APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



quarta-feira, 12 de março de 2014

LIBERDADE AINDA QUE SEJA TARDE

                   Tão natural como tomar a benção de papai e mamãe toda manhã, é, para nós brasileiros, cultuar a imagem do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes; aquele que não se curvou diante da tirania do Império Português. Um simples militar baixa patente, de origem humilde, nascido nas entranhas das montanhas mineiras cobertas de matas verdejantes, sulcadas por rios e riachos cristalinos, habitada por parcas e longínquas tribos indígenas perdidas nas brenhas do sertão; animais multiformes e multicoloridos voando, chirriando, aninhando, pastando nos verdes, na pachorra do tempo e no silêncio imaculado. Clima ameno, manhãs brilhantes, tardes douradas, brisa fresca sibilando nos rostos e nos ouvidos como que trazendo boas novas do horizonte plácido e infinito.
            Tiradentes era um amalgama de tudo isso; mineiro do espírito ao coração. Trazia na alma a independência do homem liberto pela natureza, porque foi acostumado a interagir com ela, com sua perfeição, com sua intrigante simplicidade etérea. Sua alma era flores, aromas, sol, água, brisa, vôos, noites enluaradas, silêncio. Magnífico quadro, cuja moldura era a paz e a liberdade.
            Fernando Lira, ex-ministro da justiça do democrata Tancredo Neves, no seu discurso em homenagem ao presidente morto, quando o sol poente banhava fulgidamente almas em luto, soube magistralmente descrever o sentimento de liberdade que enleva os corações mineiros. Mirando o sol que se despedia reverente observou: “nesta Terra das Minas Gerais os cumes, as pedras, os caminhos, as soleiras, a simpatia; tudo fala de liberdade”. 
            Para um mineiro como Tiradentes, cujo senso de liberdade pulsava na alma, ver a ambição portuguesa extrair ansiosamente da terra sua seiva aurífera e magníficas gemas para levá-las ao além mar, deixando como herança feridas e buracos era dor insuportável. Então ele sublevou-se e liderou a Inconfidência Mineira, que sonhava ver o Brasil e seu povo viverem livremente.
            O Alferes, filho da liberdade foi abatido na forca em 21 de abril de 1792, para espiar sua ousadia contra o Reino de Portugal e servir de exemplo para a posteridade. Teve seu corpo esquartejado, pendurado em postes, a fim de alimentar os abutres.
            Abutres alimentados no céu e na terra viram o sangue justo correr e erradamente imaginaram que o espírito da liberdade se esvaiu juntamente com o último suspiro. Ledo engano, pois sua semente germinou e ainda vive nas montanhas mineiras e Minas a exportou para o resto do Brasil. A imagem esquálida de Tiradentes, sua vasta barba, cabelos longos, laço no pescoço, imóvel aguardando  o derradeiro instante, tornou-se símbolo do brasileiro sofredor, explorado por governantes corruptos, incompetentes, exploradores; apenas preocupados com seu próprio umbigo. Obviamente o artista que retratou a execução sinistra usou da imaginação, talvez até mesmo inspirado nas passagens bíblicas, que também retratam Cristo açoitado, submisso, crucificado; espiando pecados, que nunca cometeu. 
            Liberdade é tema que sempre fez inúmeros pensadores se debruçarem, a fim de defini-la. Existem, portanto algumas dezenas de obras importantes; milhares de páginas a retratando como verdadeira utopia, uma vez que a condição de viver em liberdade em sua plenitude nunca existiu, pois o homem/mulher sempre esteve e está submisso a leis naturais e sociais, portanto não é, não foi e nunca será plenamente livre.
            Ao meu modo de ver, prefiro defini-la pragmaticamente. Portanto penso que o homem/mulher livre é aquele que habita um Estado de Direito, tem acesso fácil à educação de excelente qualidade em todos os níveis, goza da  informação sem censura, está livre para exprimir idéias, discordar, investir, trabalhar, poupar, produzir, ir e vir, acreditar ou não em um Deus; inclusive ser diferente do padrão étnico, racial e social básico e predominante na sociedade. Percebe-se que desta feita não estou navegando sem direção em mares utópicos, mas caminhado em terra firme, uma vez que há exemplos hoje no mundo de nações que em menos de cinqüenta anos conseguiram acabar com a pobreza e a desigualdade extremas simplesmente acreditando e investindo na arte de ser livre com conhecimento, dignidade, respeito e ética. 
            Contudo, nuvens negras pairam no horizonte político do Brasil, pois temos assistido aos governantes brasileiros se alinhando a ideais marxistas/comunistas concebidos há mais de 150 anos por um grupo de pensadores inspirados e liderados por Karl Marx. A primeira experiência concreta do ideário marxista aconteceu na Rússia em 1917 e, desde então, várias tentativas foram concretizadas no mundo, todas, com péssimos resultados, jamais comparados ao sonho de Karl Marx. Este preconizava uma sociedade sem classes sociais, que todos fossem iguais, felizes e submissos a um Estado protetor e provedor. Infelizmente, o eminente pensador esqueceu-se da estupidez humana, que, antes de tudo, transformaria o Estado num paquiderme estúpido, corrupto, mentiroso, improdutivo, intransigente e autoritário; fabricante de infelicidades e de vaquinhas de presépio que nunca discordam por medo ou por despreparo cultural e material.
            Desde muito cedo o comunismo marxista mostrou falhas em sua execução, porque o igualitarismo comunista jamais existiu, uma vez que os governantes e seu staff não apeiam dos seus pedestais e continuam  desiguais, vivendo em palácios e desfrutando das maravilhas patronais capitalistas que o professor Karl Marx condenou. Para fazer valer suas doces desigualdades lançam mão da dissimulação, do deboche, da mentira, do autoritarismo, da crueldade, da intolerância ideológica, dos julgamentos sumários; tornam-se donos da verdade e da liberdade natural do ser humano.
            Há dúvidas se no Brasil lograrão sucesso. Pessoalmente acredito que sim, pois nosso povo, em cuja alma ainda vive o vírus que ensandeceu Tiradentes esta mal informado e sendo enganado por um silencio matreiro, cúmplice e leniente da imprensa nacional, que claramente vem se imiscuindo do seu dever democrático de informar para conscientizar.  Quando a imprensa, que numa democracia deve funcionar como olhos e ouvidos do povo, deixa de cumprir seu papel constitucional, luz vermelha deve acender nas consciências, porque algo esta errado. Intrusos mal intencionados poderão estar se sublevando contra a ordem democrática e a liberdade; atentando contra a herança que o sacrifício do Alferes apaixonado ofereceu ao Brasil.
            Mas que não se enganem, pois todos que acreditam em liberdade tão profundamente quanto o herói nacional Tiradentes acreditou, preferirão morrer a viver de joelhos

quinta-feira, 6 de março de 2014

RIO DE JANEIRO NÃO GOSTO DE VOCÊ MERGULHADO NO LIXO


Rio de Janeiro, o centro cultural do Brasil, cidade maravilhosa, mergulhada no lixo material, político, moral e ético.

Fácil culpar uma classe pobre como a dos garis pela crise de sujeira. Imputar-lhes a pecha de irresponsáveis, cujo crime é deixar a cidade à mercê dos ratos e do mau julgamento dos turistas.

Infelizmente nossos pobres garis não aprenderam ainda com nossos ricos políticos jogar a sujeira para debaixo do tapete.

Seria bom que os pobres garis ensinassem aos ricos políticos, mestres em esconder sujeiras, como é que se faz para viver com 1.200,00 reais por mês, no Rio de Janeiro, pegando trem e ônibus velho e caro, enfrentando o cheiro fétido dos restos de uma sociedade podre mais os males diários do descaso e da incompetência generalizada

Seria bom também lembrar aos nossos políticos comunistas/bolivarianos e seus comparsas, admiradores e arruaceiros, que lá nos Estados Unidos, a terra do Tio San, sempre culpada por todos os nossos males, que um gari ganha 2.500,00 dólares por mês, exatamente 5 vezes mais que os pobrezinhos que aqui padecem, na terra administrada por lobos democratas vestidos de cordeiro.

Ademais, aproveito para lembrá-los de mais um pequeno detalhe: - caso nossos garis do povo os elejam em 2014, não se esqueçam de defender de verdade o interesse do trabalhador, porque ele  paga vossos salários. É chegada a hora de parar de dar com uma mão tirando com a outra e eleger culpados para esconder o lixo das consciências safadas.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O DIA EM QUE A INSANIDADE FALOU ALTO

BOLA BRANCA PARA JOAQUIM BARBOSA

"Este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora" Joaquim Barbosa 


O presidente da Suprema Corte brasileira, homem com invejável histórico de luta pessoal contra a pobreza e o preconceito, que sentiu na pele quanto custa ser descendente de escravos numa sociedade injusta e hipócrita, esta prenunciando com todas as letras que o espírito ditatorial da revolução cubana esta sendo implantado e já ganhou espaço irreversível na mentalidade brasileira.

 A estratégia de introdução comunista é velha; mudam-se as moscas, mas a lama escatológica continua a mesma. 

Baseados no lamentável episódio em que a Corte suprema é infiltrada por uma quadrilha, vê-se que o avanço do comunismo tem a fúria de uma avalanche, que a tudo esmaga e só para no vale mais profundo onde deposita seus destroços e reina absoluta. 

Assim aconteceu na Russia, na China, em Cuba, Na Korea do Norte, na Venezuela, na África e o resultado final foi ditadura, sangue, sofrimento, atraso, miséria, dissimulação, mentiras, corrupção... 

Quando o povo brasileiro acordar verá que é tarde demais! Verá que era feliz e não sabia...seremos rato gordo na barriga do gato!

LOUCOS GOVERNAM O MUNDO

 RÚSSIA QUER BASES MILITARES NA AMÉRICA LATINA COM APOIO DOS LOUCOS.


Enquanto os loucos que governam o mundo deixam de trabalhar e perdem tempo com políticas úteis ao proveito próprio condenando seus povos à miséria física e mental, um bando de vaquinhas de presépio contaminadas pelo vírus do fanatismo ideológico se juntam de um lado e de outro em cego apoio. Se esquecem que violência gera mais violência. Doce ilusão imaginar que os Estados Unidos se intimidarão diante de ameaças de russos, venezuelanos, cubanos ou de quem quer que seja. Se algum dia o mundo voltar a experimentar a potência destruidora das bombas atômicas, vera que guerra não resolve nada. Pelo contrário, promove mais sofrimento, dessa vez, irreversível. Os japoneses sabem quanto custou a inflexibilidade e o fanatismo e descobriram a duras penas que bombas não escolhem justos ou injustos, certos ou errados, comunistas ou capitalistas, judeus ou nazistas...apenas matam e deixam buracos na alma e no chão.

Se metade da humanidade estudasse história saberia que todos o loucos que triunfaram no passado foi porque encontraram esse apoio que hora os loucos do presente estão encontrando. Um louco pode ser inofensivo, mas um bando deles, pode causar muito estrago. A Alemanha é outro país que sabe muito bem que a história não mente e que o radicalismo é parente do sofrimento. 

Que deixemos de apoiar os loucos, os mandemos para os manicômios e aprendamos que a paz, o diálogo e a tolerância são o caminho da solução dos problemas que afligem a humanidade.

A humanidade precisa se lembrar que o planeta é sua casa e que um lar onde os moradores não se entendem, pode virar um inferno onde ninguém sai ganhando; que, se algum dia os loucos a incendiarem, tudo virará cinzas e não sobrará alguém para contar, nem ler a história.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MINISTRO TÉCNICO APLICA LEI CEGA CEGAMENTE

Mais um tapa na cara do contribuinte brasileiro, que paga a maior carga tributária do planeta e não goza na mesma proporção a contrapartida dos direitos constitucionais que lhe são sistematicamente negados pela pátria hostil.

Ministro Marco Aurélio Melo em determinação liminar desconhece recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) e determina pagamento de super-salários, vetados na Constituição, a 2.400 servidores públicos, empenhando dos cofres públicos um adicional de R$ 12.300.000,00

Quer ouvir justificativas dos beneficiados, que historicamente compõem a velha casta aristocrática habituada a viver parasitariamente, muito acima dos padrões medíocres da grande massa popular brasileira; na maioria das vezes, acobertados por direitos adquiridos sob os auspiciosos cuidados do nepotismo compadresco ou por arranjos engendrados para dissimuladamente inserir dubiedade interpretativa ao escopo das leis.

Leis existem para ordenar a sociedade e juízes para fazê-las cumprir com equilíbrio e justiça, entretanto, ao interpretá-las, o magistrado terá que se esforçar para superar a inércia textual do libelo legal buscando inspiração na dinâmica da sua alma, apoiado na filosofia, na dialética, na história e nas características da formação do caldo cultural da sociedade.

Ele tem liberdade e autoridade para isso e, quando renuncia ao direito a essa prerrogativa, valendo-se exclusivamente da técnica interpretativa pura, corre o risco de se igualar a um autômato de consciência limpa e mãos lavadas estilo Pilatos; faz justiça com 2.400 e injustiça com milhões, que não podem contar com nada mais que com a sorte ou com a pata massacrante de uma Pátria que tradicionalmente acalenta os mais fortes em detrimento dos mais fracos.

Bola suja para o Ministro e sua liminar injusta. Bola Branca para o TCU.




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

TRABALHO DO JOVEM MENOR É ILEGAL, MAS NÃO FAZ MAL

               Outro dia um amigo saudosista, numa das suas crises existenciais, lembrou velhos tempos em que jovens estudantes brasileiros eram obrigados a saber declamar e cantar o Hino Nacional, conhecer nomes dos autores da sua música e letra. Também a Bandeira Auriverde e seu Lábaro Estrelado, Lindo Pendão da Esperança, cantada em prosa e verso na cadência do seu charmoso Hino era garbosamente homenageada em todas as ocasiões em que se a hasteavam. Grande era o orgulho em portá-la e o felizardo era escolhido entre os mais bem sucedidos da escola; aqueles que apresentassem melhor boletim e comportamento disputavam ansiosamente o direito e até luvas de seda branca eram requeridas para tocá-la sem correr o risco de macular sua brandura e grandeza. Havia uma face oculta, quase imperceptível, mas de grande importância no processo de formação. Desde cedo os jovens eram induzidos à observação e valorização de fatores que os incentivassem a querer se aprimorar, a fim de merecer exercer missões honrosas. O fato de exercê-las, ser admirado e até invejado era combustível de alta performance inserido na alma do indivíduo, com o objetivo de transformá-lo num ser participativo e consciente da sua importância como cidadão e do respeito que devia nutrir pela sociedade da qual faz parte.
                Todavia, infelizmente, com o passar do tempo e com a também quase imperceptível introdução da revolução cultural marxista em andamento há algumas décadas na América Latina, o Brasil se transformou numa praça onde tudo esta em discussão; sem compromisso de melhorar, mas, na maioria das vezes, para, dissimuladamente, incutir na mentalidade popular uma espécie de senso contestatório puro e simples sem a apresentação de alternativas que substituam positivamente aquilo que vem apresentando bons resultados há muito tempo. Segundo a nova visão revolucionária não é admissível a escolha do melhor da escola, pois tal procedimento pode incorporar conotação discriminatória, deixando de oferecer aos piores a chance de também se destacar e, talvez, se recuperar. Então, à medida que se experimenta a frustrante sensação da prevalência de valores invertidos, cria-se a perigosa convicção de que não vale a pena se esforçar para ser o melhor, incentivando-se o surgimento da figura hedionda do malandro esperto; agulha que passa em qualquer buraco sem se arranhar. Ainda, segundo o antigo ponto de vista, a escola devia funcionar como centro de formação mantendo combate incansável aos maus costumes e às condutas incompatíveis com padrões éticos e morais; tornando-se a principal responsável pelo reforço e irradiação de valores positivos. Os cânones escolares deviam estar imunes a qualquer valor ou evolução social que fugisse à regra condizente com o convívio de cidadãos civilizados vivendo e interagindo uns com outros respeitosamente e em paz. É preciso ter cuidado para não se confundir evolução social tecnológica e política com revolução cultural marxista carregada de sentimentos contestatórios doentios, fanatismo, ódio, recalques e muita malandragem; também vazios de alternativas positivas que venham reforçar valores humanísticos morais e éticos.
                Nesse novo contesto a escola moderna perdeu a velha sobriedade indispensável a alguém que tenha a missão de formar o patrimônio sócio cultural da nacionalidade descartando vícios e reforçando virtudes, passando então a incorporar a nova doutrina social que requer uma escola, cuja face seja um retrato da comunidade onde esta localizada. Chamou-se a essa nova escola de “Escola Democrática”, porque não discrimina ninguém, não impõe valores considerados alienígenas à comunidade onde funciona e valoriza o aluno como ele é no seu meio; sem tentar moldá-lo conforme antigos padrões éticos e morais imperialistas úteis aos ricos e privilegiados. A figura venerável do professor perdeu importância dentro da sala de aula como “ícone do conhecimento” cedendo lugar ao aluno, que doravante passara a ser protagonista principal do processo educacional. O professor, de respeitável mestre, foi rebaixado a mero orientador cabendo a ele a missão de lançar temas a serem discutidos valendo-se da sensibilidade e da criatividade; de preferência auxiliado por aplicativos tecnológicos, capazes de incitar a curiosidade do aluno, desenvolvendo nele a vontade e o prazer de aprender. Considerando-se o estado lastimável em que se encontram as escolas públicas brasileiras, que, muitas vezes nem banheiro oferecem aos alunos, somado ao salário miserável dos professores, seria o mesmo que querer que um morto aprendesse a cantar sem música, nem pauta, nem instrumento, nem orquestra.
Talvez, o novo modelo de escola até funcionasse, caso não entrasse em campo o populismo  marxista demagógico, cuja estratégia é passar a falsa impressão de que o cidadão formado nessa escola fraca, sucateada e sem personalidade, realmente teve seus direitos respeitados, quando, na verdade, o esforço educacional que o levaria a se libertar da ignorância não funciona e o manterá para o resto da vida como ignorante útil, capaz de acreditar no teatro de fantasias políticas oportunistas, sem nunca ter condições de discordar e questionar. Contudo, apenas terá desenvolvido em seu espírito grande revolta que o capacitará a fazer parte de um contingente de fanáticos violentos dispostos a quebrar tudo que represente a sociedade que o discriminou e descartou. Não é difícil perceber que a grande jogada da revolução doutrinária cultural é reforçar o apartheid social já existente há séculos, mas cujo remédio reside exatamente dentro da escola de alta qualidade; porque homens bem formados numa boa escola e cultos deixam de ser pobres e cartas manipuláveis num jogo sujo de perpétuo controle e dominação. Os governantes jogam tão bem esse jogo que o processo de encantamento da revolução cultural marxista põe em campo a figura do bom demônio, que acena com caminhos floridos e muita permissividade, até o momento em que a sociedade se entregar; a partir de então, ele mostra suas garras e verdadeira intenção: impõe a velha teoria do “manda quem pode e obedece quem tem juízo” e não é do grupo que controla. Essa é a verdade histórica fascista e comunista.
Grande prova dessa triste realidade esta acontecendo hoje nas grandes cidades, personificada nos chamados “rolezinhos”, quando uma multidão de jovens ignorantes, muitos evadidos da escola pública democrática, desempregados, sem esperança no futuro, animados pela falsa idéia de que o Estado lhes manterá para sempre e os políticos marxistas os defenderão das maldades do imperialismo capitalista; se dá ao direito de promover quebradeiras, desordens, assaltos e manifestações ruidosas em locais privados, que pagam altos impostos e geram milhares de empregos diretos e indiretos, ainda colocando em risco a segurança e a paz de inocentes que não têm culpa da bagunça nacional.
Ademais a “escola democrática” ruim acabou com a velha, útil e eficiente herança profissional; daquela época em que velhos profissionais autônomos como pedreiros, carpinteiros, bombeiros, eletricistas, mecânicos, motoristas, padeiros e outros ensinavam aos jovens, que, por qualquer motivo não pudessem ingressar em boas escolas, conhecimentos profissionais, que jamais os levaria a conquistar grandes riquezas e poder, mas os preparavam para uma vida digna,  longe do submundo do crime e do controle de políticos malandros que sempre os consideraram máquinas de votar.
Empresas, que sempre ofereceram vagas para adolescentes em meio expediente, estão impedidas pela lei democrática de fazê-lo com a nobre justificativa de que “lugar de jovem é na escola”. Verdade indiscutível, desde que essa escola funcionasse e realmente os preparasse para exercer sua cidadania com altivez e independência. Entretanto, o que se observa é uma horda de milhões de jovens egressos das escolas públicas democráticas ruins alcançando a idade adulta, sem preparo profissional e opção de trabalho, descartados pelo mercado. Invariavelmente são cooptados pelo mundo do crime ou se escravizam nas drogas, sempre convictos de que o verdadeiro culpado de todo o seu azar é o dragão capitalista imperialista personificado em quem trabalha duro, paga altos impostos e, de maneira honesta, obteve algum sucesso na vida.
Contudo, seria injusto esquecer que escola e professores, nem sempre podem ser classificados como vilões da história, pois há em curso um famigerado sistema, ao qual todos estão subordinados, cujos acadêmicos governamentais denominam “progressão continuada”; situação em que se espera do aluno imaturo e inconseqüente alta consciência e responsabilidade diante dos seus deveres escolares, o colocando em condições de aprovação sem o crivo de provas que atestem conhecimentos e confiram autoridade, legitimidade e respeitabilidade ao professor. – Eis aí um arranjo sórdido que desprestigia o professor e premia a malandragem – Mais uma vez, observa-se que o interesse político pessoal e partidário ultrapassa o compromisso sério, com o único e torpe objetivo de apresentar estatísticas falsas para órgãos internacionais, que maquiem a baixa qualidade do ensino e lancem cortina de fumaça para camuflar crimes de lesa educação cometidos por governantes que não têm compromissos com políticas de estado de longo prazo, mas exercem seus mandatos impulsionados apenas por intenções eleitoreiras efêmeras ou político doutrinárias marxistas que adoram homens/mulheres mansos e cegos de olhos abertos, para dominar mais  facilmente.
É oportuno observar que a maioria dos nossos governantes não estudou nessas escolas públicas democráticas ruins, porque puderam pagar altas somas em escolas particulares tradicionais no Brasil e até no exterior, em países desenvolvidos altamente criticados por eles próprios. Qualquer pesquisa superficial comprovará que muitos deles mantêm filhos estudando em escolas estrangeiras, cuja formação liberal é predominante e estes, quando se formam, retornam as suas origens, no terceiro mundo marxista, munidos de conhecimento político e da frieza profissional necessários aos mandatários que só pensam em levar vantagem a custa dos ignorantes, mal formados e informados.
Mas o Brasil é assim mesmo; um país às avessas: leis são sancionadas sem preocupação com impactos negativos, muitas das vezes apenas visando reles interesses políticos eleitoreiros. Constroem-se pontes sobre rios inexistentes, túneis inúteis, estradas que vão a lugar algum, hospitais para abandonar, escolas para não educar. Mantêm-se as forças armadas desarmadas. Justiça injusta com os pobres aprofundando-se o apartheid social. Incentivam-se o consumo de automóveis antes de investir em infra-estrutura para comportá-los. Terra dos ventos que não investe em eólicas. Terra das centenas de rios que não investe em hidrovias. Terra sem fim que não investe em ferrovias. Terra onde a seca e o sofrimento do nordestino são cabos eleitorais. Terra onde as intempéries previstas destroem, o povo paga e os administradores públicos não reconstroem. Terra em que os pobres pagam tantos impostos quanto os ricos e não reclamam. Terra mãe hostil, que escraviza, empobrece, massacra, abandona, mente, engana, humilha, explora quem trabalha e recompensa com esmolas a ignorância e o ócio... Terra em que o aeroporto é a única saída para quem pensa em ter paz e quer viver sendo respeitado.


ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O BOI BRASIL SÓ ANDA À CUSTA DE CHUTE NO TRASEIRO!

                       O BOI BRASIL SÓ ANDA À CUSTA DE CHUTE NO TRASEIRO!

            Foi naqueles tempos de antanho, quando fio de bigode tinha fé pública; toda a mercadoria pesada era transportada na tração animal e carros de bois no seu rolar modorrento venciam subidas e descidas de caminhos tortuosos, estreitos, barrentos. Som lamurioso rompendo o silêncio das grotas e olhos atentos vindo correndo pairar às janelas e soleiras das vilas beira estrada, para ver a procissão cantante puxada por bois carreiros de olhares perdidos; passo no compasso do guizo e do grito do boiadeiro, que, energicamente, exigia mais força e atenção à base do chucho nos traseiros, ora na dupla da frente, ora nas duplas de trás, ora no puxão de orelha e tapa no focinho dum e doutro, que, de vez em quando, teimavam em retardar o passo.
            Repentinamente cessava-se o canto. Afrouxavam-se cangas e arreios. Água fresca servia-se aos viajantes: tanto homem quanto bois mereciam recompensa; afinal a viagem durara horas, o sol quente, peso pra mais de tonelada, puxões, freadas, solavancos; tudo contribuíra para aumentar ainda mais a sede e o cansaço! A parada era rápida, também para descarregar no armazém da vila os tambores de querosene de lampião; a madeira do telhado da igreja, que, de tão podre, despencara há meses e os sacos de farinha encomendados para as quermesses das irmãs de caridade do convento de Santa Maria da Aparição, aquele que abrigava moças cabeçudas, arteiras e namoradeiras...
            Isso foi um sonho? Talvez para os jovens, que certamente nunca viram um carro de bois, possa parecer. Porém, os mais vividos, principalmente aqueles que nasceram e se criaram nos sertões, carregam em suas memórias essas lembranças nostálgicas de um Brasil arcaico, colonial e provinciano, nada condizente com a velocidade transformativa com que a tecnologia moderna vem impondo aos costumes do brasileiro contemporâneo.
            Mas se tudo mudou para melhor, pois, segundo alguns remanescentes mais velhos, hoje tudo é mais fácil com a ajuda da energia elétrica, das comunicações, do automóvel, das comodidades de toda ordem; apesar de que os custos sejam altos e estão sendo cobrados da natureza e até da saúde; parece que o governo brasileiro – quando me refiro à administração pública, estou apontando para ambas as esferas governamentais – ainda dormita naquele tempo, quando a vida passava no rolar, no passo e no som estriduloso dos saudosos carros de bois.
            Exemplo mais em voga é o caso da vindoura copa do mundo de 2014. Todos sabem das metas a que o Brasil se comprometera, a fim de alcançar os parâmetros de qualidade exigidos pela FIFA. Mesmo que tais metas custem os olhos da cara de cada brasileiro e o retorno seja incerto, ainda assim o governo fechou todos os contratos e, além disso, fechou também os olhos deixando que mais de dois anos passassem sem que nada se fizesse. Assim certamente seja mesmo melhor para quem não tem costume nem a intenção de se preocupar com detalhes e chatices de orçamentos e balaços. Quanto menos tempo melhor para as mãos leves e olhos compridos trabalharem fora de controle! As constas nos paraísos fiscais capitalistas agradecem e saúdam o comunismo interno.
            O Ministro do Esporte Aldo Rebelo, com aquele seu sotaque de cantor de baião desafinado, chegou a se desentender com o representante da FIFA, quando este, apavorado com o ritmo de carro de bois do governo brasileiro, acertadamente, afirmou que o Brasil precisava de um chute no traseiro. O ministro desafinado se ofendeu, cortou o diálogo, exigiu pedido formal de desculpas e a troca de interlocutor. Infelizmente não perguntou a opinião dos brasileiros, pois, se o fizesse teria ouvido a mesma coisa e, de contra peso, uma longa e sonora vaia.
             Desde a escolha do Brasil para anfitrião dos jogos da Copa de 2014, não há um só brasileiro despreocupado com o andamento quase parado das milhares de providências que não saem do papel, nem da pachorra irresponsável dos boiadeiros governamentais. Agora, que falta pouco menos de um ano para o evento, estamos vendo o que é para ser visto: as arenas estão ficando prontas... A que custo?  Não interessa saber! Os aeroportos? Dizem que ficarão! A qual custo? Não interessa saber! A tão propalada mobilidade em vias de acesso desentupidas, certamente funcionará, porque, pelo menos em dias de jogos, vão parar escolas, empresas e, se precisar, o Brasil inteiro, para deixá-las transitáveis.
            Enfim, o chute no traseiro não foi aceito oficialmente, mas existe e esta funcionando. Em junho de 2014 tudo estará impecável! O Brasil bem ou mal, mais caro ou muito mais caro, cumprirá o prometido e o mundo vai invejar nossa capacidade de trabalho e realização em tempo e hora.
            Enquanto isso, o resto; nem é bom falar! O Boi Brasil deitou e dormiu!
Quem dera doravante um órgão como a FIFA, talvez com outro nome: LCQS - LEGIÃO CELESTIAL DE QUERUBINS E SERAFINS - pudesse ter o poder de dar um chute no traseiro, não só do Boi Brasil, mas também nas nádegas moles de alguns tantos outros Bois Políticos Profissionais, que democraticamente ganham votos do povo para cumprir bem, com eficiência, responsabilidade e ética suas funções e em vez disso se refestelam nas comodidades do poder à custa da miséria do povo e do atraso do Boi babão e preguiçoso, o qual chamamos de Brasil.



ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO