APRESENTAÇÃO


O conjunto de trabalhos que o amigo leitor encontrará aqui foi produzido ao longo de alguns anos. Não posso aqui precisar quantos, talvez uns vinte. A grande maioria deles publicada no jornal A TRIBUNA SANJOANENSE de SÃO JOÃO DEL REI (minha terra nanal) e NOVA MIDIA de BARBACENA; ambas tradicionais cidades históricas mineiras muito politizadas.

Obviamente há uma cronologia de publicação associada aos acontecimentos que inspiraram as respectivas reflexões. Depois de muito pensar, se deveria mencionar datas, resolvi aboli-las, pois achei que correria o risco de tornar seu passeio um tanto dirigido e até cansativo. Posso imaginar alguém lendo algo retratando fato acontecido há anos! Talvez se sinta entediado. Então, no intuito de instigá-lo, apresento uma miscelânea de trabalhos recentes e antigos, a fim de lhe subtrair, de propósito, qualquer direcionamento e deixá-lo livre para pensar, buscando no tempo, por si, tal associação. Acredito ainda que dessa forma esteja incitando sua curiosidade à medida que avance passos adentro. Sua leitura poderá inclusive ter início pelo fim ou pelo meio, que não haverá prejuízo algum para a percepção de que as coisas no Brasil nunca mudam. Ficará fácil constatar que a vontade política é trabalhada para a perpetuação da incompetência administrativa, obviamente frutífera para algumas minorias.

Penso que, se me dispus a estas publicações, deva estar antes de tudo, suscetível a criticas e, portanto, nada melhor que deixá-lo, valendo-se unicamente das informações contidas no texto, localizar-se na história. Caso não lhe seja possível, temo que o trabalho perca qualidade perante seu julgamento pessoal. Por conseguinte, acredito que isso não acontecerá; a não ser que o leitor não tenha, em tempo, tomado conhecimento dos fatos aqui retratados. Procurei selecionar de tudo um pouco; certamente sempre críticas, porém algumas muito sérias carregadas de um claro amargor. Outras, mais suaves, pândegas e até envoltas num humor sarcástico. Noutras retrato problemas da minha São João del-Rei. Até cartas para congressistas em Brasília há. E em alguns pontos, para abusar da sua paciência, introduzi coisas muito particulares. Críticas à parte, nessas, apenas falo de mim, afinal, apesar de amigos, talvez nunca tenhamos trocado impressões sobre coisas tão pessoais. . .

Aqueles que me conhecem há tempos, sabem que sou um obstinado por política, apesar de jamais tê-la exercido diretamente. Motivos houve de sobra e numa oportunidade poderei explaná-los. Todavia, do fundo do coração, afirmo que tal paixão tem como motor um doloroso inconformismo por ver o Brasil tão esplêndido e tão vilipendiado; vítima inconteste dessa cultura avassaladora de demasiada tolerância à antiética e à imoralidade na administração pública. Comprovadamente este é o pior dos tsunames com potencial para ter retardado nosso progresso mais de três séculos e grande responsável pela perpetuação da pobreza de metade da nossa população, pelo analfabetismo total e funcional, pela violência social e pelo abismo intransponível que aliena gigantesco contingente, maior que um quinto da população do continente sul americano. Diante do inaceitável absurdo, impossível me conformar em silencio diante dos atos e fatos que vão vergonhosamente enxovalhando nossa história e nos deixando como um gigante deitado sobre o escravismo que a Lei Áurea não foi capaz de abolir.

O título? Esse, talvez, seja o mais difícil explicar. GRITOS SEM ECOS representa uma espécie de pedido de socorro do náufrago, que sabe que de nada adiantará espernear, pois não há interlocutores, não há socorro, não há saída, não há conscientização; mas, assim mesmo, grita.

Será um prazer receber sua visita e ler suas opiniões, elogios ou críticas.

Forte abraço!



quinta-feira, 16 de maio de 2013

RESPOSTA AO PROFESSOR COMUNISTA SALIM LAMRANI DA SORBONNE



MINHA RESPOSTA AO PROFESSOR SALIM LAMRANI AOS SEUS QUESTIOMENTOS À DISSIDENTE CUBANA YOANI SANCHEZ. O PROFESSOR DEFENDE O REGIME COMUNISTA DITATORIAL CUBANO E É DR. ESPECIALISTA EM ASSUNTOS CUBANO AMERICANOS.

Tentando responder sua extensa pergunta baseado no que senti quando vi e ouvi pela primeira vez esse ícone midiático, que atende pelo nome de Yoani Sachez:
Tenho quase sessenta anos nas costas, sou lido e corrido, viajado, já li algumas centenas de livros, conheço uma dezena de países, vivi muito bem o tempo da guerra fria e suas nuances de assédio comunista baseada em terrorismo urbano brasileiro e latino americano, assaltos a bancos, seqüestros de autoridades,  que muito aterrorizaram a paz das famílias, como também assisti à brilhante e eficiente reação do nosso exército (estou me referindo ao brasileiro) na função de defender o Brasil contra as ações daqueles agentes que diziam e ainda dizem ter atuado em nome da liberdade, mas que na realidade eram movidos pelo baixo sentimento de ódio às instituições democráticas, ao capitalismo  e ao progresso americano; sentimento oriundo da União Soviética liderada pelo bando de assassinos bolcheviques responsáveis por milhares de casos de torturas e assassinatos nos gulags siberianos; especialistas na arte do terrorismo, do monitoramento do direito de ir e vir, do achaque e da bisbilhotagem da vida alheia nos países da cortina de ferro (Europa oriental).
            Conheço também de perto os métodos de colonialismo cruel usado e empregado pelos chacais europeus e americanos na América Latina, na África e em muitos pontos da Ásia e da Oceania.
            Estou, por enquanto, me referindo a acontecimentos relativos à história contemporânea. Entretanto, se alargarmos a visão para horizontes mais vastos através dos séculos veremos que esses métodos de massacre expansionista e exploratório sempre foram aplicados desde os grandes Impérios da Antigüidade.
            Fácil concluir, para não delongar, que o defeito mora no ser humano. Nossa espécie é predadora por natureza! Nós não aquentamos ver outros em paz e prosperando que logo aquele velho e vil sentimento chamado “inveja” nos acomete e nos impele ao ato da destruição, da perseguição, do massacre, do menosprezo, da discriminação, do desdenho. Dificilmente alguém procura usar o progresso do outro como bom exemplo positivo para aplicação em seu próprio quintal. Nosso primeiro impulso é a dominação pela força. Veja, por exemplo, a história da Rússia (ex União Soviética) ou mesmo Cuba?  Países que ficaram pobres e atrasados no tempo e no espaço. A Rússia se destacou na área bélica e na astronáutica, porque uma esta intimamente relacionada à outra e ainda havia os Estados Unidos para servirem de espelho. Onde mais os russos se destacam hoje que mereça menção? Quantas grandes universidades há na Rússia, quais e quantas conquistas científicas os russos legaram à humanidade, quantos prêmios nobéis eles já conquistaram, qual a grandeza do índice de desenvolvimento humano russo, quais grandes transnacionais carregam a bandeira Russa? Cuba encalacrada no mesmo abismo, enquanto contou com a ajuda Soviética foi mais ou menos. Agora, não passa de uma excrescência sempre culpando os Estados Unidos pelo embargo econômico! No entanto, se trocarmos os sujeitos da pergunta e introduzirmos os EUA ou a França, onde você mora, trabalha e vive livremente a resposta será infinitamente mais extensa. Esses são centros científicos que colaboram e colaboraram em muito com o progresso humano.
            Concluo, sem a menor sombra de dúvida, que a história da humanidade é um lixo do qual deveríamos nos envergonhar, entretanto uma pérola brotou nessa lama há pouco menos de um século, chamada DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS.
            Sei que ela ainda é muito desrespeitada e em seu nome muitas arbitrariedades e injustiças ainda se cometem, mas, ainda assim, prefiro conviver e viver nos países onde ela mal ou bem é cultuada, onde haja eleição, imprensa livre, liberdade de ir e vir, de investir, de criticar, falar o que se pensa, reunir e discutir política oposicionista, de criar, de manifestar, de sonhar e poder transformar sonhos em realidade.
            Não adianta vocês comunistas tentarem vender a falsa idéia de que regimes onde manda um ditador, cercado por um bando de asseclas fieis agindo nas sombras sem a presença da imprensa livre, sem partidos de oposição, com pessoas impedidas, pelo menos, de ir embora, seja uma boa coisa para viver e conviver.
            Cuba é vendida e considerada por vocês como um paraíso de progresso e desenvolvimento social. Mentira pura e simples! Vocês deveriam ter consciência e pararem de vender um peixe podre desses. Conheci centenas de cubanos, todos com histórias escabrosas pra contar. Nunca vi nem conheci pelo menos um que falasse bem da tão propalada “Revolucion”. Além disso, Cuba é um pais que esta despencando aos pedaços. Pelas fotos não é difícil perceber. Fidel Castro é um sujeito asqueroso, com cara de bandido desafiador. Seu olhar flamejante demonstra que sua alma é carregada de culpa e de más intenções. Aliás, todo assassino no fim da vida assume a postura de guru santificado e remido.
            Prefiro Yoani Sanchez com todas as suspeitas de alianças espúrias com países e instituições reconhecidamente democráticas, do que Fidel Castro vestido de cordeiro e com a cruz de Cristo nas mãos.
            Vocês comunistas são figuras quase mitológicas no mundo político bem chegados à vida fantasiosa. Não se cansam de propalar vantagens que ninguém pode conferir ou constatar. Aqui no Brasil, no Paraguai, na França, nos Estados Unidos ou no Gabão; feridas e cicatrizes estão escancaradas para quem quiser ver, pesar, medir, criticar, julgar, tripudiar, zombar. Mas, quando se fala em Cuba e na União Soviética, vocês mudam de assunto como o demônio mudaria se falássemos do céu. O compromisso de vocês é única e exclusivamente com a “Revolucion” utópica, a fim de encher a cabeça de jovens impetuosos e ignorantes e usá-los como soldados numa luta, cuja vitória, se algum dia acontecer, jamais participarão? Fidel Castro eliminou os camaradas que o acompanharam na investida contra Fulgêncio Batista, assim como Lenin também o fez com os trabalhadores miseráveis que o entronaram na liderança da “revolucion” marxista contra a elite czariana russa. Os lideres que carregam consigo o vírus dominatório temem todos aqueles que têm potencial para colocar em risco seu projeto de se perpetuar no poder, por isso se apressam para se livrar deles. Puros traidores!
            Você se dirige a Yoani com perguntas e mais perguntas, quase sempre preocupado com o dinheiro que ela ganha, deixou de ganhar, quem paga suas despesas, por que se mudou para a Europa, por que voltou para Cuba, por que recebeu a emissária americana em seu apartamento? Impressionante como um homem do seu gabarito, senhor de um currículo invejável, catedrático de Sorbonne, vários livros publicados; é capaz de descer das alturas de tamanho pedestal para inquirir outra pessoa que simplesmente esta correndo atrás do mesmo sonho que você conseguiu conquistar. Responda com todas as letras, sem subterfúgios: quem pagou seus estudos até que chegasse a tão alto grau, quais seus ganhos em euros, quanto ganha pelos seus direitos autorais? Baseado no mesmo tom pejorativo das perguntas dirigidas a Yoani Sanchez, não é difícil concluir que o governo cubano teria arcado com as despesas da sua alta graduação enquanto seu povo vive com uma mínima ração e sem poder reclamar.  Senão, a troco de que um intelectual do seu nível, que vive em Paris, Cidade Luz, ícone do capitalismo, do consumismo, da democracia e berço da cultura moderna; perderia quase todo o tempo da vida defendendo e enaltecendo um regime obscuro como o Cubano? Por que não se muda para Cuba e vai ganhar o que ganham os cubanos sob as botas dos irmãos Castro?
            Sinto muito, mas as contas da sua vida não fecham. Por isso qualquer pessoa minimamente inteligente conclui que você é um sujeito desonesto nas suas afirmações, na sua cátedra e nas suas preleções publicadas. Um sujeito do seu nível, morador de Paris, ter a coragem de defender ditaduras e ditadores é um verdadeiro desvio comportamental. E pior: as perguntas formuladas por você e dirigidas a Yoani estão carregadas de afirmações que comprovam o que você comunistas negam sobre Cuba.

Um exemplo:
11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?
Minha pergunta: Quem as impede de levar um alto nível de vida?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?
Meu comentário: o mundo inteiro sabe que em ditaduras comunistas como as da Koreia do Norte, China e Cuba, só os chefões têm acesso livre à internet.

            Outro ponto fraco da sua pessoa é seu pedantismo. Nunca perde oportunidade de anunciar seu longo e invejável currículo acadêmico, certamente na certeza de que sua montaria de ouro o credencia a falar bobagens que todos devem acreditar. Conheço pessoas que o superam em gênero, número e grau; já contribuíram sobremaneira com trabalhos de grande utilidade e nem por isso vivem por aí a se promover como se donos da verdade fossem. Aliás, até se engrandecem quando reconhecem que quanto mais sabem, menos podem compreender os segredos da personalidade humana ou da ciência.
            Yoani ainda será presidente de Cuba, com o apoio internacional. Se depender do meu apoio financeiro e político, ela o terá. Para você ver que carisma e credibilidade ela tem de sobra. Isso é questão pessoal, não se discute. A pessoa já nasce com esse dom! Com certeza a França, país que não é qualquer um que pode ter o privilégio de morar, a apoiará. Nesse caso, lhe dou um conselho. Mude-se para Cuba. Lá as latrinas dos ditadores e dos seus puxa sacos cheiram muito bem. Fedor é coisa de povo e reside lá do outro lado dos muros dos palácios e residências chiques da elite. De qual lado você escolherá viver?
            Ah, ainda lhe restará os Estados Unidos. Você tem visto no passaporte? Se não tiver tente, que eles com certeza o deixarão entrar para continuar metendo o páu neles e elogiando os irmãos Castro. A democracia que eu admiro funciona assim, caro professor!
        Ah, ia me esquecendo! Você quanto eu sabemos muito bem que a América Latina é e foi mesmo muito explorada pelos chacais da direita. Contudo hoje essa desculpa não tem mais fundamento. A culpa da nossa pobreza e do nosso atraso social é simplesmente dos nossos governantes safados, corruptos, desonestos e/ou incompetentes. Por isso um último conselho: pare de imputar a culpa das nossas mazelas latino americanas exclusivamente ao capitalismo. Hoje o maniqueismo totalitário de muitos bandidos que vivem nas abas dos governo e de governantes populistas como Lula e Dilma são nossos maiores inimigos. Dão esmolas com uma mão e roubam com a outra na esteira da enorme carga tributária, inclusive para os bolsistas pobres, que aliás proporcionalmente são os que pagam mais impostos. 
       Veja o exemplo da Argentina e da Venezuela. O que os governantes idiotas estão fazendo lá merece que nota do professor? Na Venezuela há desabastecimento até de papel higiênico e a Argentina já exibe a maior inflação do globo. Certamente o sr. afirmará que a culpa cabe aos americanos e ao seu capitalismo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

OS PORCOS SELVAGENS E O COMUNISMO



         Conta a lenda que certo fazendeiro todo ano plantava muitos acres de milho e devido à grande produtividade tornou-se o maior produtor da região. Sua fazenda estava localizada em um planalto que se estendia das margens do rio até o sopé das montanhas. O sistema de chuvas freqüentes e enchentes esparsas lhe conferiam alta fertilidade às terras, pois quando não eram as águas do rio carregadas de nutrientes invadindo vastas áreas às margens, torrentes jorravam das montanhas depositando generoso humos das folhas caídas ao chão da floresta nativa localizada ao derredor da cordilheira.
Lá, naqueles cumes e grotas perdidas vivia um bando de porcos selvagens altamente ferozes e ariscos, quase impossível de serem capturados. Sua carne especial e muito apreciada os tornava caça preferida não fosse o risco da caçada. Dentes pontiagudos, músculos fortes e alta velocidade demandavam cachorros especiais, bem treinados, assim como caçadores dispostos a matar como também morrer nas corridas desenfreadas por dentre buracos, pedras e arbustos espinhosos.  O bando vivia em liberdade total, naquela região quase impenetrável, gozando de boa saúde graças à abundância de alimentos naturais e ao equilíbrio populacional devido à ação de predadores, brigas entre indivíduos por demarcação de território, estabelecimento de lideranças para conquista do direito ao acasalamento. Enfim tudo funcionava sob a dinâmica do equilíbrio natural.
O fazendeiro então ansioso pela carne apetitosa e barata resolveu desalojar o rebanho com uma estratégia simples. Passou a disponibilizar parte da produção como isca, primeiramente colocadas em pontos estratégicos próximos às matas, a fim de cevá-los com comida fácil. Lentamente foi fixando chamariscos cada vez mais próximos as áreas mais acessíveis.  Os primeiros indivíduos mesmo titubeantes vieram se aproximando e, à medida que o resto do bando os observava seguros e tranqüilos, também veio chegando até que o ato de sair do esconderijo tornou-se fato normal. Comida não era mais problema, não demandava demarcação de território, nenhum risco, nem enfrentamentos constantes. 
A imediata conseqüência foi que a população começou a aumentar promovendo o primeiro desequilíbrio ecológico. As reservas naturais não mais podiam comportar aquele aumento populacional e a crescente demanda por comida. O milho do fazendeiro tornou-se necessidade indispensável. Todo dia, um por um, aparecia quase na mesma hora e pastava tranquilamente o manjar caído dos céus. Ficaram tão certos e seguros que nem mais voltavam à noite para os antigos abrigos. Dormiam por ali mesmo, afinal, nenhum predador se aventurava naquelas perigosas proximidades com o homem.
Então o fazendeiro executou o segundo capítulo da estratégia. Plantou uma cerca a esmo, alta e reforçada, de arames farpados com um comprimento aproximado de um quilômetro. A princípio o bando estranhou, mas nada que o fizesse retroceder; e o alimento fácil foi ainda mais reforçado.
Meses depois, outra cerca formando um ângulo de noventa graus partiu de uma das pontas da primeira. O bando novamente estranhou, mas não desistiu da vida fácil a que estava habituado e continuou se refestelando nas cevas cuidadosamente colocadas. Algum tempo passou e nova cerca, agora nascendo na ponta oposta à primeira, de modo que se formou uma letra U gigante. O rebanho dessa vez sumiu por uns tempos. O fazendeiro contra atacou com mais milho por todos os lados do grande cercado em forma de U e eles retornaram em poucos dias.
Agora era só esperar o desfecho final. Seis meses de calmaria e um belo dia o fazendeiro resolveu fechar o quadrado, deixando apenas uma passagem de alguns metros de largura. O bando reagiu com novo sumiço. Contudo, a fome e a tentação pelo ócio eram grandes e alguns indivíduos mais afoitos começaram a regressar até que lá estava todo o bando. Lentamente aprenderam que havia uma passagem estreita, mas transitável.
Assim as coisas permaneceram por mais alguns meses, até que um dia, muitos capangas e uma matilha de cachorros chegaram sutilmente, empurraram todo o bando para o fundo do quadrado e fecharam a passagem com uma forte porteira equipada com alarmes, ferrolhos e cães famintos plantados do lado de fora.
A boa aparência era visível, todos gordos, pelo liso, mas infelizes. Tornaram-se comida fácil.  Porém o fazendeiro como bom administrador, agora precisava compensar as despesas contínuas e crescentes com alimentação, manejo, construção e eletrificação da cerca, salário dos novos empregados e comida da matilha. Não havia mais cruzamentos espontâneos, lideres e subalternos eram tratados da mesma maneira e para cúmulo do absurdo, a fim de aumentar a produtividade, o fazendeiro adotou um sistema de fertilização in-vitro. Não havia mais liberdade, nem para o prazer do sexo e da reprodução livre. Fêmeas presas de um lado, machos do outro. E para cúmulo do absurdo foram submetidos a um regime de emagrecimento, pois carne magra com menos colesterol tinha maior valor de mercado.
Assim o final da estória foi triste. Indivíduos antes livres no tempo e no espaço infinito, agora enfraquecidos e presos para sempre!
A estratégia de implantação do comunismo assemelha-se à estória acima. Introduzindo-se um elemento novo num ambiente auto-sustentável alterou-se profundamente o equilíbrio do ecossistema. A simples disposição de alimento fácil minou e enfraqueceu o instinto de sobrevivência tornando a espécie dependente e muito vulnerável.
Quando se trata do elemento humano o fenômeno não é diferente. Apesar da racionalidade, quando campanhas assistencialistas são introduzidas com distribuição freqüente de esmolas e outros auxílios materiais baratos, num primeiro momento, funcionam como medidas emergenciais com resultados positivos, mas também promovem alto nível de deslumbramento político popular; contudo emergências não podem e não devem se eternizar. Portanto, se, paralelamente, não forem adotadas medidas de reestruturação social e refinamento educacional capazes de abrir horizontes mentais, a fim de preservar e incentivar o natural instinto humano de questionar e, por conseguinte, de ser e estar livre, para desenvolver opiniões próprias e escolher seu próprio destino, o homem/mulher ficam embotados; assim susceptíveis ao surgimento da inércia mental, da falta de criatividade, do ócio produtivo e da preguiça. A certeza de que a gota salvadora virá em dia e hora marcada é exatamente a dose do ópio que não permite os estados comunistas totalitários se desenvolverem na mesma medida e eficiência dos capitalistas democráticos.
Historicamente o estado totalitário comunista entra num processo de retardamento do ritmo desenvolvimentista, porque assume o status de provedor de uma horda de dependentes conformados com o mínimo possível; desenvolve uma elite parasita, perdulária e intocável; afugenta investidores pela insegurança estabelecida num ambiente aonde quem pensa e progride é considerado vilão e inimigo do regime; cria-se um exército de fanáticos burocratas domados como cães fieis treinados na arte de tomar conta da vida alheia para delatar sob a mínima suspeição de traição; finalmente institui-se o medo como eletricidade da cerca e lembrete de “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

ANTONIO KLEBER DOS SANTOS CECILIO

domingo, 12 de maio de 2013

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE MAMÃE!



Mamãe se foi para junto de Deus, mas suas palavras ficaram:

- " nunca despreze os mais fracos;
 - apague a luz, porque  papai esta apertado;
 - jogue lixo no lixo;
 - gays também são humanos e merecem respeito;
 - ceda seu lugar aos mais velhos;
 - não ande na contra mão, mesmo que na calçada;
 - nunca fale mais alto do que quem grita;
 - ouça o silêncio, ele também tem algo a dizer;
 - sua professor/a merece tanto respeito quanto seus pais;
 - desligue a tv, se não vai assistir mais;
 - fale baixo, seus irmãos estão dormindo
 - sempre tome benção do vôvô e da vóvó, eles são seus segundos pais;
 - fale baixo, papai esta dormindo;
 - não critique o padre; pois suas contas serão prestadas a Deus;
 - as mulheres não são fracas, são sensíveis;
 - reze e agradeça a Deus o alimento antes de comê-lo;
 - vá ao banheiro e o deixe tão limpo, quanto gostou de encontrá-lo;
 - vá estudar senão seu futuro se perderá;
 - você já leu hoje? A leitura enriquece o saber.
 - escove os dentes depois das refeições;
 - lave as mãos depois de ir ao banheiro;
 - nunca pense que o pedaço maior é o seu;
 - lembre-se que o pedestre tem preferência;
 - a música clássica só não é mais sublime que a palavra de Deus!
 - não é vergonha homem chorar
 - errar é humano, mas tente não errar muitas vezes;
 - não jogue papel no chão;
 - não desperdice, porque o resto sempre é a medida do que falta a alguém;
 - não ouça o rádio alto, porque incomoda o vizinho;
 - problemas dos outros aos outros compete;
 - siga os exemplos do papai, ele é um homem de bem;
 - papai e mamãe são seus melhores amigos; nunca duvide de nós;
 - lave seu prato, principalmente se for na casa dos outros;
 - dobre sua roupa e guarde no lugar;
 - nunca deixe o quarto desarrumado quando for dormir fora de casa;
 - não pense que porque você pagou tudo pode;
 - respeite o dinheiro, ele não cai do céu, requer suor;
 - deixe esses pães que amanhã vou oferecê-lo aos pobres;
 - pela manhã ao acordar, agradeça a Deus pela bela noite de sono e pelo novo dia;
 - antes da prova peça inspiração ao Divino Espírito Santo;
 - flores e plantas não são para tocar, mas para admirar;
 - não judie com os animais, eles são criaturas divinas;
 - feche a porta, se a encontrou fechada;
 - pague o que você deve;
 - não mexa no que não é seu;
 - referencie nossa bandeira;
 - poste-se em sentido ao ouvir o hino nacional;
 - morra pela sua Pátria desde que a causa seja justa, se não deserde e morra como traidor".

Nossa, ainda tem muito mais que isso. No momento não me lembro.
Ela era essa ladainha vinte e quatro horas; parecia uma máquina de falar.
Acho que ela se foi, mas ficou!
Quem dera todas as mães fossem tão chatas quanto ela; certamente a humanidade não estaria tão inconsequente e irresponsável como é!
Que Deus a tenha em bom lugar!




terça-feira, 7 de maio de 2013

ESPELHO, ESPELHO MEU EXISTE ALGUÉM MAIS BELO DO QUE EU?



              Antigos escritores infantis exploraram muito bem alguns vis sentimentos quando os embutiram na estória da princesa Branca de Neve. A rainha e bruxa malvada, que invejava a beldade da princesa, mas dissimulava a fraqueza pessoal com chacotas e críticas, não podia suportar a possibilidade de haver no reino outra mais bela que ela. Então, inspirada na figura mitológica do jovem Narciso, o deus grego muito vaidoso, que nutria paixão pela sua própria imagem; ela se mirava no espelho mágico e fazia a clássica pergunta, a fim de se certificar de que sua beleza jamais fosse ameaçada em igualdade ou superação.
            Estórias imaginárias, nada mais são que pequenos reflexos de realidade e o fragmento acima exemplifica como se torna difícil a convivência humana, quando as personagens das histórias da vida real se esquecem de valores nobres como amor, ética, respeito, liberdade, humildade e, embarcadas em idiossincrasias banais, se acham no direito de pisar, menosprezar, zombar e tirar proveito à custa da inocência e da boa fé de inocentes.  
            Narciso foi um herói grego, que segundo estudiosos da mitologia, não teve mérito algum, pois não há registro de nenhum feito importante atribuído a ele. Em vista disso nada mais seria que um perfeito idiota. Em minha opinião, no entanto, ele teve um único mérito: amor perdido por si próprio sem causar mal algum a alguém. Morrer de amor por si, olhando-se no espelho é um caso de loucura incurável. Poderíamos considerá-lo um herói sem pedestal; um pobre ser, vítima de seus próprios fantasmas.
            O mesmo não se pode dizer do narcisista Lula Lá Fidel Castro Inácio da Silva, que estando aí bem faceiro e se auto-intitulando herói popular por ter cumprido dois mandatos, ganhado muito bem pelo serviço prestado e feito nada mais do que a obrigação a que se propôs de livre e espontânea vontade; que não estando contente com os espelhos do seu banheiro e muito menos com os espelhos d’agua do Palácio do Planalto vai aceitar que o governo da presidentA Dilma RussefA erga, em importante praça de Brasília, enorme  estátua da sua pessoa para figurar como símbolo eterno da irresponsabilidade governamental do PT, como também de um ego vaidoso maior do que a desnaturada alegoria, sustentado numa cabeça do tamanho de um grão de feijão.
            Lula Lá e a presidentA RussefA, do degrau mínimo das suas mentalidades minúsculas estão demonstrando graves problemas existenciais. Inveja pura daqueles outros bandidos comunistas que nada fizeram a não ser escravizar seu povo com ditaduras contrárias à democracia que eles dizem defender e terem defendido.
            Todos os ditadores e heróis verdadeiros que o mundo conhece tiveram erguidas estátuas em sua homenagem, com uma importante diferença. Os primeiros mandam erguer suas esfinges, para servir de símbolos macabros aos que por ventura levantarem atrevidamente os topetes contra seus insanos mandos ditatoriais. Os segundos, por sua vez, não pedem e muito menos exigem homenagens presentes ou póstumas, porque seus egos são menores que seus feitos e muitas das vezes o espelho ao qual poderiam mirar sua imagem converteu-se no próprio sangue fresco derramado em nome da justiça e da liberdade de uma nação e de um povo.
            O PT certamente, sob sua pele de cordeiro, não aceite o rótulo de partido comunista, mas as ações dos seus comandantes no seguimento do rastro de outros ditadores e ditaduras, cuja história contemporânea registrou, não deixam dúvida das verdadeiras intenções do lobo totalitário.
O comunismo é um vírus sutil e oportunista que se instala na mentalidade de uma nação através do populismo festivo e da criação de uma legião de dependentes de um Estado paternalista, que jamais tem como prioridade informar e educar. Tratam as questões do aprimoramento pessoal de forma periférica e pontual. Têm como objetivo fundamental enfraquecer o tripé de sustentação de uma nação civilizada, democrática e progressista: o judiciário, os meios de comunicação e os setores produtivos. Através do sufocamento tributário, pesada regulamentação, campanhas difamatórias e dilemas políticos cuidadosamente implantados entre as classes sociais, procuram desmantelar a ordem social vigente e implantar o caos social. Primam pelo alinhamento político com outras ditaduras, mesmo que suspeitas ou criminosas. Por último elegem os americanos, sua democracia tricentenária e o capitalismo como vilões da miséria popular, quando até as moscas sabem quem são os ladrões da sua felicidade.
Se alguém souber o que estão fazendo fora dessa consonância, me informem, pois gostaria saber. Enquanto isso não acontece; meus pêsames ao Brasil e ao seu povo, que pagará 13 milhões de reais na construção de uma estátua inútil para massagear o ego doente do candidato a comandante ditador comunista Lula lá.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

METIRA PRÁ FAZER BOI RIR E ELEITOR BOBOIAR

Há uns anos atrás o então ministro da saúde do presidente FHC, o cardiologista Dr. Adib Jatene, teve uma inspiração divina e inventou aquela tal CPMF – prá quem sofre de memória fraca essa era a sigla que denominava uma parcela de 0.08% que o governo roubava de cada cheque emitido no Brasil – a fim de salvar a saúde pública da penúria em que sempre esteve. O governo, então passou a faturar milhões de reais por minuto nas costas do povão e a saúde continuou mais doente que a cabeça do ministro, bom no coração, mas, lé, lé da cuca.
             O resultado final foi que o governo ficou tão rico, tão rico e tão esquecido, tão esquecido e a saúde ficou tão pobre, tão pobre; que os hospitais públicos não tinham nem padre para dar a extrema unção para todos que morriam nos corredores e chão dos hospitais.
             Aí veio o comandante Lula Lá Fidel Castro Inácio da Silva, eleito com 59 milhões de votos, e nem se lembrou de acabar com a gatunagem no nosso bolso. Um dia, depois de muito tempo, quando o Congresso resolveu acabar com a mamata; não porque se preocupava com o assalto, mas visando votos; Lula Lá quase morreu de infarto e ficou rouco de tanto gritar que a saúde e o povo é que iam sofrer.
             Como ninguém deu bola e a CPMF caiu mesmo, Lula Lá, malandro birrento como ele só, aumentou um monte de outros impostos pra compensar a perda e tudo ficou melhor que antes no Quartel de Abrantes. O povão, bobalhão como sempre, acreditou e ficou feliz da vida, esquecido de que o comandante dava bolsa com a mão direita e tirava com a esquerda.
             Agora, vem a presidentA Dima RussefA, toda feliz, porque sabe que o povão não tem memória e acredita em tudo que ela diz, sorrindo só de dentinho prá fora ainda bem, prometer que fará todo o esforço prá reverter a montanha de dinheiro, que ainda esta lá no fundão do presal, pra saúde da educação pública doente.
            Fiquei pensando: será por que ela não começou a usar a grana preta do mundão de impostos que o governo já cobra de pobre, médio e rico? Esse negócio de contar com passarinho voando nunca deu certo, imaginem passarinho nadando lá no fundão do mar!
           Nem tubarão, nem o dr. Lé Lé da cuca, nem FHC, nem eu acreditamos nisso. Mas o povão?! Ah, esse acreditou e já até começou a fazer mais filho para educar com o dinheirão do presal da Dilminha.
          Quem viver verá o narigão da Dimilnha ficar maior que a burrice do dr. Lé Lé da cuca e do coração!

terça-feira, 30 de abril de 2013

O VELHO E A VERDADE VIVENCIADA



Estou com quase sessenta anos nas costas e enquanto muitos se preocupam com o esgotar da vida, venho curtindo muito o avançado da idade. Já explicarei por que: só ficando velho o indivíduo tem a oportunidade de enxergar com muito mais amplitude o desenrolar dos fatos através do tempo e depois no alto patamar do presente ter condições de olhar para trás e ver aonde aconteceram os erros.
 

Os jovens não têm essa condição porque não têm o filme do passado na memória, não estudam história e assim ficam à mercê do teatro que esses pilantras do PT estão apresentando ao Brasil e ao seu povo ignorante, baseado em demagogia política e assistencialismo açucareiro. Esse é como aquele tipo de pega mosca colante. Só quando o inseto desavisado fica preso é que saberá com quantos paus se faz a canoa. Aliás, não existe canoa nenhuma; porque o que existe é traição mesmo por trás dessa história de luta pela liberdade. Assim os Leninistas procederam na União Soviética, Fidel Castro em Cuba e agora os bolivarianos aqui na América do Sul.
 

E pior é que a receita deles inclui ainda o caos político e social. Armados do seu tradicional cinismo e arguta inteligência procuram semear a discórdia em todos os quadrantes da sociedade, inclusive a intolerância entre as classes sociais. Os Estados Unidos são os eternos inimigos e culpados da pobreza. O capitalismo e a imprensa, os demônios que precisam ser combatidos. Vendem esse peixe com tanta convicção e fanatismo; fazem barulho, gritam, pulam procuram encenar nacionalismo exacerbado, a fim de incendiar os sentimentos, mas jamais se descuidam do açúcar da mosca, porque aí é que esta o laço que um dia vai apertar o pescoço de quem pensa, produz e paga cada vez mais impostos. Essa é a estratégia proposital de enfraquecimento da banda saudável da sociedade. Depois o povão é fácil; basta colocar a polícia na rua e pronto.
 

Essas velhas raposas do PT, na época da guerra fria lutaram a favor do urso soviético. Queriam combater os Estados Unidos, embarcados nos mísseis atômicos vermelhos. O sonho dos bolcheviques na época era transformar o globo num quintal comunista para depois espremerem os Estados Unidos. Lógico que isso era um devaneio, porque uma guerra atômica seria o fim de tudo. Mas os bolcheviques prudentemente pegaram mais leve e liderados por Lênin, Kruschev e depois Stalin se transformaram  nos maiores assassinos daquela época. Invadiram o leste da Europa covardemente, detonaram tudo e deixaram um rastro de mais de 50 milhões de mortos, sem contar os que sucumbiram nos Gulags da Sibéria. Democracia era coisa que nem se podia pensar no quintal deles. Aliás, boa vida eles tinham juntamente com seus comparsas, a elite que fechava os olhos e os apoiava. A mesma história se repetiu em Cuba. Os ditadores assassinos de lá já estão no poder há 54 anos a ponto de ainda servirem de modelo para os mentirosos comunistas daqui.
 

Quem tem a minha idade é testemunha ocular da história. O final do comunismo foi causado pela toxina do seu próprio vírus. Ele próprio se corroeu. Eles chegam a uma inanição tão grande que depois entregam o poder de bandeja para o primeiro louco que quiser se aventurar. Na União Soviética aconteceu assim! Vejam na história!
Estive na Rússia há 2 anos e assisti o governo russo vendendo o país inteiro para as multinacionais do ocidente, porque essa é a única forma de sairem do buraco que o comunismo deixou como herança. E em Cuba vai acontecer a mesma coisa. Não há outra saída.
 

O país que quiser tirar seu povo da miséria tem que incentivar o capitalismo, valorizar o investidor produtivo e a ânsia do empreendedorismo. Segundo passo é investimento maciço em educação, assim como fizeram os coreanos, os japoneses e agora os Chineses.
 

Naquela época os militares entraram no jogo, porque essa era a única saída para não perdermos a democracia existente no Brasil antes da revolução de 64. Naquela época o povo morria de medo do assedio comunista e das suas ações terroristas; das suas bombas, assaltos a bancos, seqüestros de personalidades importantes. Quando jovem fui a muitas novenas com meus pais, a fim de rogar a Deus que protegesse o Brasil e os nossos valentes militares que perseguiram sim com muita eficiência os terroristas a serviço dos Gulags Soviéticos e sua sanguinária ditadura comunista.
 

Perguntem aos seus pais e avós, se ainda vivos ou leiam a história. Aliás, nossa história não é muito confiável, porque sempre foi manipulada ao sabor de interesses políticos. Mas mesmo assim, ainda é possível encontrar livros daquela época cheios desse macabro conteúdo. Eu aconselho um best seller:
ARQUIPÉLAGO GULAG. Aí verão quanta democracia havia na Sibéria Soviética e quais os métodos a que nossos libertários, hoje raposas petistas, eram simpáticos e ainda o são, quando defendem Cuba e sua ditadura cinqüentenária.

DIVIDENDO, DIVISOR, QUOCIENTE E O COLAPSO DA VIDA



            Apesar da expansão do conhecimento científico ser irreversível, não só pela necessidade humana de questionar como também pela sua característica cumulativa, o processo de desenvolvimento nunca foi uniforme e sempre apresentou ritmos e níveis variados nas múltiplas regiões da terra. Certamente por isso, foram necessárias dezenas de séculos até que as conquistas científicas se consolidassem e passassem a fazer parte do dia a dia nos diversos campos da atividade humana. Após todo esse longo período, somente a partir do início da era industrial, há menos de trezentos anos atrás, a dinâmica da vida começou a sofrer maior aceleração.
            Não é necessário que nos afastemos muito no tempo para nos lembrarmos que era muito comum, até há algumas décadas, pessoas nascerem, viverem e morrerem na mesma cidade, na mesma rua e até na mesma casa. Assim também acontecia com os grupos de amigos que eram os mesmos por toda a vida; e dentre velhos amigos muitos enlaces aconteciam; mesmo até entre parentes próximos, devido à dificuldade de locomoção nas vastas distâncias que separavam os núcleos habitacionais; assim como também pela quase impossibilidade de comunicação, os círculos de convívio eram limitados. Filhos constituíam família e continuavam vivendo próximo aos pais, que por sua vez também não se afastaram dos seus pais. As famílias cresciam sem se separar e serviam umas às outras com suas produções caseiras artesanais, que não demandavam grande quantidade de energia nem logísticas de transporte capazes de levar produção a outros núcleos populacionais longínquos.
            Os núcleos humanos eram espécies de ilhas na vastidão, cada qual com seus costumes, cultura e ritmo de desenvolvimento. A precariedade tecnológica nas comunicações limitava o fluxo de informações e, considerando-se que a troca de informação é matéria prima para a criação de mais necessidades e riquezas, à medida que não se comunicava, não se conhecia detalhadamente o que acontecia distante algumas léguas e assim, o ritmo da criação de novas necessidades era pequeno. As mesmas necessidades permaneciam por décadas na cultura local, fazendo com que as pessoas duma geração presente se comportassem, se vestissem, pensassem e tivessem os mesmos objetivos e sonhos daquelas de várias gerações passadas. Fácil perceber isso, quando diante de fotografias históricas, observamos personagens separadas no tempo por décadas ou até séculos se vestindo praticamente da mesma maneira usando sobretudos sóbrios, grandes chapéus e vastos bigodes; sobre cavalos e carroças; cabelos encaracolados bem penteados à moda rococó; mulheres obesas, vestes longas e escuras; teses sérias, sapatos pretos fechados; posturas recatadas.
            Como diria o poeta: “o tempo não para e com ele caminha a humanidade";  então o tempo passou! No seu passo largo foram varridos os pequenos núcleos populacionais que não só cresceram como também expandiram o leque de necessidades. Maior população passou a exigir mais espaço físico à custa do aumento das invasões de reservas virgens e da alteração irreversível de ecossistemas importantes com mais consumo de água, de alimentos, de energia, de maquinário e implementos. Consequentemente maior produção de detritos poluentes, dentre eles os mais perigosos e problemáticos: o químico e o sanitário altamente contaminantes e sépticos.
            Conseqüências dessa nova realidade, cuja dinâmica exigia mais eficiência dos processos, a fim de atender com maior rapidez o constante crescimento da população e das suas demandas de consumo, logo surgiram na ordem direta e proporcional. A principal e que veio causar maior impacto foi o aumento da interatividade entre os núcleos sociais, antes auto-suficientes, mas agora dependentes uns dos outros. Construiram-se novas estradas, incrementaram-se os meios de comunicação, houve maior trânsito de pessoas e as relações, antes restritas a pequenos núcleos, agora se expandiam velozmente e em progressão geométrica e assim cada vez mais espaço físico e recursos naturais foram sendo demandados,  cada vez mais e mais velozmente.
            Hoje, sob avanço das modernas tecnologias nas comunicações globais e a medicina preventiva funcionando como vetor de monitoramento da saúde de maneira muito eficiente, o mundo transformou-se numa aldeia integrada e habitada por uma legião crescente de humanos. Há preocupante expansão em três pontas: na primeira, assistimos a uma avalanche de nascimentos pululando a cada minuto. Na segunda comemoramos o fenômeno do aumento da longevidade e na terceira a forte influência do modismo consumista. A densidade demográfica e a média de idade das populações globais crescem a cada década resultando num contingente humano de dimensões gigantescas e em contínua expansão. A cada dia maior é a demanda por recursos de um planeta pequeno, que já vem dando sinais de esgotamento e saturação iminentes.
            Portanto aí reside um perigoso contra-senso: enquanto o planeta entra em coma e pede socorro, por outro lado aceleram-se os processos de produção, agressão e desequilíbrio. Afinal como atender em tempo e hora às necessidades de uma população gigantesca e que não dá sinais de parar de crescer? A indústria, os meios de produção e as reservas naturais estão sob pressão crescente para gerar trabalho e opções de sobrevivência com melhor qualidade para todo um mar de gente. Instalou-se então a era da alta tecnologia embarcada em produtos descartáveis, que devem durar pouco com o propósito da substituição rápida. Nada pode durar muito, pois a obsolescência precoce é a engrenagem que gera novas necessidades e novos produtos para satisfazê-las e nessa esteira, gerarem-se novos empregos, para novos trabalhadores, que entrem no mercado de trabalho a cada ano.
            Por outro lado, a rápida transitoriedade de coisas e pessoas causa impacto negativo nas estruturas sociais devido à grande competição. Indivíduos vivendo em um campo muito competitivo geram altos níveis de adrenalina devido à exposição constante a novas e severas emoções. O fenômeno já é considerado por alguns cientistas como responsável pela pandemia de doenças secundárias, dentre elas: depressão, hipertensão, cardiopatias e algumas degenerações graves como o câncer. Sobre o fenômeno existem teorias científicas postulando que, à medida que o homem perde seus referenciais característicos da vida pacífica e quase imutável, também fica mais vulnerável às instabilidades emocionais oriundas das constantes e aceleradas mudanças no modo de viver. Ou seja, a sensação da imutabilidade de um processo de desenvolvimento quase inerte gerava paz e segurança pela maior sensação de controle dos ambientes interno e externo. Paz e segurança são fatores responsáveis pela boa saúde.
            Infelizmente a humanidade até aqui baseou seu crescimento em  fontes energéticas altamente poluentes por causa da relativa facilidade na sua obtenção. Contudo, apesar da crescente conscientização de que é passada a hora da introdução de alternativas limpas; ainda não se desenvolveu algo substitutivo com potencial equivalente às velhas, sujas e perigosas opções oriundas do petróleo, do carvão e da energia atômica. Ultimamente com o aumento da preocupação com o problema, criou-se o termo “sustentabilidade”, a fim de caracterizar a necessidade da criação e introdução de novos manejos relacionais com o meio ambiente, que respeitem ao máximo o equilíbrio das estruturas naturais dos ecossistemas. Entretanto, apesar das campanhas de conscientização, da introdução de leis mais rígidas e da fiscalização severa, ainda assim muitas barreiras tecnológicas, políticas e financeiras continuam contribuindo para a exposição do meio ambiente às agressões provindas do veloz progresso científico e industrial moderno.
            Enfim, a humanidade está num impasse, que se não resolvido rapidamente poderá levar a vida ao colapso em poucas décadas. No entanto, em minha opinião, existem apenas duas saídas para que a sustentabilidade não se  transforme num devaneio utópico com resultados inúteis. Primeiramente, a substituição total das fontes sujas para geração de energia e, com tanta emergência quando a primeira: a introdução de políticas severas de controle da natalidade em todos os quadrantes do planeta, inclusive nos países ricos. É impossível brecar a conquista da alta longevidade, mas é perfeitamente possível frear o frenesi reprodutivo e assim limitar a entrada de novos consumidores para a divisão do pequeno, limitado e finito bolo ao qual conhecemos como Terra.