APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ei DILMA...VAI TOMAR NO COL!

Ei DILMA... VAI TOMAR NO COL! ...

A cada dia mais me decepciono com a baixaria brasileira.
Absurdo aquela musiquinha: "ei Dilma vai tomar no piiiiiiii...
A coisa e tão feia que não da nem pra repetir, por isso uso o piiiiiiii global.

Só porque o PT anda pondo no piiiiizão do Brasil, ninguém tem o direito de desrespeitar
o piiiiiii da "presidenta" presidente desse jeito, principalmente no dia da abertura da "Copa das Copas", mesmo que o povo já esteja cansado de tomar no piiiiiiii desde que começaram os preparativos super-faturados e se esqueceram de cuidar do piiiiiiizinho do povo.

No sentido de resolver esse impasse, deixar nossa presidenta mais a vontade e o ambiente menos carregado com tanto piiiiiiiii no ar, dou idéia de trocarem piiiiiii por "col".
Ei Dilma vai tomar no col!... Ficaria muito mais elegante e menos agressivo.

Querem explicação de onde tirei a idéia?
O "col" e uma espécie de cacimba feita da metade da casca de um coco. Certa tribo indígena, que habitara o nordeste antes da chegada dos primeiros colonizadores usava castigar seus  delinqüentes e pela-sacos de plantão com apenas um "col" d'agua por dia. Nada mais que isso!
O sujeito podia espernear de sede que nada lhe era mais concedido, alem de único "col". A água era considerada por eles como elemento de purificação, portanto sua privação constituía grande e vergonhoso castigo.

Ao meliante era decretada a pena: - que vá tomar um único col!

Ei Dilma vai tomar no col!...fica a idéia, afinal este pais do futuro é ou não uma tribo civilizada?

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO




segunda-feira, 9 de junho de 2014

TRÊS BRASIS E UM ABISMO

TRÊS BRASIS E UM ABISMO

            Nos seus quinhentos e quatorze anos de história acredito que os brasileiros jamais tenham experimentado tamanha ebulição social como a destes últimos anos, meses e dias. Fortes emoções nos envolvem a todo instante e nem é preciso estar à frente da televisão ou de um jornal virtual para que a indignação bombardeie a consciência e faça ferver o sangue.  A avalanche de informações negativas invade, sem pedir licença, células profundas da sociedade, desestabiliza o equilíbrio emocional, contamina valores éticos e estremece relações antes estáveis de maneira tão violenta que a impressão primeira é a de que não mais há limite entre certo e errado, entre bem e mal. Pequenas cidades, seculares ambientes de sossego, lentamente vêem seus índices de criminalidade crescer, vicejando no adubo da petulância de jovens e adultos amparados por legislações dúbias e tolerantes, mal formados na torrente de  exemplos negativos que a toda hora inundam o ambiente formal e legal necessário em qualquer meio comunitário.
            Natural ouvirmos alguém dizer que o mundo esta de cabeça para baixo; numa clara tentativa de justificar como naturais os transtornos comportamentais vividos pela sociedade brasileira. O mundo nunca foi virtuoso em paz e bons exemplos o que demonstra que a convivência humana é difícil e tempestuosa, uma vez que interesses terceiros de menor importância sempre suplantam o respeito e as normas da boa convivência entre diferentes culturas. Entretanto no Brasil algo mais vem acontecendo que a maioria das gentes ainda não se apercebeu: estamos passando por uma revolução cultural de origem marxista, inspirada nas Revoluções Cubana e Venezuela; o que significa afirmar que o comunismo esta batendo às nossas portas.
            A palavra revolução por uma questão histórico-cultural nos remete à lembrança de levante armado; o que aconteceu amplamente no passado, mas que agora mudaram-se as táticas. Armas, tiros e assaltos foram substituídos por doutrinas ideológicas e lavagens cerebrais. Algo que funciona como a inocência de um alçapão colocado no galho da árvore frondosa. As aves descuidadas e famintas deixam de usar seus instintos naturais de caça e, diante do alimento fácil, caem na armadilha perdendo a preciosa liberdade. Também a sociedade brasileira esta caindo no alçapão das promessas fáceis; se esquecendo que na vida tudo tem um preço e que nem sempre a moeda de troca é dinheiro; também pode ser a liberdade.
            Em outras palavras, o brasileiro sofredor diante de tantos problemas estruturais que o escravizam há séculos esta diante de um belo alçapão dourado contendo ilusórias liberdades oferecidas de mão beijada por governantes que não cumprem preceitos constitucionais, os quais  obrigam o Estado a oferecer igualdade de condições para todos os cidadãos. Em compensação, transformaram o Brasil no paraíso das bolsas e dos direitos! No entanto, ninguém se lembra dos deveres do cidadão, nem da exploração tributária contra os mesmos pobres que recebem ajuda.
            Subsídios em todos os níveis de governo são distribuídos com o intuito de facilitar a vida do pobre, enquanto não se investe em ensino básico de boa qualidade para o jovem pobre, não se valorizam professores, não se investem em um sistema de saúde popular avançado, financiam-se casas pequenas de baixa qualidade, oferecem-se transportes públicos ineficientes e caros, cobram-se tributos altíssimos, fazem-se vista grossa com os ladrões dos cofres públicos e os pobres continuam confinados em favelas e guetos nas grandes cidades. Vê-se claramente que não há objetivo claro de resolver o problema, mas apenas amenizá-lo com iniciativas sensacionalistas que causem impacto psicológico nacional e internacional e a falsa sensação de estar sendo lembrado e assistido. Estamos diante da próspera e falsa indústria do voto de cabresto!
            Mas a revolução doutrinária não para por aí e vai ainda mais longe quando desvaloriza, ridiculariza e desautoriza autoridades constituídas democraticamente dentre elas a polícia, os tribunais, o ministério público, alguns parlamentares sérios e honestos, as forças armadas, a igreja, a imprensa, a escola, o professor, os médicos e desmerece personalidades históricas e seus feitos importantes, muitas vezes baseada na justificativa chula de que sempre estiveram a serviço do imperialismo e contra os pobres. Reescrevem a história segundo seus interesses político-doutrinários!...           
            Na verdade os poderosos sempre estiveram de costas para os pobres, assim como o Estado com todo o seu poder legal constituído, em vez de fazer valer a lei em favor dos menos aquinhoados, sempre se  transforma no maioral dos imperialistas, virado também de costas para os pobres; de modo que a pobreza sempre funcione como bom e eficiente cabo eleitoral alimentado com esmolas baratas. Um sistema sórdido, caro e improdutivo em que o pobre sempre será dependente e nunca deixará de ser pobre, a classe média ficará pobre, o rico perderá grande parte das suas posses, e o Estado Marxista continuará apadrinhando seus aliados com altas vantagens, salários e direitos exclusivos em troca de apoio e poder eterno. Abrão Lincoln, grande pensador e ex-presidente americano, referiu-se a essa distorção política com a seguinte reflexão: “Não fortalecerás os fracos por enfraqueceres os fortes.”
            Por isso a todo instante assistimos a invasões de propriedades rurais e nas cidades a uma horda de bandidos raivosos destruindo tudo que encontra pela frente, senhores de si, claramente despreocupados com punições, diante de policiais assustados, impotentes e na defensiva à frente de uma sociedade estupefata e amedrontada; enquanto o governo faz olhos de mercador e se contorce em explicações superficiais, dentre as quais a de que a polícia sempre foi autoritária, precisa mais treinamento e que os prejuízos e mortes são justos para os imperialistas que só sabem explorar os pobres. Melhor julgador será você, se algum dia uma malta de vagabundos invadir, quebrar e incendiar sua casa e matar sua família...
            Todavia, tudo que estamos vendo trata-se ainda do resumo do filme, porque a história demonstra que, quando o tempo de transição passa e os candidatos comunistas sobem ao poder sua primeira providência é cassar a democracia e a todos que em seu nome agiram, inclusive os baderneiros, bolsistas e incendiários que um dia pensaram que poderiam tudo, protegidos por um falso governo democrático.  Infelizmente foram usados como ferramentas de desestabilização social e agora precisam ser eliminados, pois governos comunistas não toleram manifestações, nem vagabundos violentos, nem escritores como este que ora lês, porque laranjas podres no mesmo saco podem contaminar outras.
            Nesse compasso o Brasil fervente esta aspergindo vapor de desorganização, incompetência e grave tendência a um estado policial comunista para os quatro cantos do mundo. Lentamente a imagem do país vai perdendo brilho e ganhando fuligem como país conturbado, que não oferece segurança e garantias democráticas nem mercadológicas aos investidores nacionais e internacionais. Assim o sonhado Brasil produtivo e dinâmico, que precisa acompanhar a evolução tecnológica desenvolvimentista preparando seu capital humano de maneira eficiente, a fim de gerar milhões de empregos, para acabar com a pobreza de maneira sustentável, produzir milhares de toneladas de grãos e ostentar grande esperança, não só como potência agro-industrial, mas também como potência industrial-democrática moderna, sensível às demandas sociais vai derretendo, perdendo potencial e se transformando num sonho para confirmar o título de “Brasil, país do futuro”, que nunca chega.
            Lembro que esse é o motivo básico da volta da inflação que coroe salários e capitais. À medida que caírem os investimentos, cairá também a produção. Baixa produção não sustentará o mercado gerador de impostos. Com baixa arrecadação de onde o governo sacará recursos para pagamento de bolsas e demais despesas de custeio e investimentos? A continuar crescente a atual política de auxilio aos pobres e massacre de quem investe e produz, entraremos num círculo vicioso insustentável. Por isso a matemática e a história ensinam que Estados Comunistas são ineficientes. Não adianta tentarem reinventar a roda diferente do que ela já é, assim como não adianta tentar inventar outro sistema diferente dos padrões capitalistas.      Urge que se reinvente os governantes e coloque em suas cabeças duras que a probidade, o Estado Liberal Democrático Forte e a Educação de Massa de Alta Qualidade são os únicos caminhos para se acabar com a pobreza de maneira sustentável.
            Já escrevi aqui nessa tribuna e volto a repetir: - Marx era um aventureiro, que nunca produziu nada de útil. Sonhou acordado com um Estado Igualitário, mas se esqueceu da estupidez humana. Teria sido melhor que fosse para um mosteiro estudar São Tomaz de Aquino ou as Cartas de São Paulo. Assim teria salvado sua alma, poupado a humanidade de tanta conturbação e assassínios, como também da pobreza material e espiritual.
            Para finalizar e liberar o prezado leitor que já deve estar cansado deste blá blá blá, temos ainda a considerar, além do Brasil Marxista e do Brasil Produtor, o Brasil Farrista. Esse, sim é sensacional e nem o melhor dos circos seria capaz de suplantá-lo em tamanhas palhaçadas e acintes com o eleitor e espectador.  Sua única e lamentável utilidade é balançar a cabeça concordando com tudo ou discordando de tudo, desde que paguem bem.
            Veja o prezado leitor a incongruência desses três Brasis; um tripé, cuja sustentação tem sido suportada por um só lado. Uma família onde um trabalha e dois gastam desordenadamente não poderá ir longe! Isso não é vã filosofia, nem sonambulismo utópico marxista, nem muito menos intriga da direita imperialista; é pura matemática. Quanto ao abismo, terá que ser tão grande quanto a burrice de quem acredita em mágicas e discursos marxistas para boi dormir; porém não se iludam, porque ele existe e a continuarmos na toada atual, vai nos tragar, assim como tragou sociedades maiores e mais amadurecidas que a Brasileira.


ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.
               
               

















quarta-feira, 14 de maio de 2014

TETAS SUCULENTAS, BRASIL DEPENADO E O COMUNISMO ROCK AND ROLL

                  Estou certo de que nesses tempos de cultura alternativa pobre, a grande maioria dos jovens, quando ouve a expressão “Guerra Fria” fica a se perguntar o que teria sido essa tal temperatura qualificativa, que denominou uma disputa e uma época, certamente das mais conturbadas já vividas pela sociedade humana.  
                Considerando-se que a ignorância é uma forma de santidade, aproveitarei para conspurcar a imaculada pureza dos santos ignorantes esclarecendo que essa tal expressão nasceu nos tempos em que a União Soviética Comunista pretendia estender seus tentáculos sanguinolentos pelos quatro cantos do mundo e ficava lá do seu quintal apontando mísseis nucleares para todo canto onde tremulasse uma bandeira americana ou aliada.
                Como resposta, americanos e aliados faziam a mesma coisa e a cada dia multiplicavam-se aparatos bélicos com potência destrutiva suficiente para fragmentar o planeta juntamente com suas consciências estúpidas em milhões de pedaços e lançá-los na órbita solar para sempre.
                O mundo estremecia a cada ameaça de ambos os lados, porque se esquecia do velho e sábio ditado “Quem tem telhado de vidro tem medo”. Por isso, na verdade a batalha nunca passou de escaramuças de ordem psicológica e guerra armada só mesmo aconteceu em setores longínquos alinhados ou dominados à força e nunca colocaram em risco a segurança das grandes potencias e suas populações.
                Mas, por incrível que pareça, a “Guerra Fria” foi um embrião concebido por um erro estratégico de Hitler, o carniceiro fascista; ainda nas operações da Segunda Grande Guerra Mundial. Naturalmente era de se esperar que dois loucos se entendessem, mas felizmente não se entenderam. O outro louco era Stalin, o carniceiro comunista. Se os dois se aliassem teriam colocado o mundo de joelhos aos seus pés. Felizmente os fundamentos do fascismo são diferentes do comunismo! O primeiro defendia e ainda defende o aprimoramento racial pelo extermínio dos mais fracos, enquanto que o segundo defendia e ainda defende um Estado igualitário, onde não houvesse iniciativas privadas, ou seja, o Estado é senhor máximo e inquestionável da vida e do destino dos cidadãos e todos devem ser iguais na pobreza e na ignorância.
                O super ego dos super loucos se repeliram e então Stalin matreiramente resolveu se aliar aos países ocidentais. Lutou contra a Alemanha Nazista e fez bem sua parte. Venceu os fascistas, os escravizou, estripou, estuprou, esfacelou, estrangulou tão bem que gostou da brincadeira e resolveu se apossar da metade da Europa, lançando sob sua Cortina de Ferro vários países onde fez o favor de arrancar os nazistas e lá ficou até a falência do comunismo devido à burrice, à corrupção e à estagnação de um Estado Comunista que não tinha como manter sua população amedrontada e sem iniciativa, apenas acostumada com a pobreza e a mesmice a esperar que o Estado a sustentasse.
                Os Estados Unidos e aliados se retiraram dos países onde expulsaram os nazistas e os americanos e europeus se lançaram na reconstrução dos escombros na Europa. Stalin foi convidado a participar, mas não viu vantagens, pois o comunismo precisa de populações devastadas e fracas para se impor; dessa maneira tem menos chance de sofrer oposição. E assim os países ocidentais, mesmo com muitas dificuldades oriundas da guerra, lentamente se reergueram, enquanto a cortina de ferro, inclusive a União Soviética Comunista, encolhia progressivamente suas economias aprofundando a pobreza, mas nunca deixando de investir bilhões em tecnologia bélica e aparatos de guerra nuclear.
                Enquanto a Guerra Fria por um lado estremecia a todos, por outro esquentava as consciências jovens e essa ebulição originou vários movimentos contestatórios contra valores tradicionais solidamente estabelecidos. O movimento hippie despontou e desenvolveu-se primeiro nos EUA. Foi quando a juventude rica e escolarizada protestava contra as injustiças impetradas pela sociedade capitalista americana. Usavam cabelos longos, sandálias, roupas coloridas, viviam em comunas de jovens promíscuos. Os movimentos contra guerra e capitalismo, associados às drogas deu origem ao pensamento da década dos 60: “sexo livre, drogas e rock’n’roll”. A história do rock começa com o grito libertário do negro, que foi trazido para a América como escravo sendo capaz de influenciar a sociedade americana com sua natural musicalidade. Na seqüência esse movimento se espalhou pelo mundo e ganhou nome de “Contra Cultura”, que de modo geral resumia-se em: valorização da natureza, respeito às minorias, uso de drogas, sexo livre, anticonsumismo, discordância com os princípios capitalistas e sua economia de mercado.
                Guerra atômica entre as super potências nunca se consumaria, por motivos lógicos, mas os movimentos sociais contestatórios perduraram através das décadas dos sessenta, setenta, oitenta, noventa com fortes reflexos até o presente. Na ultima década surgiram ramificações com largas tendências anarquistas, especialmente no Brasil, cujas pautas de protestos nem eles sabem definir. Aparentemente os adeptos afinam suas justificativas protestantes na base do “contra tudo e contra todos” que apresentem qualquer sinal de ordem, progresso e sucesso na vida. Esquecem-se que a verdadeira elite é menos de 1% da sociedade e que muitos dos políticos eleitos pelo povo se entendem muito bem com ela. Esquecem-se também que proporcionalmente pagam em impostos para os políticos tanto ou mais do que a elite que criticam e odeiam.
                A grande e profunda ebulição social embutida na “Guerra Fria” parece ter surgido como uma espécie de efeito colateral da recuperação econômica das potencias ocidentais. Por um lado regimes democráticos toleravam protestos e a repressão entrava em campo somente quando os ânimos se acirravam acima do tolerável. Por outro, a alta demanda por produtos e serviços no esforço da reconstrução do pós-guerra, originou um mercado forte e em franca expansão deixando fora da festa vários seguimentos sociais com potencial para engrossar o cordão de revoltados.
                No quintal soviético a coisa funcionou bem diferente. Stalin e seus sucessores nunca toleraram protestos e mantiveram os países e suas populações sobre o domínio Soviético Comunista fora dos acontecimentos, desinformados e empobrecidos. Quem se atrevesse a discordar era imediatamente considerado inimigo e condenado ao internamento nos Gulags Siberianos em trabalhos forçados. Contudo soube muito bem se aproveitar para incitar as legiões de revoltados ocidentais e seus seguidores, agora engrossada pela intelectualidade, dentre eles cantores, músicos, jornalistas, escritores, artistas de toda seara, acadêmicos e até religiosos a levantarem a bandeira vermelha comunista como única e boa saída para a solução da apartheid social em vigor no ocidente democrático. Ser defensor do comunismo ganhou status e até ares de romantismo, arrojo e aventura. Jovens mais impetuosos foram clandestinamente recrutados para compor grupos de mercenários em países alinhados ao comunismo, a fim de receber treinamento de guerra urbana, serem financiados e depois retornar aos seus países preparados para enfrentar forças oficiais de repressão de igual para igual, munidos de armamento pesado e muita coragem e determinação.
                Nesse colchão nasceram as contra-revoluções militares na América Latina, inclusive a brasileira em 1964; ambas supervisionadas e apoiadas, de um lado pelos Estados Unidos e do outro pela União Soviética. Assim o continente Latino Americano escreveu uma das mais negras páginas da sua história com exageros e desrespeitos à condição humana dos dois lados. Uma guerra fratricida em defesa da liberdade; esse era o mote. Neste ponto deixarei para que o leitor tire suas conclusões e, enquanto isso tecerei as considerações finais.
                Enfim, e como era esperado, a União Soviética faliu e a derrubada do Muro de Berlim foi o fato marcante do acontecimento. Então os povos da Cortina de Ferro voltaram a respirar ares de liberdade, fora do alcance da sombra que os sufocou por várias décadas.
                Todavia, ainda hoje verifica-se que os ideais comunistas continuam vivos naquelas mesmas cabeças remanescentes do tempo da Guerra Fria e parece que nova onda doutrinária vem envolvendo mentes jovens por todos os quadrantes da América Latina. Pelo jeito a Guerra Fria terá continuidade; pelo menos até agora desarmada; o futuro nos dirá até quando.
                Algumas questões devem ficar no ar para servir de norte ao leitor. O comunismo defendido como a única saída revelou-se um engodo, uma vez que nunca surtiu resultado positivo em lugar nenhum, nunca resolveu problema de alguém – a não ser das elites – e nunca respeitou direitos humanos. O capitalismo em sua versão cruel segrega milhões de pessoas as deixando na miséria, mas as nações capitalistas, quando o empregam conscientemente vêm colhendo resultados médios positivos. Ademais sua essência é o mercado que só sobrevive em estado de liberdade para criar, investir, gerar riquezas, construir infra estrutura que gera mais riquezas, educação, bem estar e felicidade. Se essa ordem não é respeitada não se pode imputar culpa ao sistema capitalista, nem à democracia, mas aos políticos que não cumprem bem o compromisso assumido com o eleitor.
                Por fim, a última questão: Por que todo comunista gosta tanto do capital e o persegue a todo custo, sem medida de conseqüência, mesmo apelando para o saque? Um anacronismo filosófico doutrinário difícil de entender e eles fogem para não dar explicações. O tema sexo, droga e rock’n’roll rendeu e ainda rende gordos dividendos a muitos artistas da esquerda, que logo se transformaram em investidores no mercado capitalista e multiplicaram suas fortunas. A intelectualidade comunista em geral se deu e continua se dando muito bem ocupando rentáveis posições no Mercado de Trabalho Capitalista; no Executivo, no Judiciário, no Legislativo, na Indústria, nas Universidades e até nas Igrejas; o que poderia facilmente lhes render o odioso rótulo de imperialistas. E finalmente, os governantes comunistas, sem exceção, vivem bem acima da média dos povos que subjugam. Pode-se concluir, portanto, que quase a totalidade dos protestantes dos tempos da Guerra Fria se safaram bem nas asas do capitalismo, exceto os negros, que ainda continuam discriminados e mais pobres em termos relativos nas três Américas.
                Em vista dessas contradições que ninguém se atreve a responder, conclui-se que a humanidade, mesmo depois de tanto sofrimento, ainda não encontrou o caminho da concórdia, porque o homem/mulher carregam consigo o vírus da falsidade e da mentira. Todos sabem, até os recém nascidos, que a única fórmula do sucesso é educação, trabalho e democracia. Ainda não se inventaram outras. Os cidadãos precisam de regras e limites, mas não podem ser tolhidos do seu mais caro tesouro: “A liberdade”. O ser humano dominado vive infeliz e torna-se improdutivo.  
                É passada a hora dos defensores de regimes comunistas autoritários entenderem que a pobreza não é um subproduto do capitalismo, mas da deslealdade e da desonestidade dos governantes, não importa sua orientação política. É preciso parar de repetir a velha historinha da cigarra cantora que não fazia nada, mas queria viver à custa da formiga trabalhadora, que tinha casa, celeiro e agasalho contra o inverno. Não dá mais para continuar investindo na boa fé dos pobres, lubrificando a indústria do voto de cabresto com esmolas baratas, num país que é a sétima arrecadação do mundo e vem apresentando um dos maiores índices de corrupção que se tem notícia na história da administração pública com desvios de bilhões de dólares anuais para contas numeradas mundo afora...
                Quando todos deixarem em segundo plano suas doutrinas passionais de mentira focadas apenas em interesses pessoais e partirem para o trabalho duro e honesto, respeitando Constituições, Leis e os direitos básicos do ser humano, não mais haverá segregados no mundo e a justiça social brilhará como jóia rara.


ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO



sexta-feira, 11 de abril de 2014

O DIA QUE O LIXO FALOU

             Desde cedo herdamos natural descaso ao que deixou de ter utilidade. Remetem-se às teias de aranha tudo que foi substituído por similar mais novo e moderno. Mas, para muitos; jogar fora? Nem pensar! Um dia encontrará nova utilidade que nunca vem!...
                O inefável quarto de despejo guarda velhas lembranças, traços de uma vida passada, pedaços de memória; fotografias despedaçadas servindo de pontos de referência na estrada do tempo. Queridas traficâncias carregam estampas, cores e formas da inesquecível infância, remetem aos áureos tempos de juventude, fazem rir de costumes ultrapassados e esnobam das mais íntimas emoções a ponto de certo sentimento de ingratidão invadir a alma, quando, pelo menos, passa pela cabeça a necessidade e a possibilidade de se desfazer daquilo que um dia foi sujeito ativo na nossa vida.
                Contudo nada é capaz de deter ventos rumo ao futuro. À medida que a tecnologia conquista mais conhecimento e o mercado cria novas necessidades a serem satisfeitas, somos cooptados pela curiosidade impulsionada pelo prazer de consumir e lojas, lares e cidades são atravancadas pela montanha de últimos lançamentos; situação que pode comprometer danosamente os sistemas da dinâmica vital do planeta, se providências inteligentes não forem tomadas no sentido de se encontrar um ponto de equilíbrio sustentável entre o ritmo da invasão do novo e o descarte do velho.
                A velocidade cada vez maior entre o obsoletismo e a substituição, tem tornado esse ponto de equilíbrio cada vez mais indefinível, fazendo com que milhares de quartos de despejo sejam insuficientes para guardar tanto material a descartar; o que, por outro lado, também vem causando sérios problemas emocionais em milhares de pessoas, cuja reclamação é a dolorosa sensação da perda de pontos de referência com a vida passada. A inter-relação entre pessoas e objetos perdeu o romantismo nostálgico e ganhou ares de trem a jato viajando num túnel, aonde só é possível guardar imagens das paisagens de partida e de chegada. A grande justificativa é sempre a mesma: “o mercado precisa gerar emprego pressionado pela explosão populacional, pelo barateamento dos produtos, facilidades de pagamento e aumento do poder aquisitivo das classes menos abastadas”.
                Neste ponto chegamos a uma encruzilhada que pode nos levar a discutir aumento da inflação e outros problemas mercadológicos. Entretanto, não nos deixaremos resvalar para aquele campo e nos deteremos apenas na reflexão sobre o problema do descarte enfrentado pela sociedade industrial.
                Aqui introduziremos uma divisão dos tipos de lixo em quatro categorias: descarte primário, secundário, terciário, quaternário.
                 Primário: aquele produzido pela energia vital. Seres humanos produzem lixo orgânico séptico, que demanda cuidados especiais no descarte e cujo reaproveitamento deve passar por caríssimos processos de condução até locais adequados, a fim de sofrer separação de líquidos e seu tratamento, colheita de gases, compactação e readaptação da parte sólida.
                Secundário: material orgânico asséptico, ou seja, aquele que demanda pouco tempo para decomposição; tem baixa potência de contaminação virótica e bacteriana e se reintegra facilmente ao meio ambiente sem lhe causar danos.
                Terciário: considere-se todo o universo de material plástico, metálico e vítreo normalmente utilizável em curtos períodos de tempo na produção de embalagens, mas que demanda longo tempo para completa decomposição, grandes espaços físicos e processos caros e demorados de reaproveitamento.
                Esta claro que iniciamos a presente reflexão de trás para frete, porque o campo quaternário, com certeza é o mais visível por estar diretamente ligado à ânsia consumista e, por isso mesmo, reina absoluto no campo das emoções.
                Apesar de o problema ser de âmbito global e estar sendo tratados pela mídia, empresas e meio acadêmico de maneira bastante ampla, grande parte dos governantes e da população ainda o desconhece, porque não se habituou ou não quer se adaptar por comodismo, incredulidade, ambição ou incompetência. Tamanho descompromisso aprofunda o problema, porque retarda providências que deveriam ser ainda mais velozes que o processo de inundação de descartes sofrido pelo pequeno planeta, cujo número de moradores não tarda atingir oito bilhões de cabeças e que levou bilhões de anos para reunir fatores potenciais positivos, os quais se combinaram de maneira aleatória para dar origem à vida e a todo os ecossistemas relativos a sua sustentabilidade.
                Mas, por incrível que pareça, o desafio dos descartes expôs sua face assustadora e muito mais real do que antes imaginada, quando demonstrou aos desavisados e felizes com a politicalha nacional, que está intimamente ligado ao campo político; porquanto guarda característica de efeito colateral da crônica incompetência dos safados nacionais. Mês passado o mundo inteiro assistiu à triste realidade oculta por debaixo dos tapetes insensatos da sétima potência econômica do mundo, quando o Rio de Janeiro, cidade maravilhosa e capital cultural em plena festa de carnaval; evento que trás milhares de turistas e irriga a economia local com milhões de dólares, se viu inundado por uma medonha montanha de lixo secundário e terciário, porque deixou de ser recolhido pelos funcionários da prefeitura contratados para o serviço, pois entraram em greve por melhores salários.
                Lixo à vista gritou diante dos olhos de madames e cachorras, bacanas e joões ninguém; deixando o Brasil inteiro de cara lavada no palco mundial, quando todos conheceram a cara da incompetência nacional e ficaram sabendo quanto ganham garis cariocas responsáveis por um serviço que há muito perdeu a face de função desprezível e ganhou o status de atividade nobre e fundamental na manutenção da vida e do humanismo paisagístico das cidades.
                A realidade nacional é tão caótica que qualquer manifestação localizada, causa susto tão grande, quanto causaria a um paciente que apresente manchas escuras na pele com características que prenunciem moléstia já instalada. Considere-se o caso do Presídio de Pedrinhas no Maranhão, que guarda semelhanças com tantos outros casos com potencial para explodir a qualquer momento. Cala-se então a questão: e se os garis do resto do Brasil resolverem fazer o mesmo em épocas importantes? E se as Polícias resolverem fazer o mesmo? E se as Forças Armadas? E se os aeroviários, enfermeiros?!...
                 Todos trabalhadores sofridos explorados por altas cargas tributárias, muitas vezes dando tudo de si por amor à camisa, percebendo salários aviltantes corroídos mensalmente pela inflação... O que o governo sindicalista popular bolivariano comunista, que se diz democrático e preocupado com o trabalhador, faria? Talvez criasse o programa “Mais Garis” importados de Cuba, para trabalhar como escravos ou como espiões, uma vez que o lema que temos vivido no Brasil ultimamente é o de que “Nada pode estar tão ruim que não possa piorar”.
                A imagem do lixo depositado nas calçadas, cheirando mal, atraindo roedores do tamanho de muitas caras de páu é a escultura fiel da realidade que hora vive a sociedade brasileira inundada num mar de mentiras, corrupção consentida, nepotismo, mágicas para transformar condenações em ilusões, a fim de indultar cúmplices. Traições dissimuladas contra a democracia e o Estado de Direito cometidas por pessoas que foram eleitas democraticamente para protegê-los, mas que estão alinhadas com ideologias políticas tradicionalmente contra a liberdade e a cidadania digna.
                Estes governantes cospem na cara da democracia, quando se alinham a amigos habituados a torturar, condenar sumariamente, manter presos políticos incomunicáveis e indefensáveis por anos, exportar e importar mão de obra semi-escrava, a fim de fazer dinheiro sujo e com ele saciar a sede de poder, sem se importar com o crescimento sustentável das suas nações, nem com bem estar material, mental e espiritual das futuras gerações.
                Talvez essa fosse a hora apropriada para criarmos a última classificação do descarte: o lixo humano-político. Quem dera os nobres garis do Brasil, que diariamente varrem e recolhem descartes a troco de salários miseráveis fossem capazes de varrer a safadeza imoral para bem longe das vistas e das vidas de quem nasceu num país maravilhoso, cuja bandeira tombada ostenta o direito à “Ordem e Pregresso”!


ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.


quinta-feira, 13 de março de 2014

O GALO E A RAPOSA



Diz  a sabedoria popular que galo que dorme com raposa, amanhece comido. Platão, do alto das sua filosofia, diria que discutir obviedades é ato de extrema burrice e perda de tempo. E Einstein, o maior físico que a humanidade já produziu; também celebrizado como grande pensador declarou que a estupidez humana é tão ou mais infinita e profunda quanto o espaço sideral.  

Diante dos entreveros entre a Ucrânia, a Rússia e a OTAN liderada pelos Estados Unidos, vê-se claramente que, enquanto Platão era contra a discussão do óbvio e Einstein se perturbava com a insanidade  dos homens, a humanidade permanecia e ainda permanece tão estúpida quanto o galo que confiou na raposa. Isso sem considerarmos que entre ambos há um espaço de mais de vinte séculos, que aparentemente não serviu para nada.

A velha Rússia e sua vetusta tradição expansionista esta de volta de garras e dentes de fora. Nada de novo no velho modus operandi expansionista de um país que historicamente nunca respeitou nada, nem ninguém. Seu diálogo com os vizinhos e com o mundo sempre foi sonorizado pelo  retumbar de canhões, da marcha dos coturnos e do rosnado  dos sádicos ditadores que se revezam no Kremlin na esteira dos séculos.

Mas o tempo, esse inimigo dos incautos, passou e com ele a insensatez do comunismo soviético. A queda do muro de Berlim, o fim da Cortina de Ferro, a independência de uma dezena de países massacrados pelo domínio comunista soviético foram sementes novas trazidas pelos ventos de liberdade que sopraram do vórtice da explosão de uma super-estrutura estatal que nunca se preocupou com políticas auto-sustentáveis por estar ancorada num sistema improdutivo que não mais agüentou patrocinar o parasitismo dos privilegiados que se mantiveram dependurados no poder à custa da exploração, do medo e da opressão aos mais fracos por setenta anos.

Nova Rússia surgiu no palco iluminado do fim da guerra fria, de bandeira nova, hino novo, novos governantes, nova disposição para dialogar com o mundo e interagir num ambiente democrático civilizado. Tudo novo, menos a semente da cultura ditatorial autocrática  autoritária.

Os galos idiotas do mundo democrático civilizado caíram no conto do vigário de um urso de cara nova, mas de alma velha.  Dormiram em seus braços, construíram interações comerciais sólidas sem se preocupar com alternativas e planos B e C. Lançaram os livros de história no fundo das bibliotecas e suas verdades nas brumas do esquecimento.

Platão e Einstein saberiam que o resultado funesto não tardaria como não tardou. Menos de trinta anos depois, cai por terra a máscara mal encaixada e resta a face canídea de um Urso sempre disposto a se impor pela covardia na calada da noite enquanto os galos idiotas dormem.

Que o episódio da Ucrânia sirva de alerta para o mundo democrático civilizado jamais se esquecer, que mais amor e menos confiança é uma boa medida para uma convivência saudável e duradoura com os novos Czares Russos e que a paz e a democracia no mundo somente serão duradouras enquanto os Estados Unidos, a França e a Inglaterra estiverem bem preparados para a Guerra.

Sei que muitos criticarão a afirmativa; sinal de que sempre haverá galos idiotas confiando em raposas, ursos e dragões prontos para dar o bote, confiscar a liberdade e massacrar o Estado de Direito.

Sei também que haverá novo coro de galos idiotas gritando palavras de ordem contra o  triunvirato anglo-francês-americano argumentando que ele também costuma usar dos mesmos argumentos autoritários. Como resposta vai a pergunta: Por que os grandes caudilhos do mundo ainda continuam investindo seus dólares afanados do povo em Londres, Paris e Nova York e enviando filhos privilegiados para estudar em Oxford, Sorbone e Harvard?

quarta-feira, 12 de março de 2014

LIBERDADE AINDA QUE SEJA TARDE

                   Tão natural como tomar a benção de papai e mamãe toda manhã, é, para nós brasileiros, cultuar a imagem do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes; aquele que não se curvou diante da tirania do Império Português. Um simples militar baixa patente, de origem humilde, nascido nas entranhas das montanhas mineiras cobertas de matas verdejantes, sulcadas por rios e riachos cristalinos, habitada por parcas e longínquas tribos indígenas perdidas nas brenhas do sertão; animais multiformes e multicoloridos voando, chirriando, aninhando, pastando nos verdes, na pachorra do tempo e no silêncio imaculado. Clima ameno, manhãs brilhantes, tardes douradas, brisa fresca sibilando nos rostos e nos ouvidos como que trazendo boas novas do horizonte plácido e infinito.
            Tiradentes era um amalgama de tudo isso; mineiro do espírito ao coração. Trazia na alma a independência do homem liberto pela natureza, porque foi acostumado a interagir com ela, com sua perfeição, com sua intrigante simplicidade etérea. Sua alma era flores, aromas, sol, água, brisa, vôos, noites enluaradas, silêncio. Magnífico quadro, cuja moldura era a paz e a liberdade.
            Fernando Lira, ex-ministro da justiça do democrata Tancredo Neves, no seu discurso em homenagem ao presidente morto, quando o sol poente banhava fulgidamente almas em luto, soube magistralmente descrever o sentimento de liberdade que enleva os corações mineiros. Mirando o sol que se despedia reverente observou: “nesta Terra das Minas Gerais os cumes, as pedras, os caminhos, as soleiras, a simpatia; tudo fala de liberdade”. 
            Para um mineiro como Tiradentes, cujo senso de liberdade pulsava na alma, ver a ambição portuguesa extrair ansiosamente da terra sua seiva aurífera e magníficas gemas para levá-las ao além mar, deixando como herança feridas e buracos era dor insuportável. Então ele sublevou-se e liderou a Inconfidência Mineira, que sonhava ver o Brasil e seu povo viverem livremente.
            O Alferes, filho da liberdade foi abatido na forca em 21 de abril de 1792, para espiar sua ousadia contra o Reino de Portugal e servir de exemplo para a posteridade. Teve seu corpo esquartejado, pendurado em postes, a fim de alimentar os abutres.
            Abutres alimentados no céu e na terra viram o sangue justo correr e erradamente imaginaram que o espírito da liberdade se esvaiu juntamente com o último suspiro. Ledo engano, pois sua semente germinou e ainda vive nas montanhas mineiras e Minas a exportou para o resto do Brasil. A imagem esquálida de Tiradentes, sua vasta barba, cabelos longos, laço no pescoço, imóvel aguardando  o derradeiro instante, tornou-se símbolo do brasileiro sofredor, explorado por governantes corruptos, incompetentes, exploradores; apenas preocupados com seu próprio umbigo. Obviamente o artista que retratou a execução sinistra usou da imaginação, talvez até mesmo inspirado nas passagens bíblicas, que também retratam Cristo açoitado, submisso, crucificado; espiando pecados, que nunca cometeu. 
            Liberdade é tema que sempre fez inúmeros pensadores se debruçarem, a fim de defini-la. Existem, portanto algumas dezenas de obras importantes; milhares de páginas a retratando como verdadeira utopia, uma vez que a condição de viver em liberdade em sua plenitude nunca existiu, pois o homem/mulher sempre esteve e está submisso a leis naturais e sociais, portanto não é, não foi e nunca será plenamente livre.
            Ao meu modo de ver, prefiro defini-la pragmaticamente. Portanto penso que o homem/mulher livre é aquele que habita um Estado de Direito, tem acesso fácil à educação de excelente qualidade em todos os níveis, goza da  informação sem censura, está livre para exprimir idéias, discordar, investir, trabalhar, poupar, produzir, ir e vir, acreditar ou não em um Deus; inclusive ser diferente do padrão étnico, racial e social básico e predominante na sociedade. Percebe-se que desta feita não estou navegando sem direção em mares utópicos, mas caminhado em terra firme, uma vez que há exemplos hoje no mundo de nações que em menos de cinqüenta anos conseguiram acabar com a pobreza e a desigualdade extremas simplesmente acreditando e investindo na arte de ser livre com conhecimento, dignidade, respeito e ética. 
            Contudo, nuvens negras pairam no horizonte político do Brasil, pois temos assistido aos governantes brasileiros se alinhando a ideais marxistas/comunistas concebidos há mais de 150 anos por um grupo de pensadores inspirados e liderados por Karl Marx. A primeira experiência concreta do ideário marxista aconteceu na Rússia em 1917 e, desde então, várias tentativas foram concretizadas no mundo, todas, com péssimos resultados, jamais comparados ao sonho de Karl Marx. Este preconizava uma sociedade sem classes sociais, que todos fossem iguais, felizes e submissos a um Estado protetor e provedor. Infelizmente, o eminente pensador esqueceu-se da estupidez humana, que, antes de tudo, transformaria o Estado num paquiderme estúpido, corrupto, mentiroso, improdutivo, intransigente e autoritário; fabricante de infelicidades e de vaquinhas de presépio que nunca discordam por medo ou por despreparo cultural e material.
            Desde muito cedo o comunismo marxista mostrou falhas em sua execução, porque o igualitarismo comunista jamais existiu, uma vez que os governantes e seu staff não apeiam dos seus pedestais e continuam  desiguais, vivendo em palácios e desfrutando das maravilhas patronais capitalistas que o professor Karl Marx condenou. Para fazer valer suas doces desigualdades lançam mão da dissimulação, do deboche, da mentira, do autoritarismo, da crueldade, da intolerância ideológica, dos julgamentos sumários; tornam-se donos da verdade e da liberdade natural do ser humano.
            Há dúvidas se no Brasil lograrão sucesso. Pessoalmente acredito que sim, pois nosso povo, em cuja alma ainda vive o vírus que ensandeceu Tiradentes esta mal informado e sendo enganado por um silencio matreiro, cúmplice e leniente da imprensa nacional, que claramente vem se imiscuindo do seu dever democrático de informar para conscientizar.  Quando a imprensa, que numa democracia deve funcionar como olhos e ouvidos do povo, deixa de cumprir seu papel constitucional, luz vermelha deve acender nas consciências, porque algo esta errado. Intrusos mal intencionados poderão estar se sublevando contra a ordem democrática e a liberdade; atentando contra a herança que o sacrifício do Alferes apaixonado ofereceu ao Brasil.
            Mas que não se enganem, pois todos que acreditam em liberdade tão profundamente quanto o herói nacional Tiradentes acreditou, preferirão morrer a viver de joelhos

quinta-feira, 6 de março de 2014

RIO DE JANEIRO NÃO GOSTO DE VOCÊ MERGULHADO NO LIXO


Rio de Janeiro, o centro cultural do Brasil, cidade maravilhosa, mergulhada no lixo material, político, moral e ético.

Fácil culpar uma classe pobre como a dos garis pela crise de sujeira. Imputar-lhes a pecha de irresponsáveis, cujo crime é deixar a cidade à mercê dos ratos e do mau julgamento dos turistas.

Infelizmente nossos pobres garis não aprenderam ainda com nossos ricos políticos jogar a sujeira para debaixo do tapete.

Seria bom que os pobres garis ensinassem aos ricos políticos, mestres em esconder sujeiras, como é que se faz para viver com 1.200,00 reais por mês, no Rio de Janeiro, pegando trem e ônibus velho e caro, enfrentando o cheiro fétido dos restos de uma sociedade podre mais os males diários do descaso e da incompetência generalizada

Seria bom também lembrar aos nossos políticos comunistas/bolivarianos e seus comparsas, admiradores e arruaceiros, que lá nos Estados Unidos, a terra do Tio San, sempre culpada por todos os nossos males, que um gari ganha 2.500,00 dólares por mês, exatamente 5 vezes mais que os pobrezinhos que aqui padecem, na terra administrada por lobos democratas vestidos de cordeiro.

Ademais, aproveito para lembrá-los de mais um pequeno detalhe: - caso nossos garis do povo os elejam em 2014, não se esqueçam de defender de verdade o interesse do trabalhador, porque ele  paga vossos salários. É chegada a hora de parar de dar com uma mão tirando com a outra e eleger culpados para esconder o lixo das consciências safadas.