA A VIDA!

A MORTE DE EDUARDO DA LIÇÃO PARA A VIDA!

Num átimo cessa o burburinho! Vozes, antes conflitantes, em uníssono choram e o pandemônio em que se transformou a sociedade brasileira, aonde todos falam e ninguém se entende, cala diante da morte! Olhos arregalados, caras assustadas, por quê e, por fim, apenas o silencio tétrico resta...

A vida precisa e deve continuar! A vida sempre a vida; essa, a grande preciosidade, o maior de todos os patrimônios! O que valeria o universo, astros, planetas, a terra, o Brasil e todas as riquezas que encerram sem a vida?! O tudo, de repente, seria nada! Restaria tão somente a morte, sua frieza, o silêncio, o vazio...

Os brasileiros agora, envoltos na densa nuvem de interrogações e exclamações têm apenas uma saída: levantarem a cabeça, marchando com a lanterna do bom senso, da ética e do respeito acesa alumiando o caminho, planejando o futuro na folha turva de um presente conturbado em que esperanças desvanecem como folhas no outono.

Faço votos e oro genuflexo diante de Deus, para que a morte e seu sofrimento, que retumbaram forte nas consciências sirvam, ao menos, para alertar que o facho de luz na escuridão indica o caminho certo: a vida clama por mais respeito, mais responsabilidade, mais trabalho, mais bom senso, mais ética e menos ódio ideológico, menos retaliação, menos corrupção; para que a vida seja mais fácil e digna, não só para as gerações futuras, como também para estas que aqui estão agora.


Que a placidez da esperança cantada pelo poeta nos versos do Hino Nacional assuma seu real significado na vida brasileira! Lutemos por isso.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO