APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



sábado, 13 de julho de 2013

JANELAS INDISCRETAS



JANELAS INDISCRETAS

            A cidade era o Rio de Janeiro dos anos setenta. Há quase quarenta anos o Rio já caminhava para o caos, mas nada que se comparasse aos gigantescos problemas sociais e estruturais de hoje. Com certo cuidado e alguma sorte ainda dava para se aventurar pelas madrugadas sem o risco de ser assaltado, assassinado, estuprado, trucidado ou seqüestrado. O Rio ainda era lindo de verdade!
            Numa daquelas noites de alto verão, quando o termômetro batia lá pelos trinta e oito graus e não havia cansaço capaz de arrefecer o desconforto e fazer meu amigo Zé Airton pegar no sono, um impulso arrebatador o fez se levantar e ir buscar um pouco de ar fresco no janelão virado para a Rua Voluntários da Pátria. Muitas janelas ainda abertas, certamente pelo mesmo motivo que atormentava meu amigo, ainda estavam de luz acesa, de modo que os prédios defronte enfeitados com tantos quadrados e retângulos brilhantes davam à paisagem certo ar festivo, além do tom solitário e morno.
            De repente, lá pelas tantas, quando o torpor da madrugada suada e quente já quase desmontava o sofredor e o sono se tornava maior que o calor, algo chama sua atenção de maneira arrebatadora. Num daqueles quadriláteros iluminados aparece a figura de uma mulher seminua, despreocupadamente se admirando no espelho de uma penteadeira que deliciosamente ficava exatamente à frente da sua janela de luz apagada.
Zé Airton não acreditou no que via. Esfregou os olhos uma, duas, três vezes; mirou novamente para se certificar de que não estava sonhando, beliscou-se algumas vezes e não teve dúvidas: era verdade! Aquilo só podia ser um presente do deus da madrugada. O sono se dissipou, o cansaço virou ânimo, o calor ficou mais fresco que a brisa das ilhas gregas e ele, como bom amigo que era, não podia deixar de dividir com os colegas aquela graça, aquele show televisivo da janela da vizinha exibida acesa na madrugada.
            Saiu correndo, torcendo para que a bela da janela demorasse no seu ritual de cuidados e poses femininas na frente do espelho e da janela e foi bater à porta do apartamento ao lado, onde moravam os amigos do peito, que àquela hora sonhavam, mas com outros anjos menos sublimes que aquele da visão arrebatadora. Passados poucos segundos lá estava uma turma de mais de vinte olhos compridos; considerando-se que dentre os dez não havia nenhum caolho, a bisbilhotar a janela, a vida e a mulher alheias. Naquela noite inesquecível, ninguém mais dormiu e o show que, assim como por encanto começou também acabou, quando a estrela do filme da janela apagou a luz e foi dormir.
            O frenesi foi total e geral. Ninguém falava noutra coisa por dias, até que Pedro Olívio teve uma brilhante idéia: comprar um binóculo de alta potência, que pudesse aproximar o anjo para alguns metros de distância. Uma vaquinha foi convocada e até os centavos da coca, do cinema, do ônibus, da cerveja; de tudo, foram desvirtuados para a aquisição da ferramenta bisbilhoteira. Várias noites passaram em claro e o retângulo antes mágico, agora maldito, da janela iluminada não mais acendeu. Será o que estaria acontecendo? Teria a bela da janela desconfiado de alguma coisa, viajado ou se mudado para outra janela iluminada? Se esse infortúnio aconteceu, quem seriam os novos felizardos das janelas opostas? Pelo menos descobriram que a tal inveja, esse sentimento vil, pode existir até na imaginação e de alguém que nem mesmo se conhece.
            Não havia mais sossego e para certeza de que não perderiam nenhum fortuito lance, dali por diante, montaram uma vigília noturna cumprida à risca numa disciplina militar. Um rodízio foi montado composto por ciclos de tempo que incluíam madrugadas e horas; de maneira que todos se revezassem sem prejuízo para alguém. Até que um dia, lá estava a visão inebriante enrolada na toalha exibindo-se e insinuando-se. A correria foi tamanha que quase deixaram cair o binóculo. Mas felizmente foi só um susto e a imagem ficou tão nítida que seriam até capazes de conhecer a garota na rua, se a avistassem. Foi possível perceber que ela portava uma pinta negra e grande do lado esquerdo da boca e também tiveram a certeza de que a exibição era proposital. Impossível tamanho despropósito; claro que ela sabia que havia uma turma de rapazes sedentos do outro lado da rua a poucas dezenas de metros de distância e de altura a observá-la.
            O show continuava! Vez por outra a janela se acendia e lá estava ela, de toalha branca, vermelha, azul e, para alegria geral, quando o calor era demais, nem toalha. A notícia correu a rua, o bairro, a cidade, o mundo inteiro! A turma se esqueceu do velho e sábio ditado: “o segredo é a alma do negócio” e um belo dia, quando todos nem sonhavam com vulcões e tempestades, uma hecatombe aconteceu. O interfone tocou; era o porteiro convocando Zé Airton à recepção. Um senhor, que se identificou apenas como Marcão, gostaria de ter com ele um colóquio de super-homem para homem. Zé Airton, na sua habitual malemolência calorífica e inocência de quem nada deve, chegou à portaria e se deparou com o maior mamute que já havia encontrado em sua vida. O cara, sem tirar nem por, era o próprio King Kong. Dois metros de largura era pouco. De altura, nem se fala! Ao se deparar com tamanho gigante, nosso Zé Airton quis retroceder, mas era tarde. O bruta monte já o havia agarrado pelo pescoço e o acendido até a altura descomunal dos seus olhos. Assim, cara a cara, Marcão com seu vozeirão de trovão decretou: - Se eu souber que continuam olhando minha mulher pela janela ou em qualquer lugar, vou esmagar todo mundo! Sacudiu o pobre nas alturas descomunais do seu corpanzil e o soltou de encontro ao chão sem dó nem arrependimento.
            Zé Airton, branco que nem filhote de camundongo, cheio de vergonha e dores, subiu correndo, a fim de dar a notícia para o resto da turma, que logo quis partir para uma revanche. O cara era muito forte, mas a turma era grande! Em vão! Mais tarde, ficaram sabendo que Marcão, além de grande e forte, era campeão de Boxe da liga dos pesos pesados. Não havia chance e o jeito foi esquecer o anjo da janela acesa no calor da madrugada carioca.
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Diante da estória acima cabe a pergunta:
Quem estava com a razão: Marcão, o King Kong ou a turma do Zé Airton e seu binóculo bisbilhoteiro?

            Enquanto a discussão se avoluma, usarei a mesma estória, a fim de construir um paralelo com a espionagem dos americanos sobre o nosso quintal. Todos estão cansados de saber que a gema das informações importantes são segredos estratégicos, dentre eles militares, comerciais, científicos e tecnológicos. Onde estavam os nossos Marcões e Zés Airtons governamentais, que de maneira leniente nunca pensaram que a chave do galinheiro não deve ficar sob a guarda da raposa? Agora, que a casa caiu, vão tomar providências cabíveis? O Brasil é assim, desde a nossa colonização sofremos essas ingerências e não aprendemos a nos posicionar fortemente.

            Enquanto isso não acontece e continuamos dormindo eternamente no berço esplêndido, envio meus parabéns para os americanos, que trabalham em defesa dos seus interesses e uma sonora vaia para os traidores que recebem nosso voto e gozam da nossa cara, enquanto apenas fingem que trabalham três dias por semana em interesses pessoais e deixam o Brasil enfraquecido e à deriva no oceano de incertezas futuras.

ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A ROTINA DAS COBRAS COMUNISTAS

A ROTINA DAS COBRAS (título original)

por Olavo de Carvalho - Jornal do Comércio - 21/03/2012

Se há uma lição que a História ensina, documenta e prova acima de
qualquer dúvida razoável, é a seguinte: sempre que os comunistas acusam
alguém de alguma coisa, é porque fizeram, estão fazendo ou planejam fazer
logo em seguida algo de muito pior. Acobertar crimes sob afetações
histriônicas de amor à justiça é, há mais de um século, imutável
procedimento padrão do movimento mais assassino e mais mentiroso que já
existiu no mundo.

Só para dar um exemplo incruento: o Partido dos Trabalhadores ganhou
a confiança do eleitorado por sua luta feroz contra os políticos corruptos,
ao mesmo tempo que ia preparando, para colocá-lo em ação tão logo chegasse
ao poder, o maior esquema de corrupção de todos os tempos, perto do qual a
totalidade dos feitos de seus antecessores se reduz às proporções do roubo
de um cacho de bananas numa barraca de feira.

Mas nem todos os episódios desse tipo são comédias de Terceiro Mundo.
Nos anos 30 do século passado, o governo de Moscou promoveu por toda parte
uma vasta e emocionante campanha contra as ambições imperialistas de Adolf
Hitler, ao mesmo tempo que, por baixo do pano, as fomentava com dinheiro,
assistência técnica e ajuda militar, no intuito de usar as tropas alemãs
como ponta-de-lança para a ocupação soviética da Europa.

Os exemplos poderiam multiplicar-se ilimitadamente. Em todos os
casos, a regra é a máxima atribuída a Lênin: "Xingue-os do que você é,
acuse-os do que você faz. "Se o acusado realmente cometeu crimes, ótimo:
desviarão a atenção dos crimes maiores do acusador. Se é inocente, melhor
ainda.

Durante os célebres Processos de Moscou, onde o amor ao Partido levava os réus a confessar crimes que não haviam cometido, Bertolt Brecht, ídolo literário maior do movimento comunista, proclamou: "Se eram inocentes, tanto mais mereciam ser fuzilados." Não foi mera efusão de servilismo histriônico. A declaração obscena mostra a profunda compreensão que o dramaturgo tinha da premeditação maquiavélica por trás daquela obsurdidade judicial.

Como o bem e o mal, na perspectiva marxista, não existem objetivamente e se resumem à resistência ou apoio oferecidos às ordens do Partido, a inocência do réu é tão boa quanto a culpa, caso sirva à propaganda revolucionária – mas às vezes é muito mais rentável.

Condenar o culpado dá aos comunistas o ar de justiceiros, mas condenar o inocente é impor a vontade do Partido como um decreto divino, revogando a moral vigente e colocando o povo de joelhos ante uma nova autoridade, misteriosa e incompreensível. O efeito é devastador.

Isso não se aplica somente aos Processos de Moscou. Perseguir o
general Augusto Pinochet por delitos arqui-conhecidos dá algum prestígio
moral, mas condenar o coronel Luís Alfonso Plazas a trinta anos de prisão,
por um crime que todo mundo sabe jamais ter acontecido, é uma operação de
magia psicológica que destrói, junto com o inimigo, as bases culturais e
morais da sua existência. Na presente "Comissão da Verdade", os crimes do
acusado são reais, mas menores do que os do acusador.

A onda de terrorismo guerrilheiro na América Latina data do início
dos anos 60, e já tinha um belo currículo de realizações macabras quando,
em reação, os golpes militares começaram a espocar. Computado o total das
ações violentas que, partindo de Cuba, se alastraram não só por este
continente, mas pela África e pela Ásia, a resposta dos militares à
agressão cubana foi quase sempre tardia e moderada, sem contar o fato de
que, pelo menos no Brasil, veio desacompanhada de qualquer guerra
publicitária comparável à dos comunistas.

Sob esse aspecto, a vantagem ainda está do lado dos comunistas. Os
delitos dos militares chamam a atenção porque uma rede de ONGs bilionárias,
secundada pela militância esquerdista que domina as redações, não permite
que sejam esquecidos.

Nenhuma máquina de publicidade, no entanto, se ocupa de explorar em
proveito da "direita" as vítimas produzidas pela Conferência Tricontinental
de 1966, pela OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade, 1967)
ou, hoje, pelo Foro de São Paulo.

Numa disputa travada com tão escandalosa desproporção de recursos, a
verdade não tem a menor chance.
Na tão propalada ânsia de restaurar os fatos históricos, ninguém se
lembra sequer de averiguar a participação de brasileiros nas ações
criminosas empreendidas pelo governo de Fidel Castro em três continentes.

Encobrindo esse detalhe, fugindo ao cotejo dos números, trocando os
efeitos pelas causas e partindo do pressuposto de que os crimes praticados
a serviço de Cuba estejam acima do julgamento humano a “Comissão da
Verdade” é, de alto a baixo, mais uma farsa publicitária montada segundo o
modelo comunista de sempre. Seu objetivo não é o mero “revanchismo”, como ingenuamente o pensam os militares: é habituar o povo a conformar-se com um novo padrão de justiça, no qual, a priori e sem possibilidade de discussão, um lado tem todos os direitos e o outro não tem nenhum. A única coisa estranha, nessa reencenação, é que suas vítimas ainda procedam como se esperassem, dos julgadores, alguma idoneidade e senso de equilíbrio, sentindo-se surpreendidas e chocadas quando a igualdade perante a lei lhes é negada – tanto quanto os cristãos se sentem repentinamente traídos quando o governo Dilma volta atrás no compromisso anti-abortista de campanha.

Não há nada de surpreendente em que as cobras venenosas piquem. Surpreendente é que alguém ainda se surpreenda com isso.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CARTA ABERTA AO JOVENS ESTUDANTES E AOS VELHOS DE GUERRA



CARTA ABERTA AOS JOVENS ESTUDANTES E AOS VELHOS DE GUERRA

09 de julho de 2013.
           
            Na condição de cidadão consciente, extremamente preocupado com a situação do Brasil, me senti com a alma lavada e até com o orgulho cívico renovado, quando vi nossos bravos jovens estudantes nas ruas veementemente se manifestando contra a ciranda massacrante a que estamos submetidos pela força do mau caráter dos nossos governantes irresponsáveis, desonestos e descompromissados com o bem estar e o aprimoramento da sociedade.
            Penso que essa foi uma boa lição em todos os sentidos:
Primeiro, porque ficou provado que as ferramentas cibernéticas disponíveis hoje nos libertaram do controle político sobre a imprensa, que claramente anda dormindo no ponto, certamente imobilizada pelo medo da retaliação dos poderosos de plantão.
Segundo, porque foi uma injeção de ânimo na banda social desmotivada pelo desinteresse, descrença ou mesmo pela ignorância. Todos viram que, quando o povo fala grosso, os políticos enfiam o rabo no meio das pernas.
E terceiro, porque a máscara de ovelha inofensiva e maternal do PT caiu por terra. O velho partidão viu que o simples assistencialismo populista não é suficiente para resgatar a dignidade de alguém; que, se muito mais não for realizado a reeleição e o projeto de permanência perene na governança do Brasil pode se esvair como um castelo de cartas ao vento.
            Caros amigos, não me considero velho, mas tenho consciência de que na altura dos meus cinqüenta e oito anos posso até ser mais idoso que muitos dos vossos pais e até avós. Por isso, talvez corra o risco de ser encarado como um dinossauro carregado de conceitos ultrapassados, segundo vossa visão de vanguarda.  Entretanto, penso que na condição de mais vivido e testemunha ocular da história, tenho conhecimentos e experiências que se soubermos somar ao vosso ânimo de jovens sedentos por justiça e conscientes da querência de uma nação melhor, poderemos juntos alcançar muito bons resultados. 
            Digo isso, porque, apesar dos bons frutos colhidos na ultima campanha popular nas ruas, acredito que ainda falte longo caminho a percorrer; assim, se nos desmobilizarmos eles voltarão à costumeira zona de conforto e estará perdido todo o esforço inicial.
            Os petistas são miméticos, dissimulados e sabem muito bem manipular as emoções do povo. Veja essa saída da presidente para um plebiscito; uma clara manobra de desmobilização e resfriamento dos ânimos através da instalação de uma cortina de fumaça e do lançamento da sociedade num exercício longo e demorado de polêmica. Claro que o Brasil não pode prescindir de uma reforma política, mas essa não é a hora adequada e não é bem esse o foco central das reivindicações populares. Mas o PT é assim, sabe fingir de morto, a fim de ter tempo de reunir forças e eleger culpados, para depois renascer mais forte que nunca.
            Bom; feito esse intróito estou certo de que agora possa entrar diretamente no assunto, que me motivou a vos enviar essa missiva.
            Acredito que os senhores estejam a par do grande esforço dos atuais dirigentes da maioria dos países latinos americanos, dentre eles o Brasil, através do seu principal líder político, o Sr. ex-presidente Lula, para criarem um grande quintal comunista latino americano sem fronteiras, inspirado nos ideais da tresloucada e ultrapassada revolução Cubana. A série de reuniões entre Lula e Fidel Castro nesse sentido teve início ainda no início da década dos noventa; época que Lula nem sonhava que um dia o povo brasileiro lhe colocaria nas mãos seu nobre destino, inocentemente acreditando nas promessas de um futuro mais promissor, livre da ação dos quadrilheiros políticos, inspirado em princípios éticos e democráticos.
            Os dois líderes então criaram o “FORO DE SÃO PAULO” que já aconteceu em várias capitais latino-americanas e cuja décima nona versão deverá acontecer na capital paulista entre a última semana de julho e princípio de agosto. Apenas a título informativo a versão paulistana do FORO DE SÃO PAULO será uma das maiores dentre as já realizadas. Mais de quinhentos ilustres pensadores e filósofos de orientação comunista, dentre eles quase todos os presidentes latinos americanos estarão presentes. E o que é mais assustador: comporão a macabra platéia alguns guerrilheiros das FARC colombiana, donos de longas folhas corridas com registros de assassinatos e seqüestros a serviço do terrorismo urbano na Colômbia, inclusive com associação comprovada ao narcotráfico; cuja recepção já aconteceu no Brasil com honras de chefes de estado pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro; inclusive com diárias pagas em hotéis de luxo através do empenho de recursos públicos.  Isso não é nenhuma novidade para os mais velhos como eu, pois há informes constantes, em noticiários especializados, da velha amizade, simpatia e comprometimento político do PT com tais bandidos; sempre embarcado na leviana desculpa de que esses elementos perniciosos e à margem da lei são defensores da democracia e sonhada libertação do povo Colombiano e da América Latina como um todo.
            Obviamente essas são veladas mentiras, uma vez que não seja segredo para alguém quais os métodos ditatoriais os comunistas implantam depois que persuadem a sociedade com suas bravatas, utopias e promessas fantasiosas de melhores dias. Não há um só exemplo na história contemporânea de países que gozaram desenvolvimento sustentável sob tal regime. A história do comunismo, pelo contrário, é carregada de sofreguidão, empobrecimento, atraso tecnológico e dores que deixam feridas profundas e difíceis de cicatrizar.
            Em vista do acima exposto, penso ser mais do que necessário posicionamento heróico e urgente diante da escassez de tempo, no sentido da criação de uma potente corrente informativa, capaz de levar ao conhecimento do povo – principalmente dos jovens – essas ações sub-reptícias, com potencial para escravizar o continente; o empurrando numa espiral de ditaduras sanguinárias, que podem durar décadas.
            Por isso vos exorto para que consigamos nova mobilização pacifica, diante dos holofotes da imprensa, a fim de que esses canalhas se assustem e abortem o FORO DE SÃO PAULO. Que fique definitivamente plantada nas cabeças das lideranças comunistas a certeza de que o Brasil e seu povo, liderado pelos jovens, não querem ditadura, nem de direita, nem de esquerda; nem qualquer modelo político incongruente com os parâmetros do Estado de Direito e da ordem democrática plena e encaixada no ordenamento Constitucional brasileiro.
            Os problemas do Brasil não são de fácil resolução, contudo está mais do que provado que a solução não passa pelo comunismo ditatorial. Pelo contrário, a sociedade brasileira esta sofrendo é pela incompetência e irresponsabilidade da classe política. O capitalismo, na sua versão cruel tem sua parcela de culpa, entretanto uma das funções do governo num estado democrático é estabelecer normas para mantê-lo enquadrado nos limites da ética e do respeito aos direitos básicos do ser humano; quais sejam: de se alimentar, de morar com dignidade, de se educar, se movimentar livremente para poder exercer sua cidadania em paz e com dignidade. Além do mais é oportuno não esquecermos que a trajetória de sucesso de países como o Japão, Koréia do Sul, Austrália e até mesmo a China, que há pouco tempo estavam mergulhados no caos e na obscuridade hoje gozam de respeitabilidade política e econômica graças ao capitalismo bem gerenciado, à educação de qualidade em massa, ao empreendedorismo e à democracia.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECÍLIO.

Vejam os links abaixo a relação íntima deles com os comunistas latinos americanos.










segunda-feira, 1 de julho de 2013

HOMENAGEM NO JUBILEU DE PRATA DO AMIGO PADRE JOSÉ ROBERTO



         No dia dezoito de junho próximo passado (2013), vários de nós estivemos em Prados para homenagear nosso amigo Pe. José Roberto. Exatamente nesse dia, há 25 anos passados, lá naquela mesma cidade ele se ordenava. Deixava de ser um simples pretendente ao sacerdócio, um presbítero, para se transformar num verdadeiro representante de Cristo, galgando o primeiro passo de uma longa caminhada.
            Homenagear esse homem não é uma missão fácil, porque as emoções são grandes. E agora, além da necessidade de vencer esse turbilhão de sentimentos, ainda tornou-se muito mais difícil depois das brilhantes palavras da professora Regina, nossa prefeita, que com maestria soube tirar da minha alma as exatas palavras na medida da verdade sobre o que significa um sacerdote e, principalmente, este que aqui esta.
            De modo que, assim, espremido no estreito corredor, entre tudo que já foi dito e a estatura sólida do pastor dedicado, apenas me restou abordar dois detalhes que certamente tenham passado despercebidos pela maioria dos que lá estavam.
           
            O primeiro foi quando Pe José Roberto, em seu discurso de agradecimento, declarou que gostava de ser padre e que seu maior orgulho era ter sido chamado pelo Espírito Santo para representar Cristo entre os homens.
            E o segundo foi quando o pároco daquela paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Prados discursando em sua homenagem declarou que estava presente no dia da ordenação do Pe José Roberto. Ele, hoje um jovem sacerdote, naquela data era uma criança, mas se lembra das emoções que permeavam seu espírito de menino toda vez que estava naquele templo sagrado. Segundo ele, sua família era responsável pela sua opção de seguir os mesmos passos do Pe. José Roberto, porque seus pais faziam questão de sempre levá-lo à igreja.
             
            É grande a importância dessas duas declarações.
            A primeira:
          Um homem de carne e osso, com todos os medos e anseios naturais a qualquer um, inserido num mundo extremamente materialista, onde o deus dinheiro, os teres, o poder, o sexo exploratório, o glamour e toda uma gama de tentações se colocam à disposição num simples apertar de botão; declarar-se, depois de longo período de 25 anos, um amante incondicional do sacerdócio é uma dádiva digna de júbilo. Hoje o demônio atua junto a humanidade como nunca e essa admirável perseverança é prova cabal da atuação da força divina no seu campo mental e emocional.
            
          Desde os tempos de infância frequentei ambientes dirigidos por padres. Recebi as primeiras lições escritas e matemáticas num Colégio Salesiano, convivi de perto com esses homens, com sua extrema solidão, com suas dores, com as ausências das suas famílias, com sua vida monástica, na maioria das vezes reduzida a um pequeno quarto, cama de solteiro, pequena mesa, janela sem atrativos e muitas vezes um tímido sapato furado. Matinadas às 6 hs da manhã, lanche às 6:30 hs, missa e oração às 7:00 hs. Aulas às 8 hs. Não há escolha de comidas especiais, bebidas ou guloseimas a não ser em dias também especiais. À noite alguns minutos de descanso, jantar, um tempinho de prosa no refeitório e novo recolhimento no pequeno cubículo mergulhado no silêncio aterrador dos solitários.
         
         Todos conhecemos muito bem a postura desse homem que aqui esta amante do sacerdócio que molda sua vida exatamente nesses conformes. Casa Igreja – Igreja Casa.
           
            Certa vez um velho padre num desabafo disse que ser sacerdote é estar sempre numa vitrine onde não há privacidade. Você é criticado se for nervoso, calmo, triste ou alegre. Se beber, se fumar, se dormir muito ou pouco. Se atrasar é irresponsável, se adiantar é exigente. Comer muito dá prejuízo à paróquia. Pouco, é porque é chato. Se tomar banho muito rápido não tem capricho, se demorar esta gastando muita energia. Se falar muito é tagarela, se pouco é esquisito. Se chamar atenção, não é tolerante. Se não, é relapso.
           É preciso que compreendamos nosso pastor e o ajudemos a cumprir sua difícil tarefa. Não podemos esperar dele a perfeição, pois ele é uno, não é Deus, nem infalível. Mas podemos oferecer a ele o nosso melhor. O melhor de muitos, será muito mais do que o melhor de um. Assim também estaremos dando uma mãozinha a Deus para que o tenhamos na perseverança por mais 25 anos, assim como ele é:  dedicado, confiável, humano com defeitos e qualidades.

         A segunda:
        
         Palavra do pároco de Prados: “Os pais são responsáveis maiores pelas escolhas dos seus filhos”.

       É impossível sonhar com o que nunca se viu, nem conheceu, porque sonhos são reflexos da realidade! Se ele é um sacerdote hoje é porque foi-lhe dada oportunidade de conhecer e daí poder sonhar. Por isso transforme seu filho num sonhador, leve-o à igreja, dê-lhe oportunidade de sentir o chamado que esses homens sentiram.
         Caso isso não aconteça, assim como não aconteceu comigo, nem com tantos que aqui estão, ele pelo menos estará preparado para ajudar mais e julgar menos; consolar e ser consolado; compreender e ser compreendido; amar e ser amado e assim o mundo será muito melhor.

         Desejo em nome da Paróquia de São Vicente Ferrer, em meu nome e em nome da Lúcia, minha esposa; muitas felicidades e saúde para o Pe José Roberto, na certeza de que o Espírito Santo continuará o iluminando no próximo quarto de século, ainda podendo contar conosco o ajudando a se aperfeiçoar cada vez mais. 

p/ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

terça-feira, 25 de junho de 2013

ÍNDIOS A VISTA! ONDE ESTÃO OS COWBOYS?



ÍNDIOS A VISTA!   ONDE ESTÃO OS COWBOYS?

            Desde a chegada da esquadra capitaneada pelo aventureiro Pedro Álvares Cabral às costas da Terra de Santa Cruz que os donos da terra pelados com a mão no bolso foram vistos como hostis à intenção daqueles salteadores barbudos de rapinar tudo que pudessem em honra da fidelidade a Sua Majestade, o Rei de Portugal.
            Como não tinham condições de enfrentar um exército de silvícolas, muitos deles canibais, bem armados e bons conhecedores da terra estranha, usaram a tática dos visitantes simpáticos, que apenas queriam amizade, um mergulho nas águas cristalinas e uma bela noite bem acordado com as mulheres solteiras.
            Essa foi a porta de entrada para seguintes passos que completariam o encantamento pelas novidades tecnológicas jamais vistas nas matas atlânticas que se estendiam como um oceano verde a milhares de milhas náuticas em todas as direções a  oeste, norte e sul. Machadinhas de ferro com capacidade de corte dezenas de vezes superior às de pedra, espelhos que imitavam caretas e risos, armas que cuspiam fogo pela boca, água de cheiro e cavalos que corriam como raios cortando distâncias em frações de tempo.
            Anestesiados por esses encantos banais, os índios descuidaram da vigilância, relaxaram e, quando acordaram, toda a sua zona de conforto estava sendo arrestada numa avalanche de destruição exploratória e descaracterização cultural, que se estenderia por mais de três séculos, ou seja: desde o último ano do século XV até o primeiro quarto do século XIX; uma odisséia de 322 anos.
            A história da humanidade é recheada desses prólogos onde os protagonistas sempre foram ganhadores e/ou perdedores. Aqui no Império Português de Além Mar nada aconteceu diferente e os ameríndios simplesmente ocupam o lado perdedor. Suas vastas terras, juntamente com seu idioma e sua cultura se perderam no tempo diante da introdução de valores europeus, dentre eles a ânsia expansionista exploratória e a paixão pela religiosidade cristã.
            É nesse viés de imposição cultural e econômica que as nações indígenas americanas deixaram de existir em proveito de outras que brotaram nos seus escombros, sendo o Brasil e todos os países americanos exemplos reais de antropofagia entre nações. Certamente, se os europeus tivessem se preocupado em preservar a cultura local, jamais houvesse acontecido o florescimento de novas nações com suas peculiaridades culturais e idiomáticas.
            Nesse contexto histórico o Estado Brasileiro somente passou a existir a partir da proclamação da Independência em setembro de 1822, fator importante na conclusão de que todas as determinantes do processo de predominância sobre os antigos ocupantes da terra já estavam impostas, ou seja: os índios não perderam a guerra contra o Brasil, mas para os colonizadores portugueses e, portanto, Portugal foi o Estado protagonista da sua tragédia.  Obviamente nos últimos 190 anos de soberania do Estado Brasileiro sobre a região não se estancou o processo de interferência e destruição da cultura indígena, entretanto é importante que se reconheça a verdade estabelecida historicamente: o modelo dominatório foi uma política estabelecida pelo reino de Portugal.  
            O Estado brasileiro poderia ter revertido o processo destrutivo com o estabelecimento de algum tipo de política sustentável na relação com as civilizações indígenas? Sim poderia; entretanto é preciso que se entenda que não há negociações consensuais sem perdas de ambas as partes. Nessa ótica, quais seriam as concessões que a Nação Brasileira estaria no passado disposta a aceitar? Tal dúvida nunca foi considerada por nenhum governante e certamente se houvessem concessões ainda haveria hoje inúmeras nações indígenas soberanas dentro do território nacional. Nesse caso, o território brasileiro seria uma totalidade marchetada de pequenas ilhas territoriais indígenas soberanas aonde a grande nação brasileira não teria jurisdição alguma; uma situação inviável e inaceitável no âmbito do valor soberania.
            Penso que o Brasil deve revestir sua política de domínio territorial com status de direito intangível e inegociável, ainda que os índios mereçam consideração como seres humanos e proteção como patrimônio histórico nacional. Contudo, é inadmissível que o processo de desenvolvimento seja interrompido ou sequer retardado em atendimento a interesses de bolsões populacionais rebeldes ao passo desenvolvimentista. O Estado de Direito prevê proteção ao direito de propriedade desde que esse não redunde em prejuízo aos interesses maiores da coletividade. Do contrário a propriedade privada deve ceder espaço aos interesses coletivos e deverá ser desapropriada, ainda que através da força policial, se necessário intervenção militar, cabendo ao agente desapropriante ressarcir com propriedades de igual valor ou em moeda corrente, de modo a viabilizar novas aquisições em igualdades de condições.
            A construção da Usina de Belo Monte é um exemplo dos arranhões que a soberania, a segurança nacional e o ritmo de progresso do Brasil vêm sofrendo com a ação beligerante e terrorista de algumas tribos indígenas. Diante de interesses menores de uma pequena coletividade indígena, que deveria ser e estar submetida aos interesses nacionais, assim como todos os outros cidadãos, a nação brasileira porta-se como refém e de joelhos frente à ação maliciosa de indígenas já inseridos na arte dos truques e golpes característicos da sociedade tida como civilizada. Por que os índios devem ser tratados com tamanha tolerância? Na esteira desse raciocínio deveríamos desocupar o Brasil e devolver o território aos antigos donos, aqui estabelecidos séculos antes da chegada de Cabral!
            Em resposta à intrigante questão interpõe-se a contradição da postura política do governo social comunista brasileiro. Enquanto o marxismo é contra os latifúndios capitalistas, mesmo produtivos, e nossos comunistas petistas obviamente acatam essa idéia utópica; por que algumas tribos indígenas com poucas centenas de indivíduos já considerados perfeitamente integrados à vida civilizada precisam de centenas de milhares de hectares de terras virgens, ricas em recursos naturais, que muitas nações populosas do mundo não dispõem? Afinal quem são os donos da terra? O Estado Brasileiro herdeiro do extinto Império Português descobridor e desbravador ou alguns povos indígenas que só querem a terra para explorá-la através do extrativismo predatório, tacanho e entreguista a interesses exploratórios estrangeiros?
            Várias Ongs nacionais e internacionais e outras entidades ligadas à pastoral da terra pressionam para que o governo amoleça nas suas intenções desenvolvimentistas ou até desista dos projetos de construção de novas usinas na Amazônia. Qual postura o governo adotará ninguém pode prever?!... Certamente titubeará e colocará a batata quente nas mãos do Supremo Tribunal Federal, que numa visão antinacionalista, no passado, já entregou a outras tribos milhares de hectares de terra da reserva indígena Raposa Serra do Sol; uma gleba maior que muitos países, riquíssima em recursos naturais, cujos limites se estendem até as bordas da fronteira internacional com a Venezuela; local onde o Brasil ficou condenado a exercer parcialmente sua soberania, que mal pode controlar quem e o que entra e sai e onde os outros cidadãos brasileiros só podem circular com autorização dos índios.
            No meu entender as autoridades responsáveis estão cometendo um grave erro, pois, índios brasileiros não devem ser paparicados, mas aculturados segundo a cultura brasileira, submetidos aos mesmos deveres e direitos comuns a todos; contudo, ao que parece, a moda pegou e novamente teremos outra nação indígena soberana limitando a jurisdição e a autonomia da nação brasileira sobre seu próprio território.
            Portugal estava certo. Posse do território é como ninho abandonado de jacaré; lagarto ladrão vem e come os ovos.
           
ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

VÂNDALOS URBANOS X VÂNDALOS INDIOS. QUAIS OS PIORES?

VÂNDALOS URBANOS X VÂNDALOS ÍNDIOS – QUAIS OS PIORES?

Temos assistido alguns vândalos infiltrados dentre os manifestantes pacíficos. Segundo os próprios manifestantes, trata-se de bandidos e saqueadores, uns querendo forra com a polícia e outros apenas roubar.
Eu, como sempre gosto de analisar as imagens visíveis para enxergar as invisíveis ou talvez, entender melhor como funcionam os sentimentos humanos e suas influências no desenvolvimento social.
A primeira conclusão a que podemos chegar baseia-se na prisão de um jovem de 20 anos, de classe média, estudante de arquitetura. Um vândalo com perfil diferente dos demais. Por que tanta violência por parte de um jovem teoricamente sem motivos? Em minha opinião todos nessas horas têm motivos de sobra para protestar pacifica ou violentamente.
Qual de nós brasileiros não gostaria de poder quebrar a cara dos bandidos e ladrões que hora nos governam? Vidraças, portas, vitrines e barricadas representam as caras de pau sem vergonha que gostaríamos de quebrar. Afinal somos donos de tudo isso e há muito temos tido nossa vida e nossa democracia destruída pelos vândalos da nossa dignidade.
Quem teria mais motivos para se revoltar; o jovem estudante de arquitetura da classe média ou um favelado, viciado, que nunca teve uma escola digna, cujas famílias fazem parte dos milhões de excluídos no apartheid nacional? Penso que os dois, cada qual inserido dentre os limites dos invólucros emocionais, psíquicos e ambientais aos quais estiveram sujeitos durante o processo de formação da sua personalidade e do seu senso de justiça.
Nossos vândalos urbanos, favelados ou patricinhos, estão sendo identificados, fichados e teoricamente terão que pagar pelos prejuízos causados ao patrimônio publico e com certeza os safados governamentais vão usa-los como bodes expiatórios para amedrontar o resto da turba.
Contudo, enquanto a imprensa cuida agora dos últimos acontecimentos urbanos, lá nas matas amazônicas e em outros pontos menos distantes, índios vândalos se dão ao direito de incendiar propriedades produtivas legalmente apropriadas e documentadas.
Quem vai puni-los? Qual a diferença entre vandalizar um patrimônio público e um privado? Quem vai arcar com as despesas da reconstrução?
No primeiro caso seremos todos nós pagadores de impostos. E na segunda situação; quem ressarcirá os prejuízos privados, de quem trabalha, paga impostos absurdos e constitucionalmente deve ser protegido pelo Estado?
Silvícolas são considerados incapazes diante do Estado brasileiro e não podem responder criminalmente pelos seus atos. Gozam de um status de patrimônio nacional ou, para entendimento, talvez se assemelhem a uma espécie de neurótico herói de guerra; ícones que merecem preservação psíquica, cultural e material.

Perguntas:

1) O Estado Brasileiro, governado pelo PT há dez anos e inspirado pela Teologia Comunista da Libertação cumpre seu papel previsto em lei diante das partes em questão?
2) A lei de proteção aos índios esta adequada a nova realidade global e nacional capaz de alterar comportamentos nos quatro cantos do mundo, inclusive dos índios, cuja minoria ainda vive em estado social primário? O que em outras palavras significa que quase não há mais tribos cujos índios vivam inocentemente, no meio do mato, sem nenhuma contaminação cultural do mundo exterior, que não lhes tenha acendido a ânsia pelo lucro e pelo golpismo malicioso dos civilizados.

Diante da gravidade das questões sem respostas, penso que a sociedade deve absolver os vândalos indígenas e urbanos; patricinhos ou favelados e condenar o Estado Brasileiro e seus políticos irresponsáveis, que não se preocupam com os dilemas que fustigam a vida da sociedade e atrasam o progresso social, cultural e econômico da nacionalidade


p/ANTÔNIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO..